quinta-feira, 15 de agosto de 2013

CARACTERÍSTICAS E CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO MUNDIAL E BRASILEIRA

Dos 7 bilhões de pessoas que o planeta abriga, mais de 75% vivem em países pobres ou emergentes; cerca de 42% trabalham na agropecuária e 11,4% de pessoas com 15 anos ou mais são analfabetas. Nos países desenvolvidos 64% dos cidadãos tem acesso à internet, enquanto na América Latina esse número cai para 24%; no Sul e Sudeste asiático é de 14%; e na África Subsaariana somente 4% da população tem acesso à rede mundial de comunicação. No entanto muitos países tiveram  grande crescimento econômico e melhoraram a qualidade de vida de suas populações. De acordo com o Banco Mundial, em 1990, 1,8 bilhão de pessoas viviam em condições de pobreza extrema (com menos de 1 dólar por dia), número que reduziu para aproximadamente 1,4 bilhão em 2005, apesar do crescimento populacional do período. Ainda segundo a ONU, nos países desenvolvidos, a esperança de vida média é de 74 anos para os homens e 81 anos para as mulheres; nos países emergentes gira em torno de 65 anos para homens e 68 anos para mulheres; e nos países pobres a expectativa para os homens é de 55 anos e para mulheres 58 anos; ou seja uma diferença de 18 anos para os homens e de 23 anos para as mulheres de vida médio entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Mas, se considerarmos os países isoladamente, esses extremos ficam mais evidentes: as mulheres no Japão vivem em média 86 anos e em Suazilândia, apenas 45 anos. Tais diferenças se explicam pela deficiência ou pela completa falta de acesso a água potável, a uma alimentação adequada, coleta e tratamento de esgoto, educação de qualidade, condições adequadas de habitação, principalmente, pela falta de bons programas de saúde que atendam a toda a população, incluindo campanhas de vacinação, hospitais e maternidades de qualidade, entre outros.
                População é o conjunto de pessoas que residem em determinada área, que pode ser um bairro, cidade, estado, país, ou até mesmo o planeta como um todo. A população pode ser caracterizada segundo vários aspectos: religião, etnia, local de moradia (urbana ou rural), atividade econômica, faixa etária, gênero, nacionalidade, idioma, etc.. Além disso, as condições de vida e o comportamento da população são retratados por meio de indicadores sociais. No Brasil, população e povo são conceitos que possuem distinção jurídica. População é o conjunto de todos os habitantes, ela engloba, por exemplo, estrangeiros residentes no país. Estes  têm direitos assegurados por Tratados Internacionais, mas não considerados cidadãos brasileiros e nem fazem parte do povo brasileiro. Desse modo, somente os brasileiros natos e os estrangeiros naturalizados são considerados povo no Brasil.
                Quando nos referimos à população de um país, podemos considerar dois conceitos: populoso e povoado, que envolvem respectivamente, a noção de população absoluta (número total de habitantes) e de população relativa (número de habitantes por quilometro quadrado). Um país é considerado populoso quando o número absoluto de habitantes é alto. O Brasil é o quinto país mais populoso do planeta, com aproximadamente 200 milhões de habitantes (IBGE), portanto sendo um país populoso. Porém, é um país pouco povoado, pois sua população relativa é de aproximadamente 23,5 hab./km². Os dez países mais populosos do mundo são:
País
Habitantes
China
1.346.000.000
Índia
1.198.000.000
Estados Unidos
315.000.000
Indonésia
230.000.000
Brasil
200.000.000
Paquistão
181.000.000
Bangladesh
162.000.000
Nigéria
155.000.000
Rússia
141.000.000
Japão
127.000.000
Segundo a ONU, do inicio dos anos 1970 até 2009, o crescimento da população mundial caiu de 2,1% para 1,2% ao ano. O número de mulheres que utilizam algum tipo de anticoncepcional aumentou de 10% para 62% e o número médio de filhos por mulher (taxa de fecundidade) caiu de 6 para 2,6. Ainda assim, esse ritmo continua elevado e, caso se mantenha, a população do planeta saltará dos atuais 7 bilhões, para 9 bilhões em 2050. Os países pobres e emergentes, abrigam 5,6 bilhões de habitantes e, em 2050 deverão ter 7,9 bilhões. Já nos países desenvolvidos o crescimento nesse mesmo período será bem menor. Em quanto nos países pobres e emergentes a população irá crescer 41%; nos países ricos esse crescimento será de apenas 4%.
                O crescimento demográfico de uma determinada região está ligado a dois fatores: ao crescimento natural e a taxa de migração. Crescimento natural, também chamado de crescimento vegetativo, corresponde à diferença entre nascimentos (taxa de natalidade) e óbitos (taxa de mortalidade) verificada numa população; já a migração é a diferença entre a entrada e saída de pessoas da área considerada. Tendo como referencias essas duas taxas, o crescimento populacional poderá ser positivo ou negativo.
                Segundo a ONU, a taxa média de fecundidade necessária para a reposição da população sem que haja decréscimo é de 2,1 filhos por mulher. Em muitos países pobres a taxa supera esse valor, como no Níger, por exemplo, onde a taxa de fecundidade é de 7,1 filhos por mulher; já em outros, como na Alemanha e Holanda a taxa de fecundidade é de 1,3 filhos por mulher. Caso essas projeções se mantenham, entre 2010 e 2050 a população de 31 países pobres vai duplicar ou aumentar ainda mais, enquanto em 45 países a população vai decrescer no mesmo período. Atualmente, o que se verifica na média mundial é uma queda nos índices de natalidade e mortalidade, embora em alguns países as taxas se mantenham muito elevadas. Essa queda está relacionada principalmente ao êxodo rural (saída de pessoas do campo para se fixarem nas cidades) e suas consequências no comportamento demográfico, como o maior custo para criar os filhos, é mais caro criar filhos nas cidades, pois é necessário adquirir maior quantidade de alimentos básicos, que deixam de ser cultivados pela família, além disso, o ingresso dos dependentes no mercado de trabalho costuma acontecer mais tarde que no campo, o preço da moradia é mais elevado e as necessidades gerais de consumo aumentam substancialmente. Com a urbanização as pessoas passaram a ter mais informações e acesso a farmácias, hospitais e postos de saúde e as pílulas anticoncepcionais que permitiram um controle maior sobre a natalidade. O trabalho feminino é outro fator para a diminuição das taxas de crescimento populacional, já que muitas mulheres desenvolvem uma carreira profissional. Além desses fatores pode ser citado ainda o aborto, que apesar de ilegal em muitos países é realizado de forma clandestina, apesar de seus números serem desconhecidos, é sabido das suas ocorrências, principalmente entre a população mais carente e jovem.
                A população brasileira também vem passando por grandes transformações na sua taxa de fecundidade (número médio de filhos que uma mulher teria ao final do seu período fértil), o que gera reflexos diretos no crescimento populacional. Em 1940 a taxa de fecundidade da mulher brasileira era de 6,2 filhos; em 1980 era de 4,4; em 2010, de 1,7 filhos e a estimativa para 2020 é de 1,5 filhos por mulher.  A redução do número de filhos por mulher como já vimos foi consequência de uma série de fatores, destacando a urbanização, a melhoria nos índices de educação, maior acesso ao planejamento familiar, maior ingresso das mulheres no mercado de trabalho e mudança nos valores culturais. Entre 1950 a 1980, a população brasileira cresceu em média 2,8% ao ano, índice que projetava sua duplicação a cada 25 anos. Em 2008, o crescimento populacional tinha caído para 1,0 % ao ano, com a população tendendo a dobrar a cada 64 anos. Paralelamente a essa acentuada redução da natalidade, vem aumentando a esperança de vida ao nascer e a diminuição das taxas de mortalidade. O Brasil, portanto, está passando por uma transição demográfica que se acelerou bastante no inicio da década de 1980. Isso quer dizer que os índices brasileiros começam a se aproximar dos índices de crescimento demográfico dos países desenvolvidos. Segundo o IBGE a se confirmar as projeções a partir de 2030 a população brasileira passará a diminuir cerca de 0,05% ao ano.
                Essas mudanças no crescimento demográfico permitem que os governos (federal, estadual e municipal) estabeleçam planos de investimentos em educação e saúde mais favoráveis no que na década de 1970, quando o ritmo de crescimento da população brasileira se aproximava de 3% ao ano. O investimento hoje pode priorizar a melhoria da qualidade do serviço prestado e não mais na expansão da rede, como antes, quando era necessário construir cada vez mais escolas e hospitais. Apesar de que não podemos esquecer que o Brasil passa por uma transição e, em muitos locais do país faltam hospitais e escolas para o atendimento da população.

Índices Populacionais do Brasil por Unidades da Federação
UF
Território em km²
População
Tx.cresc.
AC
164.123
759.000
2,77%
AL
27.778
3.165.000
1,01%
AM
1.559.159
3.590.000
2,15%
AP
142.828
698.000
3,44%
BA
564.733
14.175.000
0,70%
CE
148.920
8.606.000
1,29%
DF
5.779
2.648.000
2,25%
ES
46.095
3.578.000
1,27%
GO
340.111
6.154.000
1,84%
MA
331.937
6.714.000
1,52%
MG
586.522
19.855.000
0,91%
MS
357.145
2.505.000
1,66%
MT
903.366
3.115.000
1,94%
PA
1.247.954
7.792.000
2,05%
PB
56.469
3.815.000
0,90%
PE
98.148
8.931.000
1,06%
PI
258.577
3.160.000
0,93%
PR
199.307
10.577.000
0,88%
RJ
43.780
16.231.000
1,06%
RN
52.811
3.228.000
1,33%
RO
237.590
1.590.000
1,24%
RR
224.300
469.000
3,36%
RS
281.730
10.770.000
0,49%
SC
95.736
6.383.000
1,55%
SE
21.915
2.110.000
1,49%
SP
248.222
41.901.000
1,08%
TO
277.720
1.417.000
1,80%
Teorias Demográficas
                Em 1798, o economista inglês Thomas Robert Malthus publicou seu Ensaio sobre a População, no qual desenvolveu uma teoria demográfica que se apoiava basicamente em dois postulados: se não ocorressem guerras, epidemias, desastres naturais, etc., a população tenderia a duplicar a cada 25 anos, cresceria, portanto em progressão geométrica (2,4,8,16,32...) e constituiria um fator variável, que aumentaria sem parar; já o crescimento da produção de alimentos ocorreria apenas em progressão aritmética 2,4,6,8...) e possuiria certo limite de produção, por depender de um fator fixo, a extensão territorial dos continentes. Ao considerar esses dois postulados, Malthus  concluiu que o ritmo de crescimento populacional seria mais acelerado do que a produção de alimentos, pois não seria possível em um determinado tempo , aumentar o tamanho das terras cultiváveis e a população mundial ainda continuaria crescendo. A consequência disso seria a falta de alimentos para atender as necessidades de consumo do planeta, ou seja, a fome. Para evitar esse flagelo, Malthus sugeria que as pessoas só tivessem filho se possuíssem terras para cultiva-las. Hoje verifica-se que suas conclusões não se concretizaram: a população do planeta não duplicou a cada 25 anos, e a produção de alimentos aumentou graças ao avanço tecnológico. Essa teoria quando foi elaborada, parecia muito consistente. Porém, seus erros estão ligados principalmente às limitações da época. Malthus não previu o efeito da urbanização na evolução demográfica e do processo tecnológica aplicada à agricultura.
                Em 1945, após a II Guerra Mundial, foram discutidas estratégias de desenvolvimento, para evitar a eclosão de um novo conflito militar em escala mundial. Havia apenas um ponto de consenso entre os participantes: a paz depende da harmonia entre os povos e, portanto, da diminuição das desigualdades econômicas no planeta. Nesse contexto histórico foi formulada a teoria demográfica neomalthusiana, uma tentativa de explicar a ocorrência da fome e do atraso em muitos países. Essa teoria era defendida por setores e por governos com o intuito de se esquivarem das questões socioeconômicas centrais. Segundo essa teoria, uma numerosa população jovem, resultante das elevadas taxas de natalidade e que eram verificadas em quase todos os países pobres, necessitaria de grandes investimentos sociais em educação e saúde. Com isso, sobrariam menos recursos para serem investidos nos setores econômicos, o que impediria o pleno desenvolvimento e, consequentemente da melhoria das condições de vida da população. Ainda, segundo os neomalthusianos, quanto maior o número de habitantes de um país, menor a renda per capta e a disponibilidade de capital a ser distribuído. Verifica-se que nessa teoria, embora com postulados diferentes daqueles utilizados por Malthus, chega à mesma conclusão: o crescimento populacional é responsável pela ocorrência da pobreza. Seus defensores passaram então, a defender programas de controle de natalidade nos países pobres e emergentes mediante a disseminação de métodos anticoncepcionais. Era uma tentativa de enfrentar problemas socioeconômicos com programas de controle de natalidade e de acobertar os efeitos danosos dos baixos salários e das péssimas condições de vida que vigoram nos países pobres com base em uma argumentação demográfica.

                Porém, outra teoria formulada no mesmo período denominada de teoria demográfica reformista, defendia uma visão diferente. Uma população jovem e numerosa, em virtude de elevadas taxas de natalidade, não é causa, mas consequência do subdesenvolvimento. Em países desenvolvidos, com elevado padrão de vida da população, o controle de qualidade ocorreu de forma simultânea à melhoria das condições de vida da população. Além disso, os métodos de controle de natalidade foram passados através de programas educacionais. Uma população jovem e numerosa só se tornou empecilho ao desenvolvimento das atividades econômicas nos países pobres porque não foram realizados investimentos sociais, principalmente na educação e na saúde. A falta de investimentos em educação gerou um enorme contingente de mão-de-obra sem qualificação, que continuamente ingressa no mercado de trabalho, além de muitos que não conseguem uma vaga e vivem do subemprego. Tal realidade tende a rebaixar o nível de produtividade por trabalhador, assim como os salários dos que estão empregados e a empobrecer enormes parcelas da população desses países. É necessário, o enfrentamento, em primeiro lugar, das questões sociais e econômicas para que a dinâmica demográfica entre em equilíbrio. Para os reformistas é nítido a diferença do controle de natalidade espontâneo entre as famílias com maior grau de educação e poder aquisitivo em relação as mais pobres. Assim, à medida que as famílias melhorem suas condições de vida (educação, saúde, informação), espontaneamente elas tenderam a ter menos filhos.(Adaptado de SENE, Eustáquio. Geografia geral e do Brasil 3, p.106-119; p.146-149. IBGE, e Wikipédia).

Um comentário:

  1. excelente artigo, porém não se cosntitue em verdadade absoluta o fato de o governo brasileiro estar promovendo melhorias nas políticas públicqas atinetes à melhoria da educação e da saúde do povo brasileiro,a saúde se encoantra naauti e a educação, salvo alguns nichos de excele~encia, pasa por uma verrddeira tragédia!

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