quinta-feira, 2 de maio de 2013

6. A CONCENTRAÇÃO E A DESCONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL BRASILEIRA

Todos os elementos indispensáveis para o processo de industrialização do Brasil estavam concentrados no Centro-Sul do país, principalmente em São Paulo. A industrialização brasileira ocorreu de fato nessa unidade da federação. A cidade de São Paulo também foi muito beneficiada pela sua posição geográfica. Localizada na porção oriental do estado, no planalto e próxima a Serra do Mar, constituindo-se em passagem obrigatória para o porto de Santos, o mais importante do país desde o final do século XIX, ela cresceu bastante com o comércio do café.  No século XIX esse comércio criou uma eficiente infraestrutura de ferrovias necessárias ao escoamento da produção cafeeira  até o porto de exportação, e todas essas ferrovias passavam pela capital paulista. Dessa forma, os serviços públicos da cidade expandiram-se muito, como a iluminação pública, o sistema de água e esgoto, pavimentação das ruas, etc. A atividade industrial aproveitou, portanto, uma série de condições favoráveis criadas na cidade de São Paulo: mão-de-obra, mercado consumidor, eletricidade, transporte, sistema bancário. Essa concentração da produção industrial  brasileira em São Paulo iniciou-se no inicio do século XX e estendeu-se até por volta da década de 1970. Nesta década o estado de São Paulo concentrava 57,2% da produção industrial de todo o país. Para se ter uma ideia dessa concentração, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul juntos tinham 28% da produção, ou seja, a metade da produção paulista.
                Entretanto, a partir da década de 1970, começou ocorreu uma relativa desconcentração industrial no Brasil, com o decréscimo relativo de São Paulo e o crescimento maior em outras unidades da federação. Porém, isso não quer dizer que houve uma regressão na atividade industrial paulista, mas um maior ritmo de crescimento em outros estados. Essa desconcentração está relacionada a uma série de fatores. Os especialistas apontam como maior fator da desconcentração industrial a  deseconomia de escala, que ocorre quando uma aglomeração se torna desfavorável ás novas localizações de empresas por causa dos custos elevados dos impostos, segurança, terrenos demasiadamente caros, congestionamento frequentes no transito, muita poluição, maiores custos com alimentação e moradia (o que implica maiores salários), etc. em suma, deseconomia significa que o estado de São Paulo, e principalmente a Grande São Paulo, tornou-se muito dispendioso para a implantação de novas indústrias.
                Outro fator que contribuiu para esse processo de desconcentração industrial no Brasil é a chamada guerra fiscal. Estas são vantagens oferecidas por outras cidades e unidades da federação, cujos governos promovem incentivos variados para atrair as empresas como terrenos baratos ou até doados; isenção de alguns impostos durante vários anos; instalação elétrica e de água, asfalto, telefonia, etc. Tudo isso compensas as despesas com transportes, por exemplo, para o escoamento da produção. Mas por causa dessas enormes vantagens, muitos questionam se essa guerra fiscal trás de fato benefícios à população, já que segundo eles, essas empresas se instalariam em algum lugar de uma maneira ou outra. E com essa “guerra” o poder público deixa de arrecadar volumosos recursos que poderiam ser gastos na saúde, educação ou na segurança. Além disso, acaba por sobrecarregar de impostos o consumidor.

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