sexta-feira, 3 de maio de 2013

O PODERIO MILITAR

Com o fim da URSS e da Guerra Fria, muitos afirmaram que a nova ordem mundial seria unipolar, com a existência de apenas uma única superpotência militar, os EUA. Porém, outros argumentam que o poder econômico e tecnológico nos dias de hoje é mais importante do que o poder militar e, nesses termos, o mundo conheceria uma ordem multipolar, pois União Europeia, China e Japão possuem fortes economias e alto padrão tecnológico. Do ponto de vista militar não há duvida de que a única potencia em condições de agir com eficiência sobre todo o globo terrestre atualmente são os EUA. Mas do ponto de vista econômico e tecnológico existem rivalidades e também uma cooperação ou integração entre vários polos ou centros mundiais de poder.

                O poderio militar, ao que parece, teve sua importância diminuída nas ultimas décadas. O importante passou a ser o poderio econômico e tecnológico. Mas uma grande potencia mundial deve também ter grande capacidade de defesa e até de intervenção, pois sempre há riscos de invasões e conflitos armados entre os Estados. Muitas vezes, os Estados tentam resolver uma crise por meio de uma guerra, que sempre une o povo, inclusive as oposições, contra o inimigo comum. Também existem os interesses econômicos como o controle das fontes de energia e de matérias-primas, essenciais para a produção de um país.  Mas essa necessidade de certo de poderio militar não significa que uma grande potencia mundial deva concentrar seus gastos em recursos bélicos.

                Geralmente uma potencia começa sua hegemonia pelo poderio econômico, seguido pelo militar. Esse ultimo sempre foi dependente da economia. Em geral que tem mais fábricas, tem mais recursos econômicos e tecnológicos e acaba por possuir uma força armada bem mais equipada. De acordo com essa norma, o Japão, principalmente e a Alemanha deveriam investir mais em militarismo, pois já são potencias econômicas e tecnológicas. Contudo, a dois elementos complicadores a esse respeito: primeiro, vivemos em uma época em que a humanidade pode se autodestruir, algo que nunca existiu no passado; segundo, já ficou evidente que gastos militares excessivos reduzem o dinamismo da economia.

                A Europa e o Japão talvez se acomodem e permaneçam dependentes do poderio militar estadunidense para resolver ameaças ao sistema global, como a invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990; as matanças e destruição na antiga Iugoslávia; a Guerra de Kosovo em 1998 e os atentados terroristas de 2001; etc. essas ameaças incomodam e unem os países desenvolvidos. Talvez os Estados Unidos como dizem alguns tenham se tornado o “xerife” do mundo desenvolvido, assumindo papel ativo nos conflitos militares. A Europa e o Japão, em contrapartida, contribuem com vultuosos recursos financeiros e, eventualmente, com algumas tropas.

                Em 1990, por exemplo, os EUA lideraram um cerco econômico e militar ao Iraque, que invadiu o Kuwait. A intervenção estadunidense foi rápida e eficaz (apoiada pelos países aliados) e teve dois motivos principais: impedir que o Iraque dominassem os poços de petróleo do Kuwait e o preço desse produto subisse, pois o Kuwait é um dos maiores exportadores mundiais; o outro foi mostrar ao mundo que o fim da ordem bipolar e da Guerra Fria não significava, como se pensou por algum tempo, uma ausência de ordem, uma vácuo de poder no qual não haveria nenhuma potencia mundial pronta para manter um certo equilíbrio internacional. Nessa ação, houve uma associação: os EUA entraram com seus soldados e equipamentos bélicos; enquanto a Europa e o Japão contribuíram com bilhões de dólares.

                Em todo caso, esse acordo tácito, pode não perdurar por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde, a Europa vai unificar as suas forças armadas e dispor também de uma capacidade de ação militar em todo o globo. O Japão de fato já começou, há alguns a investir mais recursos no militarismo, pois o país esta cada vez mais apreensivo com a expansão econômica e militar da China, um adversário milenar na Ásia, e mais cedo ou mais tarde também deverá reconstruir e modernizar suas forças armadas. (Adaptado de José W. Vesentini. Geografia: o mundo em transição 1, p. 167-169).

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