sexta-feira, 26 de abril de 2013

O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL

A industrialização do Brasil começou no final do século XIX, tendo se intensificado a partir dos anos de 1930. Os fatores indispensáveis para a modernização do Brasil foi à abolição da escravatura e a consequente expansão do trabalho assalariado, a imigração e a expansão do mercado consumidor, as exportações de café e os capitais que elas geraram.

                Foi apenas no final do século XIX que a escravidão acabou no Brasil, período em que também se aceleraram a vinda de imigrantes e a expansão da relação de trabalho assalariado. Isso tudo foi indispensável para a expansão industrial do país. Antes havia apenas algumas indústrias isoladas, muito artesanato e algum crescimento manufatureiro, mas não industrialização. Isso porque a própria existência da escravidão, que era o sustentáculo da economia brasileira, impedia a evolução industrial.

                A escravidão dificultava a modernização tecnológica do trabalho, a aquisição de máquinas, pois a compra de escravos era um investimento alto e feito à vista, antes mesmo que eles começassem a trabalhar. Além disso, a evolução tecnológica pressupõem a especialização do trabalhador, e não convinha aos proprietários educar e especializar seus escravos. Além disso, o escravo não constituía um mercado consumidor, já que não tem dinheiro e vive do que o dono lhe fornece, geralmente o indispensável para sobreviver e trabalhar.

                A relação do trabalho assalariado apresenta efeitos contrários à escravidão no que se refere à modernização tecnológica, à expansão da maquinaria. O trabalhador recebe salário o que faz dele uma parcela do mercado consumidor de bens industrializados. Ou seja, com o trabalhador assalariado, o mercado consumidor se amplia, o que favoreceu o processo de industrialização brasileiro. Outro fator importante para esse processo foi à imigração. Os imigrantes foram os primeiros trabalhadores assalariados no Brasil, os primeiros operários da indústria nascente, e aumentaram o mercado consumidor do país, pois já tinham o hábito de adquirir bens industrializados nos seus países de origem.

                Como a industrialização brasileira foi tardia, pois começou com o prazo de mais de um século em relação aos países líderes da Revolução Industrial, as máquinas utilizadas e a tecnologia não foram produzidas internamente, mas importadas daqueles países que já as desenvolviam há mais de um século, principalmente a Inglaterra. Isso significa que não ocorreu aqui a passagem do artesanato para a manufatura. A atividade fabril começou já em sua forma moderna ( para época). E os estabelecimentos comerciais já nasceram com o grande porte para época. Porém, a necessidade de importar máquinas e tecnologia deixou o Brasil dependente dos países desenvolvidos.

                Para importar as máquinas e a tecnologia era preciso capital. A lavoura cafeeira era a principal atividade econômica do país nesse período, o que fazia dos fazendeiros e dos comerciantes os detentores do capital. Mas, para que esses investissem na indústria, deixando de aplicar seus capitais na expansão das lavouras cafeeira, eram necessárias condições favoráveis. Essas condições surgiram com as crises de exportações de café. Isso aconteceu devido a Primeira Guerra Mundial, que acabou por impulsionar o crescimento industrial no Brasil. Isso aconteceu porque os países compradores do café brasileiro pararam de comprar o produto, pois canalizaram suas receitas para as despesas com a guerra. Como o Brasil não conseguia vender, também não conseguia importar os produtos industrializados, já que as indústrias europeias estavam se dedicando a produção bélica. Esses fatos tornaram interessante o investimento de capitais nas indústrias de produção de bens como alimentos, roupas, móveis, bebidas e outras. Assim, pode-se afirmar que a industrialização brasileira teve, até o final da Segunda Guerra Mundial, caráter substitutivo: ela foi um processo de industrialização de substituição de importações. Tratou-se de produzir internamente bens que eram importados dos países desenvolvidos.

                Após a Segunda Guerra Mundial e principalmente a partir da década de 1950, esse processo de industrialização adquire novo caráter: as empresas estadunidenses, europeias e japonesas começam a se internacionalizar, tornam-se multinacionais e começam a se instalar fortemente no Brasil. O Estado passa, então, a associar-se ao capital estrangeiro, além de criar um grande número de empresas estatais. Nessa segunda metade do século XX, a industrialização no Brasil deixa de ser feita essencialmente com capitais privados em razão da expansão das multinacionais. Também, nesse período se expandiram no país as indústrias de bens intermediários e bens de capital.(Adaptado de José William Vesentini. Geografia: o mundo em transição 3, p.25-29).

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