segunda-feira, 12 de agosto de 2013

RELAÇÕES ENTRE EUA E VENEZUELA PÓS ERA CHÁVEZ

Durante o governo de Hugo Chávez a Venezuela manteve intensas relações comerciais com os EUA, porém, na área política, a Venezuela sempre demonstrou críticas e distanciamento à política imperialista e capitalista norte-americano. Nessa relação os EUA sempre foram mais importantes, Hugo Chávez mantinha o embate nas palavras e ameaças.
 Mesmo criticando George Bush e Barack Obama, os presidentes norte-americanos raramente citavam o nome do presidente venezuelano. Hugo Chavez, após falecer em março de 2013, deixou uma Venezuela com problemas sociais e econômicos e mais dependente do comércio com os EUA.
 Em 2012, o comércio entre os dois países atingiu o patamar de 20 bilhões de dólares, mas a balança comercial sempre foi favorável para os EUA. Os analistas políticos analisavam as críticas ideológicas de Chávez como uma manobra política para que os seus eleitores tivessem um inimigo externo e considerassem Chávez como o verdadeiro combatente.
 Segundo Bettina Schorr, especialista em relações EUA-América Latina da Universidade Livre de Berlim: "Não se pode levar a sério esses ataques teatrais de Chávez. Eram uma manobra simbólica para a Venezuela ter um inimigo".
 Porém, após o falecimento de Chávez, expectativas a respeito de  mudanças na relação entre os dois países começaram a aparecer. Em março de 2013, o governo dos EUA demonstrou vontade de melhorar as relações políticas e comerciais com a Venezuela, porém, analistas políticas indicavam demora nessa reaproximação.
 O vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que assumiu a presidência interinamente depois da morte do presidente Chávez foi considerado por Washington como franco favorito a vencer as novas eleições presidenciais venezuelanas e permanecer no poder.
 Com a permanência dos “chavistas” no poder, seria improvável uma reaproximação amigável entre os dois países, pelos EUA considerar ofensivo demais as declarações desse grupo políticos contra os EUA. Dias antes da morte de Chávez, Madurou havia expulsado militares norte-americanos sob acusação de estarem à serviço de Washington para desestabilizar a Venezuela.
 Para David Smilde, do Escritório em Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA): “Maduro é um negociador, e seu papel foi significativo no avanço das relações diplomáticas com a Colômbia. Alguém pode imaginar uma melhoria semelhante com os Estados Unidos. Mas, a âncora conceitual da ideologia de Maduro é o anti-imperialismo”.
Fernando Rebouças.

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