sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A SECULAR RESISTÊNCIA MAPUCHE

A etnia que teve território e soberania reconhecidos pela coroa espanhola foi massa crada pelos Estados argentino e chileno após a independência destes países. A luta deste povo não acabou e continua nos dias atuais.
 Na cidade de Santiago (Chile), manifestantes saem às ruas para exigir o fim da repressão policial contra a comunidade Mapuche, que havia iniciado o processo de recuperação de suas terras "ancestrais".
Quando observamos mapas da América do Sul do período da independência de nossos países, além de diferenças nas fronteiras de cada um deles, podemos ver no extremo sul do continente uma enorme gleba territorial cuja história nunca é contada, pois nunca fez parte nem da América colonial espanhola, nem da portuguesa, nem de nenhuma outra conquista europeia. Nos mapas essa região aparece como Patagônia, nome que em nada se relaciona com os povos que nela habitavam. Muito menos com o povo que delimitou essa fronteira em batalhas contra os espanhóis: os mapuches. Estes ocupam a Araucania chilena e a cordilheira dos Andes nesta região, tanto do lado chileno como do lado argentino. O território denominado nos mapas como Patagônia era ocupado também pelas etnias Tehuelche, Onas, Aonikenk (batizados de patagones pelos europeus) e Chonos. Um expoente contemporâneo da população mapuche é Mauro Millán, o porta-voz ou werkén em mapudungun (a língua originária mapuche) das comunidades da região do Maitén, na patagônia argentina, em região andina próxima ao Chile. Ele foi um dos primeiros a se levantar contra o empreendimento mineiro de Esquel, um movimento que mobilizou a cidade e, através de um plebiscito, impugnou a concessão que o Estado argentino dera à canadense Meridian Gold para explorar ouro em uma mina a céu aberto e com uso de substâncias altamente contaminantes como o cianureto. Durante as gravações do documentário Onde Está América Latina? Uma Mina de Ouro em PuelMapu (que conta a história deste plebiscito) conversamos com Millán, porém nossa conversa seguiu outros rumos e foi muito além da discussão sobre o embate com a mineradora.
 A independência da América espanhola, por contraditório que possa parecer, foi ruim para os mapuches. Significou na verdade o fim da autonomia deste povo. Os Estados chileno e argentino que surgiam trataram de construir uma pátria grande e delimitar as fronteiras do país. Na Argentina, o general Roca comandou o avanço militar à Patagônia em campanha chamada de A Conquista do Deserto, que não era assim tão deserto, mas que, para os livros de história era deserto. Ali não havia mais que uns poucos "bárbaros"...
 O primeiro ponto que Millán fez questão de salientar é o significado das fronteiras. "Os mapuches nunca precisaram de cercas, nem grades, nem arames farpados", conta. No Chile essa resistência à delimitação territorial durou até 1974, quando um decreto-lei do ditador Augusto Pinochet distribuiu arame farpado às populações camponesas e as obrigou a delimitar o espaço de terra de cada família sob pena de perda de propriedade das terras não demarcadas. O fato, além de individualizar as propriedades, servia também para desestruturar a forma de organização política dessas populações. Segundo nos explica Mauro Millán, os mapuches resistiram à invasão espanhola, não porque eram povos guerreiros, mas porque sua estrutura de organização social lhes trouxe uma forma eficaz de resistência. Ao contrário dos modelos verticais que os europeus estavam acostumados a lidar, os mapuches se organizavam de forma horizontal, não havia líderes. Eles se dividiam em milhares de lofts, que eram comunidades autônomas que funcionavam internamente como imensas famílias. Cada loft era representado por um Lonko. E, cada Lonko tinha o mesmo grau de importância e autonomia entre os mapuches. As decisões que abrangiam a coletividade mapuche eram discutidas em Parlamentos. "Muitos cronistas europeus se admiraram com o que viram. Imaginem que neste período a Europa vivia sob estruturas absolutistas monárquicas. Estamos falando de um período muito anterior à Revolução Francesa. Quando chegam e veem que os povos que para eles eram 'bárbaros' têm esse tipo de organização, fazem relatos admirados", comenta Millán. De fato, os espanhóis tinham por tática sequestrar e matar os líderes para então dominar os povos à medida que estes ficavam, por assim dizer, órfãos. Foi assim com Atahualpa, o último líder Inca, por exemplo. Ele foi sequestrado e após a entrega de quantidades exorbitantes de ouro dos povos que o adoravam, houve a traição e o assassinato do líder.
Outra tática dos espanhóis era, sempre que possível, criar cisões e discórdias internas e externas entre as populações. Porém, as tropas comandadas por Pedro de Valdívia ao território mapuche não tiveram êxito. Não identificaram o líder e não conseguiram criar rivalidade entre os Lonkos, pois esses tinham por tradição respeitar as diferenças. Vale frisar que nos parlamentos se um Lonko não concordasse com determinada decisão, mesmo tendo voto vencido, seu loft não era obrigado a acatar a decisão dos demais. Quando os espanhóis chegam a essas terras, encontram milhares de lofts livres e autônomos, mas nunca isolados. Os mapuches contavam com uma eficiente rede econômica e de informação. Por outro lado, logo nos primeiros parlamentos os Lonkos consideraram os forasteiros perigosos e criaram táticas de resistência. Como as populações eram nômades e tinham amplo domínio da Geografia local, os espanhóis eram constantemente emboscados. Dessas batalhas dois nomes são imortalizados como grandes heróis da história latino-americana: Lautaro  e Caupolicán , que impuseram à coroa espanhola consideráveis derrotas. Para os mapuches, a situação também não era agradável e ambos chegaram a uma trégua. Em 1641, assinaram um tratado de paz que determinava o rio Bio-Bio (a mais ou menos 500 km ao sul de Santiago) como fronteira entre o território mapuche e o espanhol.
 A independência da América espanhola, por contraditório que possa parecer, foi ruim para os mapuches. Significou na verdade o fim da autonomia deste povo. Os Estados chileno e argentino que surgiam trataram de construir uma pátria grande e delimitar as fronteiras do país. Na Argentina, o general Roca comandou o avanço militar à Patagônia em campanha chamada de A Conquista do Deserto, que não era assim tão deserto, mas que, para os livros de história era deserto. Ali não havia mais que uns poucos "bárbaros"...
 Nasceu em Pilmaiquén. É o mais conhecido dos heróis mapuches. Quando assume a incumbência de Toqui (liderança militar), consegue a rendição das forças espanholas que controlam a Plaza Arauco. Junto a Lautaro, participou da Batalha de Tuca-Pel, na qual venceram e aprisionaram o líder militar espanhol Pedro de Valdívia. No combate de Millaraque é vencido pelas tropas espanholas de García Hurtado e forçado a refugiar-se. Assim mesmo, refuta acordos de paz e rendição e continua a comandar a resistência mapuche. É vencido após o frustrado ataque ao forte de Cañete. Morre em praça pública perfurado por um enorme pedaço de pau, que atravessa suas entranhas.
 O general Roca delimitou as fronteiras argentinas e evitou que a Patagônia fosse tomada pelos chilenos. Do lado chileno, a campanha comandada por Cornélio Saavedra recebeu o nome de Pacificação da Araucania. O Estado chileno precisava colocar fim aos distúrbios causados pelos povos rudes da região e levar a eles a civilização. Para o mapuche Mauro Millán, há a outra versão: "Os militares avançaram naquilo que poderíamos chamar 'plano tesoura', destruindo as terras por onde passavam e encurralando as populações locais até que elas não tivessem mais para onde correr. Minha bisavó contava que o povoado onde ela cresceu era formado por mapuches que originalmente estavam do lado chileno da cordilheira e que se refugiaram para este lado (argentino), assim como populações do lado de cá tiveram que fugir para lugares inóspitos do outro lado da cordilheira para escapar da Campanha de Conquista do Deserto. Imaginem quantos povos não desapareceram como consequência dos avanços territoriais da economia globalizada. E cada povo tinha uma visão de mundo própria, um idioma. Fala-se muito de Império Inca, que dominava imenso território etc. Vocês sabem que os Incas, por exemplo, não eliminaram nenhuma língua originária? Alguém fala de quantos idiomas a América do Sul perdeu com o avanço espanhol? Quantas culturas e diferentes visões de mundo, não apenas religiões, foram perdidas com a evangelização?".
 A luta mapuche continua nos dias atuais. Tanto do lado argentino como chileno as populações se mobilizam pelo reconhecimento do direito às suas terras e pelo resgate da autodeterminação, a preservação de sua cultura, tradições e idioma. No Chile contemporâneo essa luta acontece com intensidade. E o embate é difícil. Hoje, neste país, há 44 mapuches encarcerados como terroristas, em uma política de Estado que atua com leis herdadas do regime do ditador Augusto Pinochet.
Pedro Dantas.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

CANA DE AÇÚCAR NA AMAZÔNIA

Em maio de 2013, foi aprovada pelo Senado Federal, a lei 626/2011 que altera o ZAE (Zoneamento Agroecológico) da cana-de-açúcar, o que autorizará o plantio da cana na Amazônia Legal, no Cerrado  e Campos Gerais. A alteração  poderá deixar vulnerável diferentes áreas essenciais de nossos biomas.
cana de acucar na amazoniaOs defensores no Senado do plantio da cana-de-açúcar na Amazônia, acreditam que a expansão da mesma na região estimulará a produção de biocombustíveis, sendo necessário a ampliação das áreas de cultivo para atender a crescente demanda de etanol e açúcar no mercado interno e externo.
 Entre os ambientalistas, ONG’s estão recomendando que a lei não passe pela Câmara dos Deputados, muitos menos aceita pela Presidência da República. Segundo a WWF-Brasil, a expansão da cana-de-açúcar sobre a Amazônia traria mais malefícios ambientais do que benefícios econômicos, principalmente, para as comunidades locais.
 É essencial refletir sobre os projetos de desenvolvimento sustentáveis mais cabíveis para a Amazônia e uma política de biocombustíveis mais sólida e ambientalmente correta para o país. Nos anos 2000, o ZAE da cana trouxe avanços e desenvolvimentos significativos para o setor produtivo e para o respeito aos biomas, proibiu o cultivo da cana-de-açúcar na Amazônia Legal, Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai. O ZAE original também possibilitou a implementação de melhores condições para a produção canavieira, pela redução da pressão sobre os ecossistemas protegidos.
 Em 2007, a Amazônia já possuía uma produção de 20 milhões de toneladas de cana ao ano, segundo dados do Centro de Pesquisa e Monitoramento da Embrapa, colocando em risco o equilíbrio ambiental em diversas áreas. Na região do Acre, o Álcool Verde tinha o projeto de produzir 45 milhões de litros de biocombustíveis a partir de 2008, com investimentos de 60 milhões de reais calculados na época.
 Em 2009, o ZAE da cana-de-açúcar restringiu o plantio, identificando 64,7 milhões de hectares aptos a produção da cana, sendo 19,3 milhões de hectares com alto potencial produtivo. Até 2030, o Plano Nacional de Energia prevê produção anual de 1,14 bilhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que demandará uma área de 13,9 milhões de hectares. Calculando os 19,3 milhões de hectares já existentes, seria necessário expandir o plantio da cana-de-açúcar para a Amazônia e para o Cerrado?
Fernando Rebouças  

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

INDÚSTRIA BÉLICA

A expressão Indústria bélica faz referência a um negócio global destinado à produção de armas, equipamento e tecnologia militar, com destaque para armas, munições, mísseis, aviões militares, veículos militares, navios e sistemas eletrônicos. Tal setor concentra-se na pesquisa, desenvolvimento e produção de equipamento bélico em geral, e atende principalmente as forças armadas dos países de todo o mundo.
O comércio de armas é hoje um dos setores mais afetados pela crise do crédito, com um valor global de mercado reduzido atualmente pela metade. Acredita-se que ocorreu um declínio no comércio de armas desde a última década do século XX, influência das violentas imagens amplamente divulgadas de conflitos armados modernos, e dos tratados de diminuição de armamentos, com destaque para a série de tratados START (Strategic Arms Reduction Treaty) entre EUA e a antiga União Soviética. Na época da Guerra Fria, as exportações de armas foram utilizadas tanto pela União Soviética quanto pelos Estados Unidos para influenciar suas posições em outros países, especialmente nos países do chgoamado Terceiro Mundo.
 Ao mesmo tempo, o desmantelamento do arsenal da antiga União Soviética ajudou a proliferar a tecnologia bélica para outras regiões do planeta. Ainda, estima-se que no mundo todo haja um arsenal de armas de fogo de 639 milhões de unidades, cuja metade está nas mãos de civis e o restante esteja reservado à polícia, o que resulta em uma arma para cada 10 pessoas no mundo. Apesar de não se saber exatamente o valor da produção e do comércio de armas ligeiras, houve um aumento significativo no valor a partir do final da Guerra Fria, e alguns analistas estimam que a exportação pode valer mais do que 6.000 milhões por ano, ou seja, um oitavo do valor total do comércio de armas. O Brasil aparece como o décimo país entre os maiores produtor de armas.
 Muitos países industrializados possuem sua própria indústria doméstica de armas, projetada para atender a demanda das forças militares locais. Outras nações também têm um comércio legal ou ilegal substancial de armas para uso de seus cidadãos. Outro importante segmento da indústria é o comércio ilegal de armas de pequeno porte, que está presente em muitos países e regiões afetadas pela instabilidade política. Uma grande parte do problema do comércio ilegal está no excedente dos contingentes militares. A maioria dos países, ao invés de destruir as armas antigas ou os excedentes, geralmente acabam por vender seus estoques. Entre os únicos estados que têm uma política de destruir seus excedentes ou ainda as armas apreendidas são Nigéria, Letônia e África do Sul.

 Emerson Santiago

terça-feira, 26 de novembro de 2013

TROMBADA D'ÁGUA

A“tromba d’água” é um tornado que se forma sobre a água, mais comumente sobre o mar, em condições de alta umidade e forte calor surgindo tão rápido quanto se desfazem.
 No Brasil, a região sul, principalmente, e em parte o Estado do Mato Grosso do Sul é bastante favorável a ocorrências desse tipo de evento climático.
 Só em Santa Catarina foi registrada a ocorrência de cerca de 23 tornados e trombas d’água de 1976 a 2000 que em grande parte estavam associados à passagem de frentes frias e a ocorrência de sistemas convectivos de mesoescala e sistemas convectivos isolados na primavera e no verão respectivamente. (A última tromba d'água de SC - até a data deste artigo - aconteceu em Florianópolis, em Março de 2008) 
 Os tornados são uma imensa coluna de ar giratória que se estende desde a base da nuvem que o gera (chamada de cumulonimbus, nuvem em forma de bigorna que pode chegar a 35km de altura) até a superfície do continente ou da água, sendo neste caso chamado de “tromba d’água”.
 É importante não confundir tornado com furacão: o segundo pode atingir centenas de quilômetros de diâmetro e sempre surge sobre os oceanos que é o local de onde retira sua energia destrutiva e pode durar vários dias percorrendo diversos lugares. Já o tornado é mais localizado, raramente ultrapassa 1km de diâmetro e dura apenas alguns minutos (são raros os que duram 1 hora, por exemplo).
Caroline Faria.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

SANTIAGO

Santiago  é a capital e a maior cidade do Chile. Está localizada na Região Metropolitana de Santiago, no vale central chileno, ao lado da Cordilheira dos Andes. É o maior e mais importante e desenvolvido centro urbano, financeiro, cultural e administrativo do país. Chamada de Grande Santiago ou simplesmente Santiago, é uma aglomeração que possui 32 comunas de maneira íntegra e 11 comunas de forma parcial. A maior parte de Santiago está na província de mesmo nome, com alguns setores periféricos dentro das províncias de Maipo, Cordillera e Talagante.

No ano de 2002, a conurbação se estendia em 641,4 km² e tinha uma população de 5 428 590 habitantes1 , o que equivale a cerca de 36% da população total do país naquele ano. De acordo com esses números, Santiago, é efetivamente, a sétima cidade mais populosa da América Latina, a 40ª do mundo e uma das 45 regiões metropolitanas mais populosas do mundo.
A cidade de Santiago abriga os principais organismos governamentais (à exceção do Congresso Nacional, localizado na cidade Valparaíso), financeiros, administrativos, comerciais e culturais do Chile. Santiago também é sede da CEPAL, além de ser considerada a terceira capital latino-americana com melhor qualidade de vida3 , depois de Montevidéo e Buenos Aires, e uma Cidade Global "Alfa -", segundo estudos da Globalization and World Cities Research Network4 . Finalmente, é considerada como a 53º cidade mais rica do mundo, com um PIB estimado em US$93 bilhões em 2005 e que deve chegar a US$ 205 bilhões até 20205 .
Fonte: Wikipédia.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A INFLUENCIA GEOPOLITICA DAS DIÁSPORAS ÉTNICAS

As diásporas étnicas e a questão identitária de um povo estão intrinsecamente ligadas à geopolítica.
 Tradicionalmente, as teorias geopolíticas são elaboradas a partir de uma interpretação do mundo político com base na teoria da soberania, que sustenta ser o Estado a autoridade suprema sobre determinado território. Essa interpretação considera que as relações entre essas unidades territoriais delineiam os contornos da política mundial. Em outras palavras, os Estados territoriais seriam os únicos atores da imaginação geopolítica.
Contudo, uma questão extremamente relevante para a compreensão da correlação de forças no espaço mundial constitui a infl uência geopolítica das diásporas étnicas. Uma diáspora étnica é uma formação sócio-política dispersa por diversos Estados, criada como resultado da migração forçada ou voluntária. Essas formações políticas adquirem cada vez mais um papel significativo na política nacional, interestatal e global.
 O fator identidade
Portanto, a geopolítica – como combinação de fatores geográficos e políticos que determinam a condição de um Estado ou região – deve considerar a dinâmica interna dos Estados e o papel das diásporas étnicas que são capazes de direcionar a atenção para a questão da identidade: uma vez despertada, a questão identitária pode ser usada para infl uenciar a formulação da política externa. O fator identitário é tão importante que alguns teóricos acreditam que a construção de uma identidade étnica é pré-condição para a identidade política e demandas políticas. Outros, como o russo Yuri Boradai, afirmam que os principais fundamentos da geopolítica seriam a etnia e a identidade.
No processo de formação dos Estados-nação, as diferentes identidades foram subordinadas à identidade cultural “oficial” do Estado-nação por meio de um processo muitas vezes violento. Um exemplo é a formação identitária da República da Turquia na década de 1920 que, na tentativa de homogeneizar a população, suprimiu a identidade etno-linguística curda e a religião xiita dos alevis.
Apesar do uso da violência durante as tentativas de unificação identitária, as identidades nacionais são bem menos homogêneas do que aparentam. Muitos Estados contêm dentro de suas fronteiras grupos minoritários que se identificam com culturas diferentes, formando enclaves etno-culturais no interior dos Estados receptores, como consequência da frágil identificação com a cultura nacional. Geralmente, esses grupos étnicos diaspóricos mantêm contatos regulares ou esporádicos com Estados ou grupos com os quais possuem relação de parentesco ou cultura e podem, eventualmente, ter afinidades e interesses convergentes. No entanto, devido a fatores como aculturação, assimilação e integração, nem todos os membros de uma diáspora têm o mesmo sentimento de pertencimento à cultura ancestral e, sendo assim, nem todos compartilham a mesma visão e nem estão dispostos a participar de organizações diaspóricas.
Diásporas na História
As diásporas etno-nacionais não são um fenômeno recente. Algumas diásporas étnicas, como a grega e a judaica, se desenvolveram durante a Antiguidade; outras, como a romani (cigana), surgiram na Idade Média; e há comunidades chinesas dispersas pelo mundo desde o século 17. O diasporismo étnico cresceu após o fim da ex- URSS e certos grupos diaspóricos antigos e dormentes se tornaram mais ativos nas arenas políticas e socioeconômicas. Isso porque a globalização possibilitou, por um lado, uma maior integração e interconexão das partes, estimuladas em grande medida pela disseminação e consolidação de novas tecnologias de comunicação. Por outro lado, a expansão da homogeneização cultural incitou a resistência cultural e política dos grupos minoritários. Apesar de muitos integrantes de diásporas pertencerem a culturas híbridas, o recuo ao absolutismo étnico e religioso promovido por alguns Estados alimentou as identidades defensivas, como reação às tentativas de restauração da coesão frente ao hibridismo nacional.
Quanto à atuação política, as diásporas étnicas possuem esferas de atuação, orientações políticas e estratégias distintas e nem sempre são convergentes com os interesses das pátrias de origem. Há estratégias diversas, como assimilação, separatismo, integração, autonomia e irredentismo, algumas com implicações territoriais diretas, outras com impactos limitados na dinâmica interna dos Estados receptores. Além disso, as políticas das diásporas têm obtido grande relevância e despertado o interesse de diversos governos devido à amplitude de sua infl uência no comportamento internacional e as múltiplas maneiras de infl uenciá-lo. Como canais entre diferentes sociedades, as diásporas agem como pontes ou mediadoras, transmitindo valores e intermediando o fl uxo de recursos. Podem desencadear confl itos e interferem na perpetuação ou na resolução das tensões, podendo até servir de pretexto para o irredentismo de alguns Estados que pretendem expandir seus limites territoriais. De forma negativa, algumas diásporas são a principal fonte de violência e instabilidade, criminalidade e terrorismo internacionais, utilizando modernos recursos tecnológicos além do alcance dos Estados estabelecidos.
 A região de Nagorno- Karabakh se encontra dentro do território do Azerbaijão e foi palco de conflito armado entre a Armênia e o Azerbaijão. O conflito se acendeu em 1991, após a declaração de independência da região, que, apesar de estar localizada na parte sudoeste do Azerbaijão, possui população predominantemente de origem armênia.
 Além das fronteiras

A ação de uma diáspora não é constante, estando sujeita a alterações conjunturais. A aquisição de uma pátria territorial por uma etnia altera o posicionamento do grupo diaspórico, como no caso dos armênios. A independência da Armênia após o fim da ex-URSS fez com que a principal preocupação dos armênios diaspóricos fosse oferecer apoio político e assistência econômica aos armênios envolvidos no conflito de Nagorno-Karabakh aos armênios envolvidos no . A conexão de uma diáspora com a pátria de origem pode também atingi-la durante um confl ito ou tensão entre grupos ou Estados. Como em 1994, quando a comunidade judaica argentina foi vítima de um ataque terrorista provocado por radicais islâmicos com apoio do Irã, que causou 85 mortes e a destruição da Asociación Mutual Israelita Argentina. Não obstante o aumento do hibridismo cultural dentro das fronteiras nacionais, os indivíduos diaspóricos permanecem definidos como o paradigmático “outro” do Estado-nação, como desafiadores das suas fronteiras tradicionais, como transportadores transnacionais de culturas, e como manifestações de comunidades desterritorializadas. Apesar das atitudes hostis de muitos Estados diante das diásporas e da ambiguidade política de suas pátrias, a luta pela sobrevivência física e cultural dos indivíduos diaspóricos continua e as futuras pesquisas sobre as diversas esferas geopolíticas não podem ignorar os objetivos e as infl uências das diásporas.
Marcos Toyansk

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

REFLEXÕES SOBRE GEOGRAFIA FÍSICA NO BRASIL

'Reflexões sobre a Geografia Física no Brasil' apresenta novas abordagens sobre a natureza no contexto da Ciência Geográfica. O livro contém trabalhos provenientes de experiências científicas e acadêmicas de seus autores, que apresentam os mais recentes avanços nos níveis teórico, epistemológico, metodológico e empírico sobre diferentes temas na Geografia Física.
Autores: Antônio José Teixeira Guerra e Antônio Carlos Vitte
Editora: Bertrand Brasil 
Páginas: 280 
Ano: 2004

Fonte: Revista Geográfica Prática e Conhecimento.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A INDÚSTRIA AUTOMOTIVA NO BRASIL

A indústria automotiva  está presente no Brasil desde o início do século XX, e passa a atuar de forma direta em território nacional a partir da década de 50 do mesmo século.
O primeiro automóvel no Brasil foi um Peugeot, modelo francês importado de navio até a cidade de Santos, pelo jovem de 18 anos chamado Alberto Santos Dumont, em 1894. A primeira empresa a estabelecer um escritório no país foi a Ford, em 1919. Em 1925 seria a vez da General Motors, ambas baseadas na capital paulista. Na década de 20 surge a primeira rodovia asfaltada, a Rio-Petrópolis, inaugurada pelo presidente Washington Luís, que tinha como lema "governar é abrir estradas".
 O verdadeiro nascimento da indústria automotiva ocorre durante os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. O primeiro tomou medidas importantes como a proibição da importação de veículos montados e a imposição de alta taxação de peças. Outro ponto capital, não só no nascimento da indústria automobilística como na de outros setores foi a instalação da CSN - Companhia Siderúrgica Nacional, que possibilitou  a manufatura em território brasileiro de chapas e barras de ferro e aço, matéria-prima de todo automóvel, bem como a fabricação de várias peças.
 Já Kubitschek deu o passo seguinte, dando condições às indústrias no Brasil para desenvolver localmente qualquer tecnologia estrangeira. A primazia do primeiro carro 100% fabricado nacionalmente coube à Romi, indústria de tornos e equipamentos agrícolas, que obteve o licenciamento de um minicarro italiano, o Isetta. Surge assim, em 1956, a Romi-Isetta, como ficou conhecida, com um motor semelhante ao de uma motocicleta, rodas diminutas, aro 14 e somente uma porta, frontal. No mesmo ano, outras fábricas, como a FNM (Fábrica Nacional de Motores) e a Vemag (de origem alemã) lançavam carros totalmente nacionais, apesar de serem cópias licenciadas de modelos baratos europeus e norte-americanos. Kubitschek criou ainda o GEIA - Grupo Executivo da Indústria Automobilística, destinado a viabilizar as iniciativas de produção de automóveis nacionais.
 Em 1959 é a vez da Volkswagen, que instala sua filial em São Bernardo do Campo, SP, e monta os primeiros Fuscas e Kombis nacionais. A empresa irá liderar o mercado de automóveis no Brasil até o início dos anos 90. O automóvel nacional tornava-se uma realidade palpável, e o cenário urbano já era "invadido" pelos modelos nacionais, que ocupavam o espaço dos importados.
 No fim dos anos 60 e início dos 70, o consumidor se torna mais exigente, e os modelos passam a ter uma qualidade melhor, sendo que várias empresas pequenas surgem, com destaque para a Gurgel e a Puma. Ao mesmo tempo, quatro empresas irão se consolidar como as principais fabricantes do país, dominando quase todo o mercado: Volkswagen, GM, Ford e Fiat.
 Nos anos 90, a importação de veículos volta a ser estimulada, abrindo o mercado brasileiro. Atualmente, o Brasil possui 20 empresas competindo em um lucrativo mercado, onde estima-se que haja proporcionalmente um carro para cada cidadão brasileiro na região da grande São Paulo.
Emerson Santiago  

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ENCHENTES


Além dos mais variados problemas causados pelo homem que assolam as grandes cidades, outros fenômenos que contam com grande participação da natureza também dificultam a vida nos centros urbanos: as enchentes.
As áreas urbanas são as que mais expressam as intervenções humanas no meio natural. O desmatamento, as edificações, a canalização, a mudança do curso dos rios, a poluição da atmosfera, dos cursos de água e a produção de calor geram diversos efeitos sobre os aspectos do ambiente. As alterações ambientais causadas pelas atividades urbanas são sentidas pela população, tais como o aumento da temperatura nas áreas centrais, o aumento de precipitação e as enchentes. Essa última consequência do processo de urbanização teve como causa principal a construção de casas, indústrias, vias marginais implantadas nas áreas de várzeas dos rios e proximidades e é, atualmente, um problema constante nos períodos chuvosos nos principais centros urbanos.
Causas e Consequências 
As enchentes são fenômenos naturais que ocorrem quando a precipitação é elevada e a vazão ultrapassa a capacidade de escoamento, ou seja, quando a chuva é intensa e constante, a quantidade de água nos rios aumenta, extravasando para as margens dos rios (áreas de várzeas). Todos os canais de escoamento possuem essa área de várzea para receber o "excesso" de água, quando ela ultrapassa os limites dos canais. Entretanto, com as interferências antrópicas (do homem), as inundações são intensificadas em vista de alterações no solo de uma bacia hidrográfica, tais como a urbanização, impermeabilização, desmatamento e o desnudamento (eliminação da vegetação).

O processo de urbanização causa mudanças no microclima das cidades. O intenso processo de desmatamento e a construção de residências, edifícios, indústrias, ocupação das áreas de várzeas e a impermeabilização do solo com asfalto acarretam no aumento de temperatura dos centros urbanos em relação às áreas periféricas (afastadas do centro) e às áreas rurais. Em algumas cidades esta diferença de temperatura pode atingir até 10°C. Além do desmatamento e da impermeabilização do solo, o consumo de combustíveis fósseis por automóveis e indústrias torna a cidade uma fonte de calor. Esse fenômeno é denominado "ilha de calor". O aumento de temperatura nos centros urbanos intensifica a evaporação; além disso, o material particulado (poluentes) em suspensão favorece a formação de núcleos de condensação na atmosfera. O resultado é o aumento da quantidade de chuvas. A tabela 1 mostra que, nas áreas urbanas, a quantidade de chuva anual é 5% maior e, em dias de chuva, a precipitação (quantidade de chuva medida) é 10% superior se comparada com as áreas rurais. No entanto, as inundações não resultam apenas do aumento da quantidade de chuva, mas - e principalmente - do aumento da velocidade de escoamento superficial ocasionado pela impermeabilização do solo. Além disso, diariamente, os rios recebem uma carga de água utilizada pela população (esgoto), o que também contribui para aumentar a quantidade de água no leito dos rios.
Em condições naturais, parte da chuva fica retida nos troncos e folhas, o escoamento superficial é retido por obstáculos naturais gerando maior infiltração e retardando a chegada da água nos cursos de água. Quando a cobertura vegetal é retirada, não há resistência ao escoamento e a água atinge os rios com maior facilidade e rapidez, contribuindo também com o assoreamento dos rios, pois, sem a cobertura vegetal, os sedimentos são carregados pela água e acabam depositados no fundo dos leitos dos rios. Este fato é agravado quando há impermeabilização do solo.
Outro fator que agrava as inundações nos centros urbanos é o entupimento dos bueiros ocasionado pelo lixo jogado nas ruas pela população. Em dias de chuva, com a impossibilidade do escoamento pelos bueiros, a água concentra-se nas ruas de forma rápida, causando transtornos no trânsito e no comércio, além de atingir residências e causar todo o tipo de estragos.
Um perigo para a vida urbana
 As enchentes representam uma ameaça para a população, especialmente nas áreas periféricas, onde há deficiência de coleta e tratamento de esgoto. Em épocas de inundações, a população tem contato com a água contaminada, contribuindo para a propagação de doenças como a leptospirose. O processo de urbanização no Brasil, atualmente, ocorre de forma intensa e, na maior parte dos casos, sem planejamento. Áreas inteiras são ocupadas e loteadas, de forma clandestina ou não, contribuindo para os processos de erosão. Esta urbanização desmesurada também leva a população a ocupar áreas dos leitos de rios ou de mananciais.
 Precipitação
É o nome técnico utilizado para denominar o fenômeno climático de queda de água do céu para a superfície terrestre. A precipitação pode ser sólida (granizo); sólida em cristais (neve, ocorre quando o esfriamento da água é mais lento) e líquida (chuva propriamente dita).
 Tudo isso só faz agravar a problemática das enchentes nos grandes centros urbanos. As soluções encontradas para conter, da maneira que é possível, as enchentes seguem uma linha imediatista na tentativa de alcançar a resolução do problema em um período curto de tempo. Dentre as ações, destacam-se as obras de desassoreamento dos rios (retirada dos sedimentos depositados pela água) e, consequentemente, o aprofundamento do leito, com canalização e construção de reservatórios regularizadores de vazão.
 Alternativas e soluções
As medidas preventivas ideais para a solução das inundações são fundamentalmente institucionais. A atuação e fiscalização dos órgãos responsáveis (estaduais e municipais) no que tange ao uso e ocupação do solo, à utilização dos recursos hídricos e ao cumprimento da legislação seriam um bom ponto de partida para a solução do problema.
 Neste sentido, a má definição de atribuições, ausência de uma política unificada e de competição entre os órgãos públicos e o conflito de projetos são fatores que influenciam na resolução dos problemas em curto prazo e o grande investimento de capital. Portanto, frente aos problemas elucidados, é necessário um planejamento urbano coerente com a gestão dos recursos hídricos e uso e ocupação do solo, respeitando as áreas de várzeas e as encostas. Ressalta-se que estas áreas podem ser ocupadas, mas de forma planejada, e as atividades devem ser compatíveis com as suas características, como, por exemplo, a implantação de parques, ciclovias, áreas para práticas esportivas ou exposições nas áreas de várzea.
 A conscientização dos técnicos e da população de que as enchentes são um processo natural do regime hidrológico de um rio é essencial para a implantação de medidas preventivas que evitem os prejuízos vistos atualmente e com os quais toda a sociedade tem que arcar.
 Divulgação

As enchentes representam uma ameaça para a população, especialmente nas áreas periféricas, onde há deficiência de coleta e tratamento de esgoto. Em épocas de inundações, a população tem contato com a água contaminada, contribuindo para a propagação de doenças como a leptospirose.
Aline Aquino

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A FORTE ECONOMIA MINEIRA CHILENA E A HERANÇA DE SALVADOR ALLENDE

No atual contexto geopolítico da América Latina, duas questões estão permanentemente na pauta das discussões. A primeira é a necessidade de cuidados de preservação ambiental e de políticas que valorizem os recursos naturais da região em prol do desenvolvimento social de suas populações. Outra questão discutida é a eficiência e a legalidade dos processos de nacionalização que são adotados por governos mais ousados, como o de Hugo Chávez na Venezuela e Evo Morales na Bolívia.
Salvador Allende
Salvador Allende Zurkovich (26/6/1908 - 11/9/1973) foi um político chileno. Médico, socialista e adepto das teorias do marxismo, foi eleito democraticamente presidente do Chile em 4 de novembro de 1970. Governou com ampla aceitação pública até 11 de novembro de 1973, quando foi deposto pela junta militar chilena. O Golpe colocou no poder o Comandante em Chefe do Estado Chileno, Augusto Pinochet, no Palácio de la Moneda. Em vida, Allende tentou implementar uma estratégia política e econômica e socializar a economia chilena, fazendo a reforma agrária e nacionalizando indústrias. Sua morte é cercada de uma nuvem de mistério. Alguns, como sua filha, acreditam que ele se suicidou no Palácio com uma arma que lhe fora dada por Fidel Castro. Outros creem que ele foi assassinado pelas forças militares invasoras no momento do Golpe Militar.
A importância da indústria estatal para a receita pública de um país é evidente, muito embora a atual tendência econômica neoliberal leve a um caminho contrário. Pensemos no papel que tem a Petrobras para a saúde monetária do Estado brasileiro. Um exemplo emblemático da importância que uma indústria estatal forte pode exercer na economia de um país e o contraste que esta pode chegar a uma semelhante privada é o que se pode observar na atual economia chilena entendida como exemplo de economia neoliberal bem-sucedida na América Latina.
 O primeiro que se deve saber para entender a economia chilena é que ela é basicamente mineira, alicerçada na extração do cobre. E também que o cobre é a segunda riqueza natural mais vendida no mercado internacional, atrás apenas do petróleo. É importante saber também que a região mais rica em cobre do país é justamente o extremo norte, conquistado da Bolívia e do Peru durante a Guerra do Pacífico, ainda no século XIX. Aquela famosa guerra que deixou a Bolívia sem saída ao mar. Hoje quando se discute o direito boliviano a um porto livre no Pacífico se esquece da imensa riqueza natural que o país perdeu no conflito.
 Na época do conflito, o Chile era um país que incorporava os preceitos liberais, enquanto o governo boliviano pretendia começar a cobrar impostos das companhias salitreiras inglesas e estadunidenses. Com apoio inglês, os chilenos venceram o conflito. Na mesma região conquistada pelo Estado chileno nesta guerra, algumas décadas depois, descobriram-se imensas reservas de cobre. A principal delas é Chuquicamata, a maior mina de cobre a céu aberto do mundo.
 Em 1971 as riquezas dessa mina, junto às outras quatro grandes minas em exploração na época, foram revertidas ao Estado chileno graças à nacionalização promovida por Salvador Allende . A nacionalização teve como base a resolução 1803 da XVII Assembleia Geral das Nações Unidas, de 14 de dezembro de 1962, chamada Sobre a Soberania Permanente dos Recursos Naturais. Nela se reconhece o direito inalienável de todo Estado dispor livremente de suas riquezas naturais de maneira conforme interesses nacionais e em respeito à independência econômica dos Estados.
 O economista chileno Julian Alcayaga Olivares, especialista na questão mineira, ressalta: "para se ter uma idéia da importância da nacionalização, em 2004 a CODELCO (Corporación Nacional del Cobre criada oficialmente em 1976 a partir da junção das cinco grandes minas nacionalizadas por Salvador Allende em 1971) rendeu aos cofres públicos através de impostos seis vezes mais do que a soma de impostos pagos pelo conjunto das mais de 10.000 empresas privadas existentes no país, incluindo as demais empresas mineiras, pesqueiras e madeireiras, os bancos, companhia de seguros, etc. Vale ressaltar que a soma da produção dessas empresas é duas vezes mais que a da CODELDCO.
 Hoje, há documentos que comprovam que a nacionalização do cobre promovida por Allende foi o principal motivo da ingerência estadunidense que apoiou o golpe militar de 73, que levou Allende à morte e instaurou a política de terror e violação de direitos humanos comandada por Augusto Pinochet. O mais importante de se notar é que a importância da nacionalização era tamanha que Pinochet não voltou a privatizar as minas estatais deixadas por Allende.
 No Chile, existe um total de 47 empresas multinacionais mineradoras. Nos últimos 12 anos, as multinacionais de cobre levaram do Chile 23 milhões de toneladas do mineral, o que representa um valor de 43 bilhões de dólares, e não pagaram impostos. As empresas privadas exploram hoje 2/3 do cobre extraído do país.
 "Uma dona de casa que compra menos de um quilo de pão paga imposto, mas as mineradoras multinacionais não pagam."
Ricardo Lagos, ex-presidente do Chile
Ao contrário, mesmo frente às pressões internas e externas para 'desnacionalizar' o cobre, em 1976 o governo militar criou a CODELCO a partir da fusão das cinco grandes minas nacionalizadas por Allende em uma única grande empresa estatal. Pinochet indenizou as multinacionais nacionalizadas, o que até então não ocorrera, e criou decreto-lei que determina que 10% do lucro da CODELCO seja diretamente revertido às forças armadas chilenas. Paralelamente, os novos investimentos na mineração não apenas voltaram a ser permitidos ao capital privado e estrangeiro, mas o Estado chileno, aos poucos, passou a oferecer regalias ao investidor privado." Assim, hoje, no Chile aquela empresa que demonstre prejuízo em seu balanço anual, seja por pagamento de dívidas ou qualquer tipo de prejuízo inclusive fora do território chileno, fica isenta de impostos.
 Graças a esse benefício, em 2004 a Comissão Especial de Tributação do Senado afirmou que entre 1995 e 2002 as mineradoras estrangeiras não pagaram nenhum dólar de imposto de renda ao Estado chileno, com exceção da Mineradora Escondida e Mantos Blancos S.A., que contribuíram em duas oportunidades.
 O próprio presidente chileno à época, Ricardo Lagos, disse em um programa de televisão que "uma dona de casa que compra menos de um quilo de pão paga imposto, mas as mineradoras multinacionais não pagam". No Chile, existe um total de 47 empresas multinacionais mineradoras. Nos últimos 12 anos, as multinacionais de cobre levaram do Chile 23 milhões de toneladas do mineral, o que representa um valor de 43 bilhões de dólares, e não pagaram impostos. As empresas privadas exploram hoje 2/3 do cobre extraído do país.
 Atualmente, a mineração chilena enfrenta uma questão emblemática que desnuda o tipo de atuação de boa parte das empresas multinacionais privadas na América Latina. Trata-se do projeto minerador Pascua Lama, da companhia canadense Barrick Gold Corporation, que escandaliza não apenas por suas características econômicas que não asseguram nenhum retorno financeiro ao Estado chileno, mas principalmente pelo descaso com o meio ambiente e com as populações que vivem na região onde se pretende extrair ouro. A Barrick Gold é a terceira empresa produtora de ouro no mundo, com minas ativas nos Estados Unidos, Canadá, Peru, Tanzânia e Chile.
 Em 1997, representantes dos governos de Carlos Menem, da Argentina, e Eduardo Frei, do Chile, assinaram tratado de acordo binacional sobre mineração. O acordo permite que empresas estrangeiras desenvolvam projetos em jazidas que se encontrem em regiões fronteiriças. Pascua Lama é o primeiro grande projeto a fazer uso desse tratado. A Barrick Gold pretende explorar uma mina a céu aberto, onde além de ouro, obterá também prata, cobre e outros metais secundários. A mina está localizada na fronteira entre o deserto chileno de Atacama e a província de San Juan, na Argentina. O processo de mineração prevê utilização de substâncias altamente perigosas, como o cianureto.
 Em fevereiro de 2006, a companhia conseguiu aprovar no Chile seu estudo de impacto ambiental e, em dezembro de 2007, obteve também autorização das autoridades da província de San Juan, na Argentina. Apesar disso, os ambientalistas afirmam que o cianureto e os demais resíduos da mina, por meio de drenagens ácidas, contaminarão as reservas de água da região. Desde o alto da cordilheira dos Andes, com nascente próxima à mina, flui ao Pacífico o rio Huasco. O vale desse rio é um verdadeiro oásis no deserto do Atacama e a região produz o melhor pisco do país, maçã e uva para exportação, além de outras frutas e verduras que abastecem o mercado local. São 70 mil habitantes que seriam diretamente afetados no caso de uma eventual contaminação.
 Em Santiago é comum a ação policial com bombas de gás lacrimogêneo e carros pipa reprimindo as manifestações sociais e estudantis. Assim mesmo, a herança deixada por Allende com a nacionalização deixa aos cofres públicos ainda hoje seis vezes mais do que a soma do ingresso deixado pelas mais de 10.000 empresas privadas existentes no país.
 Um dos problemas mais sérios é que no local de exploração da mina está uma enorme geleira, na nascente do rio Huasco. Segundo Lucio Cuenca, diretor do Observatório Latino-Americano de Conflitos Ambientais (Olca), "eles propõem remover a geleira de uma montanha a outra, sem destruí-la. Isso, na minha opinião, é um insulto à inteligência dos chilenos e de todos em geral". A mina utilizará também 370 litros de água por segundo, mais do que a média diária de um cidadão comum do vale Huasco. O projeto prevê um investimento de 950 milhões de dólares e uma vida útil de 20 anos. Porém, vale lembrar que as empresas estrangeiras de mineração que apresentarem perdas em seu balanço anualestão isentas de pagar impostos. Ou seja, se a bilionária Barrick Gold apresentar em sua contabilidade problemas financeiros por gastos com novos investimentos ou pagamento de dívidas, terá isenção tributárias.
 O Chile está hoje entre os cinco países do mundo mais confiáveis para o investimento estrangeiro, sua economia cresce a uma media de 5% ao ano. Ao mesmo tempo, o país está entre as 10 piores distribuições de renda do mundo. O grande volume financeiro que as riquezas do país trazem ainda hoje chegam ao Estado graças à ação do "socialista" Salvador Allende. A ousadia do então presidente lhe custou a vida e a liberdade do povo do povo chileno por quase 20 anos. Hoje, a democracia vigente no país não reverteu as leis promovidas pela ditadura militar.
 A CODELCO segue deixando 10% de seu lucro às forças armadas e a lei antiterrorista é a mesma da época de Pinochet de forma que muitos líderes sociais, indígenas e políticos estão encarcerados como terroristas. Em Santiago é comum a ação policial com bombas de gás lacrimogêneo e carros pipa reprimindo as manifestações sociais e estudantis. Assim mesmo, a herança deixada por Allende com a nacionalização deixa aos cofres públicos ainda hoje seis vezes mais do que a soma do ingresso deixado pelas mais de 10.000 empresas privadas existentes no país. Codelco representa sozinha mais da metade do ingresso para todo o pouco que o país oferece em serviços públicos de educação, saúde, transporte e cultura.
 Será que o processo de nacionalização promovido por governos mais ousados é realmente, como dizem muitos, uma medida populista e irresponsável? Enquanto isso, países de imensas riquezas naturais como Brasil e México ocupam respectivamente os lugares 65 e 55 no ranking IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU. E Cuba, uma minúscula ilha isolada pelas restrições de comércio impostas pelo vizinho gigante, está na 52ª posição.(Pedro Dantas, Revista Geográfica Prática e Conhecimento).

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

AS RESERVAS FLORESTAIS PEDEM SOCORRO

Alterações climáticas e perda da biodiversidade são algumas das consequências que já podem ser observadas em decorrência das ações humanas na destruição das grandes reservas florestais.
 Há milhares de anos, uma civilização tida como avançada, com grande desenvolvimento científico e tecnológico, que lhe permitia até manipular as forças da natureza, teria desaparecido completamente ao ser tragada pelas águas do Oceano Atlântico. O nome da cidade era Atlântida e, segundo a lenda, seus governantes, ávidos por obter cada vez mais poder, abusaram dessa condição de superioridade em relação às demais nações e passaram a agredir o meio ambiente. Lenda ou não, a história se repete no mundo de hoje, em que cidades inteiras estão sendo destruídas pela fúria da natureza, fruto, na maioria das vezes, de um ataque desordenado aos recursos naturais em prol do desenvolvimento.
Tipos mais comuns de influências no ambiente
Segundo o pesquisador aposentado da Coppe/UFRJ e consultor da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Gilberto Alves da Silva, "a deterioração ambiental não é uma consequência inevitável do progresso humano, e sim uma característica de certos modelos de crescimento econômico, que são intrinsecamente insustentáveis em termos ecológicos, assim como desiguais e injustos em termos sociais". Mas a introdução de novas tecnologias, com todos os seus efeitos e influências, positivas ou negativas, geralmente é uma decisão do setor produtivo, que não é discutida e nem planejada pela sociedade. As alterações ambientais e comportamentais resultantes são de tal magnitude e, às vezes, tão inesperadas, que a sociedade tem tido dificuldades em acompanhálas. O mundo moderno, com sua tecnologia avançada, cada vez mais se vê ameaçado pelas alterações decorrentes dos avanços produzidos pelo homem, o que vem se tornando um sério problema - e cuja tendência é se agravar para as gerações futuras.
 Reservas florestais
Área de proteção ambiental de importância para a preservação da vida selvagem, flora, fauna ou características geológicas e outras de especial interesse. Essas áreas são reservadas e gerenciadas para sua conservação ética e para favorecer o estudo e a pesquisa em condições favoráveis. Reservas florestais são classificadas em diferentes categorias da IUCN, dependendo do nível de proteção garantido pelas leis locais.
 Florestas tropicais
floresta tropical se estende por três regiões na Terra: americana, africana e indo-malaia. No caso da americana, cobre a Mata Atlântica, compreendida pelo Brasil, e vai do sul até a bacia do Prata. A floresta indo-malaia é a menos contínua, devido à agressão milenar que vem sofrendo; compreende a da costa da Indochina, a costa norte da Austrália, as Filipinas, Nova Guiné e Bornéo, entre outras. Uma das principais características da floresta tropical é a biodiversidade vegetal e animal. Em torno de 60% de todas as espécies do planeta se encontram neste ecossistema.
Perda da biodiversidade
A aceleração da taxa de extinção de espécies é um grave e irreversível problema global causado pelos danos às reservas florestais . As previsões das taxas de extinção variam enormemente e, segundo alguns autores, chegarão a 20% a 50% de todas as espécies existentes até o final do século, essencialmente, pela destruição do habitat nos trópicos.
As taxas atuais de extinção nos países desenvolvidos são baixas em comparação com as das florestas tropicais comparação com as das florestas tropicais. Isto se deve à menor diversidade natural existente nestes países e, em grande parte, à degradação já causada anteriormente por pressões da industrialização ou como consequência das guerras que envolveram continentes inteiros. Os países ricos não possuem mais superfícies significativas de ecossistemas pouco alterados.
A situação, no entanto, não é exclusiva dos países europeus. Segundo uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), coordenada pelo cientista Gonçalo Ferraz, em aproximadamente 15 anos, as Reservas Experimentais com até 100 hectares perderão metade do número de espécies de pássaros existentes. "Em locais com até 10 hectares, metade do número inicial de espécies de aves desaparece, em cerca de quatro anos e no de um hectare leva menos de dois anos. Caso os dados sejam comparados com o de mata contínua, o fragmento tem muito menos espécies. Além disso, as aves estudadas, por exemplo, o uirapuru e o papa-formiga de topete, necessitam de grandes áreas para viverem ou têm requerimentos ambientais específicos", afirma Gonçalo Ferraz.
Para ele, a perda rápida e gradativa das espécies leva a outra questão: existem duas formas distintas de não se ter espécies no fragmento. A primeira ocorre quando, antes de a mata ser cortada, o fragmento já não tinha as espécies que estão faltando. A segunda se dá quando o desmatamento ocorre quando a espécie extinta não suportou os efeitos do desmatamento. "Com isso, entramos no campo das probabilidades. Mas, após anos de avaliação é possível dizer que a espécie pode ter existido no local mesmo sem ter sido vista, o que é o maior problema metodológico", ressalta.
O cientista da Coordenação de Pesquisas em Ecologia (CPEC/INPA), Mário Cohn-Haft, comentou que ainda não há riscos de extinção nas áreas estudadas. Ele disse que as aves pesquisadas ocorrem desde as Guianas até a Bacia Amazônica. Contudo, ele alertou também, que cuidados devem ser tomados. "Mesmo as aves não sendo endêmicas, apenas da Bacia Amazônica pode haver uma extinção local, o que poderá ocasionar um desequilíbrio ecológico".(Revista Geográfica: Conhecimento e Prática).



terça-feira, 12 de novembro de 2013

BIOFORTIFICAÇÃO

A biofortificação  se refere ao processo de desenvolvimento de cultivos ricos e micronutrientes, com o propósito de utilizar métodos de aprimoramento da biotecnologia. Neste processo é utilizado o cruzamento de plantas de uma mesma espécie para gerar espécies ricas em determinados tipos de micronutrientes.
Variedades de feijão. Foto: Neil Palmer
Variedades de feijão. Foto: Neil Palmer
A biofortificação também é conhecida como “melhoramento genético convencional”, e utiliza a tecnologia agrícola para a seleção de plantas para obtenção de micronutrientes; os mais obtidos são o zinco, o ferro e o betacaroteno. É necessário lembrar que a biofortificação não se refere à produção de alimentos transgênicos.
 No mundo, geralmente, a biofortificação é empregada no cultivo de feijão, milho e batata. No caso do feijão, os cientistas realizam o cruzamento de um variedade de feijão muito consumida no mercado com outra que apresenta maior quantidade de ferro. Exceto o nutriente enriquecido, a alimento biofortificado não tem alteração em sua tabela nutricional.
 No dia 24 de junho de 2013, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) se demonstrou interessada no processo de enriquecimento de nutrientes de plantas como uma importante alternativa para o combate da desnutrição de cerca de 2 bilhões de pessoas no planeta. A entidade destacou o método como potencializador dos nutrientes de determinado cultivo a partir de técnicas agrônomas.
 No mundo, há seis cultivos adicionais de biofortificação no mundo por meio de métodos convencionais: mandioca e milho, ricos em vitamina A; feijões e milho pérola, ricos em ferro; e trigo e arroz, que são ricos em zinco.
 Segundo dados do Banco Mundial, as crianças desnutridas possuem maior probabilidade de  abandonar a escola e ter menor tempo de vida adulta afetando não somente suas vidas, mas o crescimento econômico de seu país. Na África, em Uganda, a FAO identificou que consumidores estavam predispostos a pagar mais caro para adquirir produtos biofortificados como garantia de maior absorção de nutrientes.
Fernando Rebouças

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL

Automação é uma palavra utilizada para se referir ao controle automático, ou seja, ações que não dependem da intervenção humana. No setor da indústria, a ideia de automação vem sendo constantemente utilizada desde o início, aplicada principalmente na melhora da produtividade e qualidade de processos tidos como repetitivos, estando presente no dia-a-dia das empresas para apoiar conceitos de produção tais como os sistemas flexíveis de manufatura. A automação industrial pode ser dividida em três classes sob o ponto de vista produtivo: a rígida, a flexível e a programável, que são aplicadas respectivamente a grandes, médios e pequenos lotes de fabricação.
O fenômeno da automação está ligado à mecanização, e remonta a cerca de 3500 e 3200 a.C., época em que o ser humano começou a utilizar a roda. Desde então, o objetivo é basicamente o mesmo, o de simplificar o trabalho do homem, de forma a substituir o esforço braçal por outros meios e mecanismos, proporcionando deste modo um maior tempo livre para a dedicação a outras matérias, valorizando o tempo útil para as atividades do intelecto, das artes, lazer ou simplesmente entretenimento.
 É a partir da Revolução Industrial, no século XVIII, que o ser humano tornou-se definitivamente familiarizado com o conceito de automação, que continua ainda hoje a ter um papel predominante em tal campo, seja positivo, como a possibilidade de manter uma produção rápida e eficaz de um bem, mas ao mesmo tempo apresenta um conhecido revés para a maior parte dos trabalhadores do setor, pois é um dos principais fatores responsáveis pelo desemprego. Prova disso é a existência do inciso XXVII no artigo sétimo da constituição brasileira que se preocupou com esse constante problema do corte de empregos na indústria, comum tanto em território nacional como no resto do mundo.
 É possível afirmar que a automação foi um fator importante no progresso industrial, e que ao mesmo tempo, tal progresso transformou de certa forma o conceito. Hoje em dia, a automação industrial pode ser entendida como uma tecnologia que integra três áreas: a eletrônica responsável pelo hardware, a mecânica na forma de dispositivos mecânicos (atuadores) e a informática ligada ao software, responsável pelo controle de todo o sistema. Assim, a automação presente nas indústrias de hoje necessitam de um grande conjunto de conhecimentos. exigindo uma formação ampla e diversificada de seus projetistas, ou ainda um trabalho de equipe bem coordenado com perfis interdisciplinares. Os custos são suportados somente por grandes empresas, cujos grandes projetos envolvem um enorme grupo de profissionais.
Emerson Santiago

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

TORNADOS

Um tornado é um grande redemoinho de vento formado por tempestades. Sua intensidade pode variar de 0 a 5 de acordo com a escala Fujita, criada por Tetsuya Thedore Fujita (1920-1998), meteorologista especialista em tornados.
 Segundo a escala Fujita, os tornados se dividem em seis categorias de acordo com seu poder destrutivo e a velocidade dos ventos:
 - F0, com ventos de 64 km/h a 116 km/h. O F0 pode causar danos leves como postes de sinalização, semáforos e arrancar árvores de raízes rasas;
 - F1 possui ventos de 117 a 180 km/h e já podem fazer um carro capotar, ou arrancar casas móveis dos lugares;
 - F2, com ventos de 181 a 253 km/h, já arranca facilmente as árvores da terra, telhados inteiros e qualquer objeto que não esteja bem fixo;
 - F3, com ventos de 254 a 332 km/h, já consegue causar danos sérios como descarrilar trens, arrancar paredes e arrancar qualquer árvore do solo;
 - F4, com ventos de 333 a 419 km/h, consegue arrancar casas inteiras do lugar e até levantar carros grandes;
 - F5, o mais letal, com ventos de 420 a 511 km/h ele arremessa carros pelo ar como se fossem de brinquedo, casas inteiras e até prédios são destruídos, danificando até estruturas de concreto reforçadas com aço.
 Nos EUA, os tornados matam, em média, 70 pessoas por ano. Sendo que a pior média já registrada foi em 1974 quando 307 pessoas morreram vítimas de 148 tornados. Mas, o pior deles ocorreu em 1925 quando um único tornado matou mais de 689 pessoas e nem era um F5. Felizmente, os F5 não são tão comuns, embora costumem ocorrer com uma freqüência de 1 tornado F5 a cada ano e meio nos EUA.
 Os tornados se formam a partir de uma mudança na direção e velocidade do vento, conhecida como “cisalhamento”. Essa mudança na direção e o aumento da velocidade do vento com a altura acabam criando uma rotação horizontal, o redemoinho. O ar ascendente entre na tempestade inclinada e o ar em rotação da posição horizontal muda para a posição vertical criando uma área de rotação que é igual a quase toda a área da tempestade.
 Alguns tornados se originam das chamadas “supercélulas”, nuvens de tempestades enormes que se movimentam em círculos e são responsáveis pelo piores tornados da história.
 A diferença entre tornado e furacão é que o primeiro ocorre somente na terra (são mais freqüentes no meio-oeste dos EUA e na Austrália) enquanto que o furacão sempre surge no mar, embora possa se estender para a terra caso haja condições de umidade propícias (chuva, por exemplo).
Caroline Faria

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

MONTIVIDÉU


Montevidéu é a capital e maior cidade do Uruguai. É também a sede administrativa do Mercosul, da ALADI e capital do departamento homônimo, o de menor extensão entre os dezenove existentes. Localiza-se na zona sul do país, às margens do rio da Prata. É a cidade latino-americana com a melhor qualidade de vida1 e se encontra entre as 30 mais seguras do mundo.
Em 2004, possuía uma população de aproximadamente 1 325 968 habitantes. Porém, considerando-se sua área metropolitana, Montevidéu alcança 1 968 335 habitantes, aproximadamente a metade da população do país.

Montevidéu se encontra em uma zona geográfica caracterizada como principal rota de exportação de cargas do Mercosul. Conta com uma baía ideal, que forma um porto natural, o mais importante e mais movimentado do país.
Fonte: Wikipédia.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

ROBOTIZAÇÃO DA PRODUÇÃO

Adeus trabalho velho, bem-vindos robôs
A globalização é um processo de mudanças que não pode ser analisada apenas pelos seus aspectos geopolíticos e econômicos. Correríamos o risco de cair na cilada do tecnicismo, que apenas alinha dados e situa fenômenos específicos. No entanto, esse fenômeno atua fortemente sobre o homem alterando comportamentos e abalando personalidades.
Os conceitos políticos, sociais, valores éticos, o uso da ciência, das artes, enfim, a cultura criada pela humanidade em milênios está sendo afetada, substituída e modificada. Nos países altamente industrializados, as fábricas também foram beneficiadas com a automação. Junto com os computadores vieram os robôs, isto é, equipamentos mecânicos destinados à manipulação de objetos, ferramentas e peças, dotados de inteligência artificial. Em 1975, a indústria automobilística japonesa produzia 2,5 milhões de carros por ano, empregando 500 mil trabalhadores. Dez anos depois, passou a produzir 10 milhões de carros por ano, isto é, quatro vezes mais, com o mesmo número de trabalhadores.
Na era dos robôs, eficácia, rapidez e padronização tornam-se as palavras de ordem. Quanto mais racionalizados e mecanizados, melhor será o trabalho. A população de robôs do planeta aumentou em 85 mil máquinas a cada ano, segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas.
A ideia de que os robôs irão criar mais empregos do que eliminá-los é somente mais uma das ilusões fundamentais do setor. A outra é que os robôs necessariamente irão liberar a humanidade do “trabalho alienante”. Na verdade, eles tanto criarão quanto eliminarão empregos, porque os engenheiros que projetam robôs tentam garantir que sua utilização implicará na mais barata mão-de-obra possível, e preferivelmente nenhuma.
A introdução desses novos sistemas tecnológicos e de padrões de organização do trabalho tem elevado substancialmente a produtividade industrial. Mas, por outro lado, essa mesma produtividade crescente imposta pela revolução tecnológica acarreta um problema extremamente sério: que lugar terá o trabalho humano nesse mundo de máquinas?
 Alguns estudiosos recentes, como o norte-americano Alvin Toffler e o italiano Domenico De Mais, falam de uma crise do trabalho convencional. As máquinas produzem muito mais com menos trabalhadores, é verdade. Um braço mecânico acoplado a uma esteira giratória no processo de fabricação de um automóvel repete com muito maior precisão e rapidez os movimentos necessários à fabricação do produto.
 Desemprego estrutural
Significa a proporção de pessoas desempregadas na sociedade. Não um desemprego temporário, por pedido de dispensa ou demissão da empresa em que trabalhava. Mas o desemprego demorado, provocado por falta de oportunidade no mercado de trabalho. Estudos feitos na Alemanha apontam cada robô como o responsável pelo desemprego de dois a dez trabalhadores. Nos países altamente industrializados, nunca trabalho humano esteve tão desvalorizado.
Além disso, apesar de caras, as máquinas só são compradas uma vez, enquanto os trabalhadores têm de ser pagos mensalmente. Máquinas não ficam doentes, não se acidentam, não precisam descansar, nem reclamam do que fazem. A questão é: o que fazer com os trabalhadores?
 QUESTÕES
Talvez a maior consequência da automação, quer dizer, da implantação das máquinas com cérebro eletrônico nas fábricas, tenha sido o que se denomina desemprego estrutural fábricas, tenha sido o que se denomina Desemprego estrutural  ou tecnológico. Em 1995, havia na Europa 18,5 milhões de desempregados e aproximadamente 50 milhões de pessoas em estado de pobreza.
 Máquinas não ficam doentes, não se acidentam, não precisam descansar, nem reclamam do que fazem. A questão é: o que fazer com os trabalhadores?
 Na medida em que a proporção de desempregados estruturais aumenta, também mudam as relações sociais nos países industrializados.
 Nas últimas décadas, os Estados Unidos e os países europeus foram “invadidos” por massas de estrangeiros provenientes de países pobres, que para lá se dirigiam em busca de emprego e melhor condição de vida. Formaram-se verdadeiras colônias de “latinos” (designação dada a mexicanos, cubanos, porto-riquenhos, brasileiros etc.), em grandes cidades norte- americanas, e colônias “africanas” (argelinos, tunisianos, líbios, egípcios, marroquinos) na França e Alemanha.
 Durante as décadas de 1970 e 1980, esses imigrantes eram bem recebidos porque facilitavam a substituição dos trabalhadores europeus, mais qualificados e com salários mais elevados. A eles eram reservados os trabalhos manuais e domésticos, pesados e insalubres. Com a aceleração do desemprego estrutural no final dos anos 1980 e, sobretudo, nos anos 1990, os imigrantes deixaram de ser bem vistos, já que passaram a disputar vagas de trabalho com os europeus. Os governantes criaram medidas restritivas visando deter as imigrações, enquanto, na Europa, cresceram os movimentos de discriminação racial.
 O aumento do desemprego nas décadas de 1980 e 1990 também fez com que as empresas procurassem outras formas de manter seus lucros sem assumir os custos sociais devidos aos trabalhadores. Entre essas, destaca- se a terceirização, isto é, a contratação de outras empresas para realizar certos serviços com trabalhadores temporários ganhando salários baixos e sem garantias sindicais.
Imagine uma concessionária de automóveis, ou seja, uma grande loja dedicada à venda de carros. Quando um carro é vendido ao consumidor e este desejar fazer o seguro, tal serviço é realizado no mesmo local em que comprou, mas nem sempre pelos funcionários da loja que vendeu. Possivelmente, o seguro será feito por pessoal preparado só para prestar esse tipo de serviço, que não tem nenhum vínculo empregatício com a concessionária. Eles são funcionários de outra empresa, uma seguradora, ou são autônomos que prestam esse tipo de serviço para a concessionária. Uma mesma seguradora poderá ter empregados espalhados por várias concessionárias: se for autônomo, poderá prestar o mesmo tipo de serviço em vários locais diferentes.
 Repare pelo exemplo que, com a “terceirização”, cada uma das empresas envolvidas reduz seus custos com pagamento de pessoal. A diferença básica entre o empregado convencional e o trabalho “terceirizado” é que, nesse caso, o vínculo com a empresa contratante sempre é temporário.
O primeiro problema importante decorrente da nova Revolução industrial é o de como assegurar a manutenção de um exército de pessoas estruturalmente desempregadas, que perderam seus empregos em consequência da automação e da robotização da produção e dos serviços.
 CONQUISTAS E ILUSÃO
As conquistas tecnológicas produzidas na era da globalização em geral são apresentadas como benefícios para toda a humanidade. Porém, cabe a pergunta: até que ponto a ciência, a tecnologia e a indústria atuais beneficiam toda a sociedade?
José Odair da Silva (Revista Geografia: Conhecimento e Prática).

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

FUGA DO IRAQUE

A história espetacular de um homem que escapou do caos

Aos dezoito anos, Lewis Alsamari foi convocado a servir o exército em sua terra natal, o Iraque. Quando seus superiores descobriram sua habilidade para falar inglês, as coisas começaram a piorar. Alsamari foi então selecionado para fazer parte do grupo de elite de Saddam Hussein, o serviço secreto de inteligência iraquiano. Era uma oferta que literalmente ele não podia recusar; não pelo prestígio ou pelo dinheiro, e sim porque, se não comparecesse ou aceitasse o encargo, seria considerado desertor e ofensor do regime de Saddam. Sua única opção: fugir de sua terra natal e deixar sua família para trás.
Ao escapar da base militar na qual servia, Lewis foi avistado e atingido com um tiro de fuzil na perna. A partir deste momento, o livro entra numa sequência frenética de acontecimentos através do deserto, à noite, numa caravana de beduínos e à mercê de lobos vorazes.
Surpreendentemente, Alsamari (sempre escrevendo sob a alcunha de Sarmed, seu nome de nascimento) consegue chegar à fronteira com a Jordânia, onde pede asilo à Inglaterra, país no qual passou sua infância.
Porém, ainda lhe restava um problema, um grande problema: assim que sua fuga se tornou conhecida pela elite de Saddam, sua mãe e seus irmãos foram capturados. A única coisa que conseguiria salvá-los agora seria uma enorme quantidade de dinheiro, coisa que Alsamari não tinha.
A partir deste momento, vemos a engenhosidade do ser humano em momentos de desespero para salvar justamente aquilo que lhe é mais caro.
Como num romance de suspense, as cenas de tirar o fôlego narradas por Alsamari mostram o melhor e o pior do homem. Esta empolgante narrativa estende- se por Iraque, Jordânia, Malásia e Reino Unido e ajuda o leitor a compreender os bastidores e a vida cotidiana sob um regime despótico.
Fonte: Revista Geografia: Prática e Conhecimento.