quinta-feira, 23 de maio de 2013

LUTA PELA LIBERDADE NA CHINA NAS MÍDIAS SOCIAIS

Quando falamos em mídia na China, devemos considerar que os veículos de comunicação são estatais e públicos, dependem do Estado e do forte mercado chinês. Porém, o governo controla todo o conteúdo veiculado em seus meios de comunicação comprometendo a liberdade de imprensa e de acesso à informação. Por outro lado, a China não tem conseguido controlar o fluxo de informações e protestos publicados nas mídias sociais e em blogs independentes.
Segundo a legislação do estado comunista de economia aberta, as autoridades chinesas podem prender os jornalistas e manifestantes em qualquer região do país e a qualquer momento. A Internet tem sido considerada o único meio de publicação livre a respeito das questões e problemas enfrentados pela sociedade chinesa, apesar dos bloqueios e restrições ao acesso de alguns sites e plataformas de serviços globais para e-mails, blogs e redes sociais.
Considerando estimativas recentes, a China possui mais de 500 milhões de internautas que já expressam e acessam informações “descartadas” pelos canais de televisão e agências de notícias oficiais e mantidas pelo governo. Questões como más condições de trabalho nas fábricas chinesas, problemas ambientais, repressão à liberdade política e repressão aos movimentos de homosexuais são negligenciados pelas grandes mídias chineses, mas abordados por ativistas virtuais.
Durante a Primavera Árabe, os principais veículos chineses evitaram mencionar ou aprofundar o assunto, o governo chinês temia que a população do país pudesse se inspirar nas revoltas populares eclodidas nos países árabes e iniciar uma revolta política contra o comunismo chinês.
Na tentativa de controlar o acesso à conteúdo pela internet no país, o governo chinês utiliza o Great Firewall, um sistema virtual de censura que bloqueia páginas do Facebook, YouTube e Twitter que se referem à denúncias sociais e políticas relacionadas ao país.
Dentro da própria China, um governo local sempre se esforça para que uma denúncia a respeito de uma poluição hídrica ocorrida na própria cidade não chegue aos ouvidos do governo provincial ou nacional por meio de reclamações públicas nas redes sociais, somente, quando uma determinada poluição atinge cidades vizinhas. Porém, num país super populoso como a China, quando um grupo de pessoas se reúne nas redes sociais para protestar ou cobrar soluções, os grupos representam um conjunto de mais de 1 milhão de pessoas, dependendo da gravidade da situação. Perante o crescimento dos protestos e debates na internet, o governo chinês utiliza a censura prévia e o eufemismo de suas declarações para manter o controle e a calma no país.
Fernando Rebouças.

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