quinta-feira, 4 de julho de 2013

12.OS CONFLITOS ENTRE ÁRABES E JUDEUS: A QUESTÃO PALESTINA

Os judeus viviam desde a Antiguidade na Palestina. No inicio da era cristã, quando parte do oriente Médio ficou sob o domínio dos romanos, os judeus foram expulsos e se dispersaram pelo mundo, principalmente pela Europa central e oriental. Após longa ocupação romana, no século VII a Palestina foi ocupada pelos árabes, que nesse território ficaram conhecidos como palestinos. No século XIX quando a região estava sob domínio britânico, começou a imigração de judeus para a Palestina, motivados pelo sionismo, movimento politico que defendia o direito a autodeterminação do povo judeu e a existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel, ou seja, na Palestina. Esse movimento se intensificou bastante com a ascensão do nazismo na Alemanha que perseguia os judeus. Após a II Guerra Mundial, em 1947, depois de muita pressão das organizações judaicas, a ONU dividiu o território da Palestina em dois Estados: um para abrigar o povo judeu e outro para o povo palestino. Israel, o Estado judeu foi proclamado em 1948. No entanto, os países árabes vizinhos, especialmente Egito, Síria e Jordânia não aceitaram o Estado judaico e atacaram o novo país. Israel venceu a guerra e ampliou o seu território, apropriando de territórios dos países árabes e de parte da Palestina que havia sido destinada aos palestinos; a outra parte como a faixa de Gaza foi ocupada pelo Egito e a Cisjordânia pela Jordânia.
                Com o desaparecimento de seu Estado os palestinos espalharam-se por vários países da região. A luta pela criação de seu Estado é chamada de “questão palestina” e até hoje não foi resolvida. Foi nesse contexto que nasceu a Organização para Libertação da Palestina (OLP). Fundada em 1964, era uma frente de vários grupos de atuação moderada e controlada pelos países árabes. Mas quando o Fatah (conquista), grupo liderado por Yasser Arafat, tornou-se hegemônico na organização, esta passou a exercer diversos atentados terroristas contra Israel. Isso aconteceu especialmente a partir de 1969, quando Arafat tornou-se presidente da OLP. Entretanto, o conflito bélico que provocou as maiores transformações territoriais na região ocorreu em 1967: a Guerra dos Seis Dias, que novamente opôs Israel aos países vizinhos. Após nova vitória, Israel ampliou significativamente seu território, ocupando a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.
                Os desdobramentos dessa guerra agravaram a tensão entre os Estados árabes e Israel. A partir daí as ações terroristas da OLP se ampliaram. Por terem sido derrotados, os países árabes perderam vastos territórios; assim um novo conflito bélico eclodiu em 1973, a Guerra do Yom Kipur (dia do perdão). Novamente Israel venceu e o novo presidente do Egito, Anuar Sadat se deu conta que não poderia vencer o inimigo no campo de batalha e procurou um acordo com Israel. Em 1979, Israel concordou em devolver a península do Sinai ao Egito em troca de paz. O acordo de paz foi assinado pelos presidentes dos dois países em Camp David, nos EUA. Esse acordo marcou pela primeira vez o reconhecimento do Estado de Israel por um país árabe. O presidente egípcio foi assassinado por grupos extremistas que não aceitavam negociar com os israelenses.
                Em 1982, Israel invadiu o Líbano para expulsar os guerrilheiros da OLP, que utilizavam o território do país vizinho como base para as suas operações. Após um acordo, entretanto, Israel não retirou suas tropas integralmente do Líbano e manteve ocupada uma estreita faixa no sul do país como justificativa de proteger sua fronteira norte. Juntamente a isso, o governo israelita incentivou a ocupação dos territórios ocupados pela população judia (colônias judaicas). No final da década de 1980, a OLP abdicou da luta armada e do terrorismo e se tornou em uma organização politica empenhada na construção do Estado palestino. Isso abriu caminho para um período de negociações. Em 1993, foram iniciadas as negociações de paz entre o Estado de Israel e a OLP, com a assinatura do acordo de Olso na Noruega, que culminaram no reconhecimento reciproco e no inicio do processo de devolução aos palestinos da Faixa de Gaza e das cidades da Cisjordânia. Ao mesmo tempo para substituir a OLP foi criada a ANP – Autoridade Nacional Palestina, para administrar esses territórios (um embrião do futuro Estado palestino). Em 1994, a Jordânia também reconheceu o Estado de Israel, firmando um acordo de utilização conjunta das águas do rio Jordão.
                Em 2000 houve um encontro entre as lideranças de Israel e da Autoridade Palestina, mas os judeus não concordaram em dividir a cidade de Jerusalém que para os israelitas é capital perpetua e indivisível. Os palestinos, por sua vez também não abrem mão da parte oriental da cidade para ser a capital do seu Estado. Em 2001, os trabalhistas perdem as eleições em Israel para os conservadores, com a vitória de Ariel Sharon, as negociações de paz foram congeladas. Ao mesmo tempo o governo israelense retomou a implantação de colônias na Cisjordânia para inviabilizar a devolução desse território, como tinha sido acordado. Em consequência disso, houve uma intensificação das ações terroristas promovidas pelo Hamas, Hezbolah e Jihad Islâmica que não concordo com a politica da Autoridade Palestina. Em 2004 Iasser Arafat morre e as negociações de paz ficam mais difíceis. Em 2005, Israel iniciou a retirada de colonos da Faixa de Gaza, transferindo integralmente este território para a Autoridade Palestina. Entretanto, ao mesmo tempo em que desocupava a Faixa de Gaza, Israel expandia os assentamentos judaicos na Cisjordânia e ampliava a cerca de segurança como justificativa de impedir a entrada de terroristas palestinos. Embora o governo de Israel diga que esta cerca tem caráter provisório, os palestinos temem que ela acabe definindo o limite entre o Estado de Israel e o futuro Estado palestino. A cerca abrange 7% dos territórios da Cisjordânia ocupados por colônias judaicas e reivindicados pelos palestinos.
                Tem sido muito difícil um acordo de paz no longo conflito que envolve judeus e palestinos porque há radicais dos dois lados tentando boicotá-lo. Do lado palestino há três organizações que tem sido responsáveis por atentados terroristas contra a população israelense: Hamas, a Jihad Islâmica e as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa. Esses grupos são contrários a qualquer concessão a Israel e defendem que os judeus devem ser expulsos da Palestina. Do lado de Israel há os setores da direita, do partido Likud e especialmente dos partidos Ortodoxos que abrigam o fundamentalismo religioso judaico. Esses setores da sociedade israelense defendem que a “terra santa”, a “terra prometida” pertence só aos judeus. São contrários a retirada dos colonos judeus que vivem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, portanto, em territórios já oficialmente devolvidos por Israel aos palestinos. Além disso, a capacidade militar israelense é muito superior e a sua retaliação a qualquer agressão dos grupos terroristas palestinos a sua população civil, quase sempre mata muito mais civis palestinos. Sem contar que a população palestina tem sua circulação controlada pelas forças de segurança de Israel. O deslocamento entre Gaza e Cisjordânia passa necessariamente pelo território israelense. Assim, os palestinos ao entrarem em território judeu ou por alguma barreira tem de enfrentar longas filas e apresentar documentos, o que torna seu cotidiano sofrido e humilhante. .(Adaptado de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira. Geografia Geral e do Brasil 2, p.96-100 e Wikipédia).

                

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