quinta-feira, 1 de agosto de 2013

GLOBALIZAÇÃO

Embora tenha suas origens mais imediatas na expansão econômica ocorrida após a II Guerra Mundial na revolução técnico-cientifica ou informacional, a globalização é a continuidade do longo processo histórico de mundialização capitalista, que vem desde o inicio da expansão marítima europeia. Pode-se dizer então, que globalização é o nome que se dá a atual fase da mundialização capitalista. Outra forma de entender a globalização é a partir do seguinte exemplo: “Imagine o carro de uma montadora dos EUA, projeto por um italiano, montado no Brasil, fabricado com autopeças chinesas e comercializado nos países do Mercosul”. É mais ou menos disso que se quer tratar quando se emprega o termo globalização.
                A globalização é um fenômeno multidimensional. Apresenta uma faceta econômica, a mais evidente e perceptível, mas também possui outras dimensões, como social, cultural e politica. A globalização, uma aceleração capitalista sem precedentes é resultado principalmente do avanço das comunicações, principalmente da informática; e dos meios de transportes, que facilitou como nunca na história, a circulação internacional de informações, mercadorias, capitais e pessoas. Entre os fundamentos da globalização estão o grande avanço dos transportes e das comunicações e das tecnologias de informação; a integração mundial de produção e consumo; o fluxo intenso de informações em quase todo o mundo; a formação ou consolidação de blocos econômicos; as tendências de padronização de equipamentos e de homogeneidade cultural; a grande expansão do comércio internacional. Entre os atores principais destacam-se as multinacionais, os Estados nacionais, os organismo internacionais, as ONGs e os movimentos sociais.
                Os grandes grupos econômicos globais detém grande poder no mundo globalizante. Esses grupos são chamados de multinacionais ou transnacionais. A origem das multinacionais remontam ao capitalismo comercial do século XVI, mas a abrangência de suas operações só se consolidou durante o século XX. O grande cenário de sua expansão  foi o período da Guerra Fria, que apesar de gerar  tensão e conflitos regionais, foi um período relativamente estável a nível mundial, possibilitando que grandes empresas industriais e financeiras instalassem filiais em diversos países. No pós II Guerra Mundial, os EUA investiram pesado na recuperação econômica dos países da Europa Ocidental e d Japão, empregado uma estratégia de fortalecimento do capitalismo. Assim, as empresas estadunidense que possuíam 7,5 mil filiais no exterior em 1950, passaram para mais de 23 mil em 1966. Porém, apesar de também surgirem companhias internacionais nos países emergentes, o maior numero de multinacionais ainda está concentrado na chamada tríade do mundo desenvolvido: América Anglo-Saxônica, Europa Ocidental e Japão.
                As empresas perceberam que para penetrar em mercados não atendidos por suas exportações, o ideal seria estarem presentes em outros países. Isso se deu por meio do investimento internacional direto, ou seja, investindo diretamente na construção de fábricas fora do país de origem da empresa. Embora atuem em vários países, as multinacionais concentram o poder decisório e o planejamento de suas operações no país-sede. Uma grande indústria suíça, considerada uma das companhias mais internacionalizadas do mundo, tem 95% de seus empregados fora da Suíça, entretanto, sua administração e seus principais acionistas estão concentrados no país de origem.
                Atualmente, o processo de fusão de empresas tem sido uma tendência do capitalismo, ampliando-se durante a globalização. Em quase todos os campos percebe-se a presença de grandes grupos econômicos capazes de controlar os mercados. Entre essas formas de fusão podemos destacar o truste, caracterizado pela fusão de empresas, criando grupos que tendem a monopolizar mercados e regular o preço dos produtos; o cartel é uma estratégia que consiste na associação de empresas que definem preços e repartem mercados, em geral por meio de acordos secretos entre eles; o oligopólio é um mercado controlado por um grupo reduzido de empresas que atuam em determinados setores, limitando o grau de concorrência; o monopólio é o domínio de uma empresa que controla totalmente um mercado. Já uma holding é um grupo empresarial que controla ações de várias empresas. Dessa forma, as grandes empresas tendem a se estruturar sob a forma de conglomerados. Atuando em ramos diversos, elas reduzem bastante seus riscos. Esses grandes grupos produzem automóveis, mas também atuam no segmento de eletroeletrônicos, máquinas, material escolar, bancos, entre outros. A integração entre os processos produtivos e o avanço das tecnologias de informação (TI) estimularam as transações dentro da mesma empresa ou redes por elas formadas. As multinacionais aumentaram a sua influencia na economia global por meio de trocas diretas entre a matriz e suas filiais ou subsidiárias. Essas empresas praticamente ignoram as fronteiras nacionais e, muitas vezes, escapam das regras econômicas impostas pelos Estados.
                Não é difícil perceber a teia ou rede de relações financeiras que abrange todo o planeta. A circulação de capitais acelerou-se com o desenvolvimento da TI, que possibilitaram as transferências virtuais de dinheiro. Hoje, investidores dos países mais desenvolvidos podem transferir rapidamente parte de seus recursos para países emergentes, onde as taxas de juros costumam remunerar vantajosamente o capital. Podem também retirar o dinheiro desses países do dia para noite, gerando instabilidades econômicas. A globalização financeira possibilita a transferência de um substancial volume de capital do mundo rico para os países emergentes. Esse capital passa a integrar as reservas financeiras desses países, o que pode beneficia-los. O problema é que não há garantias de que os recursos permaneçam aplicados ali por um tempo maior. É que se chama de volatilidade. A intensa movimentação de dinheiro do mundo atual gera um clima de insegurança. Assim, como se pode ganhar muito dinheiro em pouco tempo, pode-se perde-lo rapidamente. Assim, existem agencias especializadas em avaliar o grau de risco que um país oferece aos investidores internacionais. Esse índice que fico conhecido como risco-país é calculado levando em consideração, fundamentalmente os seguintes fatores: a relação entre o PIB e a dívida do país; o histórico financeiro; a situação política interna; a conjuntura internacional (em momentos de crise, por exemplo, os capitais tendem a migrar para a segurança de países mais ricos). A globalização financeira é resultado da ideologia neoliberal que defendem várias medidas que reduzem o poder do Estado sobre os assuntos e atividades econômicas como a defesa da privatização de empresas estatais, a desregulamentação das atividades econômicas; a supressão e a modificação dos direitos dos trabalhadores, a remoção de barreiras protecionistas, a restrição dos gastos do governo com saúde, educação e pagamento de aposentadorias; maior liberdade para os fluxos de capitais e para as empresas multinacionais. Os Estados nacionais, embora ainda gestores do território e das operações econômicas, perderam força diante das transações financeiras internacionais já que são as grandes multinacionais que tem maior capacidade de investimento em tecnologia. Entretanto, apesar das enormes pressões exercidas pelo capital, ainda são os governos que definem as regras do jogo. Decidem, por exemplo, se haverá redução de impostos para investimentos externos, se as leis ambientais serão flexíveis ou rígidas, se a remessa de lucros para o exterior será taxada, entre outros.
                As informações  podem circular por diversos veículos de comunicação: jornais, revistas, rádio, televisão, etc. alguns deles são muito antigos como os jornais. Mas atualmente, o veiculo de difusão de informações que mais tem crescido é a internet, um dos principais símbolos da revolução técnico-cientifica informacional. A internet aumentou as possibilidades de acesso aos serviços, pesquisas e as informações, mudando até mesmo as concepções de tempo e espaço. Um espaço virtual se abre aos internautas em tempo real. De um computador domestico é possível pesquisar arquivos da ONU, do Banco Mundial, do IBGE, realizar serviços bancários, comprar e vender, realizar conferências e reuniões, etc. Apesar do seu grande crescimento, ainda são poucos os que têm acesso às informações disponíveis na rede. Segundo dados de 2010, cerca de 1,6 bilhões de pessoas estavam conectadas a internet. É uma quantidade enorme de usuários, mas esse número corresponde a apenas 24% do total da população mundial. Além disso, a maioria dos internautas se concentra em países desenvolvidos e em alguns emergentes. Em relação ao percentual da sua população, 90% dos islandeses tem acesso, seguidos por Noruega (86%), Finlândia (83%), Holanda (83%), Suécia (81%), Austrália (80%) e Nova Zelândia (80%). O Brasil é o quinto país do mundo em numero de internautas com 67,5 milhões de conectados, porém, esse número representa apenas 35% da sua população com acesso a rede. Apesar da difusão desigual, a internet tem ampliado as possibilidades de contatos entre as pessoas e pode-se dizer até mesmo que está abrindo a possibilidade de gestação de uma cidadania global. Devido às possibilidades de comunicação da internet, muitos governos, como os da China e do Irã, têm criado mecanismos de controle e censura a rede.
                Outro aspecto importante da globalização é a crescente movimentação internacional de viajantes, com seu impacto econômico e cultural. Um dos fatores que explicam o aumento da circulação de turistas pelo mundo é o enorme avanço tecnológico da indústria aeronáutica. Além disso, a maior concorrência entre as empresas de aviação baixou significativamente o preço das passagens aéreas. Esse movimento de passageiros compõe-se de pessoas que viajam a turismo e por profissionais que viajam a trabalho e estudantes.
                Há outra faceta mais visível da globalização, que é a “invasão” de mercadorias estrangeiras em quase todos os países. Com a intensificação dos fluxos comerciais, produtos são transportados por navios, aviões, trens, caminhões, que circulam por uma intrincada rede que cobre grandes extensões da superfície terrestre, sobretudo, nos países desenvolvidos e emergentes. Há assim, uma globalização do consumo, com a intensificação do comercio, resultante da globalização da produção. Paralelamente a globalização da produção, do turismo e do consumo, ocorre uma “invasão” cultural, constituída, pelo menos em sua forma hegemônica, de uma cultura de massa que se origina, sobretudo, nos EUA, a nação mais poderosa e influente do planeta, e se difunde pelos meios de comunicação de massa mundializados. O American way of life (estilo de vida americano) é difundido, por exemplo, pelas agencias de publicidade que vendem produtos e hábitos de consumo, pelos filmes de Hollywood e pelas series produzidas por estúdios cinematográficos ou canais de televisão, pelas revistas de negócios, pelas redes de restaurante fast food, pela pop music e por videoclipes e videogames. E, como fica evidente, o inglês é a língua da indústria cultural e dos negócios globalizados. Alias, é também o idioma mais utilizado na internet. Apesar do poder da indústria cultural dos EUA e do avanço do consumo massificado proveniente daquele país, há resistência em muitos lugares, principalmente no mundo islâmico, por exemplo. (Adaptado de SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil 2, p.30 a 44; e SAMPAIO, Fernando dos Santos. Geografia 3 – ser protagonista, p.70-77).


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