quinta-feira, 17 de abril de 2014

ALVORADA

 Alvorada é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Pertence à mesorregião Metropolitana de Porto Alegre e à microrregião de Porto Alegre e foi fundado em 17 de setembro de 1965.
Características geográficas
70,811 km² (BR: 5371º)2
195 718 hab. Censo IBGE/20103
2 763,95 hab./km²
17 m
Indicadores
0,768 alto PNUD/2000 4
R$ 1 087 998,073 mil IBGE/20085
R$ 5 149,65 IBGE/20085

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O PRIMEIRO MAPA MUNDI MODERNO

A primeira imagem que retrata o mundo como o conhecemos hoje é do cartógrafo alemão Martin Waldseemüller (1475-1522). Dividindo a Terra entre Oriente e Ocidente, ela foi feita em abril de 1507, 15 anos depois da chegada dos europeus ao continente americano. O mapa de Waldseemüller foi o primeiro a utilizar o termo "América" e estava baseado nos desenhos de Ptolomeu (90-168 d.C.), cientista gregoconsiderado o pai da cartografia. Conhecido inicialmente como Cosmografia Universal, ele foi reproduzido em mil cópias, das quais apenas uma sobrevive até hoje, na Biblioteca do Congresso norte-americano. Antes do alemão, outros povos tentaram registrar suas concepções de mundo, mesmo que de forma incompleta, como os chineses, que esboçaram mapas datados de 10 mil a.C. Mas tudo mudou durante a Idade Moderna. Com a expansão mercantilista, novos elementos foram incorporados aos mapas-múndi com detalhes, informações e precisão inéditos até então. Os portugueses, graças à grande experiência na navegação, incorporaram rotas marítimas, direção de ventos, estimativas de tempo e distâncias entre portos, elaborando a cartografia mais avançada da Europa no século 14! Mas os holandeses tomaram a frente quando Gerard Mercator estabeleceu um novo modelo de projeção no século 16, baseado nas distâncias náuticas, com desenhos que representavam rios e montanhas. A partir daí, os holandeses lideraram a distribuição de mapas pelos próximos 100 anos.Em 2012, bibliotecários alemães encontraram uma cópia do mapa-múndi feito por Waldseemüller. O documento estava esquecido numa caixa desde a 2ª Guerra Mundial(Victor Affonso). 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A ORIGEM DOS NOMES DOS PLANETAS DO SISTEMA SOLAR

Os primeiros a batizar planetas foram os sumérios, povo que ocupava a região da Mesopotâmia (atual Iraque) há 5 mil anos. Eles já haviam identificado cinco "estrelas" que se moviam no céu, enquanto as demais permaneciam paradas, e acreditaram que fossem deuses. De acordo com as características de cada uma, elas ganharam nomes relacionados com as divindades. Séculos depois, os romanos adaptaram os nomes dos planetas de acordo com suas próprias divindades. As cinco estrelas dos sumérios ganharam novos nomes: Enki, a que se movia mais rápido, recebeu o nome de Mercúrio, o veloz mensageiro dos deuses. Vênus, a deusa da beleza, batizou a mais brilhante das estrelas, Inanna. A vermelha Gugalanna, cor do sangue, ganhou o nome de Marte, deus da guerra. Enlil, a maior, foi chamada de Júpiter, nome latino de Zeus, senhor do Olimpo. Ninurta, a mais lenta de todas, cuja movimentação só era percebida pelos mais pacientes, ganhou o nome de Saturno, o deus do tempo. Já o nome da Terra vem do latim antigo. Na época, a palavra já tinha os mesmos significados de hoje: solo, chão, território. Na mitologia romana, a Terra era representada pela deusa Gaia, ligada à fertilidade. Os outros três planetas foram descobertos há relativamente pouco tempo. Urano, descoberto em 1781, ganhou o nome do deus greco-romano que representava o céu. Netuno, visto pela primeira vez em 1846, foi batizado com o nome do deus romano dos oceanos. O planeta mais distante de todos, Plutão, descoberto em 1930, por pouco não se chamou Percival, sugestão da mulher do astrônomo Percival Lowell, que havia previsto a existência do planeta em 1915. Foi a estudante inglesa Venetia Burney, na época com 11 anos, quem sugeriu aos pesquisadores que o astro recebesse o nome do deus romano dos mortos.
Revista Mundo Estranho.


terça-feira, 1 de abril de 2014

COMO PUTIN ESTÁ TENTANDO RECONSTRUIR A URSS

O mundo ficou estupefato diante da intervenção russa na Crimeia. Mas deveria? O presidente da Rússia, Vladimir Putin, nunca fez segredo sobre sua intenção de restaurar o poder de seu país. O difícil, agora, é prever até onde Moscou conseguirá chegar.
Em 16 de agosto de 1999, o Parlamento russo (Duma) aprovou a candidatura de um primeiro-ministro. Os congressistas ouviram seu discurso, lhe fizeram algumas perguntas e o confirmaram no cargo.
Seria o 5º premiê do presidente Boris Yeltsin em 16 meses, o que levou um congressista a errar o nome do novo ocupante do cargo. O mundo prestou pouca atenção a seu discurso. A expectativa era de que ele liderasse o governo russo por apenas alguns meses.
Mas esse homem era o ex-oficial da KGB Vladimir Putin, e hoje ele está no comando do país mais amplo do mundo - como presidente ou premiê - desde então.
O que poucos perceberam em 1999 é que seu discurso da época ditaria os rumos de todos os seus atos e planos para redefinir um país que estava à beira do colapso.
Situação crítica
Um ano antes, a Rússia havia declarado a moratória de sua dívida, os salários de servidores estavam atrasados, a infraestrutura básica estava desabando. Os ativos mais importantes do país pertenciam a "oligarcas" bem relacionados, que comandavam o país como se fosse deles.
Yeltsin, por sua vez, era um bebedor incorrigível de saúde frágil. A situação era desesperadora, mas Putin tinha um plano.
"Não posso, neste discurso, abranger todas as tarefas diante do governo. Mas tenho certeza de algo: nenhuma dessas tarefas pode ser concretizada sem a imposição da ordem e da disciplina no país, sem fortalecer a cadeia (de comando) vertical", ele disse aos parlamentares.
Putin havia vivido os anos dourados da União Soviética, após seu incrível triunfo na Segunda Guerra. Sputnik, a bomba de hidrogênio, a cadela Laika, Yuri Gagarin eram todos provas da criatividade russa. Vitórias na Hungria em 1956 e na Tchecoslováquia em 1968 mostravam a força soviética, em um período de estabilidade, prosperidade e respeito diante do mundo.
Quando Putin falou ao Duma em 1999, seu país era outro - e menos respeitado. Ele falava como um homem que ressentia certas perdas.
"A integridade territorial da Rússia não está sujeita a negociações. (...) Tomaremos ações duras contra qualquer um que viole nossa integridade territorial. A Rússia tem sido um grande poder há séculos, e continua sendo. Sempre teve e ainda tem áreas de legítimas de interesse no exterior, em antigas terras soviéticas e além. Não devemos baixar nossa guarda, nem deixar que nossa opinião seja ignorada."
Putin não falou explicitamente, mas estava claramente aborrecido com o fracasso russo em impedir que a Otan (aliança militar ocidental) expulsasse as tropas sérvias (aliadas russas) de Kosovo alguns meses antes.
Rússia promete não invadir Ucrânia
Moscou não tem a intenção de enviar tropas à Ucrânia, disse neste sábado o chanceler russo, Sergei Lavrov.
Sua declaração ocorre após os presidentes de EUA e Rússia terem discutido uma possível solução diplomática à crise ucraniana.
O plano apoiado pelos EUA defende que a Rússia interrompa sua escalada militar na fronteira com a Ucrânia e retire suas tropas da Crimeia.
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, discutirá o tema com Lavrov neste domingo, em Paris.
Sua política doméstica previa restaurar a estabilidade, pôr fim ao que chamava de "revoluções" que haviam deixado a Rússia de joelhos e reconquistar o espaço do país no cenário internacional. E isso é o que direciona seu governo desde então. Se ele tivesse sido ouvido na época, suas ações não causariam surpresa hoje.
Chechênia
O início de sua campanha foi na Chechênia, símbolo do colapso russo. Os chechenos haviam superado Yeltsin e avançado em sua independência autodeclarada, mas essa acabou sendo uma vitória amarga. A guerra devastou o povo, a economia e a infraestrutura chechenos.
Quando Putin assumiu no lugar de Yeltsin, a taxa de aprovação do até então desconhecido premiê era de 70%. E pouco caiu desde então.
Em 2000, os militares russos tomaram a capital chechena, Grozni, e assumiram o controle de 80% do território. Putin acabou colocando a república sob administração direta de seu governo.
Defensores de direitos humanos e governos ocidentais acusaram Putin de desrespeito a leis internacionais em sua caçada a opositores chechenos. Mas isso não afetou sua popularidade. O presidente havia iniciado sua missão de restaurar o prestígio russo.
Em casa, ele avançou contra os mais poderosos oligarcas russos. Em 2003, a polícia prendeu Mikhail Khodorkovsky, o homem mais rico do país, cujo império petrolífero foi desmembrado e em parte estatizado. A medida foi vista por muitos como a construção de um império autoritário.
Nas eleições do mesmo ano, os aliados de Putin obtiveram dois terços do Duma, em pleito questionado por observadores.
 Chechênia
Avanço militar na Chechênia marcou o início de seu projeto de poder
Em apenas quatro anos, Putin havia conquistado a Chechênia, tomado controle da imprensa e dos oligarcas e ganho um Parlamento que faria o que ele quisesse, além de ter mostrado que a Rússia teria uma voz ativa em temas internacionais.
"Ele é um nacionalista, no sentido federal russo, e não étnico da palavra. Acho que essa é sua maior força motriz, mais do que a fome de poder ou ambições pessoais", opina Dmitry Linnik, chefe do escritório londrino da rádio Voice of Russia.
Nem todos concordam. "Acho que ele tomou uma série de decisões, bem racionais de sua perspectiva pessoal, (de forma) que esse tipo de regime autocrático lhe dê o máximo de poder e riqueza", afirma Chrystia Freeland, que chefiava a sucursal russa do jornal Financial Times quando o presidente ascendeu ao poder.
Ideologia
Putin também restaurou símbolos soviéticos, como hinos e emblemas, e pré-soviéticos, como a Igreja Ortodoxa Russa.
Essa tendência rumo a um conservadorismo próprio da Rússia se acelerou após a onda de protestos populares contra aparentes fraudes eleitorais em 2011-12, que distanciou Putin dos liberais russos. Um de seus ideólogos favoritos é Vladimir Yakunin, que disse em entrevista recente que a Rússia "não está entre a Europa e a Ásia. Elas é que estão a oeste e a leste da Rússia. Não somos uma ponte entre eles, mas sim um espaço civilizatório separado".
Na semana passada, Yakunin foi colocado na lista de pessoas sancionadas pelos EUA (por fazer parte do "círculo íntimo da liderança russa"), após a anexação da Crimeia.
A ideia de a Rússia ser separada mas igual ao Ocidente é conveniente, por permitir que o Kremlin rejeite a crítica ocidental a suas eleições, Poder Judiciário e política externa.
Muitos dos amigos de Putin, ainda que desprezem a política, a economia, os valores e as estruturas ocidentais, são muito atraídos por seu conforto. Os dois filhos de Yakunin vivem na Europa Ocidental (Inglaterra e Suíça).
Alexei Navalny, ativista anticorrupção, acusa Yakunin de construir para si um palácio nos arredores de Moscou usando insumos importados - algo estranho para um homem que defende uma economia russa independente do Ocidente.
O próprio Putin defendeu princípios que depois abandonou quando se tornaram inconvenientes. Na invasão americana ao Iraque, em 2003, ele fez uma defesa da lei internacional, que se opunha a uma invasão sem o apoio da ONU. Mas em 2008 ele enviou tropas à Geórgia sem sequer fingir que consultara o Conselho de Segurança.
No ano passado, uma intervenção à Síria estava fora de cogitação. Neste ano, uma intervenção na Ucrânia é justificada e legítima.
Pode ser que princípios nunca tenham sido o cerne do debate - o objetivo de Putin sempre foi maximizar o poder russo.
Servidores
Não é fácil redesenhar um país por conta própria, e Putin tem usado o apoio de um grupo crucial da sociedade russa. Ao mesmo tempo em que avançou contra a imprensa independente, contra empresários e políticos, ele se apoiou em autoridades estatais para garantir que suas ideias fossem implementadas.
 Militar russo na Crimeia
Ação militar na Crimeia não surpreende quem se lembra do discurso de Putin em 1999
Essas autoridades têm sido bem recompensadas: o salário de oficiais sêniores subiu 20% no ano passado, quatro vezes mais que o orçamento geral.
Na semana passada, o Ministério do Interior informou que a propina paga, em média, pelos russos dobrou em 2013, para US$ 4 mil. A Transparência Internacional coloca a Rússia no 127º lugar em seu ranking de percepção de corrupção, junto ao Mali e Paquistão.
"Putin destruiu todas as fontes independentes de poder na Rússia. Ele só pode se apoiar na burocracia e deve alimentá-la para garantir sua lealdade", afirma o britânico Ben Judah, autor de Fragile Empire (Império Frágil, em tradução livre), sobre a Rússia de Putin.
"Em algum momento o dinheiro vai acabar, e ele se verá na mesma posição que líderes soviéticos no final dos anos 1980, forçados a enfrentar crises políticas e econômicas enquanto tentavam manter a união do país. Ele é forte hoje, mas o Kremlin se sustenta em algo que a Rússia não controla: o preço do petróleo."
Riscos
Putin foi bem-sucedido em reconstruir uma versão do país de sua infância, que age de forma independente no mundo e no qual a dissidência é controlada antes de desafiar o Kremlin. Mas isso é uma faca de dois gumes, já que a URSS entrou em colapso - e sua recriação significa que a Rússia corre o mesmo risco.
Para o dissidente exilado Vladimir Bukovsky, Putin é genuíno quando diz que a desintegração da União Soviética foi uma "catástrofe geopolítica".
"Ele não acha que esse colapso estava predeterminado, portanto acredita que sua missão é restaurar o sistema soviético", opina.
Como oficial de patente intermediária da KGB que amava a URSS, Putin não tinha a mesma perspectiva dos oficiais líderes, que sabiam que a União Soviética desabou com o peso de sua própria ineficiência, mais do que por uma conspiração ocidental, segue Bukovsky.
"Isso faz com que Putin repita os mesmos erros. Ele quer que o país inteiro seja controlado por uma só pessoa no Kremlin."
A decisão do presidente de invadir a Crimeia foi tomada de modo rápido e impulsivo, por um pequeno grupo de aliados. Isso significa que Putin não tem quem o alerte das consequências de longo prazo de seus atos. E, até que descubra isso por si só, vai seguir no caminho atual.
Isso significa também que as relações com o Ocidente seguirão sendo incômodas, sobretudo em áreas geopolíticas que ele considera de "interesses legítimos".
Mas não podemos dizer que não fomos alertados quanto a isso.
Oliver Bullough