quinta-feira, 27 de junho de 2013

O SEPARATISMO NA REGIÃO DO CÁUCASO E NOS BÁLCÃS

Na década de 1990, ao mesmo tempo em que muitos Estados se empenhavam em fazer acordos de cooperação e maior integração econômica, social e política entre si, em outros ocorreu uma desintegração como o caso da antiga União Soviética e Iugoslávia. Em alguns desses novos países que surgiram se organizaram novos movimentos separatistas de minorias étnicas que também anseia por autonomia, como os chechenos na Rússia, os ossétios e abkhazes na Geórgia e os kosovares na Sérvia. Esses separatismos estão associados a movimentos nacionalistas que buscam o controle de um território e a formação de um Estado soberano. Em alguns desses casos são utilizados métodos terroristas tanto de parte dos grupos minoritários quanto pelo Estado que os oprime.
País pós-URSS
Etnia predominante
Outras etnias
Rússia
Russos 84%
16%
Estônia
Estonianos 65%
35%
Letônia
Letões 49%
51%
Lituânia
Lituanos 80%
20%
Bielorrússia
Bielorrussos 80%
20%
Moldávia
Moldávios 64%
36%
Ucrânia
Ucranianos 73%
27%
Geórgia
Georgianos 69%
31%
Armênia
Armênios 90%
10%
Azerbaijão
Azerbaijanos 78%
22%
Turcomenistão
Turcomanos 59%
41%
Uzbequistão
Uzbeques 89%
11%
Tadjiquistão
Tadjiques 59%
41%
Quirguistão
Quirguizes 48%
52%
Cazaquistão
Cazaques 40%
60%
                A principio pode parecer que os movimentos nacionalistas estão na contramão da História, já que a tendência do mundo globalizado é de crescente integração. Entretanto, antes da independência, a limitação da soberania desses povos era imposto pelo controle politico exercido por Moscou ( na então URSS, cujo governo era controlado pelos russos) e por Belgrado na antiga Iugoslávia, cujo poder central era exercido pelos sérvios. Coma fragmentação houve um rearranjo territorial. No caso da URSS, gerou 15 novos Estados independentes, onde geralmente a maioria étnica dá nome ao país. O que faz dessas novas nações, Estados multiétnicos. A própria Rússia continua sendo um país multiétnico, sujeito a movimentos separatistas, como o que ocorre na Chechênia, uma república localizada no Cáucaso, uma região extremamente diversificada do ponto de vista étnico e religioso. Por exemplo, os chechenos são mulçumanos e os russos são cristãos ortodoxos. A Guerra da Chechênia (1994-1996) ocorreu porque o governo russo não reconheceu o movimento nacionalista checheno que buscava a libertação de seu território e atacou militarmente os separatistas. Conflitos voltaram a ocorrer no final de 1999, resultando em nova intervenção de Moscou e em nova guerra. Desde então, o conflito está em estado latente e os guerrilheiros chechenos vem cometendo atentados terroristas contra alvos russos. O pior deles ocorrido em 2004 ocuparam uma escola de uma pequena cidade e fizeram reféns os estudantes, professores e funcionários. Depois de três dias sem acordo as forças russas invadiram a escola resultando na morte de 336 reféns, a maioria de crianças e de 30 terroristas. Na Geórgia também há movimentos separatistas: os ossétios (Ossétia do Sul) e abkhazes (Abkhazia) que lutam pela independência politica e são apoiados pela Rússia. Em 2008, houve um conflito armado entre a Rússia e a Geórgia no qual as tropas russas invadiram a Ossétia do Sul para desalojar tropas georgianas que tinham ocupado a província separatista.
                A antiga Iugoslávia é outro exemplo importante de país multiétnico que se fragmentou e nesse caso de forma violenta. A independência das antigas repúblicas iugoslavas foi marcada por sangrentas guerras étnica ao longo dos anos 1990 como a Guerra da Croácia, da Bósnia e de Kosovo. Assim, a Iugoslávia se fragmentou em várias novas nações: Croácia e Eslovênia, de maioria católica; Sérvia, Montenegro e Macedônia de maioria de cristãos ortodoxos e Bósnia-Herzegovina (muçulmanos e cristãos ortodoxos). A ainda o conflito em Kosovo (maioria muçulmano) que oficialmente pertence à Sérvia e lutam por sua independência. .(Adaptado de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira. Geografia Geral e do Brasil 2, p.90-94).


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