terça-feira, 17 de setembro de 2013

15-A FORMAÇÃO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA E MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS NO BRASIL

Durante os dois primeiros séculos da colonização portuguesa, a população do Brasil foi constituída por indígenas, africanos e portugueses. Houve ainda nesse período uma pequena participação de franceses, holandeses e ingleses. Dessa forma, a mestiçagem entre índios, negros e portugueses  foi imensa, formando a base cultural brasileira. Mais tarde surgiram a influencia de outros povos que pra cá imigraram, principalmente a partir do século XIX até a década de 1930, já no século XX, destacando-se italianos, espanhóis, alemães, poloneses, japoneses e árabes que se instalaram em diversas regiões do país. Nas últimas décadas do século XX e inicio do XXI, latino-americanos, chineses, coreanos, angolanos e outros povos africanos compõem os novos grupos de imigrantes que se deslocam para o Brasil. Historicamente todos esses povos tem contribuído para a formação da diversidade cultural de nosso país, o que reflete em modos de vida, ideias, normas e valores, tanto em seus aspectos materiais quanto imateriais.
Não há consenso entre os especialistas sobre o número de indígenas que ocupavam o território que seria o Brasil antes da chegada dos portugueses. A maioria, porém, defende que havia em torno de 6 milhões de índios pertencentes a várias nações e etnias. Apesar de uma conclusão não efetiva sobre o número de indígenas, é inquestionável, que depois de 1500 até os dias de hoje, os povos indígenas sofreram intenso genocídio (extermínio físico), principalmente por transmissão de doenças trazidas pelos europeus e pelas quais não tinham imunidade; e o etnocídio (destruição da própria cultura), pois passaram a falar outra língua, e professar uma nova religião, alteraram seus modos de vestimenta e alimentação, ou seja, passaram a fazer parte da sociedade implementada aqui pelos colonizadores. Além disso, foram travadas muitas guerras contra os colonizadores, que tentavam aprisionar os nativos como escravos, provocando milhares de morte. Havia ainda, a guerra entre as diferentes tribos, que se intensificavam quando fugiam das regiões ocupadas pelos europeus em direção as terras de outros povos. De acordo com a Funai (Fundação Nacional do Índio), em 2009, os descendentes indígenas estavam reduzidos a 460 mil indivíduos, o que equivale a 0,25% da população brasileira, concentrados principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Segundo ainda a mesma estimativa existem de 100 a 190 mil descendentes diretos de nativos fora das terras indígenas, em áreas urbanas e rurais e 63 referencias de grupos isolados, ou seja, que não estabeleceram contato com a sociedade brasileira. Somente a partir da metade do século XX, verificou-se uma tendência de aumento da população indígena, principalmente em função da delimitação de terras indígenas, que em 2009 ocupavam 12% do território nacional. Atualmente a taxa de crescimento da população indígenas é de 3,5% ao ano, bem superior à média nacional de 1%.

População Brasileira por cor
Cor
1950
1980
2010
Branca
61,7%
54,7%
48,4%
Negra
11,0%
5,9%
6,8%
Mestiça
26,5%
38,5%
43,8%
Amarela
0,6%
0,6%
0,7%
Indígena
0,2%
0,3%
0,3%
Como podemos observar na tabela ao lado, segundo o IBGE, na distribuição da população brasileira por cor/etnia, a população branca e negra vem diminuindo e a mestiça aumentando, o que demonstra que continua havendo miscigenação entre a população brasileira.
As Correntes Imigratórias
                Como a Coroa portuguesa não fazia registros oficiais, não existem dados de quantos escravos ingressaram no Brasil, quais os anos de maior fluxo, por qual porto entravam ou de que lugar vinham. Mas estimasse que ingressaram no país pelo menos 4 milhões de negros entre 1550 a 1850, principalmente de Angola, Ilha de São Tomé e da Costa do Marfim. Lembrando sempre que a imigração de africanos para o Brasil foi forçada através da escravidão. Entre as correntes imigratórias registradas e especificadas, a mais importante foi à portuguesa, que se iniciou efetivamente em 1530 e se estendeu até os anos de 1980. Além de numericamente mais significativos, os imigrantes portugueses se espalharam por todo o território nacional. A segunda maior corrente de imigrantes livres foi à italiana, seguida da espanhola e alemã. A partir de 1850 com a expansão dos cafezais pelo Sudeste; o fim do tráfico negreiro e a necessidade efetiva de povoar a  região Sul, levaram o governo brasileiro a criar medidas de incentivo à vinda de imigrantes europeus para substituir a mão-de-obra escrava. Entre as principais medidas adotadas e divulgadas na Europa, incluíam-se o financiamento da passagem e a garantia de emprego, moradia, alimentação e pagamento anual de salário. Embora atraente, a propaganda governamental era enganosa, pois escondia uma realidade perversa: a escravidão por divida. O imigrante ao fim de um período de trabalho duro nas lavouras de café, quando deveria receber seu pagamento, era informado de que seu salário não fora suficiente para pagar a moradia e os alimentos consumidos. Muitas vezes o salário dava se quer para pagar as despesas de transporte, que segundo o governo, seria gratuito. A saída do imigrante da fazenda só seria permitida quando a divida fosse quitada. Como não tinha condições de pagar o que devia, ficava aprisionado no latifúndio, vigiados por capangas. Na prática, tratava-se de uma escravidão por divida, comum até hoje em várias regiões do Brasil, especialmente na Amazônia. Mas muitos imigrantes conseguiam fugir e iriam para  a cidade de São Paulo, onde se tornariam a mão-de-obra da indústria nascente.
                Além dos cafezais da região Sudeste, outra grande área a de atração de imigrantes europeus, com destaque para portugueses, italianos e alemães, foi o Sul do país. Nessa região do país os imigrantes ganhavam a propriedade da terra, onde fundavam colônias de povoamento (pequenas e médias propriedades, com mão-de-obra familiar e produção policultura destinada ao mercado interno) que prosperaram bastante. Muitas dessas colônias, com o tempo transformaram-se em grandes cidades como Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC) fundadas por portugueses; Joinville e Blumenau (SC) alemães; Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi (RS) por italianos, dentre dezenas de outras. Também podemos destacar na região sul a presença de eslavos (poloneses e ucranianos) e espanhóis. Além do objetivo de fornecer mão-de-obra para o Sudeste e povoar a região Sul, a imigração tinha um outro papel importante para o governo: o branqueamento da população.
                Em 1908, aportou em Santos a primeira embarcação trazendo colonos japoneses. O destino de quase todos foram às lavouras de café do estado de São Paulo; porém alguns se instalaram na região Norte. Assim como os demais imigrantes, sofreram com a escravidão por divida e tiveram dificuldades de adaptação e integração cultural. As diferenças como idioma, religião, alimentação, etc., associado ao receio de se verem escravizados, levaram os japoneses a criar núcleos de ocupação pouco integrados à sociedade. Desde meados dos anos 1960, muitos de seus descendentes, já adaptados ao cotidiano nacional fixaram na Grande São Paulo. A partir da década de 1980, outros descendentes começaram a fazer o caminho inverso de seus ancestrais e emigraram em direção ao Japão como trabalhadores (os chamados decasséguis), ocupando postos de trabalho negados por cidadãos japoneses, geralmente em linhas de produção industrial.

OS MOVIMENTOS INTERNOS E A EMIGRAÇÃO
                Segundo dados do IBGE, cerca de 40% da população brasileira não são naturais do município de residência e 16% não são procedentes da unidade da federação em que moram. Os últimos censos detectaram que 75% dos movimentos migratórios realizados tinham como origem e destino áreas urbanas, 12,4% áreas rurais-urbanas, 7,7% urbano-rurais e 4,8% destinavam-se as áreas rurais. Esses números mostram que predominam movimentos migratórios dentro da unidade federativa de origem. E que há um crescimento entre os fluxos urbano-urbano e intrametropolitano, ou seja, aumenta o número de pessoas que migram de uma cidade para outra no mesmo estado ou numa determinada região metropolitana em busca de melhores condições de moradia. Mas ainda permanecem os movimentos interestaduais, de uma unidade da federação para outra. Outro ponto revelado pelos dados sobre os movimentos migratórios atuais é o dos fluxos de retorno, principalmente para o Nordeste. Apesar desse retorno de migrantes, os estados que apresentam maior emigração continuam sendo os nordestinos, principalmente PB, PI, PE e BA.
                Analisando a história brasileira, percebemos que desde o tempo da colonização os movimentos migratórios estão associados a fatores econômicos. Quando terminou o ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste e se iniciou o do ouro nas Minas Gerais, houve um grande deslocamento de pessoas e um intenso processo de urbanização no novo centro econômico do país. Mais tarde com o ciclo do café e com o processo de industrialização, o eixo São Paulo-Rio de Janeiro se tornou o grande polo de atração de migrantes, que saiam de sua região de origem em busca de emprego e melhores salários. Somente a partir da década de 1970, com a desconcentração da atividade industrial e a criação de politicas públicas de incentivo a ocupação das regiões Norte e Centro-Oeste, a migração em direção ao Sudeste começou a apresentar significativa queda. Qualquer região do país que receba investimentos produtivos, que aumentem a oferta de emprego, receberá também pessoas dispostas a preencher os novos postos de trabalho. É o que acontece atualmente no estado de São Paulo. As cidades médias e grandes do interior, como Campinas, São José dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto, assim como algumas menores apresentam índices de crescimento econômico maiores que os da Grande São Paulo, o que gera aumento populacional. Atualmente São Paulo e Rio de Janeiro são as capitais cuja população menos cresce no Brasil.
                Em 1920 apenas 10% da população brasileira vivia em cidades. Cinquenta anos depois, em 1970, esse percentual já era de 56%. Hoje, 84% da população brasileira é urbana. Estima-se que entre 1950 e 2000, 50 milhões de pessoas migraram do campo para as cidades, fenômeno conhecido como êxodo rural. É importante lembrar que na maioria dos casos esses migrantes se deslocaram para as cidades, com pouquíssimo dinheiro e em condições muito precárias, consequência de uma politica agrária que modernizou o trabalho no campo e concentrou a posse a terra. Esse processo ocorreu associado a uma industrialização que permanecia concentrada nas principais regiões metropolitanas, que, por isso, tornava-se áreas muito atrativas. No entanto, como as cidades receptoras desse enorme contingente populacional não receberam investimentos públicos suficientes em obras de infraestrutura urbana, passaram a crescer desmesuradamente, com acelerada construção de subordinas e o surgimento de loteamentos (em grande parte clandestinos) em suas periferias. Esse processo reduziu os vazios demográficos que existiam entre uma cidade e outra e, somado, a outros fatores, colaborou para a formação de regiões metropolitanas. Entre as cidades que compõem cada região metropolitana ocorre um deslocamento diário da população, movimento conhecido como migração pendular. Pessoas que moram em uma cidade, mas trabalham ou estudam em outra.
                A partir da década de 1980, o Brasil começou a se tornar um país com fluxo migratório negativo, ou seja, o número de emigrantes passou a ser maior do que o de imigrantes. Do inicio da década de 1980 até a crise mundial de 2008, muitos brasileiros emigraram para os Estados Unidos, Japão e Europa (especialmente Portugal, Espanha, Inglaterra e França) entre outros destinos, em busca de melhores condições de vida, já que no Brasil os salários pagos são muito baixos se comparados ao desses países. Há também um grande número de brasileiros estabelecidos no Paraguai, quase todos os produtores rurais que para ali se dirigiram em busca de terras baratas e de uma carga tributária menor. Como a maioria dos emigrantes entra clandestinamente nos países que se dirigem, as estimativas são precárias sobre o volume total do fluxo migratório. Entretanto, desde a eclosão da crise econômica que afetou o mundo em 2008, o Brasil passou a receber muitos imigrantes de países latino-americanos, com destaque para bolivianos, peruanos e paraguaios, e muitos brasileiros que viviam no exterior retornaram. A partir desse ano o Brasil deixou de ser um país onde predominava a emigração e passou a receber um número maior de imigrantes. Tradicionalmente, os principais destinos dos emigrantes da América Latina são EUA e Espanha, porém, como a economia brasileira conseguiu enfrentar a crise com muito mais vigor que de muitos países desenvolvidos e existe grande facilidade deslocamento terrestre pra cá, muitos emigrantes latinos trocaram de destino. Uma das consequências dessa inversão, ou seja, com a redução no volume de emigração, aumento na entrada de imigrantes e retorno de brasileiros que viviam em outros países, vem diminuindo o envio de remessas de dinheiro ao país e aumentando a população. Em 1995, os brasileiros residentes no exterior enviavam 37 dólares para cada dólar que era remetido daqui para o exterior; em 2009 essa proporção tinha caído ao nível de 2,7 dólares para 1 dólar; o que demonstra claramente o aumento do retorno de brasileiros e, ao mesmo tempo, do numero de imigrantes que aqui residem. (Adaptado de SENE, Eustáquio. Geografia geral e do Brasil 3; p.134-144).
               

6 comentários:

  1. E MUITA COISA PARA ESCREVER IRIA SER MAIS FACIL ELE RESUMIDO RS....

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  2. E MUITA COISA PARA ESCREVER IRIA SER MAIS FACIL ELE RESUMIDO RS....

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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