quinta-feira, 27 de junho de 2013

10 – A PRODUÇÃO DE ENERGIA NO BRASIL

O Brasil se destaca no cenário mundial por possuir grande participação de fontes renováveis em sua matriz energética e vem investindo na diversificação das fontes utilizadas. A descoberta de enormes reservas de petróleo na camada do pré-sal e o grande potencial de produção de biocombustíveis colocam novas perspectivas para o crescimento econômico do país.

O CONSUMO DE ENERGIA NO BRASIL
                O Brasil possui um potencial energético privilegiado se comparado com outros países. As possibilidades de aproveitamento hidrelétrico e a obtenção de energia utilizando a biomassa como fontes primárias são grandes, e a produção de petróleo e gás natural vem aumentando gradualmente. Da oferta interna de energia no Brasil, 45,4% são obtidos de fontes renováveis. Essa é uma das proporções mais altas do mundo muito superior à média mundial, de 12,9%.
                A partir da década de 1980 tem havido uma tendência à redução da dependência externa de energia no Brasil, apesar do crescimento do consumo, principalmente de 1995 em diante.
Brasil: Dependência externa de energia:
Ano
%
1970
25
1975
45
1980
27
1985
20
1991
25
1997
23
2000
20
2003
12
2008
10
Em 2008, o Brasil apresentou uma dependência de exportação de 10,4% do total da energia consumida no país, destacando as importações de gás natural da Bolivia e de energia elétrica do Paraguai, que é sócio do Brasil na usina de Itaipu. Para atingir a autossuficiência energética são necessários investimentos na produção, transporte e distribuição, além de modernização dos sistemas de transporte urbano, de cargas e da produção industrial visando a diminuição de consumo nesses setores.
                O consumo de energia no Brasil está assim distribuído: petróleo e derivados 37,3%; etanol 16,6%; hidráulica e eletricidade 13,9%; lenha 11,4%; gás natural 10,2%; carvão mineral 5,7%;urânio 1,5%; outras 3,4%.

Petróleo
                Somente em 1938 foi perfurado o primeiro poço de petróleo no Brasil na bacia sedimentar do Reconcavo baiano. Em 1953, apoiado em sua politica nacionalista, o então presidente Getúlio Vargas cria a Petrobrás e instituiu o monopólio estatal  na extração, transporte e refino do petróleo no Brasil. Esse movimento de cunho nacionalista, sob o slogam o “petróleo é nosso” questionava o domínio estrangeiro no  setor. O monopólio foi exercido até 1995. A partir de então o Estado passou a ter o direito de contratar empresas privadas ou estatais, tanto nacionais quanto estrangeiras, que queiram atuar no setor. Em 1997 foi criada a Agencia Nacional do Petróleo (ANP), uma autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia com a atribuição de regular, contratar e fiscalizar as atividades ligadas ao petróleo e gás natural no Brasil. Ações como licitações, exploração, importação, exportação, transporte, refino, política de preços, reajustes e controle de qualidade, entre outras atribuições, são conduzidas pela ANP, cujo presidente é indicado pelo ministro de Minas e Energia e empossado após seu nome ser aprovado pelo Congresso Nacional.
                Em 2009, a Petrobrás possuía 15 refinarias, 11 delas localizadas no Brasil, 1 nos EUA, 1 no Japão e 2 na Argentina. Desde 2006 o país importa apenas pequenas quantidades de derivados que não são produzidos internamente. Em caso de nova crise mundial no setor petrolífero, o Brasil estará sujeito a menos adversidades, já que a produção brasileira é suficiente para abastecer o mercado interno. A eliminação da dependência em relação ao exterior resultou no aumento da produção interna nas ultimas décadas, principalmente a descoberta de uma importante bacia petrolífera, a Bacia Sedimentar de Campos (RJ); essa bacia é responsável por mais de 80% da produção nacional. Em 2008, a Petrobrás anunciou a descoberta de enormes reservas de petróleo e gás natural na cama pré-sal da Bacia de Santos (SP). Segundo estimativas, essa bacia pode conter mais de 30 bilhões de barris, o que coloca o país como detentor de uma das maiores reservas mundiais de petróleo. As descobertas na Bacia de Santos se confirmadas deverão colocar o Brasil no mesmo patamar dos grandes produtores mundiais.
 
Gás Natural
                O gás natural é a fonte de energia que vem apresentando as maiores taxas de crescimento na participação em nossa matriz energética. Entre 1998 e 2008 praticamente triplicou. O Rio de Janeiro é o maior produtor, seguido do Amazonas, mas há uma parcela considerável que é importada da Bolívia. O gás natural vem substituindo principalmente derivados de petróleo, como o gás liquefeito de petróleo (GLP) e o óleo combustível na indústria, o óleo diese e a gasolina nos transportes e vem sendo usado na geração de termeletricidade em usinas construídas nos últimos anos ao longo de 7198 km de gasoduto existentes no país.

Carvão Mineral
                O carvão encontrado em território brasileiro acha-se em uma fase menos avançada de transformação geológica. Não é usado na siderurgia, porque possui alto teor de enxofre e sua queima libera menos energia que o necessário para essa atividade, om que leva as empresas a importarem. Até 1990, as companhias siderúrgicas eram obrigadas a utilizar uma mistura de 50% de carvão nacional e 50% de carvão importado.  Com a revogação dessa obrigação, as empresas passaram a consumir somente o importado, cuja qualidade é superior, e a produção nacional de carvão mineral foi bastante reduzida. Embora existam jazidas de carvão em vários estados da federação, elas são muito pequenas e espessas. Apenas no RS, SC e PR as camadas de carvão apresentam viabilidade econômica para a exploração.

ENERGIA ELÉTRICA
                Em 2008, o Brasil contava com 1768 usinas para a produção de energia elétrica em operação. Desde total 706 eram hidrelétricas de diversos tamanhos, e 1042 eram térmicas utilizando gás, natural, biomassa e óleo combustível, duas eram nucleares e uma solar. Há também usinas de energia eólica, com destaque ao Ceará e Rio Grande do Sul, mas essas usinas eólicas são responsáveis apenas por 0,3% da eletricidade produzida no país. Entretanto, há a tendência de crescimento do uso dessa fonte de energia limpa e renovável. As usinas hidrelétricas que tem a maior capacidade instalada de produção no país são responsáveis por 74% da energia elétrica gerada. O restante é produzido pelas termelétricas, instaladas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, aproveitando a disponibilidade de carvão mineral existente na região. Há também concentração de termelétricas nas regiões que utilizam a biomassa como o etanol como São Paulo. O maior potencial hidrelétrico instalado no Brasil est[a na bacia do rio Paraná, onde, 72% da disponibilidade já foi aproveitada. Em seu rio principal localiza-se a usina de Itaipu. Já o maior potencial hidráulico do país se localiza na bacia do Amazonas, onde somente 1% foi aproveitado.

OS BIOCOMBUSTIVEIS
                Em 2008, a biomassa foi a segunda principal fonte de energia do Brasil, com participação de 31,5% na nossa matriz energética, superada apenas pelo petróleo e seus derivados.  O país dispõe de várias espécies de plantas oleaginosas que podem ser usadas na produção de biodiesel, com destaque para mamona, palma, girassol, babaçu, soja e algodão e é o segundo maior produtor de etanol no mundo.


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