segunda-feira, 19 de agosto de 2013

AS CRITICAS À GLOBALIZAÇÃO

A globalização pode ser considerada a partir de pelo menos dois pontos de vista: como um fenômeno novo e espontâneo, uma aceleração da economia capitalista decorrente do enorme avanço das tecnologias da informação. Ou como uma nova roupagem do velho processo de imperialismo que, ao longo dos últimos séculos, sofreu avanços e retrocessos. O  emprego do termo imperialismo em um contexto histórico, é o de um governo despótico e expansionista, como no caso do Império Romano. A partir de meados do século XIX, passou a identificar a expansão das grandes potencias industriais em busca do controle politico e do domínio econômico sobre outros países. No  século XX, a palavra foi empregada como expressão da fase monopolista do capitalismo, ou seja, uma concentração sem precedentes do capital industrial com o financeiro, que criou grupos de grande controle sobre a economia mundial.
                Com o fracasso da economia socialista e da URSS, não restaram grandes alternativas à maioria dos países, a não ser realizar reformas liberalizantes e a integração de suas economias ao capitalismo. As principais medidas adotadas pelos países nesse sentido foram a redução do protecionismo comercial, permitindo a entrada de produtos importados; o ingresso na OMC, com a adoção de suas regras; a permissão da entrada de empresas e capitais estrangeiros; a adoção de medidas sugeridas por organismo internacionais como o Banco Mundial e o FMI, caso contrário haveria dificuldades em obter empréstimos indispensáveis ao desenvolvimento interno. O Grupo dos Sete, conhecido como G-7, detém a lideranças sobre os organismos financeiros internacionais e suas orientações para os países membros. Anualmente, políticos dos países ricos e principais lideres empresariais debatem sobre os rumos da economia internacional no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Essas reuniões visam promover um modelo de desenvolvimento econômico com base no corporativismo das maiores empresas mundiais. Nos últimos anos, mais sensíveis as criticas a essa postura, o Fórum de Davos passou a convidar os países emergentes para participar dos encontros a fim de ouvir suas propostas.
                Os países mais poderosos desenvolveram várias formas de exercício da hegemonia internacional ao longo da história; entre elas, o processo de colonização; o controle militar de um território; a hegemonia cultural; e o controle dos meios econômicos pela imposição de regras para o comércio e as finanças. As constantes inovações e os avanços tecnológicos aprisionaram os países menos desenvolvidos em uma “camisa de força”, pois tentar deter esses movimentos pode levar ao isolamento internacional. Nesse contexto, a chamada tríade do mundo rico ainda exerce o domínio sobre o processo da globalização econômica. O Japão impõem seus avanços tecnológicos aos demais países; a União Europeia tem influencia politica e econômica sobre o mundo e, os EUA, mesmo vivendo crises econômicas, continuam sendo a única superpotência de alcance global. Nota-se o enorme poder do Banco Central dos EUA (FED) sobre a economia mundial. O dólar estadunidense ainda é a principal moeda de troca no mundo.
                Como esses países defendem a globalização, surgiram várias criticas ao modelo globalizante defendido pelos países ricos. Uma dessas críticas é sobre o fim da soberania nacional. Entende-se por soberania nacional o poder dos Estados de tomar decisões e fazer-se respeitar por meio de seus governos, exercendo sua independência em relação a outros países. Com o avanço da globalização, surgiu a ideia de que os Estados desapareceriam em favor da liberdade da ação das empresas e que as fronteiras nacionais se tornariam irrelevantes. Embora haja pressões internacionais sobre os governos dos países, ainda são eles que estabelecem as regras que facilitam ou restringem o fluxo de capitais e produtos, a liberdade de migração das pessoas, bem como a aceitação ou não das regras sugeridas pelos organismos internacionais. Em outras palavras, pode-se dizer que houve um relativo enfraquecimento do poder dos Estados, principalmente dos países mais desfavorecidos economicamente, mas não há indícios de que vão desaparecer ou de que a soberania será substituída pelas regras de um mercado global.
                Normalmente defini-se globalização como a integração global da economia. Mas não é bem assim. Embora, além dos países ricos, nações emergentes como a Índia e a China se beneficiam com a globalização, ampliando as suas exportações de bens e serviços. O Brasil, outro país emergente, acumulou um grande estoque de divisas, sobre tudo com a exportações de commodities e a projeção internacional de grandes empresas nacionais. Porém, quando se olha para o mundo de forma geral, verifica-se que vastas regiões da África, Ásia, América Central não se beneficiam como os outros países. A economia dessas regiões ainda é pouca desenvolvida, de base predominantemente agrária, oscilando muito em função dos preços das matérias-primas e dos alimentos. Além disso, a rapidez das inovações do mundo globalizado aumenta a dependência tecnológica e financeira das nações mais pobres.
                Muitos contrários a globalização que ela aumentou a desigualdade a pobreza no mundo. Entretanto, é preciso ter cuidado ao fazer essa afirmação, pois as realidades variam bastante dependendo da região. Além disso, a certa confusão entre as expressões pobreza e desigualdade social. Em muitos países houve ganhos para as populações de baixa renda, mas, simultaneamente, a desigualdade aumentou. A China é um bom exemplo disso, pois é um país onde a abertura econômica criou um grupo de empresários milionários que convivem com milhões de camponeses de baixo poder aquisitivo e com pessoas nas cidades que melhoraram suas condições de vida, mas a desigualdade entre esses grupos ampliaram-se. Os defensores da globalização argumentam que a integração amplia riqueza geral, e é isso que importa para o crescimento de um país. Segundo essa visão, não faz diferença se as desigualdades sociais e a pobreza continuam a existir.

OS MOVIMENTOS ANTIGLOBALIZAÇÃO
                Desde as falências dos regimes socialistas que vigoraram até os anos 1990, os movimentos anticapitalistas tomaram rumos diferenciados. Muitos ativistas concentraram-se em aspectos como a cultura e o meio ambiente, julgando não haver uma alternativa viável a economia de mercado. Outros continuam a defender o socialismo, mas em bases diferentes ao modelo soviético. Há também os que propõem governos centralizados e nacionalistas, porém, capazes de conviver com a iniciativa privada. De qualquer maneira, a globalização consolidou novas formas de ativismo compatíveis com o aumento da interdependência entre os países.
                Nas ultimas décadas surgiram questões transnacionais, ou seja, que ultrapassam as fronteiras dos Estados nacionais. Isso é muito evidente na área ambiental. O aquecimento do planeta, a destruição da camada de ozônio e a poluição atmosférica, por exemplo,  são problemas que não distinguem fronteiras, podendo originar-se em um país e afetar países vizinhos ou até mesmo distantes. Problemas como esses contribuíram para o aparecimento da “opinião pública transnacional” e de movimentos sociais que não se restringem a um único país.
                O Fórum Social Mundial é a principal reunião de movimentos antiglobalização, o FSM surgiu em Porto Alegre (Brasil), em 2001. Seu objetivo central era estabelecer um espaço de oposição ao Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça). Desde então, o FSM tem realizado atividades anualmente, sendo realizado a cada ano em uma cidade diferente, como também em formato descentralizando. Não há uma agenda consensual entre os participantes do FSM. As principais criticas e sugestões normalmente debatidas nos eventos coincidem com as propostas e demandas dos movimentos antiglobalização que ocorrem em todo o mundo. Essas propostas são a necessidade de romper com o programa econômico neoliberal; propostas alternativas as politicas ambientais vigentes e o combate as atividades econômicas geradoras do aquecimento global; a defesa das minorias étnicas; da diversidade cultural e sexual; o combate ao controle sobre a ciência; a liberdade de migrações internacionais e o afrouxamento das politicas restritivas dos países desenvolvidos; defendem a quebra das patentes dos remédios; e, ainda defendem a economia solidária e o apoio as causas feministas. Os ativistas costumam aproveitar reuniões e fóruns de debate econômico em Davos para realizar grandes manifestações de rua e obter visibilidade na mídia internacional, chamando a atenção da opinião pública para a sua causa.

                Outro importante movimento contra a globalização é realizado pelas ONGs. Essas organizações não governamentais são entidades da sociedade civil, sem fins lucrativos, que atuam em setores de interesse público e social. Podem ser financiadas por recursos de seus associados, por contribuições privadas ou do setor público. Nos anos 1940 a 1950, as ONGs criavam projetos humanitários e filantrópicos, exercendo, um papel consultivo em várias agencias e fundações da ONU. Essas entidades tiveram um notável crescimento em maior politização com o avanço da globalização. Suas finalidades tornaram-se mais diversas, como a proteção do meio ambiente, a defesa dos direitos humanos, a luta por melhores condições sociais, o apoio a refugiados de guerra, o antitabagismo, entre outros. As ONGs participam ativamente de eventos antiglobalização e marcam presença nos principais fóruns de debates internacionais. Um aspecto interessante, inerentes aos movimentos antiglobalização, é o fato deles servirem justamente dos meios desenvolvidos pela economia global quando a criticam, em especial a mídia. Isso, é claro, não invalida os conteúdos dessas críticas. Muitas vezes, porém, as ONGs são apoiadas por empresas e governos, além de personalidades do meio político e artístico que querem atrelar a sua imagem uma aura de ativismo social, o que pode comprometer a independência de suas ações. (Adaptado de SAMPAIO. Fernando dos Santos. Ser Protagonista, Geografia 3. P.84-91).

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