segunda-feira, 1 de julho de 2013

OS CONFLITOS ÉTNICOS NA ÁFRICA SUBSAARIANA

Denomina-se África-subsaariana a região que contêm os países africanos situados ao sul do deserto do Saara. Desde o século XIX, este território começou a ser conhecida com a expressão África Negra pelos ocidentais, descrevendo uma região habitada por indivíduos da raça negra que não havia sido descoberta ainda, nem colonizada pelos europeus. A África subsaariana é considerada por muitos como a região mais pobre do planeta, nesta parte da África estão localizados os países (33 dos mais pobres que existem) com grandes problemas estruturais sofrendo os graves legados do colonialismo, do neocolonialismo, dos conflitos étnicos e da instabilidade política. A expectativa de vida não ultrapassa os 47 anos, o índice de alfabetização de adultos atinge 63%, e o nível de escolaridade chega a 44%. O enorme crescimento populacional, durante a década de 1990, acarretou no aumento de pessoas vivendo em condições extremas de pobreza. Mais da metade da população subsaariana, uns 300 milhões de pessoas, sobrevive com menos de um dólar por dia. Milhões destas pessoas vivem na mais absoluta pobreza, privados de água potável, moradias dignas, alimentos, educação e acesso à educação.
                É nessa região do continente africano que ocorrem diversos conflitos que opõem povos diferentes, muitos dos quais obrigados a conviver dentro do território de um mesmo Estado. Por terem sido constituídos, de forma geral, sobre os limites traçados pelas potencias imperialistas europeias do século XIX, as fronteiras dos países africanos não respeitaram os limites tribais vigentes anteriormente a sua constituição. O resultado foi à ocorrência, ao longo da história, uma série de conflitos étnicos:
*hauças x ibos – na Guerra de Biafra (1967-1970), na qual os ibos lutaram sem sucesso pela separação dessa região de parte da Nigéria;
*separatismo da etnia tigrínia na Etiópia – resultou na independência da Eritréia em 1993;
*hutus x tutsis – uma das guerras civis mais violentas do continente em Ruanda, que provocou a morte de cerca de 1 milhão de pessoas (90% tutsis, etnia minoritária no país);
*muçulmanos x cristãos no Sudão – também conhecido como conflito de Darfur  (desde 1956) resultou em 2011 no surgimento do Sudão do Sul, o mais novo país africano.

A POBREZA E AS GUERRAS CIVIS
                Grande parte das guerras recentes aparece na mídia como conflitos étnicos ou religiosos. Entretanto, dizer que grupos sociais vão à guerra apenas por suas diferenças culturais é simplista. Mais do que as diferenças étnicas, as principais causas dos numerosos conflitos existentes nos países menos desenvolvidos são a pobreza, a falta de oportunidades socioeconômicas, a ausência de liberdade politica e especialmente os interesses de lideres políticos gananciosos e corruptos que se apropriam do aparelho estatal e muitas vezes instrumentalizam diferenças étnicas e religiosas para atingir seus objetivos políticos e econômicos.
                De acordo com o Atlas dos conflitos mundiais, dos países que apresentavam alto IDH, apenas 2% se envolveram em guerras civis; os países de médio IDH, o índice foi de 25%. Já entre os países de baixo IDH, 50% estão envolvidos em conflitos armados. Visto de outra forma: 80% das guerras civis ocorrem nos países mais pobres do mundo. Ou seja, a guerra é um fenômeno cada vez mais relacionado às más condições de vida, pior do que isso, na medida em que provoca perda de vidas e destrói a infraestrutura e as instituições estatais, contribui para perpetuar o baixo desenvolvimento do país. .(Adaptado de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira. Geografia Geral e do Brasil 2, p.94-96 e Infoescola. www.infoescola.com/geografia).


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