quinta-feira, 6 de junho de 2013

TERRORISMO E GUERRILHA

De acordo com o dicionário político, terrorismo é a “prática de que recorre sistematicamente à violência contra pessoas ou as coisas provocando terror”. Quando uma organização qualquer faz algum atentado terrorista, seja instalando uma bomba em algum local ou utilizando um homem-bomba, está querendo intimidar, disseminar o medo em uma comunidade ou país para atingir algum fim, que pode ser a difusão de uma ideologia, autonomia politica-territorial, a autoafirmação étnica ou religiosa, etc. é importante aqui fazer uma distinção entre terrorismo e guerrilha, embora muitas vezes um grupo guerrilheiro possa lançar mão de táticas terroristas. A guerrilha se caracteriza por ser um conflito que opõe formações irregulares de combatentes e forças armadas regulares de um Estado. É típica de países onde há profundas injustiças sociais e, portanto, parte da população esta disposta a lutar por mudanças ou apoiar o grupo que se propuser a isso. Em geral grupos guerrilheiros atacam alvos militares e pontos estratégicos do Estado contra o qual lutam. Preocupam-se em fazer o mínimo de vitimas civis e em conquistar a simpatia e o apoio dos populares. Já os terroristas procuram fazer o máximo de vitimas civis, com o intuito de causar pânico, e não se interessam em dialogar com a população nem obter o seu apoio.
                Há vários exemplos históricos de grupos guerrilheiros em diversos países, especialmente na América Latina, África e Ásia, continentes marcados pela pobreza e pela injustiça social.  Na América Latina o grupo guerrilheiro mais representativo e ainda em atuação são as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc), que lutam contra o Estado colombiano pelo controle de parte de seu território. Fundada em 1964 por Manuel Marulanda, no inicio era uma guerrilha rural de inspiração revolucionária (tinha ligações com o partido comunista da Colômbia) que lutava contra as injustiças sociais. Entretanto, muitos afirmam que as Farc se tornaram um grupo terroristas por causa de seus métodos violentos que incluem sequestro de civis, além de envolvimento com o narcotráfico, hoje sua principal fonte de renda. A partir de 2002 o governo colombiano passou a combatê-lo mais intensamente com recursos e armas fornecidos pelos EUA por meio de um acordo batizado de Plano Colômbia. Em 2008, as Farc sofreram um duro golpe: numa operação das forças armadas colombianas na selva, três de seus mais importantes líderes, entre os quais Marulanda, foram mortos; em outra operação, 15 reféns que estavam em poder do grupo foram resgatados.
                Na África, em diversos países houveram grupos guerrilheiros que lutaram contra o colonialismo, como o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União para Independência Total de Angola (Unita) que combateram a dominação portuguesa. Entretanto, após a independência politica, obtida em 1975, o conflito armado em Angola entrou na lógica da Guerra Fria. O MPLA se consolidou no poder com a ajuda da URSS e a Unita apoiada pelos EUA  e a África do Sul, passou a lutar contra o governo. A guerra civil em Angola se estendeu até 2002 quando foi selado um acordo de paz. A Unita deixou de ser um grupo guerrilheiro e se tornou um partido politico de oposição ao MPLA.
                Há grupos guerrilheiros que adotam táticas terroristas contra um Estado nacional tentando separar parte do território ou expulsar tropas de ocupação. Nesse sentido, podemos destacar o ETA (Pátria Basca e Liberdade), no norte da Espanha, os grupos chechenos na Rússia e os curdos na Turquia. É o caso também dos atuais grupos palestinos, como o Hamas, o Jihad Islâmica que reivindicam territórios ocupados por Israel.  Existem grupos que espalham o terror como afirmação de seu fundamentalismo religioso. É esse o caso da rede terrorista Al Qaeda (a “base” em árabe).
                O terrorismo também pode ser praticado pelo Estado. Nos anos 1920 na URSS, Josef Stalin perseguiu seus opositores e os mandou para campo de concentração. Na Alemanha nos anos 1930, com a ascensão do nazismo sob a liderança de Hitler, o Estado alemão deu inicio a um processo de genocídio contra judeus, ciganos e comunistas. Na África do Sul, grande parte do século XX foi marcada pelo Apartheid (separação), onde o governo sul-africano oficializou um regime de distinção entre brancos e negros. O terrorismo de Estado também foi comum na América Latina durante as várias ditaduras militares que se instalaram durante a Guerra Fria (1964-1985) no Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Bolívia, Peru, entre outros. Nesse período milhares de pessoas foram presas, torturadas e condenadas sem julgamento, além de várias terem sido assassinadas pelas forças do Estado, apenas porque faziam oposição ao governo vigente. Em reação ao fechamento político e a ausência de diálogo surgiram grupos armados que passaram a fazer guerrilha ou adotar práticas terroristas contra os governos ditatoriais, acirrando o conflito e a violência. (Adaptado de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira. Geografia Geral e do Brasil 2, p.84-88).

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