quarta-feira, 31 de julho de 2013

GEADA

A geada  é um fenômeno que ocorre quando a temperatura está muito baixa (abaixo de 0ºC). O vapor de água presente no ar sublima (passa do estado gasoso direto para o estado sólido, sem passar pelo líquido) devido ao frio intenso, formando cristais de gelo sobre qualquer superfície.
 A principal causa da geada é um fenômeno chamado de “advecção de massa de ar polar”: “advecção de massas de ar” é quando uma massa de ar se desloca horizontalmente através das isotermas de uma região para outra substituindo outra massa de ar com diferentes características de temperatura, podendo causar uma queda ou aumento brusco de temperatura. (Isotermas= linhas traçadas sobre um mapa e que ligam dois pontos com mesma temperatura do ar).
 Existem dois tipos de geadas com relação a agricultura: a geada negra, que costuma congelar a parte interna das culturas; e a geada branca, que é a geada comum que congela a parte externa das culturas formando uma camada de gelo branca.
 Para que ocorra a geada é necessário que o céu esteja limpo, sem a presença de neblina. Não pode haver vento (o que favorece a formação de geada branca) e a temperatura de relva (medida a mais ou menos 1,5 metro do chão) não pode ser maior que 4ºC.
 Algumas características do relevo também influenciam na formação ou não de geada. Por exemplo, em depressões ou vales, costumam se formar acúmulos de ar frio que desce das montanhas propiciando o acúmulo de gelo. Regiões montanhosas ou muito altas, também costumam ter geada regularmente.
 Outro fator que influencia as geadas é limpidez do ar. Em regiões muito poluídas, o fenômeno não é tão comum, pois a presença de partículas suspensas (material particulado) dificultam a formação de cristais de gelo.
Caroline Faria.

terça-feira, 23 de julho de 2013

AS QUESTÕES GEOPOLITICAS NA AMÉRICA LATINA

O NACIONALISMO LATINO-AMERICANO
                Em cada parte do mundo e em cada país ocorrem situações particulares que explicam o aparecimento do nacionalismo. Os movimentos nacionalistas podem ser democráticos e emancipatórios ou ter um caráter autoritário e contribuir para o estabelecimento de regimes ditatoriais. Na história da América Latina pós-colonial são encontrados tanto o nacionalismo vinculados aos princípios democráticos como o orquestrado para a legitimação de governos autoritários. Uma das formas de nacionalismo característico da América Latina está o populismo, fenômeno politico que possibilita a ascensão de um líder carismático visto como defensor dos interesses das camadas menos favorecidas. São exemplos de nacionalismo populista o peronismo na Argentina, o varguismo, no Brasil; e mais recentemente o chavismo, na Venezuela. No conjunto latino-americano, merece destaque também o exemplo de Cuba, cujo movimento nacionalista liderado por Fidel Castro e Che Guevara depôs o ditador Fulgêncio Batista, defensor dos interesses dos EUA, e instaurou um regime socialista.
                O nacionalismo orquestrado para a legitimação de governos autoritários pode ser ilustrado pelo cunho patriótico que caracteriza os discursos dos governos militares das décadas de 1960 a 1980 na Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Esse nacionalismo em plena época da Guerra Fria prestava-se a garantir a “segurança nacional” contra a “ameaça comunista”, mas aceitava a hegemonia dos EUA no continente. Além do pretexto anticomunista, o nacionalismo na Argentina e no Brasil impulsionava a busca pela liderança no cenário geopolítico sul-americano.
                Na Venezuela, país que detém a maior reserva de petróleo da América Latina, também tem se caracterizado pelo nacionalismo, que se configura em um intenso plano de mudanças. São partes desse plano a estatização do petróleo, dos setores de telecomunicações e bancário, a distribuição de terras, o controle estatal de frigoríficos, a regulamentação de serviços médicos privados, o fornecimento de alimentos subsidiados a população mais carente e a intensa censura à imprensa. O presidente Hugo Chávez no poder desde 1998 (até 2012, ano de sua morte) durante parte de seu governo demonstrou carisma e pode contar com apoio popular. Assim conseguiu promover mudanças institucionais, como alteração do nome do país, agora denominado de República Bolivariana da Venezuela, e a adoção de dispositivos constitucionais que permitem sucessivas reeleições do presidente. A proposta politica de Chávez baseia-se no que ele determinou de Revolução Bolivariana. No entanto, várias medidas por ele adotadas, como fechamento de veículos de comunicação que se opõem ao seu governo, tem revelado um caráter centralizador e antidemocrático.
                O chavismo adquiriu adeptos, em 2005, pela primeira vez na história da Bolívia, um indígena, Juan Evo Morales, foi eleito presidente, apoiado por um partido politico de linha socialista e nacionalista. Inspirado em Chávez, Morales aumentou o controle estatal sobre a exploração do petróleo e do gás natural, que se encontrava em mãos de empresas estrangeiras, dentre as quais a brasileira Petrobras. Políticas semelhantes de nacionalização e estatização dos recursos energéticos, também têm sido adotadas no Equador e no Paraguai.

AS TENSÕES NA COLÔMBIA
                Em toda a América Latina, a Colômbia é o país com o mais elevado nível de violência. Segundo a ONU, existem atualmente no país cerca de 2,5 a 3 milhões de refugiados internos, pessoas que abandonaram suas terras, casas e pertences em função dos ataques dos grupos armados.  Também se contabilizam cerca de 8 mil homicídios por ano, a maior parte deles provocada por questões políticas.
                Devido à instabilidade politica no país desde a sua independência no século XIX gerada pela grande alternância de grupos antagônicos no poder, durante o século XX, organizaram-se no país numerosos grupos rebeldes, que passaram a atuar de forma decisiva no destino politico  econômico da Colômbia.  Em 1964 foram criadas as Forças Revolucionárias da Colômbia – Farc – de ideologia marxista, o maior e mais antigo grupo guerrilheiro da América Latina. Ainda, durante a década de 1960 surgiram outros grupos revolucionários, de esquerda e de direita, porém, sem a mesma abrangência das Farc. Dessa forma, há várias décadas se instalou na Colômbia um clima de guerra civil, com confrontos entre os grupos revolucionários e contrarrevolucionários, ataques criminosos a vilas e povoados, saques e invasões de propriedades, etc.
                Quando criadas, as Farc tinham como objetivo promover a reforma agrária na Colômbia. Com o passar do tempo às pretensões da organização foram sendo ampliadas e, atualmente, lutam pelo poder político. Embora essa informação seja contestada por seus líderes, as Farc, que hoje somam quase 30 mil homens, tem seu sustento relacionado ao narcotráfico, uma das principais atividades no país, que é responsável por cerca de 75% de toda a cocaína produzida no mundo. As ações desenvolvidas pelas Farc envolvem ataques a órgãos públicos, assassinatos e sequestros de civis e políticos. Por isso, muitos classificam as Farc de grupo terrorista e não guerrilheiro.
                Para combater as Farc, os EUA criaram o Plano Colômbia, uma intervenção militar em terras colombianas para combater o narcotráfico na sua essência. Entretanto, esse plano é bastante criticado pelos que defendem a soberania latino-americana, pois os EUA financiam armas, helicópteros e treinamento militar ao exército colombiano. Além disso, os estadunidenses instalaram uma base militar na selva amazônica colombiana, em uma área de grande riqueza natural.

AS TENSÕES NA AMÉRICA CENTRAL
                A América Central é formada pelos países situados no istmo que liga a América do Sul a América do Norte e por um conjunto de ilhas que compõem a América Central Insular ou Caribe, como também é chamada. Alguns países da porção continental passaram por uma série de instabilidades politicas nas últimas décadas, evidenciando a falta de solidez na composição de regimes democráticos.
                É esse o caso da Nicarágua, um dos países mais pobres da América Latina. Desde a sua independência no século XIX, o país viveu em constante instabilidade politica, com golpes de Estado e sucessivas ditaduras. Entre os oposicionistas estavam os sandinistas, uma guerrilha de inspiração marxista. Na década de 1980, o então ditador Anastácio Somoza foi derrubado e os sandinistas assumiram o governo. O governo estadunidense financiou mercenários de direita para promover uma contrarrevolução e desestabilizar o governo nicaraguense. Em 1984, os sandinistas venceram as eleições. Mas a democracia no país é frágil. Guatemala e El Salvador também apresentam histórias politicas semelhantes à da Nicarágua: período de ditaduras, surgimento de grupos guerrilheiros de esquerda e paramilitares de direita financiados pelos EUA que geraram guerras civis, desestruturação econômica e intervenções comandadas pelos EUA. Assim como a Nicarágua, esses países vivem momentos de trégua e reconstrução econômica, ainda insuficiente para superar os quadros de pobreza, devido a constante instabilidade.
                O Haiti divide com a República Dominicana a segunda maior ilha das Antilhas. É o país com o mais baixo IDH da América Latina e está entre os mais pobres do mundo. Ex-colônia francesa foi à primeira nação da América Latina a se tornar independente e também a primeira república negra do mundo, em 1804. No decorrer do século XX, o Haiti experimentou longos períodos de ditadura e governos corruptos que agravaram os problemas sociais do país. Na década de 1990, um golpe de Estado derrubou o presidente eleito e levou a intervenção dos EUA e da ONU. A paz foi aparentemente restabelecida, permitindo novos processos eleitorais até 2004, quanto o então presidente Jean Aristide passou a governar sem a presença do Poder Legislativo, o que provocou uma onda de protestos e a renuncia do presidente. A ONU novamente interviu no país como uma força de paz constituído pelos EUA, Canadá e China. Posteriormente estas tropas foram substituídas pela Força de Paz da ONU, coordenada pelas tropas brasileiras. A missão de estabilização do Haiti sob a liderança de militares brasileiras, teve papel fundamental na manutenção da ordem e da paz no país. No entanto, um forte terremoto que arrasou o país em janeiro de 2010 vem dificultando a estabilização e a situação no Haiti. Cerca de 200 mil pessoas morreram entre elas 18 militares brasileiros.
                Outro problema geopolítica da América Central é a questão cubana. Desde a instalação do regime socialista em 1959 através de uma revolução liderada por Fidel Castro, que derrubou do poder o ditador Fulgêncio Batista, aliado dos EUA, a ilha sofre com o embargo impostos pelos estadunidenses ao país. Durante a Guerra Fria com o alinhamento a URSS, Cuba conseguiu manter uma certa estabilidade e crescimento, principalmente na área social, as maiores conquistas dos revolucionários. Entretanto, após o fim da URSS, a situação econômica do país é cada vez mais precária e sua infraestrutura é muito deficitária. Muitos acreditavam que após a saída de Fidel Castro do poder, o regime cairia, mas não foi o que ocorreu. Raul Castro, seu irmão vem implementado algumas reformas, mas as relações diplomáticas com os EUA continuam difíceis.

OS CONFLITOS DE CHIAPAS
                Os estados de Chiapas, Oxaca e Guerrero são considerados as regiões mais carentes do México. Habitados principalmente por camponeses descendentes de indígenas, estes estados promoveram um grande movimento popular armado na década de 1990. Em 1982, formou-se em Chiapas, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que reivindicava a manutenção das línguas, dos costumes,  e das tradições indígenas, o direito de cultivar a terra, além de melhorias nos setores econômico e social. A organização teve um expressivo crescimento, pois recebeu a adesão de diversas comunidades indígenas da região.
                Em 1994, explodiu a rebelião em Chiapas. Os integrantes da EZLN utilizaram armas de todos os tipos, desde pedaços de madeira e espingardas de ar comprimido até metralhadoras de ultima geração. Quinze dias após o inicio da rebelião, o governo mexicano tomou a iniciativa de cessar fogo. Em todo o país ocorreram manifestações de apoio ao movimento de Chiapas, assim como de protesto contra o Nafta (bloco econômico formado por EUA, Canadá e México). Em 1996, o governo mexicano propôs alguns acordos garantindo direitos e autonomia aos indígenas, aos quais foram ratificados em 2001. Desde o inicio do movimento, os zapatistas declararam que não lutavam para separar a região do México, mas apenas para manter suas raízes indígenas e garantir autonomia e melhores condições de vida. (Adaptado da série Ser Protagonista, Geografia 3, p.154-161).



               
               


segunda-feira, 22 de julho de 2013

TRANSPORTES E TELECOMUNICAÇÕES

TRANSPORTES
A industrialização e a expansão da economia de mercado levam a um maior fluxo de mercadorias e pessoas, o que provoca a necessidade do desenvolvimento dos meios de transportes e do sistema de comunicações. Na atualidade, os principais meios de transporte são o hidroviário, o ferroviário, o rodoviário e o aéreo.
                O transporte hidroviário é aquele realizado nos oceanos, mares, rios e lagos. O transporte marítimo se configura como o mais importante no transporte de mercadorias, pois é partir dele que de distribui a maior parte da produção mundial. Assim, os navios sofreram transformações profundas em função do aumento da tonelagem transportada, principalmente dos produtos mais procurados no mercado global. Dessa forma, surgiram navios especializados no transporte de determinada carga, como os petroleiros e os graneleiros. Também surgiram os grandes navios transoceânicos, que transportam um grande numero de pessoas de um continente para o outro em viagens turísticas. Os navios oferecem grandes vantagens para o transporte de produtos pesados, como também o de longas distâncias em razão do seu baixo custo. Os portos também se modificaram muito, principalmente nos países desenvolvidos, com o aparecimento dos contêineres, várias operações no embarque e desembarque dos produtos foram automatizadas, o que diminuiu a necessidade de mão-de-obra. Ao mesmo tempo a especialização de navios e a tonelagem que carregam permitem separar hoje os complexos portuários mais modernos como o de Roterdã, na Holanda e o de Nova York, nos EUA, dos portos que não tem condições de receber os principais navios da frota internacional.
                A navegação por rios e lagos, que sempre foi importante para os povos, continua importante, principalmente nos países desenvolvidos, apesar do notável desenvolvimento dos demais meios de transporte continentais com a industrialização, principalmente o ferroviário. Em primeiro lugar, porque as inovações da Revolução Industrial se estenderam também à navegação fluvial. Assim, as embarcações passaram a ser movidas a vapor e depois a óleo diesel, o que aumentou muito a velocidade desse meio de transporte. Segundo, porque o transporte fluvial apresenta o mais baixo custo. As hidrovias, assim, tornam-se vantajosas principalmente em pequenas distâncias. Embora a navegação fluvial seja mais favorável em rios de planície, a tecnologia já tornou possível a navegação em rios de planalto. Atualmente as redes hidroviárias mais utilizadas no mundo ocorrem na região dos Grandes Lagos, fronteira entre o Canadá e os EUA e a rede fluvial da Europa Ocidental.
                Apesar de sua enorme riqueza hidroviária, este tipo de transporte no Brasil não é muito desenvolvido. A maior parte do transporte hidroviário no Brasil refere-se à navegação de cabotagem, ou seja, o transporte por navios no mar de um porto a outro. Aliás, os portos, principal via para o comércio externo, geralmente tem custo por tonelada de carga que chegam a ser cinco vezes maiores que os demais portos do mundo. A negligência com o transporte hidroviário é tanta, que na década de 1970, construiu-se a rodovia Transamazônica paralela e relativamente próxima ao rio Amazonas, que é perfeitamente navegável desde o Atlântico até a fronteira com o Peru. A partir do final dos anos 1980, foram elaborados alguns projetos de desenvolvimento da navegação fluvial. Mas apenas na década seguinte, especialmente devido a expansão do Mercosul começou-se a colocar em prática alguns projetos de desenvolvimento da navegação nas bacias do Tietê e Paraná. Em alguns trechos, especialmente no Tietê, isso já é uma realidade, embora, o crescimento seja lento e a participação do transporte fluvial no deslocamento de cargas no Brasil seja insignificante.
                O transporte aéreo permite o deslocamento rápido e seguro de pessoas de um extremo ao outro do planeta. Desempenha também um papel importante no transporte interno de países territorialmente extensos, como por exemplo, o Brasil, EUA, Canadá, China, Rússia e Austrália. Também é utilizado para o transporte de cargas, porém, devido ao seu alto custo não figura entre as principais opções.
                As ferrovias, o transporte por meio de trens, foram um dos maiores avanços tecnológicos e importantes da indústria moderna. As fábricas necessitam de meios de transporte eficientes para garantir o recebimento de grande quantidade de matéria-prima e ao mesmo tempo fazer chegar seus produtos industrializados aos mais diversos pontos de um país e a outros países do mesmo continente. Isso exige um meio de transporte rápido, seguro e capaz de levar grandes cargas. O trem reúne todas essas condições. Por isso, no inicio, as ferrovias tinham um traçado que as dirigiam para os principais portos. Os trens são aparelhados para transportar desde gêneros perecíveis até produtos frágeis, líquidos, diversas matérias-primas e produtos industrializados. Nos países desenvolvidos ele é um dos principais meios de transporte, tanto de carga, como os modernos trens “bala” de passageiros. O continente europeu, por exemplo, pode ser percorrido praticamente de trem. Nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, somente a Rússia, a Índia e China são exceções, apresentando uma densa rede ferroviária.
                No Brasil as ferrovias já tiveram maior importância. Mas a partir da década de 1950 houve um acentuado decréscimo nas ferrovias brasileiras, ou seja, o desativamento de linhas foi maior do que a construção de vias. A grande época do transporte ferroviário brasileiro coincidiu com o cultivo do café, estendendo-se do final do século XIX até meados do século XX. A partir daí o desenvolvimento da indústria automobilística, as ferrovias entraram em crise. Elas continuaram a ser construídas apenas em áreas especificas para o transporte de minérios. Até 1996, o setor ferroviário era operado por uma estatal, a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que foi privatizada. Mas o transporte ferroviário no Brasil é praticamente sucateado. Ao contrário de outros países de grande extensão territorial onde é possível viajar de trem, em nosso país isso é impossível. Ficou evidente que com a entrada das multinacionais, principalmente do setor automobilístico, houve uma política de valorização do transporte rodoviário em detrimento do ferroviário, o que tem um custo enorme para o país, pois temos um dos transportes de mercadorias mais caros do mundo.
                No final do século XIX surgiram as modernas rodovias em substituição as antigas estradas de carruagens e cavalos. As rodovias, vias destinadas ao deslocamento de automóveis e caminhões, tornaram-se economicamente tão importantes quanto às ferrovias. Verdadeiras redes rodoviárias foram construídas nos países desenvolvidos, principalmente nos EUA. Isso se deve ao extraordinário desenvolvimento da indústria automobilística, depois da descoberta dos motores a explosão movidos a gasolina. Ao mesmo tempo, as rodovias apareceram quando a gasolina e óleo diesel já eram os dois principais derivados do petróleo. Com o objetivo de possibilitar maior velocidade, proporcionar maior segurança aos passageiros e conseguir maior rapidez nas entregas de produtos feitas por caminhões, as rodovias se modernizaram bastante. Surgiram assim, as autoestradas, com várias pistas, muito bem asfaltadas e sinalizadas. Além de ter possibilitado o deslocamento do grande número de pessoas, através do transporte coletivo, o desenvolvimento das rodovias favoreceu o uso do automóvel, que proporciona grande liberdade de locomoção no espaço. Verificou-se assim, a preferencia pelo uso do caminhão para o transporte de cargas perecíveis e de outros produtos industrializados de elevado preço no mercado como eletrodomésticos, eletrônicos, automóveis, etc. a rapidez na entrega dos produtos muitas vezes compensa os gastos mais elevados com o transporte rodoviário.
Contudo, no conjunto dos países desenvolvidos, a maior parte do transporte continental de carga continua sendo feita por ferrovia e quando possível por hidrovias. Isso acontece em virtude dos preços mais baixos que esses dois meios de transportes oferecem. Nos países subdesenvolvidos, em muitos casos, as insuficientes redes ferroviárias foram substituídas por redes rodoviárias, apesar de um grande numero deles depender da importação do petróleo. O desenvolvimento das rodovias nesses países pode ser explicado em parte pelas fortes pressões das indústrias automobilísticas multinacionais. A substituição das ferrovias por rodovias, entretanto, trouxe uma consequência ruim para a maioria da população. : o predomínio do transporte individual sobre o coletivo, o que forçou os governos desses países a pavimentarem as estradas já existentes e a construir rodovias modernas e autoestradas. Para isso, empregaram tecnologia mais avançada dos países desenvolvidos, que muitas vezes não era a mais indicada para as condições naturais especificas desses países.  Enquanto as rodovias tiveram prioridade total, as estradas de ferro foram abandonadas. Apesar dos custos elevados, a rede rodoviária passou a transportar a maior parte da carga, o que é um verdadeiro absurdo diante das graves dificuldades econômicas que os países subdesenvolvidos enfrentam.
O transporte rodoviário é cerca de quatro vezes mais caro que o ferroviário e cinco vezes mais caro que o hidroviário. Mesmo assim esse tipo de transporte é predominante no Brasil. A enorme primazia do transporte rodoviário acarreta um excessivo gasto de energia, especialmente petróleo. Além dos maiores custos, em comparação com os demais transportes continentais, o transporte rodoviário causa mais poluição a agrava o congestionamento nas grandes cidades. Além disso, o sistema rodoviário brasileiro é obsoleto exigindo uma reforma urgente para diminuir os custos e melhorar a qualidade. O transporte interno, baseado nas rodovias, é oneroso não só por causa dos maiores custos, mas também pelo precário estado de conservação das estradas. Dados do Ministério dos Transportes mostram que o Brasil possui um total de 1,6 milhão de quilômetros de estradas de rodagem, das quais apenas 160 mil quilômetros (10%) estão pavimentadas. O custo do pavimento é alto e sua qualidade baixíssima: dura em média cinco anos, enquanto nos EUA e na Europa a estimativa é de 20 anos.

TELECOMUNICAÕES
Uma infraestrutura que se tornou importantíssima para o desenvolvimento econômico atual são as telecomunicações: telefones (fixo e celulares), informática, satélites de comunicação, antenas, cabos e redes de comunicações. Com a revolução técnico-cientifica, as telecomunicações tem uma influencia muito maior para a localização das empresas do que os recursos naturais e matérias-primas. Essa renovada importância das telecomunicações ocorre da valorização do conhecimento e da necessidade de informações seguras e instantâneas sobre a economia internacional como o câmbio, os preços, novas tecnologias, sobre o mercado consumidor, fornecedores, etc.; por parte das empresas. Alguns estudiosos chegam até informar que o conhecimento (estratégias, novas ideias e tecnologias) hoje em dia é mais importante do que o capital (dinheiro, equipamentos e propriedades) para um empresa moderna. E o telefone interligado ao computador foi o elemento que mais possibilitou esse maior ganho de conhecimento. Outra consequência do desenvolvimento das telecomunicações e de sua ligação com a informática (chamada telemática) foi o surgimento da “nova economia”, ou seja, o conjunto de empresas de alta tecnologia, em especial nas áreas de informática e telecomunicações, juntamente com todas as empresas que realizam negócios através da Internet. É o chamado comércio eletrônico. Essa revolução nas telecomunicações está mudando a economia e decretando um enfraquecimento de barreiras físicas, isto é, das distâncias, da alfandega e do custo da entrega do produto. A distancia já não tem importância para as compras ou para as venda, pois podem ser feitas on-line e o comércio internacional é o que mais cresce. Com isso, as regiões distantes dos grandes centros urbanos e industrializados ganham novas oportunidades, desde que tenham uma boa infraestrutura de comunicações.

Os países desenvolvidos lideram essa revolução nas telecomunicações, tão vital para o futuro de qualquer nação. Com seus modernos satélites, que permitem o recebimento e a transmissão de imagens e sons em todo o mundo, os EUA controlam 35% do mercado mundial de telecomunicações. O Japão controla 11% e os países da Europa Ocidental, 25%. Nesse grupo de países estão instalados os mais importantes centos de comunicação por satélite que permitem obter imagens instantâneas e nítidas de eventos realizados em qualquer parte do mundo. Por isso, a sociedade moderna atual, com a globalização e a revolução técnico-cientifica, é conhecida como a sociedade da informação. Em suma, o mundo nunca foi tão pequeno, ou melhor, tão interligado, e as distâncias já não dão um grande obstáculo. A indústria das telecomunicações vive uma expansão sem precedentes somada ao barateamento e à popularização da informática. Só que o mundo não ficou “pequeno” para todos. Existem hoje cerca de um pouco mais de 1 bilhão de telefones fixos e mais de 700 milhões de celulares para uma população mundial de cerca de 7 bilhões. Grande parte da África tem menos de 30 linhas telefônicas fixas para cada grupo de mil habitantes. A internet bem desenvolvida e acessível a praticamente toda a população se encontra na América do Norte, Europa Ocidental, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Nos países subdesenvolvidos esse acesso é bastante limitado e caro. O Brasil apresenta números bem melhores que os países subdesenvolvidos, mas está muito longe dos países desenvolvidos. O uso da internet e de telefones se encontra na média de 200 para cada grupo de mil habitantes. Esses serviços são ainda muito caros no Brasil, principalmente a internet que nos países desenvolvidos é gratuita. (Adaptado de Vesentini, José William. Geografia: o mundo em transição, volume 1 – p.100-10; e volume 3, p.52-58).

terça-feira, 16 de julho de 2013

LINHA INTERNACIONAL DE DATA

 A “linha internacional de data” é uma linha imaginária que, por convenção, é representada pelo meridiano oposto ao Meridiano de Greenwich e que atravessa o Oceano Pacífico  separando o mundo em dois: a leste é um dia a menos do que a oeste dela. Ou seja, quando nos países localizados a oeste (Japão por ex.) da linha internacional de data, for dia 4, nos países localizados a leste (Américas, por ex.) da linha internacional de data, será dia 3. O horário continuará o mesmo (respeitando-se os fusos).
 Embora a Linha Internacional de Data não obedeça nenhum padrão científico para sua localidade ou traçado (a linha está situada no meio do Pacífico por ser um dos locais menos habitado do planeta, causando menos transtornos, e seu traçado passa comodamente em volta de algumas ilhas, sendo, portanto, irregular), se faz necessária essa separação de dias diferentes por causa do tamanho da terra. 
Explicando, como todos sabemos o sol nasce do leste para o oeste. Desta forma, quando o dia está amanhecendo na China, por exemplo, no Mediterrâneo ainda é noite e ainda vai amanhecer. Assim, sempre haverá uma diferença de horário entre dois lugares localizados em pontos diferentes no planeta e, quanto mais afastados estes dois lugares, maior a diferença. Suponhamos dois lugares diametralmente opostos no globo, enquanto em um deles é dia, no outro já será noite, porque neste lugar onde é noite (mais a oeste da linha internacional de data) o sol “nasceu primeiro” do que no lugar onde ainda é dia.
                É como na história de Júlio Verne, “Volta ao Mundo em 80 Dias”: Phileas Fogg, um aventureiro, resolve dar a volta ao mundo em 80 dias e, se utiliza dessa diferença de data para ganhar um dia na corrida. Ele viaja em sentido oeste-leste (saindo de Londres e indo em direção à Índia, e passando por outros lugares até chegar à Inglaterra vindo de Nova York pelo oeste).
Caroline Faria.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

VOYAGER NO ESPAÇO INTERESTRELAR

No dia 3 de dezembro de 2012, cientistas da Nasa anunciaram que a sonda Voyager estava iniciando o seu processo de saída do Sistema Solar, iniciando sua entrada no espaço interestelar. Lançada em 1977, a Voyager 1 viaja pelo espaço colhendo informações do sistema solar e do universo, se tornou no objeto feito pelo homem mais distante da Terra e está a mais de 18 bilhões de quilômetros do Sol.
 As pesquisas indicam que a Voyager está próxima de sair do sistema solar pelo fato dos ventos solares, na região onde está localizada a sonda, estarem desacelerando com muita rapidez, gerando turbulências, por outro lado, ainda foi detectada a influência do Sol.
 A Voyager faz parte do programa norte-americano da Nasa que lançou as duas missões Voyager 1 e Voyager 2. O objetivo do programa era estudar os planetas Júpiter e Saturno, incluindo suas luas. Depois, os pesquisadores incluíram explorações nos planetas Urano e Netuno. A Voyager também passou por Plutão.
 No ano de 1990, a missão completou todos os seus objetivos no sistema solar, iniciando uma nova Missão Interestelar.
 As sondas Voyager possuem sistemas mantidos por pequenos geradores nucleares, com previsão de funcionarem no espaço até 2020. No dia 5 de dezembro de 2012, a Nasa comemorou os 35 anos de lançamento da sonda Voyager 1, com a previsão de alcançar em pouco tempo os limites do sistema solar. Os dados foram confirmados pela revista “Nature”.
 A “Heliosheath" registra menor intensidade dos ventos solares , indicada como uma espécie de “bolha" ao redor do Sistema Solar, onde há partículas de alta energia emitida pelo Sol. Essa bolha protege os planetas de radiação proveniente de outras regiões do espaço.
 A sonda Voyager 1 foi lançada no dia 5 de setembro de 1977, dezesseis dias depois do lançamento de sua similar Voyager 2. A Voyager 1 já percorreu uma distância de 18 bilhões de quilômetros, e a Voyager 14,8 bilhões de quilômetros.
Fernando Rebouças

quinta-feira, 11 de julho de 2013

ZONAS MORTAS NOS OCEANOS

Sabemos que a vida no planeta depende de oxigênio, por causa disso, em determinadas zonas oceânicas, quando os níveis de oxigênio diminuem a vida marinha se extingue rapidamente, gerando a chamadas zonas mortas nos oceanos. Nessas regiões o oxigênio já sofreu grande depleção e nenhuma forma de vida consegue sobreviver plenamente.
 As causas podem ser sazonal, por um período no ano, ou por eutrofização, poluição das águas por substâncias químicas como o nitrogênio e fósforo. O nitrogênio, por sua vez, impulsiona o crescimento de algas que, posteriormente, morrem dissolvidas pelas bactérias que consomem altas quantidades de oxigênio, gerando hipoxia.
 A ausência de oxigênio nos mares mata a vida marinha madura, as ovas e as larvas. Até os crustáceos não resistem. Além das substâncias químicas, a hipoxia pode ser causada pela entrada da água doce dos rios no mar, diminuindo o fluxo de oxigênio das águas superficiais para o nível mais profundo do mar salgado.
 Atualmente, o mar que mais possui zonas mortas é o Mar Negro, do qual sua água para o Mar Mediterrâneo tem sido limitada pelo Estreito de Bósforo. A hipoxia também ocorre na Holanda e Golfo do México. Quando as águas profundas se tornam sem oxigênio, elas são chamadas de anóxicas.
 Segundo o Instituto Mundial de Recursos e o Instituto de Ciência Marinha da Virgínia, EUA, o planeta apresenta mais de 530 zonas mortas, e 228 regiões com sinais de eutrofização. Segundo os estudos publicados pela revista “Science”, entre os anos 1995 e 2007, as zonas mortas aumentaram mais de um terço.
 Grande parte dessas regiões, além de fatores naturais, são vítimas de contaminação por fertilizantes e a queima de combustíveis fósseis. Os estudos também têm sido acompanhados pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia.
 Na maioria dos casos, essas substâncias entram em excesso pelas águas litorâneas. O crescimento das zonas mortas é um do temas que têm gerado grande pressão pela preservação dos ecossistemas marítimos.
 Segundo cientistas da Universidade de Gotemburgo, há cerca de 405 zonas mortas numa superfície de mais de 26.500 quilômetros quadrados. No início do século XX, só haviam quatro zonas mortas no planeta, quantidade que saltou para 49 em meados de década de 1960; para 87 na de 1970; e para 162 na de 1980.
Fernando Rebouças.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

RIOS SUSPENSOS DA AMAZÔNIA

Considerada a maior bacia hidrográfica  do mundo, a Bacia Amazônica de formação terciário-quaternário é responsável pela drenagem de cerca de 1/4 da região da América do Sul, e escoa 1/5 da água doce do planeta Terra. Nela encontramos o maior arquipélago fluvial do mundo, Mariuá, onde há mais de 700 ilhas, na região do Rio Negro.
 Possui aproximadamente 1.700 rios, mas, nos últimos tempos o que tem atraído novas percepções dos pesquisadores são outros tipos de rios, os rios suspensos da Amazônia. Esses rios suspenso seriam, ao pé da letra, rios voares que pairam sobre a floresta Amazônica.
 Pesquisadores afirmam que, em virtude da existência desses rios evaporados sobre a floresta, o Brasil não é um imenso deserto, e as chuvas e ventos são distribuídas em toda a América do Sul. A tese dos rios suspensos da Amazônia é defendida no Brasil pelo climatologista Antônio Donato Nobre, segundo ele, esses rios são invisíveis, mas reais.
 O desajustes e variações nesses rios suspensos geram desequilíbrio ambiental em todo o mundo. O climatologista brasileiro identificou os rios suspensos a partir de pesquisas realizadas durante 25 anos, em que estudou as interações entre as florestas e a atmosfera. A ausência desses rios invisíveis comprometeria a existência da própria floresta e o equilíbrio climático em todo o mundo. Leia a seguir, a opinião do climatologias sobre a existência dos rios suspensos da Amazônia:
 “As imagens de satélite mostram esse vapor sobre a floresta como fluxos nas artérias do ciclo da água, em contínua pulsação. Esses deslocamentos atmosféricos de umidade, invisíveis para quem está aqui embaixo, são verdadeiros rios voadores(...) quando eles pararem de funcionar não poderemos consertá-los. Não é porque não os enxergamos, nem tomamos banho nesses rios, que eles não existem. São tão reais que regulam o clima em grande parte da América do Sul. É por causa deles que o Centro-oeste, Sul e Sudeste do Brasil não são desertos, ao contrário de outras regiões no globo, situadas em torno dos trópicos de Câncer e Capricórnio.Eles também geram importantes correntes de vento, por meio de um mecanismo revolucionário, chamado bomba biótica. Conforme o vapor d’água sobe para a atmosfera, ele encontra camadas de ar frio e se condensa em gotículas, formando nuvens que, em seguida, se precipitam em chuvas. Mas, quando condensa, o vapor deixa um ‘vazio’ no ar e é aí que a bomba começa a funcionar. Nesse momento a pressão cai lá em cima e ‘puxa’ o ar das regiões inferiores. A evaporação d’água nas matas é maior que nos oceanos. Daí vêm os ventos que importam o ar úmido do oceano para o interior do continente.”
Fernando Rebouças.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

REFUGIADOS NA ÁFRICA

Em junho de 2009, a MSF (Médicos Sem Fronteiras), uma organização humanitária de atuação internacional, apresentou relatório a respeito das condições de saúde de refugiados na África, principalmente, nas proximidades da África do Sul. A MSF demonstrou preocupação em relação a migrantes e sobreviventes que tentavam se refugiar na África do Sul.
 Na maioria dos casos, os refugiados estavam expostos à violência sexual, más condições de vida, agressão civil e policial, xenofobia e falta de acesso aos serviços essenciais. Historicamente, devido aos constantes conflitos no continente, tem sido frequente a existência de refugiados na África.
 Em 2011, num dos maiores acampamentos de refugiados do continente e do mundo, construído em 1981 em Dadaad, Quênia, viviam cerca de 90.000 mil pessoas sobreviventes da guerra civil da Somália. Porém, em 2011, a região registrou a presença de mais de 450.000 refugiados, a região recebe em  média, 41.000 refugiados ao ano.
 Além das condições de vida dos refugiados, essa região do Quênia sofre intensos períodos de seca, o que piora as condições de vida. Em 2011, a ONU alarmou a respeito da situação em todo o mundo.
 Analisando a situação dos refugiados africanos, incluindo os do Mali em 2012, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon declarou a respeito do alto custo humano de uma crise catastrófica. A própria MSF publicou um novo relatório em 2011, para demonstrar a situação real dos refugiados nos campos de Dadaab que, na realidade, é composto pelos acampamentos Dagahaley, Hagadera e Ifo.
 Nessa região, segundo a MSF, o índice de desnutrição entre crianças já era de 9%; e 60% das famílias  chegam aos campos de refugiados com pelo menos um membro da família doente. Na maioria dos casos, as famílias chegavam a esperar 12 dias para receber uma porção de comida.  Esses campos também oferecem o perigo ambiental por estarem próximos de animais selvagens.
 Em março de 2013, durante os conflitos no Mali, os refugiados desse país se instalaram no noroeste de Níger, mas com o desejo de retornarem para as suas casas, para as suas profissões e não necessitar mais da ajuda alheia.
Fernando Rebouças

quinta-feira, 4 de julho de 2013

OS CONFLITOS ENTRE ÁRABES E JUDEUS: A QUESTÃO PALESTINA

Os judeus viviam desde a Antiguidade na Palestina. No inicio da era cristã, quando parte do oriente Médio ficou sob o domínio dos romanos, os judeus foram expulsos e se dispersaram pelo mundo, principalmente pela Europa central e oriental. Após longa ocupação romana, no século VII a Palestina foi ocupada pelos árabes, que nesse território ficaram conhecidos como palestinos. No século XIX quando a região estava sob domínio britânico, começou a imigração de judeus para a Palestina, motivados pelo sionismo, movimento politico que defendia o direito a autodeterminação do povo judeu e a existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel, ou seja, na Palestina. Esse movimento se intensificou bastante com a ascensão do nazismo na Alemanha que perseguia os judeus. Após a II Guerra Mundial, em 1947, depois de muita pressão das organizações judaicas, a ONU dividiu o território da Palestina em dois Estados: um para abrigar o povo judeu e outro para o povo palestino. Israel, o Estado judeu foi proclamado em 1948. No entanto, os países árabes vizinhos, especialmente Egito, Síria e Jordânia não aceitaram o Estado judaico e atacaram o novo país. Israel venceu a guerra e ampliou o seu território, apropriando de territórios dos países árabes e de parte da Palestina que havia sido destinada aos palestinos; a outra parte como a faixa de Gaza foi ocupada pelo Egito e a Cisjordânia pela Jordânia.
                Com o desaparecimento de seu Estado os palestinos espalharam-se por vários países da região. A luta pela criação de seu Estado é chamada de “questão palestina” e até hoje não foi resolvida. Foi nesse contexto que nasceu a Organização para Libertação da Palestina (OLP). Fundada em 1964, era uma frente de vários grupos de atuação moderada e controlada pelos países árabes. Mas quando o Fatah (conquista), grupo liderado por Yasser Arafat, tornou-se hegemônico na organização, esta passou a exercer diversos atentados terroristas contra Israel. Isso aconteceu especialmente a partir de 1969, quando Arafat tornou-se presidente da OLP. Entretanto, o conflito bélico que provocou as maiores transformações territoriais na região ocorreu em 1967: a Guerra dos Seis Dias, que novamente opôs Israel aos países vizinhos. Após nova vitória, Israel ampliou significativamente seu território, ocupando a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.
                Os desdobramentos dessa guerra agravaram a tensão entre os Estados árabes e Israel. A partir daí as ações terroristas da OLP se ampliaram. Por terem sido derrotados, os países árabes perderam vastos territórios; assim um novo conflito bélico eclodiu em 1973, a Guerra do Yom Kipur (dia do perdão). Novamente Israel venceu e o novo presidente do Egito, Anuar Sadat se deu conta que não poderia vencer o inimigo no campo de batalha e procurou um acordo com Israel. Em 1979, Israel concordou em devolver a península do Sinai ao Egito em troca de paz. O acordo de paz foi assinado pelos presidentes dos dois países em Camp David, nos EUA. Esse acordo marcou pela primeira vez o reconhecimento do Estado de Israel por um país árabe. O presidente egípcio foi assassinado por grupos extremistas que não aceitavam negociar com os israelenses.
                Em 1982, Israel invadiu o Líbano para expulsar os guerrilheiros da OLP, que utilizavam o território do país vizinho como base para as suas operações. Após um acordo, entretanto, Israel não retirou suas tropas integralmente do Líbano e manteve ocupada uma estreita faixa no sul do país como justificativa de proteger sua fronteira norte. Juntamente a isso, o governo israelita incentivou a ocupação dos territórios ocupados pela população judia (colônias judaicas). No final da década de 1980, a OLP abdicou da luta armada e do terrorismo e se tornou em uma organização politica empenhada na construção do Estado palestino. Isso abriu caminho para um período de negociações. Em 1993, foram iniciadas as negociações de paz entre o Estado de Israel e a OLP, com a assinatura do acordo de Olso na Noruega, que culminaram no reconhecimento reciproco e no inicio do processo de devolução aos palestinos da Faixa de Gaza e das cidades da Cisjordânia. Ao mesmo tempo para substituir a OLP foi criada a ANP – Autoridade Nacional Palestina, para administrar esses territórios (um embrião do futuro Estado palestino). Em 1994, a Jordânia também reconheceu o Estado de Israel, firmando um acordo de utilização conjunta das águas do rio Jordão.
                Em 2000 houve um encontro entre as lideranças de Israel e da Autoridade Palestina, mas os judeus não concordaram em dividir a cidade de Jerusalém que para os israelitas é capital perpetua e indivisível. Os palestinos, por sua vez também não abrem mão da parte oriental da cidade para ser a capital do seu Estado. Em 2001, os trabalhistas perdem as eleições em Israel para os conservadores, com a vitória de Ariel Sharon, as negociações de paz foram congeladas. Ao mesmo tempo o governo israelense retomou a implantação de colônias na Cisjordânia para inviabilizar a devolução desse território, como tinha sido acordado. Em consequência disso, houve uma intensificação das ações terroristas promovidas pelo Hamas, Hezbolah e Jihad Islâmica que não concordo com a politica da Autoridade Palestina. Em 2004 Iasser Arafat morre e as negociações de paz ficam mais difíceis. Em 2005, Israel iniciou a retirada de colonos da Faixa de Gaza, transferindo integralmente este território para a Autoridade Palestina. Entretanto, ao mesmo tempo em que desocupava a Faixa de Gaza, Israel expandia os assentamentos judaicos na Cisjordânia e ampliava a cerca de segurança como justificativa de impedir a entrada de terroristas palestinos. Embora o governo de Israel diga que esta cerca tem caráter provisório, os palestinos temem que ela acabe definindo o limite entre o Estado de Israel e o futuro Estado palestino. A cerca abrange 7% dos territórios da Cisjordânia ocupados por colônias judaicas e reivindicados pelos palestinos.
                Tem sido muito difícil um acordo de paz no longo conflito que envolve judeus e palestinos porque há radicais dos dois lados tentando boicotá-lo. Do lado palestino há três organizações que tem sido responsáveis por atentados terroristas contra a população israelense: Hamas, a Jihad Islâmica e as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa. Esses grupos são contrários a qualquer concessão a Israel e defendem que os judeus devem ser expulsos da Palestina. Do lado de Israel há os setores da direita, do partido Likud e especialmente dos partidos Ortodoxos que abrigam o fundamentalismo religioso judaico. Esses setores da sociedade israelense defendem que a “terra santa”, a “terra prometida” pertence só aos judeus. São contrários a retirada dos colonos judeus que vivem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, portanto, em territórios já oficialmente devolvidos por Israel aos palestinos. Além disso, a capacidade militar israelense é muito superior e a sua retaliação a qualquer agressão dos grupos terroristas palestinos a sua população civil, quase sempre mata muito mais civis palestinos. Sem contar que a população palestina tem sua circulação controlada pelas forças de segurança de Israel. O deslocamento entre Gaza e Cisjordânia passa necessariamente pelo território israelense. Assim, os palestinos ao entrarem em território judeu ou por alguma barreira tem de enfrentar longas filas e apresentar documentos, o que torna seu cotidiano sofrido e humilhante. .(Adaptado de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira. Geografia Geral e do Brasil 2, p.96-100 e Wikipédia).

                

terça-feira, 2 de julho de 2013

PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)

 Programa  adotado no começo do segundo mandado do Presidente Lula, em 28 de janeiro de 2007. Tal ação visa o crescimento do País através de investimentos em infra-estrutura e o estímulo ao crédito.
 Tal medida ainda prevê a diminuição de impostos das atividades ligadas a investimento e também a limitação de gastos públicos.
 Segundo a primeira fase, intitulado como PAC, estava previsto investimentos na ordem de 500 bilhões de reais, no qual, constavam apenas 67,8 bilhões no orçamento, onde o restante iria depender das estatais e do setor privado. Algo que não foi visto de bom grado pelos empresários e economistas.
 Atualmente, está decorrendo a "Segunda Fase", ou "PAC 2", lançado em 29 de março de 2010, e que prevê gastos na ordem de R$ 1,59 trilhão, que serão usados em: PAC Cidade Melhor, PAC Comunidade Cidadã, PAC Minha Casa, Minha Vida, PAC Água e Luz para Todos, PAC Transportes e PAC Energia.

 Fabio Faria.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

OS CONFLITOS ÉTNICOS NA ÁFRICA SUBSAARIANA

Denomina-se África-subsaariana a região que contêm os países africanos situados ao sul do deserto do Saara. Desde o século XIX, este território começou a ser conhecida com a expressão África Negra pelos ocidentais, descrevendo uma região habitada por indivíduos da raça negra que não havia sido descoberta ainda, nem colonizada pelos europeus. A África subsaariana é considerada por muitos como a região mais pobre do planeta, nesta parte da África estão localizados os países (33 dos mais pobres que existem) com grandes problemas estruturais sofrendo os graves legados do colonialismo, do neocolonialismo, dos conflitos étnicos e da instabilidade política. A expectativa de vida não ultrapassa os 47 anos, o índice de alfabetização de adultos atinge 63%, e o nível de escolaridade chega a 44%. O enorme crescimento populacional, durante a década de 1990, acarretou no aumento de pessoas vivendo em condições extremas de pobreza. Mais da metade da população subsaariana, uns 300 milhões de pessoas, sobrevive com menos de um dólar por dia. Milhões destas pessoas vivem na mais absoluta pobreza, privados de água potável, moradias dignas, alimentos, educação e acesso à educação.
                É nessa região do continente africano que ocorrem diversos conflitos que opõem povos diferentes, muitos dos quais obrigados a conviver dentro do território de um mesmo Estado. Por terem sido constituídos, de forma geral, sobre os limites traçados pelas potencias imperialistas europeias do século XIX, as fronteiras dos países africanos não respeitaram os limites tribais vigentes anteriormente a sua constituição. O resultado foi à ocorrência, ao longo da história, uma série de conflitos étnicos:
*hauças x ibos – na Guerra de Biafra (1967-1970), na qual os ibos lutaram sem sucesso pela separação dessa região de parte da Nigéria;
*separatismo da etnia tigrínia na Etiópia – resultou na independência da Eritréia em 1993;
*hutus x tutsis – uma das guerras civis mais violentas do continente em Ruanda, que provocou a morte de cerca de 1 milhão de pessoas (90% tutsis, etnia minoritária no país);
*muçulmanos x cristãos no Sudão – também conhecido como conflito de Darfur  (desde 1956) resultou em 2011 no surgimento do Sudão do Sul, o mais novo país africano.

A POBREZA E AS GUERRAS CIVIS
                Grande parte das guerras recentes aparece na mídia como conflitos étnicos ou religiosos. Entretanto, dizer que grupos sociais vão à guerra apenas por suas diferenças culturais é simplista. Mais do que as diferenças étnicas, as principais causas dos numerosos conflitos existentes nos países menos desenvolvidos são a pobreza, a falta de oportunidades socioeconômicas, a ausência de liberdade politica e especialmente os interesses de lideres políticos gananciosos e corruptos que se apropriam do aparelho estatal e muitas vezes instrumentalizam diferenças étnicas e religiosas para atingir seus objetivos políticos e econômicos.
                De acordo com o Atlas dos conflitos mundiais, dos países que apresentavam alto IDH, apenas 2% se envolveram em guerras civis; os países de médio IDH, o índice foi de 25%. Já entre os países de baixo IDH, 50% estão envolvidos em conflitos armados. Visto de outra forma: 80% das guerras civis ocorrem nos países mais pobres do mundo. Ou seja, a guerra é um fenômeno cada vez mais relacionado às más condições de vida, pior do que isso, na medida em que provoca perda de vidas e destrói a infraestrutura e as instituições estatais, contribui para perpetuar o baixo desenvolvimento do país. .(Adaptado de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira. Geografia Geral e do Brasil 2, p.94-96 e Infoescola. www.infoescola.com/geografia).