terça-feira, 28 de junho de 2016

HOLANDA OU PAÍSES BAIXOS

Porque mais de um quarto do país está abaixo do nível do mar. E por que não seria então País Baixo, no singular? É que a Holanda é dividida em 12 províncias, que seriam os tais países, no plural. Duas dessas províncias - chamadas de Holanda do Norte e do Sul - acabaram virando sinônimo de toda a região em alguns idiomas, como o português e o espanhol.
"Isso aconteceu porque essas duas províncias dominaram por muito tempo a história do país. Lá ficam os grandes portos e os navios que viajavam para o exterior carregavam consigo o nome da região", diz o holandês Martinus Feliz Mertens, assessor da Embaixada dos Países Baixos no Brasil. Mais curioso que a confusão a respeito dessas terminologias é a luta dos holandeses contra a ingrata geografia do país. Até o século XIV, parte do que é hoje a Holanda estava submersa. A introdução dos moinhos de vento, símbolo do país, trouxe a tecnologia necessária para drenar enormes áreas alagadas - as grandes pás captavam a energia do vento e com ela acionavam bombas de sucção. Isso, aliado à construção de diques, permitiu o aumento do território habitável. Em janeiro de 1953, os diques que protegiam o sudoeste dos Países Baixos se romperam após uma violenta tempestade, combinada com marés altas. Cerca de 150 mil hectares de terra foram inundados e 1 800 pessoas morreram.
O país então desenvolveu o Plano Delta, que reforçou e aumentou diques, além de construir barragens para proteger a Holanda da baixa altitude em relação ao mar.


sexta-feira, 24 de junho de 2016

A VIDA EM UM DESERTO

Não é nada fácil. Além do clima altamente seco e da água escassa, as mudanças de temperatura são enormes: de dia, o calor é de rachar, acima dos 40 ºC; de noite, faz frio abaixo de zero. Mas, apesar de todas as dificuldades, milhares de animais habitam os desertos, que têm diferentes características dependendo da região do planeta onde se localizam. O Saara, por exemplo, talvez o mais conhecido de todos, é uma imensidão de dunas com oásis em pontos isolados. Já os desertos do sudoeste dos Estados Unidos têm o solo de terra batida e uma vegetação em que predominam os cactos. Em cada um deles vivem animais específicos, que desenvolveram curiosos mecanismos fisiológicos e comportamentais para sobreviver. Raposas, morcegos, muitas cobras e a maioria dos roedores só saem das tocas à noite, quando a temperatura cai.
Outros bichos, como o chamado esquilo-do-solo (Spermophilus tereticaudus), encontrado nos desertos do México e dos Estados Unidos, entram em estado de estivação - nome dado à hibernação nas regiões quentes - quando o calor é excessivo e a vegetação está seca demais. Já os urubus-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura) - também do sudoeste dos Estados Unidos - urinam nas próprias pernas para se refrescar. "Quando o líquido evapora, carrega com ele uma certa quantidade de calor. É também pela mesma razão que vários mamíferos do deserto ficam lambendo suas patas", afirma o biólogo José Eduardo Pereira Wilken Bicudo, da Universidade de São Paulo (USP). Os bichos do deserto também adotam estratégias curiosas para driblar a falta de água. Muitos são capazes de tirar todo o líquido de que necessitam dos alimentos que consomem, principalmente cactos.
Até como aproveitar ao máximo qualquer tipo de umidade, por menor que seja, eles sabem. "Os ratos-cangurus (Dipodomys deserti) vivem em galerias sob o solo completamente fechadas, criando um microclima favorável à vida", diz José Eduardo. Assim, eles evitam que a umidade exalada pela respiração escape, podendo reutilizá-la, graças a sofisticadas estruturas nasais. Outros truques interessantes dos ratos-cangurus - e de outros animais capazes de sobreviver nos desertos mexicanos e americanos - podem ser conferidos nos destaques abaixo e na página da direita.
Orelhão refrescante
As orelhas desproporcionais e cheias de vasos sanguíneos das lebres da espécie Lepus californicus servem para liberar calor quando o animal descansa na sombra. Membros da mesma espécie que habitam regiões de temperatura mais amenas possuem orelhas bem menores
Urina reciclada
Além de viverem protegidos do calor em galerias subterrâneas, os ratos-cangurus (Dipodomys deserti) - roedores semelhantes a pequenas cobaias - possuem uma arma importante para sobreviver na aridez do deserto: rins altamente eficazes, dotados de tubos microscópicos que extraem a maior parte da água presente na urina, fazendo-a retornar para o organismo do animal
Economia Preciosa
Conhecida como roadrunner e popularizada nos desenhos animados do Papa-Léguas, a ave Geococcyx californianus é um dos mais famosos animais dos desertos americanos. Ela consegue reabsorver a água contida nas fezes antes de evacuar. Além disso, o excesso de sal do seu organismo é eliminado por glândulas nasais em vez de sair pela urina, preservando os líquidos internos
Peixe Milagroso
É difícil de acreditar, mas existem peixes capazes de viver no deserto. Um desses raros casos é o pupfish (Cyprinodon macularius ou diabolis), peixinho colorido de apenas 6 centímetros que vive em nascentes e lagoas de águas quentes. Quando o inverno se aproxima e a água esfria um pouco, ele entra em estado de dormência, enterrando-se no fundo da lagoa para ali permanecer até o começo da primavera
Lagarto ligeirinho
Os lagartos do deserto se mantêm em atividade até mesmo nos horários mais escaldantes do dia. Mas, para se defender do calor do solo - que pode superar os 60 ºC -, eles se deslocam em alta velocidade. O chamado lagarto-do-colarinho-vermelho (Crotaphytus collaris) chega a ficar de pé e se locomover apenas sobre duas pernas, uma raridade para esse tipo de réptil
Dublê de tatu
A tartaruga-do-deserto (Gopherus agassizii) é capaz de suportar temperaturas das mais elevadas graças a sua habilidade para cavar buracos e se enterrar neles. Ela chega a passar 95% de sua vida dentro dessas tocas. Avesso ao frio, o bicho entra numa espécie de hibernação durante o inverno, quando todos os seus mecanismos fisiológicos funcionam lentamente, economizando o máximo de energia

segunda-feira, 20 de junho de 2016

COMO OCORREM OS VULCÕES

Como ocorrem os vulcões
por Gilberto Stam | Edição 8
Existem dois tipos básicos: o explosivo e o não explosivo. O primeiro aparece em pontos onde se chocam as placas tectônicas (os grandes blocos que formam a crosta terrestre) - seu melhor exemplo está nos vulcões que desenham o chamado Cinturão de Fogo, em torno do oceano Pacífico. Esse tipo se caracteriza também pela lava quase sólida, além de expelir poeira e uma mistura de gases e vapor d’água. A lava desse vulcão vem das profundezas da Terra, onde a temperatura elevada derrete a rocha da crosta oceânica e faz com que ela se misture à água do mar. "A presença da água é que faz esse vulcão ser tão explosivo. Conforme a lava sobe, o vapor d’água é liberado da rocha e esbarra numa tampa formada pelo material endurecido da explosão anterior, aumentando a pressão até explodir. Ele pode ser comparado a uma garrafa de bebida gasosa", afirma Caetano Juliani, geólogo da Universidade de São Paulo (USP).
Vulcões não explosivos, como os do Havaí, ficam bem no meio de uma placa tectônica, longe do choque entre elas. Esse tipo surge quando ocorre alguma fissura na crosta terrestre por onde a lava pode escorrer.
Essa lava é mais líquida e incandescente. "É como se o vulcão estivesse localizado embaixo de um maçarico, que faz o material do manto derreter, o magma subir e atravessar a crosta", diz Caetano. Há ainda um outro tipo de vulcão não explosivo, que pode aparecer no fundo do mar, a grandes profundidades. Os vulcões têm reservado surpresas desagradáveis para os seres humanos. Talvez o episódio mais famoso seja o da cidade de Pompéia, na Itália. Ela foi varrida do mapa pelo Vesúvio e seus 2000 habitantes morreram sepultados por uma camada de 8 metros de cinzas no ano 79. As piores catástrofes, porém, são mais recentes. Em 1815, na Indonésia, o Tambora tirou a vida de 92000 vítimas. Em 1985, na Colômbia, o Nevado Del Ruiz matou 23000 pessoas. Embora não possua vulcões hoje, o Brasil já teve suas montanhas de fogo. Nosso vulcão mais antigo já descoberto soltava lava na Amazônia há 1,9 milhão de anos.
Bem antes disso, há cerca de 150 milhões de anos, havia na América do Sul uma grande fissura que ia do estado do Mato Grosso até a Argentina - na região em que hoje corre o rio Paraná. Dessa enorme rachadura, escorreu uma quantidade de lava que se acumulou da cidade de Santos, SP, até a cordilheira dos Andes, na maior atividade vulcânica do planeta na época. Nesse período, a África e a América do Sul estavam se separando e, se a fissura crescesse, uma parte do território sul-americano teria ido parar do outro lado do oceano Atlântico.
Fenômeno dupla faceExistem dois tipos de vulcão: explosivos e não explosivos
A - Até debaixo d’água
Os vulcões não explosivos que existem no fundo dos oceanos, apesar de pouco conhecidos, são muito comuns. Eles surgem por causa do movimento das placas tectônicas, que abre enormes fissuras na crosta terrestre
B - Montanhas de lava
As fissuras abrem caminho para o avanço da lava, formada por rochas derretidas pelas altas temperaturas do interior do planeta. Conforme as placas se movem, com velocidade de até 10 centímetros por ano, essa lava expelida se solidifica e forma enormes cadeias de vulcões, cerca de 2,5 quilômetros abaixo da superfície do mar
Perigo à beira-marIncidência de vulcões concentra-se no pacífico
Existem cerca de 1500 vulcões ativos (os triângulos vermelhos do mapa). A maioria deles se formou no encontro entre as placas tectônicas (assinaladas pelas linhas azuis) - principalmente as que circundam o oceano Pacífico. Por isso, a região é chamada de Cinturão de Fogo. Só a Indonésia tem 127 vulcões em atividade
1 - Trombada subterrânea
O processo de formação de um vulcão explosivo começa quando uma placa tectônica oceânica entra em choque com outra placa e é forçada a mergulhar em direção ao interior da Terra
2 - Temperatura máxima
Conforme a profundidade aumenta, a temperatura sobe (devido ao calor interno do planeta) até a rocha derreter. A rocha derretida vai se misturar com água e formar bolhas embaixo da terra
3 - Passagem forçada
Se as tais bolhas forem grandes o suficiente, podem forçar a passagem para cima através da crosta terrestre. Conforme elas sobem, vão se resfriando e liberando vapor d’água e outros gases que estavam presos na rocha
4 - Panela de pressão
Como o vulcão fica tampado pelo acúmulo de lava solidificada de explosões anteriores, os gases vão se acumulando. Quando a pressão se torna forte o suficiente, a tampa do vulcão rompe e ele explode
5 - Restos da explosão
Esse tipo de vulcão lança, em vez de lava líquida, detritos de rocha quente e poeira. É o acúmulo desse material que, aos poucos, vai formando a montanha do vulcão e sua cratera

quinta-feira, 16 de junho de 2016

ENERGIA DO MAR

por Camila Paulos | Edição 145
 Essa fonte tem uma vantagem sobre outras formas de energia sustentável: as ondas são constantes, diferentemente do vento e do sol, o que permite a produção regular de eletricidade, sem tanta oscilação. A primeira usina do tipo foi construída na França, em 1966, e, hoje, há pelo menos 15 operando pelo mundo, a maioria ainda não comercialmente. Uma dessas, a primeira da América Latina, está no Brasil, no Porto do Pecém, no Ceará. Desenvolvida pelo Laboratório de Tecnologia Submarina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com tecnologia brasileira, ela ocupa uma área de 200 m2 e produz 600 kWh/dia, o suficiente para alimentar mais de 300 casas.
Laboratório submarino
Fernando de Noronha tem outro tipo de usina
O movimento do mar também tem sido aproveitado em Fernando de Noronha (PE), mas de forma diferente. Grandes pás flexíveis são movimentadas pelas agitações sob as ondas e acionam um pistão na base do equipamento, que empurra óleo por uma tubulação e ativa a turbina de um gerador. Tudo isso no fundo do mar, em uma profundidade de cerca de 20 m e a 300 m da praia. A energia é levada à ilha por meio de cabos submersos
MOTOR DE MARÉS
Ondas ativam sistema que joga água pressurizada em turbina
1. No mar, estão dois braços mecânicos com flutuadores nas pontas. A água agita os flutuadores para cima e para baixo, movimentando os braços: a subida significa aumento na pressão exercida, enquanto a descida causa diminuição. Essa pressão recai sobre uma bomba hidráulica instalada em terra
2. A bomba repassa a pressão para o acumulador pneumático. Trata-se de uma câmara preenchida parte por água doce (sem ligação com a do mar), parte por gás, sendo que as duas são separadas por um pistão. Quando a pressão vem pela tubulação, transmitida pela bomba, o pistão é empurrado para cima, abrindo passagem para que a água escape por um cano
3. Por esse cano, o líquido passa com uma força equivalente à de uma queda d¿água de 400 m de altura. Esse jato cai sobre as pás de uma turbina, igual às usadas em usinas hidrelétricas. Conforme gira, o gerador da turbina transforma a energia mecânica da água em energia elétrica, que é repassada para a rede por meio de cabos

Curiosidade: A escolha do local não foi aleatória: o mar do Ceará tem ondas regulares, o que ajuda a manter o funcionamento constante
CONSULTORIA Paulo Roberto da Costa, engenheiro e pesquisador, e Gustavo Araújo, diretor de infraestrutura de Fernando de Noronha
FONTES Ministério do Meio Ambiente, Governo do Estado do Ceará e Tribuna do Ceará





















quarta-feira, 15 de junho de 2016

TEXTO COMPLEMENTAR: Por que há tanto petróleo no Oriente Médio

A região passou por vários processos naturais que favoreceram o acúmulo desse óleo chamado de ouro negro. Há 40 milhões de anos, o movimento das placas tectônicas - gigantescos blocos de rocha sobre os quais se assentam oceanos e continentes do planeta - contribuiu para o fechamento dos oceanos primitivos da região. Essa água evaporou e minúsculos vegetais marinhos se depositaram no fundo dos mares. Por meio de decomposição - e também de aumento na pressão e na temperatura -, o material orgânico desses microorganismos deu origem ao petróleo. A sorte do Oriente Médio é que lá cada uma dessas etapas aconteceu no tempo geológico mais adequado. Além disso, o choque entre as placas teve outro efeito. "A Península Arábica se desprendeu da África e se deslocou para o norte. A colisão entre as placas Arábica e Eurasiana criou muitas dobras nas camadas do subsolo onde o petróleo se deposita", afirma o geólogo Peter Szatmari, da Petrobrás.
Nesses enormes reservatórios subterrâneos, o petróleo ficou armazenado entre grãos de areia e rochas sedimentares - materiais que, no Oriente Médio, são abundantes e muito porosos, deixando o petróleo fluir com facilidade. Outro fator importante: o óleo não escapa do subsolo graças a uma camada impermeável de sal - também originada da evaporação dos mares antigos -, que funciona como uma tampa protetora. Como se não bastasse, tudo isso ainda está aliado a outra vantagem: o clima seco. "Com ele, há pouca possibilidade de que água e bactérias rompam a camada de sal, penetrem no solo e contaminem o óleo", diz Peter.
A casca terrestre é feita de imensos blocos de rocha chamados placas tectônicas. No Oriente Médio, duas delas se mantêm em choque uma com a outra: a placa Arábica e a Eurasiana. Essa colisão cria, no subsolo, vãos que acabam se transformando em reservatórios de petróleo

terça-feira, 14 de junho de 2016

AS CAMADAS DA ATMOSFERA E AS DIFERENÇAS ENTRE ELAS

Ela possui cinco camadas, divididas por um critério: as variações de temperatura. Além disso, as três primeiras camadas - troposfera, estratosfera e mesosfera - formam a chamada homosfera, onde predomina a mesma composição química do ar: basicamente nitrogênio (78%) e oxigênio (21%). As mudanças na temperatura que as definem são causadas pela radiação solar e suas interações com o solo (a maior fonte de calor da atmosfera) e as partículas do ar. "Na verdade, essas divisões não são rígidas, porque a atmosfera é uma estrutura complexa e pode ser classificada de formas diferentes, mas cada região tem uma série de características em comum", diz Robert Clemesha, meteorólogo do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São Carlos. Fora a homosfera, há mais uma camada que se sobrepõe às cinco divisões da atmosfera - a ionosfera, que começa a 80 quilômetros de altitude e termina junto com a exosfera.
Essa camada foi definida por outra característica: é onde a energia do Sol quebra as moléculas de ar, formando os íons, partículas com carga elétrica positiva ou negativa. A atmosfera, principalmente as duas primeiras camadas, é onde ocorrem os fenômenos climáticos. "A diferença de temperatura no Equador, onde a incidência de raios solares é maior, e nos pólos, causa o movimento dos ventos", diz Pedro Dias, meteorologista do Instituto Astronômico e Geofísico da USP. A espessura da atmosfera sobre a Terra pode ser comparada, proporcionalmente, à casca de uma maçã. Mas, sem ela, o planeta seria tão inóspito quanto a Lua. A atmosfera fornece ar e água para os seres vivos, mantém o planeta aquecido e nos protege dos raios solares e de meteoritos.
O céu que nos protegeA variação da temperatura é o critério da divisão e da classificação atmosféricas
500 km
EXosfera - A última camada, na transição entre a atmosfera e o espaço, já está no vácuo. Por isso, aqui não existem mais os fenômenos de temperatura. Essa é a única camada sem tamanho definido: ela vai terminando gradualmente
500 km -90ÞC a 1000ÞC
Termosfera - O ar aqui é tão rarefeito que as partículas podem se movimentar com toda a liberdade, sem se chocar com outras. Isso aumenta sua energia cinética e a temperatura, que chega a um pico de 1000ÞC
100 km 0ÞC a -90ÞC
Mesosfera - Nessa camada não há mais nenhuma fonte de calor, e a temperatura volta a cair com a altitude
50 km 0ÞC a -60ÞC
Estratosfera - Aqui a temperatura sobe com a altitude por causa do ozônio, que absorve os raios ultravioleta
13 km 15ÞC a -60ÞC
Troposfera - Na primeira camada, a temperatura cai conforme nos afastamos da superfície, aquecida pelos raios solares

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Como nascem os rios

Eles surgem principalmente devido à ação das águas da chuva. Parte delas se infiltra pelas áreas mais permeáveis e outra parte escorre pela superfície em direção aos terrenos mais baixos, formando pequenos filetes que, à medida que se juntam, criam fios maiores, pequenos riachos e, finalmente, rios. A água que se infiltra no solo penetra até as camadas inferiores, formadas de pedras impermeáveis, e lá continua se movimentando subterraneamente conforme a inclinação da camada rochosa. "Mais adiante, então, ela volta à superfície, também alimentando os rios", diz o engenheiro de minas José Renato B. de Lima, da USP. Novos rios podem aparecer quando, pela ação de terremotos ou vulcões, o relevo de uma paisagem é alterado, surgindo novas elevações ou depressões - e, com elas, caminhos alternativos para a água escorrer. Há também rios que têm sua origem do derretimento das neves acumuladas no cume das montanhas: é o caso do Amazonas, formado por neve derretida dos picos da Cordilheira dos Andes.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Por que os ventos sopram da terra para o mar durante o dia e, à noite, do mar para a terra?

O ar sempre se desloca do ponto onde a pressão é mais alta para onde ela é mais baixa. Isso explica porque a brisa marítima surge da diferença de temperatura entre o mar e o continente. Para se aquecer, a água precisa de mais energia solar do que a terra. Ambas recebem a mesma quantidade de energia, mas o mar aquece mais porque o solo é mau condutor e concentra o calor - enquanto a água é boa condutora e dispersa o calor para as profundezas. Assim, a temperatura mais alta da terra aquece o ar sobre ela, tornando a pressão atmosférica menor que sobre o oceano e fazendo o vento soprar para a terra. À noite, a situação se inverte: o mar demora para resfriar porque as águas profundas mantêm a temperatura noturna quase igual à diurna. O ar sobre o oceano é mais quente que na terra. Como a pressão sobre o continente é mais elevada, os ventos se dirigem para o mar, que tem pressão mais baixa.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Convenção de Genebra

Convenção de Genebra é o nome que se dá a vários tratados internacionais assinados entre 1864 e 1949 para reduzir os efeitos das guerras sobre a população civil, além de oferecer uma proteção para militares capturados ou feridos. A história desses tratados está associada ao suíço Henri Dunant, fundador da Cruz Vermelha. Dunant tomou a iniciativa de organizar esse tipo de acordo em uma convenção na cidade de Genebra, na Suíça, em 1864, que contou com a presença das principais potências européias. Após o primeiro encontro, várias outras convenções foram realizadas para ampliar e detalhar uma espécie de regulamento para a participação em uma guerra. A cidade de Haia, na Holanda, foi sede de dois dos encontros seguintes (em 1899 e 1907) e na Suíça mesmo foram assinadas outras três convenções (em 1906, 1929 e 1949).
"A aplicação dessas leis permanece insatisfatória, embora o artigo primeiro comum a todas as Convenções de Genebra estabeleça que é dever das nações cumprir os tratados", afirma o jornalista inglês Kim Gordon-Bates, porta-voz da Cruz Vermelha. Mesmo assim, os tratados serviram pelo menos para deixar claro o que o mundo considera inaceitável num conflito armado. Quem ultrapassa esses limites comete os chamados crimes de guerra. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), por exemplo, foi montado o famoso Tribunal de Nuremberg, na cidade alemã de mesmo nome, onde foram julgados líderes nazistas acusados, entre outras coisas, de violarem as leis internacionais. Uma corte semelhante foi organizada em Tóquio para julgar os japoneses, aliados dos alemães no conflito.
"Esses tribunais confirmaram que indivíduos poderiam ser responsabilizados pela violação da lei internacional, estabelecendo que ordens superiores não eximiam um réu da responsabilidade", diz o jurista Peter John Rowe, da Universidade de Lancaster, na Inglaterra. Em 1998, um tratado assinado em Roma, na Itália, criou o Tribunal Penal Internacional, com a tarefa de julgar violações graves consideradas crimes de guerra. Hoje, o ex-ditador sérvio Slobodan Milosevic enfrenta esse tribunal, acusado por atos cometidos nos conflitos na antiga Iugoslávia na década de 1990.
O que é proibido
Há três tipos de infração envolvidos num conflito
Crimes de guerra
• Assassinato ou maus-tratos da população
• Deportações para trabalhos forçados
• Assassinato ou maus-tratos de prisioneiros
• Pilhagem de propriedade pública ou particular
• Destruição indiscriminada de cidades e devastação sem necessidade militar
• Assassinato de reféns
Crimes contra a paz
• Planejar guerra de agressão ou em violação a tratados internacionais
• Participar de plano comum ou conspiração para promover esses atos
Crimes contra a humanidade
• Extermínio, escravização e outros atos desumanos antes ou durante uma guerra
• Perseguições por motivos políticos, raciais ou religiosos

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Supremo Tribunal Federal

por Lorena Verli | Edição 68
O Supremo Tribunal Federal (STF) é composto de 11 pessoas, indicadas pelo presidente da República - por isso, são chamadas de ministros -, que julgam todo tipo de caso como última instância. Ou seja, qualquer caso pode chegar ao STF, mas dali não passa, afinal não há instância superior a ele na Justiça brasileira. E não pense que o STF só é acionado em processos contra figuras públicas - como é o caso do mensalão, que está sendo julgado por eles - ou em casos em que a interpretação da Constituição é megacomplicada: em 2002, por exemplo, os ministros receberam 160 mil processos e julgaram 83 mil deles. Enquanto isso, em um ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos julga em média 150 casos. Isso não significa que os americanos não cometam crimes. A diferença é que a Constituição brasileira é muito mais complicada do que a americana. Você pode, por exemplo, questionar a constitucionalidade de situações relacionadas à cobrança de pedágio, já que esse é um dos temas tratados entre os 245 artigos que compõem nossa Carta Magna. Mas o trabalho duro dos ministros é compensado à altura: eles recebem um belo salário de 24,5 mil reais, o maior salário do funcionalismo público, além disso, o cargo é vitalício, embora eles se aposentem obrigatoriamente aos 70 anos de idade.
Caminhos supremos
Processos que chegam ao STF têm três origens, mas na hora do julgamento eles se encontram
OS CASOS DA CORTE
O STF julga dois tipos de casos: acusações de inconstitucionalidade e crimes do alto escalão. No primeiro grupo, entra qualquer tipo de processo que acuse desrespeito a algum artigo da Constituição brasileira. No segundo, só se enquadram os ocupantes dos cargos mais altos do governo
VIP
Se o presidente da República ou seus ministros forem acusados de qualquer tipo de crime, eles não respondem na Justiça comum: vão direto para o STF. Ou seja, se algum deles roubar uma galinha do vizinho, cairá nas garras dos 11 ministros do STF
NOVA BIFURCAÇÃO
Os casos de inconstitucionalidade são divididos em "competências originais" e "casos que vêm de fora". "Competência original" quer dizer que os próprios ministros do STF decidiram investigar um caso. O processo do mensalão se enquadra nesse grupo. Os ministros receberam uma denúncia do procurador-geral da União, votaram e decidiram investigar os acusados
O QUE VEM DE FORA
Os processos que não são pedidos pelo STF têm origem em órgãos inferiores da Justiça. Quando alguém comete um crime, o caminho mais comum é: um delegado investiga e apresenta uma denúncia ao Ministério Público, que, se achar que o caso tem fundamento, libera o julgamento em um juizado de 1a instância; se houver recurso, o caso vai para o Tribunal de Justiça, daí para o Superior Tribunal de Justiça e só então para o STF
PROVAS E TESTEMUNHAS
Os casos que vêm de fora do STF chegam lá depois de terem sido investigados em todas as instâncias inferiores. Aí os ministros decidem se querem ouvir mais alguma testemunha ou simplesmente analisam os relatórios das investigações. Já nos crimes de alto escalão e nas competências originais, a Polícia Federal conduz uma investigação por ordem do STF
MELHOR DE 11
Todos os casos são julgados da mesma forma: os 11 ministros votam e a maioria "ganha". Cada processo tem um relator, que acompanha e descreve cada passo dele aos demais ministros. Não há abstenções, a não ser que algum ministro tenha relações pessoais com o réu. Se a votação empatar, o presidente da corte tem o voto de Minerva ou decide-se em favor do réu
DE VOLTA AO COMEÇO
A decisão do STF é definitva. Mas, em caso de condenação, a execução da pena varia. Os crimes que vêm de fora são enviados novamente para o primeiro juiz que cuidou do caso e ele fica responsável por fazer a decisão ser cumprida, emitindo mandado de prisão e acionando a Polícia Civil. Nos crimes de alto escalão e competências originais, a decisão do STF é cumprida diretamente pela Polícia Federal