terça-feira, 16 de abril de 2013

ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL

Taylorismo

                                             Em 1911, o engenheiro Frederick W. Taylor publicou o livro “Os princípios da administração cientifica”, no qual defendia a implantação de um sistema de organização cientifica do trabalho. Consistia basicamente em controlar os tempos e os movimentos dos trabalhadores e fracionar as etapas do processo produtivo, de forma que o operário desenvolve-se tarefas especializadas e repetitivas, com o objetivo de aumentar a produtividade no interior das fábricas. Esses novos procedimentos organizacionais aplicados às indústrias ficaram conhecidos como taylorismo.
Fordismo

                                             O industrial estadunidense Henry Ford inovou os métodos de produção conhecidos em sua época ao por o taylorismo em prática em sua empresa, a Ford Motor Company. A partir de 1913 desenvolveu seu próprio método de racionalização da produção ao introduzir esteiras rolantes nas linhas de montagem dos automóveis: as peças chegavam até os operários que, parados, executavam sempre as mesmas tarefas referentes à produção de cada parte do carro.
                                             Porém, o fordismo distinguiu-se do taylorismo por apresentar uma visão abrangente da economia, não ficando restrito as mudanças organizacionais no interior das fábricas. Ford percebeu que a produção em grande escala exigia consumo em massa, o que pressupunha produtos mais baratos e salários mais altos aos trabalhadores. Para viabilizar a produção fordista era fundamental criar um novo arranjo socioeconômico a fim de garantir a expansão capitalista. A intervenção do Estado na economia, nos moldes do keynesianismo, foi à solução encontrada. Esse novo arranjo assentava-se no c0ombate ao desemprego e no constante aumento dos salários.
                                             Com os rendimentos em ascensão, os trabalhadores podiam consumir cada vez mais. Dessa forma, os empresários obtinham maiores lucros, pois os aumentos salariais eram compensados com os crescentes aumentos da produtividade e do consumo. O Estado por sua vez, arrecadava mais impostos com a expansão econômica. Estavam criadas as condições para a melhoria do padrão de vida dos trabalhadores e para o desenvolvimento da sociedade de consumo, nas décadas seguintes, especialmente após a Segunda Guerra Mundial. A elevação das receitas dos Estados permitiu que os governos, sobretudo nos países desenvolvidos ocidentais, implementassem uma ampla rede de proteção social. A partir dos anos 1950, com a ascensão ao poder dos partidos socialdemocratas, socialistas e trabalhistas, consolidou-se em vários países, o Estado de bem-estar social.
                                             Assim, o modelo fordista-keynesiano criou as condições para o crescimento continuo das economias capitalista do pós-guerra, principalmente nos países desenvolvidos. Nesse período que se estendeu por mais de 30 anos, ocorreram as maiores conquistas sociais e trabalhistas nos países industriais. Essa onda de crescimento econômico foi interrompida em meados nos anos 1970. A produtividade não crescia em ritmo suficiente para atender os aumentos salariais e a elevação dos custos do Estado de bem-estar. A crise foi agravada pela crise do petróleo de 1973 e 1979 que inflacionaram os preços. Com essas crises houve uma tendência da redução da taxa de lucro das empresas e o modelo fordista foi posto em xeque. Para superar essa situação, os governos começaram a implantar novas politicas econômicas e as empresas promoveram transformações tecnológicas e organizacionais que levariam a um novo modelo de produção.
A Produção Flexivel

                                             Como resposta a crise do modelo de produção fordista, as empresas passaram a introduzir máquinas e equipamentos tecnologicamente mais avançados, como os robôs e novos métodos de organização da produção. Essas inovações implantadas no sistema produtivo, particularmente, nos países desenvolvidos, ficaram conhecidas como produção flexível, em contraposição a rigidez do modelo fordista, e permitiram uma nova fase de expansão para muitas empresas. Muitos também chamam essas inovações de toyotismo, porque começaram a ser desenvolvidas nas fábricas da Toyota Motor Company, em Toyota City, no Japão. O desenvolvimento dessa nova organização da produção tem gerado novas relações de trabalho, novos processos de fabricação e novos produtos. A palavra de ordem passa a ser competitividade e, para aumenta-la, as empresas buscam incessantemente racionalizar a produção, cortando custos e implantando novos processos produtivos nas indústrias. Tudo isso, visando aumentar seus lucros.
                                             A economia de escala, desenvolvida no interior das grandes fábricas rígidas é gradativamente substituída pela economia de escopo, desenvolvida em plantas menores e flexíveis. Nesta, a produção passa a se descentralizar. Ao mesmo tempo dissemina-se a prática da terceirização, que consiste em repassar para outras empresas atividades de suporte, como limpeza, segurança, alimentação, etc. Outra inovação da produção flexível são os círculos de controle de qualidade (CCQ). Nesse sistema, a linha de produção típica do modelo fordista é substituída por equipes de trabalho ou células de produção, nas quais cada equipe fica encarregada de todo o processo produtivo. Esse fator reduziu significativamente os defeitos de fabricação, pois tal controle passou a ser feito por toda a equipe ao longo do processo produtivo e, não apenas no final. Além disso, foram introduzidas no processo produtivo máquinas cada vez mais sofisticadas. No inicio, elas desempenhavam as tarefas mais repetitivas ou as mais perigosas e insalubres, mas com o passar do tempo, começaram a substituir cada vez mais os operários.
                                             Com a crescente automação das fábricas, muitos operários passaram a trabalhar em outros setores, como os de serviços; outros perderam seus postos de trabalho. Com essas mudanças, o mercado de trabalho tem exigido trabalhadores cada vez mais qualificados, mais versáteis, com capacidade de aprendizagem permanente e mais envolvidos com a sua profissão. .(Adaptado de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira. Espaço geográfico e globalização 2, p.135-140).



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