segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Vandalismo: Praga urbana causa enormes prejuízos

Quais os limites entre o vandalismo puro e simples e a depredação praticada em nome de reivindicações sociais? Ônibus incendiados têm se transformado num evento relativamente comum no Brasil, sendo praticado tanto espontaneamente por multidões revoltadas, quanto por organizações criminosas, visando a atemorizar a população e intimidar o Estado.
Os atos de vandalismo resultam em grandes prejuízos e provocam transtornos na vida de grande parte da população. Vejamos, a seguir, alguns exemplos:
São Paulo
No Estado de São Paulo, 25% dos orelhões são danificados todos os meses. A empresa responsável afirma que se não houvesse a manutenção dos 250 mil telefones públicos instalados em todo o estado, em apenas quatro meses não haveria um único aparelho em condições de uso.
No caso das escolas, estima-se que 65% das existentes no Estado de São Paulo sofrem depredações. Apesar de esses atos de vandalismo serem recorrentes, não há registro de quanto se gasta na reposição de mobiliário e vidros de janelas, ou para se repintar muros pichados.
Ainda em São Paulo, a prefeitura da capital gasta R$ 600 mil todos os meses com a manutenção de abrigos de ônibus. Nos terminais urbanos, mais R$ 750 mil são desembolsados por mês para repor bens vandalizados. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) contabilizou, no primeiro semestre de 2009, 1.249 casos de vandalismo contra suas composições.
Todos os meses, 150 quilômetros de cabos usados na iluminação pública da capital paulista são furtados, além das 300 lâmpadas que precisam ser substituídas. Outro perigo é representado pelo roubo de tampas de bueiros, o que pode causar graves acidentes: todos os meses desaparecem 500 dessas tampas de metal, com valor de R$ 200 cada uma. Além disso, 400 placas de sinalização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) somem a cada mês e cerca de 500 metros de cabos de semáforos têm de ser recolocados a cada 30 dias.
Há também o problema da pichação. De 2006 a 2009, a prefeitura pintou 6,7 milhões de metros quadrados de muros na cidade de São Paulo - o gasto mensal de cada uma das 31 subprefeituras para recobrir pichações é de R$ 15 mil.
Rio de Janeiro e Curitiba
O vandalismo ataca também o patrimônio público. Exemplo disso ocorre no Rio de Janeiro, cidade que tem o maior número de monumentos: 694. A prefeitura gasta, anualmente, R$ 700 mil para limpar as pichações que são feitas em bustos, estátuas e esculturas; e outros R$ 200 mil para repor placas ou partes de obras.
Na cidade de Curitiba, no primeiro semestre de 2009 foram riscadas 11.285 janelas de ônibus. A reposição de todas custaria cerca de R$ 2,6 milhões. Nas estações tubo, símbolo urbanístico da cidade, o vandalismo representou, no primeiro semestre de 2009, um prejuízo aproximado de R$ 115 mil; em 2008, a conta foi de R$ 350 mil para repor vidros, catracas, elevadores, corrimões e portas.
Causas
Os estudiosos ainda discutem sobre as possíveis causas dos atos de vandalismo, mas a única conclusão é de que esse tipo de comportamento não está condicionado à situação socioeconômica dos depredadores, pois eles podem ser encontrados em todas as classes sociais.
De qualquer forma, acredita-se que a educação ainda seja o melhor caminho para transformar vândalos em cidadãos que não destruam o patrimônio que pertence a todos.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

África do Sul: País possui grandes reservas de carvão, petróleo, ouro e diamante

República da África do Sul cobre uma área de 1.221.037 Km2, possui uma população de 47,9 milhões (2008) e é formada pelos seguintes grupos étnicos: a) autóctones, 70% (zulus - 20,5%, xosas - 18%, pedis - 9%, sotos - 7%, tsuanas - 6%, tsongas - 3,5%, suazis - 2%, nedebeles - 2% e vendas - 2%); b) europeus, 12% (holandeses, alemães, franceses, ingleses); c) eurafricanos, 13%; d) indianos, 3%; e outros, 2%.
O país fica situado no extremo mais meridional do continente africano. Tem fronteiras comuns com NamíbiaBotsuana Zimbábue, sendo ladeado, a nordeste, pela República de Moçambique e pelo Reino da Suazilândia. A sudeste, e totalmente circundado pelo território da África do Sul, situa-se Lesoto. A oeste, sul e leste, a África do Sul é banhada pela parte meridional dos Oceanos Atlântico e Índico. Isoladas e situadas no Atlântico Sul, encontram-se as ilhas Príncipe Eduardo e Marianas, que passaram a fazer parte da África do Sul em 1947.
O inglês e o africâner são as duas línguas mais faladas em todo país, mas há ainda outros idiomas, como o ndebele, xhosa, zulu, sepedi, sesotho, setsuana, siswati, tshivenda e xitsonga.
Quanto à religião, a população está assim dividida: cristianismo, 66,4% (independentes reformistas católicos, metodistas, anglicanos, luteranos); hinduísmo, 1,3%; islamismo, 1,1%; judaísmo, 0,2%; sem filiação, 1,2%; outras, 29,8%.
As principais cidades do país são: Johannesburgo, Cidade do Cabo, Durban, Pretória, Port Elizabeth, Rustenburg e Magaund. Possui três capitais: Pretória (administrativa), Bloemfontein (judiciária) e Cidade do Cabo (legislativa).
A economia mais avançada da África
Na economia, a agricultura de subsistência convive com uma moderna atividade industrial e mineral, que dá ao país o maior Produto Interno Bruto (PIB) do continente - US$ 50,1 bilhões. A África do Sul é um grande produtor mundial de ouro e um dos grandes líderes na extração de diamantes. Sua moeda oficial e corrente é o Rand, criado em 1961, ano da formação da República da África do Sul.
A economia da África do Sul é a maior e mais avançada da África. Nos anos que antecederam o fim do apartheid (1994), o país foi submetido a sanções econômicas cada vez mais severas. No entanto, sua exclusiva variedade de minérios - incluindo vastos recursos de carvão -, sua agricultura bem desenvolvida, seus setores industriais e comerciais permitiram sua sobrevivência.
A República da África do Sul possui uma economia comandada por livres empreendimentos. O Estado participa, diretamente, de uma ampla faixa de atividades industriais - tais como produção de óleo e armas - e, indiretamente, de muitas outras, através de várias agências de desenvolvimento.
Os serviços financeiros são sofisticados e há uma boa infraestrutura nos transportes e nas telecomunicações. A mineração, a manufatura, o comércio, a agricultura e as finanças sempre foram empreendimentos livres. Paralelamente à economia formal encontramos uma grande economia informal, composta por comerciantes, prestadores de serviços e agricultores de subsistência.
A riqueza mineral do país está presente em diversas formações geológicas, algumas das quais são, em termos mundiais, singulares e extensas. A África do Sul possui grandes reservas mundiais de cromo, vanádio, manganês, carvão, petróleo, ouro e diamante.
Entre as categorias de produtos de exportação mais importantes, encontram-se: carvão, diamante, ligas de manganês, minérios de ferro, cromo, titânio, cobre, manganês, ácido fosfórico, níquel, granito, óxido de urânio, minério de cromo e zircônio.
Na área de comércio, que contribui para metade do PIB, a África do Sul tem se diversificado cada vez mais. As indústrias de transformação exportam, principalmente, produtos de ferro e aço, papel e celulose, produtos químicos e alimentícios, correspondendo a 35% das exportações.
A África do Sul é um grande exportador de produtos agrícolas, especialmente milho, açúcar, frutas e vegetais, mas, como toda a África, enfrenta expressivas variações nos níveis de produção, devido à seca periódica. As importações sul-africanas consistem, sobretudo, de máquinas e equipamentos, peças para carros, óleo cru, vestuário e produtos têxteis.
A agricultura, a silvicultura e a pesca representam 6,1% do PIB. Entre os principais produtos da África do Sul, temos: milho, trigo, açúcar, batata, tabaco e frutas (incluindo a uva, que sustenta uma indústria de vinho em crescimento). Destes, o açúcar, o milho e as frutas proporcionam substanciais ganhos de exportações. A lã é o segundo maior produto agrícola de exportação.
A África do Sul possui, aproximadamente, 8,4 milhões de cabeças de gado - 2 milhões de vacas leiteiras do país são a base da indústria de laticínios, que produz manteiga, leite condensado, leite em pó, queijo e produtos de leite fresco.
O turismo também é importante em termos econômicos, principalmente por causa das reservas de animais selvagens, onde podem ser vistos elefantes, leões, leopardos, búfalos e rinocerontes.
O regime de segregação racial (apartheid), iniciado em 1910, terminou com a primeira eleição multirracial, em 1994, mas deixou a marca da desigualdade social. Ainda hoje persistem os altos índices de pobreza e criminalidade entre a população negra - a principal vítima da epidemia de AIDS que assola o país. A África do Sul está entre os países que registram os mais altos índices de homicídio do planeta.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

PARAÍSO FISCAL

É uma região que libera os bancos para fazer transações financeiras sem identificar envolvidos e com taxas reduzidas ou até nulas de impostos. Isso atrai investidores que não querem ter contas vinculadas a seu nome, assim como empresas querendo pagar menos impostos. Infelizmente, a confidencialidade das contas, o forte sigilo bancário e o controle fiscal mínimo também atraem dinheiro “sujo”, vindo de lavagem de dinheirocorrupção e crime organizado. A ilegalidade, porém, está na origem da grana, e não no ato de guardá-la num paraíso fiscal. Mesmo assim, após a crise financeira mundial, em 2008, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apertou o cerco aos paraísos fiscais, exigindo uma política de impostos transparente e o acesso de autoridades estrangeiras a dados de clientes. Na prática, contudo, pouco mudou.
Delaware tem o menor imposto corporativo dos EUA, exige pouca informação para abrir contas empresariais e não cobra nada de estrangeiros
WELCOME TO PARADISE
Conheça os maiores paraísos fiscais do mundo.
1º Delaware (estado americano)
2º Luxemburgo
3º Suíça
4º Ilhas Cayman
5º Reino Unido
6º Irlanda
7º Bermuda
8º Cingapura
9º Bélgica
10º Hong Kong

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Surto, epidemia, pandemia e endemia: entenda qual é a diferença entre eles

O período de chuvas no Brasil faz com que casos de dengue se intensifiquem. Desde o início do ano, o Ministério da Saúde está monitorando o crescimento da doença no país, já classificada como epidemia. Mas você sabe por que a dengue é uma epidemia e não um surto?
A resposta está na ocorrência de casos nas cinco regiões do Brasil. Uma doença é considerada uma epidemia quando há número de casos acima do esperado em diversas localidades. Se a dengue tivesse atingido, mesmo em grande número, apenas regiões isoladas, seria considerada um surto.
Veja a diferença entre surto, epidemia, pandemia e endemia
 

Surto: acontece quando há o aumento repentino do número de casos de uma doença em uma região específica. Para ser considerado surto, o aumento de casos deve ser maior do que o esperado pelas autoridades. Em algumas cidades (como Itajaí-SC), a dengue é tratada como surto (e não como epidemia), pois acontece em regiões específicas (um bairro, por exemplo).
Epidemia: a epidemia se caracteriza quando um surto acontece em diversas regiões. Uma epidemia a nível municipal acontece quando diversos bairros apresentam uma doença, a epidemia a nível estadual acontece quando diversas cidades têm casos e a epidemia nacional acontece quando há casos em diversas regiões do país. Exemplo: no dia 24 de fevereiro, vinte cidades haviam decretado epidemia de dengue
Pandemia: em uma escala de gravidade, a pandemia é o pior dos cenários. Ela acontece quando uma epidemia se espalha por diversas regiões do planeta. Em 2009, a gripe A (ou gripe suína) passou de epidemia para pandemia quando a OMS começou a registrar casos nos seis continentes do mundo.  A aids, apesar de estar diminuindo no mundo, também é considerada uma pandemia. 
Endemia: a endemia não está relacionada a uma questão quantitativa. Uma doença é classificada como endêmica (típica) de uma região quando acontece com muita frequência no local. As doenças endêmicas podem ser sazonais. A febre amarela, por exemplo, é considerada uma doença endêmica da região Norte do Brasil. 

Em que situação uma epidemia pode virar pandemia? Faça o teste e descubra
A gripe suína foi a primeira pandemia do século 21, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Ao longo da história, a malária, a cólera, a tuberculose e a Aids circulam na forma de epidemias ou pandemias


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Rochas lunares indicam: a Lua nasceu mesmo da colisão da Terra com um planeta extinto

Novas evidências sobre a composição de rochas lunares sugerem que, sim, o satélite foi expelido da superfície da Terra num passado remoto.
POR Marcos Candido EDITADO POR Alexandre Versignassi ATUALIZADO EM 03/02/2016
A teoria mais aceita sobre o nascimento da Lua daria uma delícia de superprodução: um planeta do tamanho de Marte caiu por aqui há mais de 4 bilhões de anos. A explosão lançou metade da crosta terrestre para o espaço. Boa parte dos estilhaços caiu de de volta, na forma da maior chuva de meteoritos da história. Outra parte continuou no espaço e se aglutinou numa pedra gigante, que continua lá em cima. Hoje, chamamos essa pedra de "Lua".
Essa teoria ganhou mais força na última semana, graças a astrônomos da Universidade da Califórnia. A partir de sete pedras lunares coletadas em missões da Apollo 12, 15 e 17, os pesquisadores identificaram similaridades entre rochas da Terra e o material coletado no satélite. Para chegar a essa conclusão, o estudo concentrou esforços na análise dos átomos de oxigênio.
O oxigênio mais presente na Terra é o O-16. Como o número sugere, esse átomo de possui oito prótons e oito nêutrons. Mas também há pequenas quantidades de oxigênio com nêutrons adicionais, como os isótopos O-17 e o O-18. Bom, os cientistas observaram que a proporção entre O-16, O-17 e O-18 entre a Terra e a Lua é exatamente igual. Ou seja: provavelmente a Lua foi mesmo expelidada da própria Terra num passado remoto.   
"Não encontramos diferenças entre os isótopos lunares e terrestres", afirmou Edward Young, geoquímico que liderou a pesquisa. A equipe de Young coletou pedras encontradas em vulcões do Havaí (EUA) e em desertos do Arizona (EUA) para comparar o material lunar.
A análise também reforçou a ideia de que a a colisão foi frontal, extremamente violenta. Em um impacto direto diz Young, seria mais provável que a Terra compartilhasse a mesma proporção de isótpoos de oxigênio, como de fato acontece.  

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ventos geram 42% da energia produzida na Dinamarca

Até 2020, espera-se que pelo menos 50% da energia do país venha dos ventos
POR Ana Luísa Fernandes EDITADO POR Tiago Jokura ATUALIZADO EM 26/01/2016
Em 2015, a Dinamarca bateu o recorde de geração de energia eólica: 42% da eletricidade produzida. Tudo bem que 2015 foi um ano especialmente cheio de ventanias no país, mas, desde 2008, a produção das turbinas aumenta a cada ano. Em 2014, um ano em que os ventos foram considerados normais, o total foi de 39,1%. Ou seja: o sistema parece estar funcionando.
O mais impressionante é que, durante 60 dias do ano, algumas regiões do oeste do país foram capazes de produzir mais energia éolica do que conseguiam consumir. Em um dia de julho, com rajadas particularmente fortes, a Dinamarca produziu 140% da sua demanda elétrica só com as turbinas eólicas. O excesso (de energia, não de vento) foi vendido para a Alemanha, Noruega e Suécia. No dia 2 de setembro, o país operou com todas as centrais de energia desligadas, usando energia eólica, de painéis solares e de outras fontes renováveis, importadas dos vizinhos.
Tudo isso foi realizado enquanto duas de suas principais fazendas eólicas estavam desligadas, devido a problemas técnicos. Se elas estivessem funcionando, o número total poderia pular de 42% para 43,5%.
"Esperamos que a Dinamarca sirva como exemplo para outros países, mostrando que é possível ter políticas verdes ambiciosas, com alta proporção de energia eólica e outras fontes renováveis, e ainda ter alta segurança de abastecimento e preços competitivos em eletricidade.",disse o ministro da energia do país, Lars Christian Lilleholt.
Mas isso não quer dizer que todas as casas dinamarquesas foram abastecidas com energia eólica. A energia produzida é trocada e vendida entre os países: Alemanha, Suécia e Noruega compram da Dinamarca, que compra de volta energia nuclear da Suécia, solar da Alemanha e hidrelétrica da Noruega. Esse sistema permite que o país tenha mais segurança enegética durante dia e noite. Confiar em uma só fonte é arriscado.
Além disso, a distribuição das turbinas é desigual, com a maioria localizada no oeste dinamarquês. Isso não tira o mérito do país, que está cada vez mais próximo de atingir a meta de produzir 50% de toda a sua energia com a força dos ventos.

uper.abril.com.br/tecnologia/ventos-geram-42-da-energia-produzida-na-dinamarca

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

POR QUE AS ÁGUAS DO RIO NEGRO E SOLIMÕES NÃO SE MISTURAM?

Porque a composição química, a temperatura e a velocidade dos dois são diferentes. Ao longo de um percurso de cerca de 6 km, os rios Negro e Solimões andam lado a lado sem se misturar antes de se tornarem um só - o grande Rio Amazonas. Segundo Karime Bentes, professora de química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o fenômeno, conhecido como Encontro das Águas, acontece devido à diferença de "composição e acidez, aliada à temperatura e à velocidade das duas correntezas". O Rio Negro, que carrega uma grande quantidade de matéria orgânica desde sua nascente na Colômbia (o que dá o tom escuro à sua água), corre a cerca de 2 km/h com uma temperatura de 28 °C. Já o Solimões, que nasce nos Andes peruanos e tem uma água de aspecto barroso, devido a uma carga de sedimentos vindos da erosão de solos de origem vulcânica, faz o percurso em uma velocidade aproximada de 4 a 6 km/h a uma temperatura de 22°C.




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

1% da população global detém mesma riqueza dos 99% restantes, diz estudo

A riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial agora equivale, pela primeira vez, à riqueza dos 99% restantes.
Essa é a conclusão de um estudo da organização não-governamental britânica Oxfam, baseado em dados do banco Credit Suisse relativos a outubro de 2015.
O relatório também diz que as 62 pessoas mais ricas do mundo têm o mesmo – em riqueza v que toda a metade mais pobre da população global.
O documento pede que líderes do mundo dos negócios e da política reunidos no Fórum Econômico Mundial de Davos, que começa nesta semana, na Suíça, tomem medidas para enfrentar a desigualdade no mundo.
A Oxfam critica a ação de lobistas – que influenciam decisões políticas que interessam empresas – e a quantidade de dinheiro acumulada em paraísos fiscais.
Ressalvas

Segundo o estudo da Oxfam, quem acumula bens e dinheiro no valor de US$ 68 mil (cerca de R$ 275 mil) está entre os 10% mais ricos da população. Para estar entre o 1% mais rico, é preciso ter US$ 760 mil (R$ 3 milhões).
Isto significa que uma pessoa que possui um imóvel médio em Londres, já quitado, provavelmente está na faixa do 1% mais rico da população global.
No entanto, há várias ressalvas a estes números. O próprio Credit Suisse reconhece que é muito difícil conseguir informações precisas sobre os bens e dinheiro acumulados pelos super-ricos.
O banco diz que suas estimativas sobre a proporção de riqueza dos 10% e do 1% mais ricos "podem estar subestimadas".
Além disso, os números incluem estimativas colhidas em países nos quais não há estatísticas precisas.
A Oxfam afirmou que o fato de as 62 pessoas mais ricas do mundo acumularem o equivalente à riqueza dos 50% mais pobres da população mundial revela uma concentração de riqueza "impressionante", ainda mais levando em conta que, em 2010, o equivalente à riqueza da metade mais pobre da população global estava na mão de 388 indivíduos.
"Ao invés de uma economia que trabalha para a prosperidade de todos, para as geração futuras e pelo planeta, o que temos é uma economia (que trabalha) para o 1% (dos mais ricos)", afirmou o relatório da Oxfam.
Tendência
A Oxfam verificou que a proporção de riqueza do 1% dos mais ricos vem aumentando a cada ano desde 2009 – depois de cair de forma gradual entre 2000 e 2009.
A ONG britânica pede que os governos tomem providências para reverter esta tendência. A Oxfam sugerem a meta, por exemplo, de reduzir a diferença entre o que é pago a trabalhadores que recebem salário mínimo e o que é pago a executivos.
A organização também quer o fim da diferença de salários pagos a homens e mulheres, compensação pela prestação não remunerada de cuidados a dependentes e a promoção de direitos iguais a heranças e posse de terra para as mulheres.
A ONG britânica quer também que os governos imponham restrições ao lobby, reduzam o preço de medicamentos e cobrem impostos pela riqueza em vez de impostos pelo consumo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

COMO FOI FORMADO O SOLO

Nós quase nunca pensamos nisso, mas sem o solo provavelmente estaríamos todos mortos.
A terra é crucial em quase todos os aspectos da vida humana, para armazenar e filtrar água, regular o clima, prevenir enchentes, reciclar nutrientes e decompor matéria orgânica.
A terra sob nosso pés também é uma grande fonte de biodiversidade: algumas estimativas indicam que pelo menos uma quarto de todas as espécies vive dentro ou sobre o solo.
E ainda estamos descobrindo seus tesouros: em janeiro de 2015, cientistas anunciaram a descoberta do primeiro antibiótico em 30 anos em bactérias do solo.
"A biodiversidade do solo fica escondida, mas ela é crucial para ecossistemas saudáveis, e basicamente por humanos saudáveis", dizem Tandra Fraser and Diana Wall, da Global Soil Biodiversity Initiative.
Mas da onde veio o solo, e por que ele é tão fundamental para a vida na Terra?
Quando o sistema solar nasceu, antes de nosso planeta se formar, os componentes essenciais do solo vagavam insuspeitos na escuridão do espaço. A prova disso são meteoritos conhecidos como condritos carbonáceos, que datam dos primórdios do sistema solar e são ricos em minerais de argila que integravam os primeiros solos terrestres.
Após a formação da Terra, há cerca de 4,6 bilhões de anos, esses solos ricos em argila se desenvolveram em nosso jovem planeta. Mas as condições eram difíceis: grandes e frequentes meteoros teriam derretido e pulverizado grandes volumes desse antigo solo assim que ele se formava.
"Há discussões sobre se toda a superfície da Terra derreteu", diz Gregory Retallack, especialista em solos antigos da Universidade do Oregon em Eugene, nos Estados Unidos.
Ele defende a teoria de que apenas metade da Terra derreteu ao mesmo tempo.
Há cerca de 3,8 bilhões de anos, as condições na Terra começaram a se estabilizar. O constante bombardeamento por meteoros que até então atormentava o planeta começou a se acalmar, e a água líquida pôde condensar, formando lagos e oceanos. Isso marcou um ponto importante na história do solo.
A água desgastou e erodiu a rochosa crosta da Terra, gerando matéria mineral e formando mais solos permanentes.
Formas de vida
A primeira forma de vida na Terra pareceu, provavelmente, um pouco depois, cerca de 3,5 milhões de anos atrás; algumas das evidências mais antigas disso vêm de fósseis que se formaram em litorais rochosos e lembravam tapetes microbianos chamados estromatólitos, que ainda são encontrado na Terra hoje.
Praticamente desde o momento em que surgiu, a vida começou a influenciar o solo - e vice-versa. Por exemplo, esses primeiros tapetes microbianos eram feitos de organismos que faziam fotossíntese, que podia produzir grandes volumes de material orgânico usando energia do sol.

Essa matéria orgânica gradualmente se acumulou na linha costeira, onde se misturou com os minerais liberados pela erosão das rochas para criar o que pode ser considerado o primeiro solo de verdade.
Mas isso não era a terra como conhecemos hoje. Esse solo era fraco na tarefa de acumular água e nutrientes que mantém a vida. A capacidade do solo de acumular água depende de poros que se formam entre os grãos; mas a estrutura simples dos solos primordiais fazia com que eles escoassem rapidamente, levando nutrientes no processo.
Por causa disso, a terra permanecia um habitat inóspito, e a vida estava restrita à costa, onde a água estava disponível de forma imediata.
Nenhum organismo individual tinha as adaptações necessárias para se distanciar da costa e colonizar completamente solos de baixa qualidade. A chave para colonizar a terra foi a cooperação – mais especificamente, o surgimento dos liquens, entre 700 e 550 milhões de anos atrás.
Trocas benéficas
Liquens são organismos impressionantes. Seu tecido é formado por uma interação entre algas e fungos, que às vezes envolve bactérias – organismos representando três reinos diferentes. Os liquens são extremamente resilientes e se adaptam facilmente devido a essa relação simbiótica única.
Algas podem fazer fotossíntese, dando energia ao liquens, enquanto os fungos coletam água, impedindo a desidratação dos liquens. Os fungos têm filamentos longos e finos, que são extremamente bons em recolher água do ambiente, e também conseguem reciclar água durante a respiração. Mais importante do que isso, os liquens contêm bactérias fotossintéticas - chamadas cianobactérias - capazes de capturar nitrogênio do ambiente, liberado quando elas morrem, fertilizando o solo.
Trabalhando juntos, esses organismos diferentes combinaram suas habilidades para colonizar o solo que cobria a Terra há meio bilhão de anos. Até hoje, os liquens estão entre os organismos mais adaptáveis da Terra.
"Liquens podem colonizar pedras", diz Paul Falkowski, da Universidade Rutgers em Nova Jersey, nos EUA. "Eles também produzem ácidos orgânicos que aumentam o intemperismo", diz.
Isso significa que os liquens não apenas se mudaram para os solos primitivos da Terra – eles também o modificaram.
Ao acelerar o efeito de intempérie nas rochas, os liquens liberam ainda mais nutrientes no solo, tornando-o mais fértil e abrindo caminho para que outras formas de vida se mudassem para a terra.
"Os liquens foram decisivos para a colonização da terra pelas plantas", diz Falkowski.
Essa segunda onda de colonização começou há cerca de 440 milhões de anos - e as primeiras plantas terrestres logo começaram a alterar o solo elas mesmas. "Elas criaram uma estrutura de solo mais marcada", explica Retallack, e elas ajudaram a liberar nutrientes como fósforo e potássio no solo. "Isso teve uma efeito de fertilizar tanto a terra quanto o mar", adiciona.
Uma das chaves para o poder fertilizador das plantas foram os fungos em suas raízes. Essas micorrizas evoluíram há cerca de 500 milhões de anos, antes mesmo de as plantas desenvolverem raízes.
Assim como os fungos nos liquens, micorrizas absorvem energia ao cooperarem com plantas que fazem fotossíntese - e também aqui os benefícios são mútuos: as micorrizas têm filamentos que aumentam o alcance das plantas e faz com que elas fiquem mais estáveis, e permitem que elas absorvam nitrogênio e outros nutrientes do solo.
Filamentos de micorrizas também penetram as rochas, liberando nutrientes como fósforo, cálcio e ferro e aumentando o volume de solo.
Os cientistas acreditam que essa relação de mutualismo foi essencial para a evolução das plantas terrestres.
"Essa relação benéfica para os dois ajudou as plantas a colonizar a terra antes de elas terem raízes e antes de o solo ser como conhecemos hoje", explica Katie Field, da Universidade de Leeds, no Reino Unidos.
"Com o passar do tempo, as plantas evoluíram e viraram estruturas mais complexas, desenvolvendo plantas e sistemas de raízes", completa. Isso trouxe mais matéria orgânica para o solo e ajudou a estabilizá-lo contra a erosão.
Depósito de água
Hoje, relações de mutualismo como essas formam a base do ciclo de nutrientes, sem o qual nós passaríamos fome. Mais de 80% das plantas constroem relações entre suas micorrizas e filamentos de fungos, e isso é crucial para liberar nitrogênio no solo.
Micorrizas também formam grandes redes, que estabilizam a estrutura do solo e permitem que as plantas se comuniquem, dando a elas o apelido de "internet da Terra".
À medida que as plantas colonizaram a terra e começaram a liberar grandes quantidade de matéria orgânica no solo sua capacidade de estocar água aumentou. O acúmulo e filtragem de água é uma das funções mais importantes do solo até hoje: dependemos disso para água potável e agricultura. Essa capacidade também é importante para reduzir o risco de enchentes, além de ser um proteção contra a seca.
A água subterrânea forma cerca de 20% do água potável do mundo, embora represente menos de 1% da água da Terra. É um importante reservatório de água potável e de irrigação, com 125 trilhões de litros apenas nos solos dos Estados Unidos.
Há um capítulo final da evolução do solo moderno. Em algum momento entre 490 e 430 milhões, os primeiros animais começaram a sair dos oceanos e colonizar a terra. Há cerca de 420 milhões de anos, os invertebrados terrestres estavam em ascensão - e, mais uma vez, o solo mudou como consequência disso.
Esses animais era herbívoros, que devoravam os tapetes de algas e líquen que povoavam a terra e devolviam nutrientes para o solo. Eles também começaram a colonizar o solo e a misturar matéria orgânica morta e outros mineiras nas pedras. Essa ação mudou a estrutura do solo e ajudou as plantas a continuarem seu desenvolvimento.
A variedade de organismos vivendo no solo aumentou rapidamente. Novos invertebrados apareceram, incluindo embuás, ácaros e ancestrais de aranhas. Há cerca de 360 milhões de anos, os solos já eram muito parecidos com os de hoje, com a mesma variedade que encontramos sob nossos pés atualmente.
Futuro
E a história do solo continua a se desenvolver como consequência de nossas ações nos últimos séculos.
Desde a década de 1960, o uso de fertilizantes de nitrogênio aumentou cerca de 800%. E o excesso de nitrogênio é carregado pelas águas das chuvas para rios e correntes de água, onde pode causar fenômenos como "marés vermelhas", levando à liberação de óxido de nitrogênio, uma gás de efeito estufa perigoso para a saúde humana.
O solo também pode ser uma fonte de gases de efeito estufa. Ao acumular matéria orgânica, ele se torna um grande depósito de carbono, impedindo que este se transforme em CO2 na atmosfera.
Mas quando, por exemplo, turfa é queimada, o carbono consegue sair para a atmosfera, como ocorreu no incêndio ocorrido na Indonésia no ano passado, que liberou diariamente mais gases de efeito estufa que os EUA e passou a ser chamado de "o grande desastre ambiental do século 21".
Práticas modernas de agricultura também são prejudiciais para as micorrizas, reduzindo a capacidade das plantações de obter nutrientes vitais e degradando o solo no processo.
Na verdade, nossa agricultura está revertendo bilhões de anos de evolução do solo e tornando solos mais vulneráveis à erosão. Metade da camada superior do solo, sua parte mais ativa e importante, se perdeu nos últimos 150 anos.
Solos erodidos seguram menos água e nutrientes, tornando difícil plantar nestes locais e deixando a terra mais vulnerável a enchentes e secas. Os sedimentos do solo têm que ir para outros locais, então a erosão também entope nossos rios, matando os organismos que vivem ali.
O problema pode ficar pior. A intensificação da agricultura está destruindo solos em todo o mundo, e com a previsão de que a população chegue a 9 bilhões em 2050, a segurança alimentar do futuro está em jogo.
A boa notícia é que se começarmos a tomar conta da terra podemos aproveitar seu capacidade de estocar carbono, entre outras coisas, e usar isso para combater a mudança climática.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O segredo que faz da Alemanha a economia mais sólida do mundo

Milagre do pós-guerra, a "economia social de mercado" alemã parece ser inabalável: superou as explosões nos preços do petróleo nos anos 1970 e 1980, o impacto da reunificação nos 1990, a recessão mundial de 2008-2009 e está passando firme pela atual crise que atinge a zona do euro.
Hoje, o país é um dos três maiores exportadores globais, tem o crescimento per capita mais alto do mundo desenvolvido e um índice de desemprego de 6,9%, bem inferior à média da eurozona, de 11,7%. Segundo o professor Reint Gropp, presidente do Instituto Hall para a Investigação Econômica (IWH), da Alemanha, o modelo germânico se diferencia de forma muito clara do anglo-saxão dos Estados Unidos e do Reino Unido. Mas o que faz dele algo tão particular? Quais são os segredos de seu êxito? "É um sistema baseado na cooperação e no consenso mais do que na competência, e que cobre toda a teia socioeconômica, desde o setor financeiro ao industrial e ao Estado", explicou Gropp à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Cooperação e capitalismo
A chamada "economia social de mercado" teve sua origem na Alemanha Ocidental do pós-guerra, que estava sob o governo democrata-cristão do chanceler Konrad Adenauer, e se manteve, desde então, como uma espécie de política de Estado.
Sebastian Dullien, economista do Conselho Europeu de Relações Exteriores, concorda que o consenso e cooperação estão presentes em todos as camadas da economia.
"No centro estão os sindicatos e os patrões, que coordenam salário e produtividade com o objetivo obter um aumento real dos rendimentos dos funcionários, além de manter os postos de trabalho. A integração é tal que, por lei, os sindicatos estão representados no conselho de administração, participam das decisões estratégicas nas empresas", afirmou.
No sistema financeiro, as cooperativas e os poderosos bancos públicos se encarregam de fazer com que o crédito alcance a todos, não importa o tamanho da empresa ou o quão distante ela fica de um centro econômico.
Essa filosofia permite superar uma das limitações do sistema anglo-saxão, no qual as pequenas e médias empresas, diferentemente das multinacionais, não têm acesso ao mercado de capitais e muitas vezes enfrentam dificuldades para se financiar.
"Os bancos públicos têm regras claras. Por exemplo: para favorecer o desenvolvimento local, podem emprestar para empresas de sua área, mas não para as de outras regiões. O governo tem representantes nestes bancos, e eles são fundamentais na tomada de decisões. Um princípio que rege sua política de crédito é a manutenção do emprego", afirma Gropp.
'Mittelstand'
Esse modelo está enraizado na história germânica.
A unificação nacional de 1871, sob Bismark, reuniu 27 territórios governados em sua maioria pela realeza e que haviam crescido rapidamente e de forma autônoma durante a Revolução Industrial.
Dessa semente histórica surgem as Mittelstand (pequenas e médias empresas), que, segundo os especialistas, formam 95% da economia alemã.
Diferentemente do modelo anglo-saxão, centrado na maximização da rentabilidade para os acionistas (objetivo de curto prazo), as Mittelstand são estruturas familiares com planos a longo prazo, forte investimento na capacitação do pessoal, alto sentimento de responsabilidade social e forte regionalismo.
"A Alemanha é especialmente forte em empresas que têm umas 100 ou 200 pessoas. Com uma característica adicional: apesar de seu tamanho, muitas dessas firmas competem no mercado internacional e são exportadoras", explica Dullien.
Exportações
Como consequência, a Alemanha tem figurado entre os três principais exportadores mundiais nas últimas décadas, uma prova da eficácia desse sistema para competir mundialmente com produtos tecnologicamente complexos, feitos por uma força de trabalho altamente qualificada e bem paga.
Enquanto o comércio mundial dominado por multinacionais que representam cerca de 60% de toda a movimentação global, na Alemanha as Mittelstand são responsáveis por 68% das exportações.
O setor automotivo, de maquinário, de eletrônicos e medicamentos estão entre seus pontos fortes.
Mas isso não se deve somente às Mittelstand.
Das 2.000 empresas com maior rendimento em todo o mundo, 53 são alemãs, entre elas marcas de grande tradição, como Bayer, Volkswagen e Siemens.
A recuperação do doente
Sob o peso da reunificação, a Alemanha ganhou nos anos 1990 o apelido nada simpático de "doente da Europa".
Era consenso que um sistema com altos salários e forte participação sindical não poderia sobreviver em um mundo governado por um conceito novo, a "deslocalização".
Aproveitando-se de um mundo mais liberal e do fato de que as novas tecnologias das grandes empresas poderiam mudar de um país para outro em busca de maior rentabilidade, obtida com custos salariais menores, as empresas alemãs começaram a migrar pra outros pontos do mundo.
No entanto, no início deste século um governo social-democrata implementou uma série de reformas, classificadas por seus concorrentes de "neoliberais", para reativar a economia nacional.
O remédio funcionou – a economia voltou a crescer. Mas teve um preço: aumento da pobreza, do subemprego e do "miniemprego".
"O lado positivo é que o sistema mostrou um alto grau de adaptabilidade. Porém, as reformas da seguridade social e do mercado de trabalho aumentaram a pobreza e a desigualdade", avalia Sebastian Dullien.
a
Futuro
Os desafios se acumulam. No curto prazo, os problemas na China afetam as exportações. No médio, a taxa de natalidade alemã não é suficiente para manter seu mercado de trabalho.
Mas não se trata unicamente de uma ameaça externa ou de uma bomba-relógio demográfica.
Um estudo do Instituto Hall mostra que, mesmo em uma economia social de mercado, a interdependência de bancos, empresas e governo pode possibilitar situações de interferência política.
De acordo com a pesquisa, os bancos do Estado emprestam consideravelmente mais durante os anos eleitorais.
"Isso requer um modelo de governo melhor, que impeça a interferência política. Acredito que o sistema precisa de mais liberalização, não é possível que um banco estatal de Frankfurt não possa emprestar para outra região", afirma Gropp, presidente do instituto.
"Estamos no meio de uma grande revolução tecnológica e a economia alemã não está respondendo como deveria porque tem uma estrutura rígida demais. O modelo foi excelente, mas é possível que seja anacrônico."
No entanto, pode ser que mais uma vez o sistema alemão lance mão de sua extraordinária flexibilidade para sustentar um modelo que procura aliar capitalismo, altos salários e plena participação da força de trabalho.

www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160131_segredo_alemanha_economia_ab