sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O COMÉRCIO MUNDIAL E OS BLOCOS REGIONAIS

Comércio significa troca de valores ou de produtos. Surgiu a milhares de anos com a troca de objetos ou serviços: um colar por um arco, a cura de uma doença por certa quantidade de comida, etc. Depois, a troca direta de bens e serviços foi substituída pela troca deles por moeda ou dinheiro. No começo, vários objetos serviam de moeda, como conchas e chifres. Mais tarde passaram a ser utilizados metais preciosos, como o ouro e a prata.
                As trocas comerciais são necessárias para qualquer sociedade humana, principalmente para as mais complexas, porque quase ninguém produz tudo aquilo que precisa. Praticamente todos os indivíduos ou famílias produzem alguns bens ou serviços e precisam adquirir outros diferentes. Ou seja, eles precisam do comércio, de vender uma parte de sua produção para poder adquirir outros bens e serviços que não produzem. Com o intenso desenvolvimento do comércio, sobretudo, na sociedade moderna, surgiram novas formas de moeda: cheques, cartões de crédito e débito. Cada Estado-nação, geralmente tem a sua moeda nacional: o real, no Brasil; o dólar, nos EUA; o iene, no Japão; o euro, na União Europeia, etc. Até o inicio da década de 1970, o valor internacional das moedas dependia das reservas de ouro do país. Hoje, depende basicamente da sua situação econômica (nível de desenvolvimento, crescimento anual, taxa de inflação), em comparação com a dos outros países.
                A atividade comercial é a base do capitalismo, sistema socieconômico que predomina no mundo atual. O capitalismo tem por principio uma economia de mercado, ou seja, uma economia na qual a imensa maioria das empresas é de propriedade privada e produz mercadorias ou serviços. Uma mercadoria é um bem ou um serviço produzido para o mercado e não para o uso pessoal do produtor. Mercado é o nome que se dá a oferta e a procura de mercadorias. O mercado de trabalho, por exemplo, é constituído pelas empresas que contratam funcionários e pelas pessoas que estão em busca de serviço. E o mercado de automóveis é constituído pelas empresas que fabricam os carros e vendem essa mercadoria para consumidores adquirirem. Toda economia de mercado, depende essencialmente do comércio, pois ela produz mercadorias que devem ser vendidas e compradas.
                Inicialmente, o comércio era apenas local, isto é, realizado entre pessoas de uma mesma comunidade ou entre comunidades vizinhas. Mais tarde, as trocas comerciais passaram a se realizar entre povos distantes e às vezes até com povos de continentes diferentes. Mas foi com o desenvolvimento do capitalismo e com a expansão marítima comercial europeia nos séculos XV e XVI, que se iniciou um intenso comércio internacional, envolvendo todos os continentes povoados do planeta. Hoje, o comércio internacional é tão importante que nem um país pode dispensa-lo. Todos os Estados realizam importações, isto é, compram produtos do exterior, principalmente aqueles que não são produzidos dentro do país ou a quantidade é insuficiente para abastecer o mercado interno. Os países também exportam, isto é, vendem seus produtos para o exterior. O volume de bens comercializados internacionalmente aumentou muito com a globalização. Em 1955, as exportações e importações mundiais, totalizaram 160 bilhões de dólares; em 2007, o total dessas trocas chegou a atingir 12,8 trilhões de dólares.
                Quando um país exporta mais que importa, isto é, vende mais que compra se diz que ele tem superávit (balança comercial favorável); este fato, economicamente é positivo, pois significa que o país está acumulando divisas. Porém, quando o país importa mais que exporta, ele tem déficit (balança comercial negativa); isto diminui as divisas de um país. Em geral, quem lidera o comércio mundial são os países desenvolvidos da Europa Ocidental, os EUA e o Japão, que embora possuam apenas 15% da população mundial, o valor de suas exportações e importações representam 70% do valor total do comércio mundial. Porém, nos últimos anos com o crescimento econômico dos chamados países emergentes como a China e o Brasil, por exemplo, fez com que o volume de transações comerciais dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento aumentassem bastante. A China, inclusive, ocupa o segundo lugar entre os maiores exportadores e importadores do mundo. Um fator importante que contribui para que os países desenvolvidos tenham mais vantagens nas suas exportações é que eles vendem produtos com alto valor agregado, como máquinas, equipamentos, tecnologia e serviços de telecomunicações. Já os países subdesenvolvidos exportam grande quantidade de matéria-prima, porém, são produtos com menor valor agregado no mercado mundial. Assim, um país que importa matéria-prima e produtos primários, mas exporta tecnologia gera mais riqueza para si.
                Em abril de 1994, no Marrocos, foi assinado um documento que acabou por criar a OMC (Organização Mundial do Comércio). Essa organização é responsável pela fiscalização do comércio mundial e do fortalecimento do multilateralismo. A OMC passou a funcionar em janeiro de 1995. Desde então, vem superviosionando os acordos comerciais e mediando as disputas entre os países signatários, que giram em torno de 155 países. Quando um país se sente prejudicado no comercio internacional tem o direito de apresentar a OMC um pedido de sanção contra a nação que está transgredindo as regras da organização. Caberá a ela encontrar uma saída consensual para o problema. Caso não haja acordo entre os Estados envolvidos, a organização pode autorizar a imposição de sanções econômicas, como a retaliação comercial.

OS BLOCOS REGIONAIS
                Desde o final da II Guerra Mundial muitos países tem procurado diminuir as barreiras impostas pelas fronteiras nacionais aos fluxos de mercadorias, capitais, serviços, e até mesmo de mão-de-obra, na busca de aumentar os lucros das empresas, os empregos dos trabalhadores e seus respectivos PIBs, para o fortalecimento de suas economias. Os países podem se organizar em diferentes tipos de blocos regionais como zonas de livre comércio, uniões aduaneiras, mercados comuns e uniões econômicas e monetárias e, até política e militar.
                Numa zona de livre comércio, como o acordo do Nafta (Acordo Norte-Americano de Livre Comércio), busca-se apenas a gradativa liberalização do fluxo de mercadorias e de capitais dentro dos limites do bloco. Na união aduaneira, um estágio intermediário entre a zona de livre comércio e mercado comum, além da abolição de tarifas alfandegárias nas relações comerciais no interior do bloco, é definida uma tarifa externa comum, que é aplicada aos países fora do bloco. Assim, quando os integrantes da união negociam com outros países do mundo, embora haja exceções, utilizam uma tarifa de importação padronizada, igual para todos eles. O Mercosul (Mercado Comum do Sul) é um exemplo de união aduaneira. NO caso de um mercado comum, como a União Europeia (caso único até o momento), a uma integração econômica plena. Existe uma padronização da legislação econômica, fiscal, trabalhista e ambiental; entre os países que compõem o bloco. Entre os resultados estão a eliminação das barreiras alfandegárias internas, a uniformização das tarifas de comércio exterior e a liberalização da circulação de mercadorias, serviços e pessoas no interior do bloco. No caso da União Europeia o auge da integração deu-se com a implementação da moeda única (euro), o que exigiu a criação do Banco Central Europeu. Assim, o bloco atingiu a condição de união econômica e monetária, embora continue funcionando como um mercado comum. A União Europeia também dá mostras de uma integração política e militar, com uma defesa mútua entre os integrantes do bloco em caso de necessidade. Existe ainda, paralelamente à formação de blocos regionais, os acordos bilaterais de livre comércio que integram países isoladamente ou que pertencem a algum bloco. Por exemplo, o México que pertence ao Nafta, firmou acordo com a União Europeia e o Chile, que por sua vez é associado ao Mercosul e tem acordos bilaterais com os EUA, a China e o Japão.
                O processo de integração regional interessa aos Estados, mas também aos conglomerados multinacionais. O processo de globalização e os acordos regionais de comércio tem acentuado a tendência de concentração de capitais, já que as grandes corporações passam a ter uma mobilidade espacial e uma capacidade de competição sem precedentes. Nas ultimas décadas tem havido muitas fusões de empresas, tanto em escala nacional como global, o que as fortalece nas negociações comerciais e ampliam sua influencia politica em muitos países. No pós-guerra as empresas multinacionais tem se movimentado com mais facilidade entre diversos países, tanto desenvolvidos como nos em desenvolvimento. No entanto, as fronteiras, os limites territoriais entre os países, com suas normas e impostos aduaneiros, ainda impõem muitas barreiras à circulação de mercadorias, especialmente produtos agrícolas, capitais e, sobretudo, de pessoas. A busca por reduzir esses entraves ainda esbarra em muitos conflitos geopolíticos como já vimos. Os acordos regionais melhoram as condições mas não resolvem os problemas, porque embora reduzam as barreiras no interior de um bloco, ainda mantem muitas delas para os países de fora. Por isso, muitos defendem que o melhor estimulo para a expansão do comércio internacional são os acordos multilaterais no âmbito da OMC.

Principais Blocos Regionais
UE
União Europeia
Europa
MERCOSUL
Mercado Comum do Sul
América do Sul
NAFTA
Acordo Norte-Americano de Livre Comércio
América do Norte
ASEAN
Associação das Nações do Sudeste Asiático
Sudeste da Ásia
APEC
Cooperação Econômica Ásia-Pacifico
Países banhados pelo oceano Pacífico
SADC
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral
Sul da África

(Adaptado de SENE, Eustáquio.Geografia Geral e do Brasil 2-Espaço geográfico e globalização, p.226-243).

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