sexta-feira, 21 de março de 2014

MONOCULTURA DE EXPORTAÇÃO

Recebe o nome de monocultura de exportação ou plantation, o sistema de exploração agrícola que se concentra em apenas uma cultura, a qual é destinada a mercados exteriores. Tal sistema marcou a economia do continente americano por séculos, sendo aplicado à exaustão durante a colonização europeia, e mais tarde foi levado para África e Ásia. Hoje, é prática típica de países subdesenvolvidos. O modelo agrário-exportador modificou indelevelmente a organização do espaço rural latino-americano, pois a vegetação natural foi, em várias regiões, substituída por imensos latifúndios, que ainda hoje se destacam nas paisagens de muitos países.
monocultura de exportacaoA monocultura de exportação está presente no Brasil desde o século XVI, quando os portugueses desenvolveram a produção açucareira  ao longo da faixa litorânea do nordeste, aproveitando os solos férteis de massapé. Já na América espanhola, a agricultura ganhou impulso entre os séculos XVII e XVIII, com a queda da produção mineral, em especial no Peru.
 A implantação da monocultura de exportação depende de uma extensa propriedade, onde será cultivado um único gênero, cujo destino é a exportação, já que o mercado interno é incipiente ou saturado. Para o dono das terras, é uma forma rápida de obter o retorno de seu investimento. Por outro lado, a comunidade em seu entorno fica dependente da produção dessa grande propriedade. Outros gêneros que poderiam gerar trocas regionais são descartados para se plantar o lucrativo gênero de exportação e os empregos acabam todos ligados e dependentes do sucesso dessa mesma cultura.
 A longo prazo, ao trocar os dividendos da lavoura por outros bens, todos aqueles dedicados à monocultura gradativamente perdem seu poder aquisitivo, devido à uma provável saturação que a monocultura de exportação acaba por provocar.
 Apesar de ser considerado notoriamente ineficaz nos dias de hoje, economias frágeis ainda se valem deste sistema, contando com mão-de-obra assalariada ou utilizando até mesmo trabalho escravo ilegal. No Brasil, a monocultura de exportação é aplicada em vastas porções do território nacional, principalmente para cultivo de café, cana-de-açúcar, e mais recentemente, de soja.
 Todas essas características negativas não significam propriamente que a monocultura de exportação foi sempre um método arcaico e danoso. Talvez a reflexão mais lúcida que se possa realizar sobre esta prática é de que ela teve seu tempo e local, e não se encaixa no mundo contemporâneo, especialmente se levarmos em conta que hoje é cada vez mais importante a utilização de terras cultiváveis para a produção de alimentos de natureza essencial, para que se possa prover a imensa população do planeta, que já ultrapassa os sete bilhões.
Emerson Santiago

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