segunda-feira, 20 de maio de 2013

AS MUDANÇAS NO MILITARISMO E NA GUERRA

O poderio militar vem se modernizando a partir da revolução técnico cientifica, pelo menos nos países desenvolvidos, a começar pelos EUA. No lugar de armamentos de destruição em massa, como a bomba atômica, armas químicas e biológicas, etc.; começam a predominar nos dias de hoje as chamadas “armas inteligentes”. Elas consistem na aplicação da informática (chips e programas) e das telecomunicações (satélites, GPS) nas armas, que se tornam mais precisas, atingindo o alvo com maior eficácia. Em vez de exterminar milhões de pessoas de forma indiscriminada, esses armamentos “inteligentes” procuram na medida do possível “dobrar” o inimigo com a destruição de alvos estratégicos como prédios governamentais, aeroportos, meios de comunicação, pontes e estradas, depósitos de armas, etc. Com isso, no lugar da quantidade ou mesmo da força bruta, o mais importante passa ser a qualidade, a tecnologia. Existe dessa forma a necessidade de um número bem menor de militares, porém, mais qualificados, daí a incorporação crescente de mulheres nas Forças Armadas. Assim equipamentos mais tecnológicos e militares mais qualificados e especializados representam um menor desperdício de munição e também menos baixas.

                Na verdade, a maneira como os povos fazem a guerra depende de sua economia e, em especial de sua evolução técnica. Nas sociedades tradicionais agrícolas, as guerras tinham por base a habilidade manual dos soldados. A técnica era precária, e na maioria dos exércitos o pagamento de um soldado era irregular, geralmente em bens e não em dinheiro. O combate era corpo a corpo. As armas com alcance a distancia eram poucas e precárias. Durante milhares de anos, o combate envolvia a matança cara a cara, e as armas como espadas, lanças e machados dependiam da força muscular do soldado. Com a Revolução Industrial e o surgimento da sociedade moderna, passou a existir um novo tipo de guerra, com novos armamentos – fuzis automáticos, metralhadoras, tanques e mais tarde no século XX aviões e, por ultimo, as bombas nucleares. Assim como a produção em massa passou a ser o principio central da produção, a destruição em massa tornou-se o objetivo da guerra. Os exércitos mercenários que predominou até o fim do século XVIII, foram substituídos pelos exércitos profissionais e permanentes, pagos com dinheiro público e teoricamente leais a um patriotismo.  Antes da Revolução Industrial a guerra era um choque entre governantes (reis, imperadores); depois, passou a ser um choque entre nações.

                Hoje, desde a revolução técnica cientifica, a concepção e os instrumentos de guerra começaram a mudar. No lugar de armas de destruição em massa (que ainda existem) passou a se dar mais importância às armas “inteligentes”, que não destroem tudo, apenas alvos selecionados. Este tipo de guerra deverá predominar no século XXI, pelo menos nos conflitos que envolverem países desenvolvidos. A primeira guerra desse tipo foi a Guerra do Golfo. O mundo ficou estupefato com as imagens transmitidas ao vivo pela televisão. Pela primeira vez na História, a tv transmitia ao vivo as imagens de misseis e bombas guiadas procurando e atingindo seu alvo com impressionante precisão. Outra novidade desse tipo de guerra foi o fim das “frentes de batalha”.

                Existe uma mudança na atualidade que coloca o conhecimento, e não mais a força bruta ou a destruição em massa, no centro do poderio militar. Um dos indicadores disso é a informatização: na Guerra do Golfo havia mais de três mil computadores nos Estados Unidos conectados aos computadores e monitores da zona da guerra. No lugar do soldado durão, o importante agora é um soldado técnico com conhecimento de informática. No lugar dos antiquados valores da força bruta e do machismo, a nova guerra valoriza a educação, o conhecimento e a perícia. Assim, como na economia e no mercado de trabalho, em que a necessidade de uma elevada escolaridade é uma exigência cada vez maior, também na guerra isso ocorre. Um pequeno numero de pessoas com conhecimento em tecnologia avançada pode realizar muito mais do que um grande numero de pessoas com as ferramentas da força bruta do passado. Por isso, o serviço militar obrigatório em muitos países vem sendo substituído pelo recrutamento de pessoas, principalmente aquelas com ensino médio e com curso superior, que vão encarar isso como uma profissão remunerada e não mais um serviço obrigatório.

A Guerra Cibernética

                O ciberespaço ou espaço virtual tornou-se fundamental na guerra, por causa da enorme importância militar dos computadores e suas redes para a circulação de informações ou ordens, para ligar aviões aos navios ou as bases locais de apoio, e estes aos centros estratégicos localizados no país de origem, etc.  a informação hoje é fundamental para o sucesso da guerra. Basta lembrar os satélites que detectam o deslocamento de tropas inimigas, ou a localização de depósitos de armamentos, por exemplo. Geralmente estas informações circulam por redes de computadores, através de fios ou do que é mais comum, de ondas ou espectros de satélites ou de rádios. Tentar invadir essas redes, seja para descobrir segredos, seja para inutiliza-la é o objetivo do que se chama hoje de guerra cibernética.

                As Armas Nucleares

                As armas de destruição em massa, que mataram milhares ou milhões de pessoas de forma indiscriminada, como as armas nucleares, químicas ou biológicas estão sendo progressivamente banidas ou proibidas. Existem inúmeros tratados internacionais, todos criados nas ultimas décadas, que procuram eliminar a fabricação e o uso de armas químicas (substâncias e gases tóxicos ) e biológicas (vírus, bactérias criadas em laboratório). Os armamentos nucleares não foram totalmente banidos, mas existe uma tentativa de controla-los, de impedir novas fabricações e novos testes e, ao mesmo tempo, uma tentativa de diminuir as ogivas que existem nos países que já produziram.

Arsenal de Bombas Nucleares pelo Mundo
PAÍS
Nº DE OGIVAS
Estados Unidos
10.600
Rússia
8.000
China
400
França
350
Inglaterra
200
Israel
200
Índia
60
Paquistão
40
Coreia do Norte
2(?)

Existe assim o chamado clube atômico, ou seja, o conjunto de países que dispõem de bombas nucleares. Toda esse arsenal nuclear oferece o risco de uma guerra nuclear sem a participação de uma grande potência, algo inimaginável até a década de 1980. Isso quer dizer que até a guerra entre países pobres, algo infelizmente comum, em alguns caso no Oriente Médio, no sul e no leste da Ásia, poderão utilizar armamentos nucleares, o que muito perigoso para toda a humanidade e para o meio ambiente planetário, pois pode causar uma destruição sem precedentes. Ainda mais que a manutenção dessas ogivas nucleares nos países mais pobres é deficitária e muitas vezes não confiável. (Adaptado de José W. Vesentini. Geografia: o mundo em transição 1, p. 169-174).

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