terça-feira, 30 de abril de 2013

GOLFO DO MÉXICO

É denominado Golfo do México (em espanhol: Golfo de México; em inglês: Gulf of Mexico) a bacia oceânica que margeia boa parte das Américas do Norte e Central. O Golfo do México constitui o nono maior corpo d’água no mundo e é conhecido como o “Mediterrâneo das Américas”. Seus limites a norte são os estados norte-americanos da Flórida, Alabama, Mississippi, Louisiana e Texas; a oeste, temos mais cinco estados mexicanos: Tamaulipas, Veracruz, Tabasco, Campeche e Iucatã; e finalmente, a sudeste, está a ilha de Cuba. Medindo cerca de 1600 km de leste a oeste e 560 km de norte a sul, a região do golfo abrange cerca de 600 mil km², uma área maior que a do estado de Minas Gerais.
A bacia do golfo se assemelha a um grande poço com uma borda larga e rasa. De fato, cerca de 38% de suas águas são rasas. Já as águas da plataforma continental (de menos de 200 m) e do talude continental (entre 200-3000 m) representam 22% e 20%, respectivamente, sendo que as áreas mais profundas (de cerca de 3.000 m) compreendem os 20% restantes. A região de maior profundidade é o chamado Deep Sigsbee, localizado no quadrante sudoeste, que contém pontos que atingem até 4.384 m. A bacia contém um volume total de 2.434 mil quilômetros cúbicos de água (6.43 x 1017 ou 643 quatrilhões de litros). As regiões litorâneas do Golfo do México, são bastante populares na prática de todo o tipo de esporte aquático, alimentando uma indústria turística de vinte bilhões de dólares. Além das atividades de lazer, o comércio também é explorado em grande escala. O porto de South Louisiana (em Nova Orleans) e o de Houston (no Texas) estão entre os dez portos mais movimentados do mundo, considerando seu volume de carga. Abaixo dos dez maiores, a área do golfo do México abriga ainda sete portos marítimos de grande escala.
Acredita-se que o golfo do México foi formado há aproximadamente 300 milhões de anos atrás. Apesar das várias teorias sobre o mecanismo exato de sua formação, hoje prevalece a ideia de que o processo se deu a partir da subsidência do fundo do mar. O movimento das águas do golfo se inicia a partir do estreito de Iucatã, a sudoeste, e faz um movimento circular, numa espécie de “loop” através do estreito da Flórida, formando assim a chamada Corrente do Golfo, que muitas vezes dá origem a redemoinhos ou ainda a ciclones, que frequentemente irão afetar a região sul dos Estados Unidos.
Emerson Santiago.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL

A industrialização do Brasil começou no final do século XIX, tendo se intensificado a partir dos anos de 1930. Os fatores indispensáveis para a modernização do Brasil foi à abolição da escravatura e a consequente expansão do trabalho assalariado, a imigração e a expansão do mercado consumidor, as exportações de café e os capitais que elas geraram.

                Foi apenas no final do século XIX que a escravidão acabou no Brasil, período em que também se aceleraram a vinda de imigrantes e a expansão da relação de trabalho assalariado. Isso tudo foi indispensável para a expansão industrial do país. Antes havia apenas algumas indústrias isoladas, muito artesanato e algum crescimento manufatureiro, mas não industrialização. Isso porque a própria existência da escravidão, que era o sustentáculo da economia brasileira, impedia a evolução industrial.

                A escravidão dificultava a modernização tecnológica do trabalho, a aquisição de máquinas, pois a compra de escravos era um investimento alto e feito à vista, antes mesmo que eles começassem a trabalhar. Além disso, a evolução tecnológica pressupõem a especialização do trabalhador, e não convinha aos proprietários educar e especializar seus escravos. Além disso, o escravo não constituía um mercado consumidor, já que não tem dinheiro e vive do que o dono lhe fornece, geralmente o indispensável para sobreviver e trabalhar.

                A relação do trabalho assalariado apresenta efeitos contrários à escravidão no que se refere à modernização tecnológica, à expansão da maquinaria. O trabalhador recebe salário o que faz dele uma parcela do mercado consumidor de bens industrializados. Ou seja, com o trabalhador assalariado, o mercado consumidor se amplia, o que favoreceu o processo de industrialização brasileiro. Outro fator importante para esse processo foi à imigração. Os imigrantes foram os primeiros trabalhadores assalariados no Brasil, os primeiros operários da indústria nascente, e aumentaram o mercado consumidor do país, pois já tinham o hábito de adquirir bens industrializados nos seus países de origem.

                Como a industrialização brasileira foi tardia, pois começou com o prazo de mais de um século em relação aos países líderes da Revolução Industrial, as máquinas utilizadas e a tecnologia não foram produzidas internamente, mas importadas daqueles países que já as desenvolviam há mais de um século, principalmente a Inglaterra. Isso significa que não ocorreu aqui a passagem do artesanato para a manufatura. A atividade fabril começou já em sua forma moderna ( para época). E os estabelecimentos comerciais já nasceram com o grande porte para época. Porém, a necessidade de importar máquinas e tecnologia deixou o Brasil dependente dos países desenvolvidos.

                Para importar as máquinas e a tecnologia era preciso capital. A lavoura cafeeira era a principal atividade econômica do país nesse período, o que fazia dos fazendeiros e dos comerciantes os detentores do capital. Mas, para que esses investissem na indústria, deixando de aplicar seus capitais na expansão das lavouras cafeeira, eram necessárias condições favoráveis. Essas condições surgiram com as crises de exportações de café. Isso aconteceu devido a Primeira Guerra Mundial, que acabou por impulsionar o crescimento industrial no Brasil. Isso aconteceu porque os países compradores do café brasileiro pararam de comprar o produto, pois canalizaram suas receitas para as despesas com a guerra. Como o Brasil não conseguia vender, também não conseguia importar os produtos industrializados, já que as indústrias europeias estavam se dedicando a produção bélica. Esses fatos tornaram interessante o investimento de capitais nas indústrias de produção de bens como alimentos, roupas, móveis, bebidas e outras. Assim, pode-se afirmar que a industrialização brasileira teve, até o final da Segunda Guerra Mundial, caráter substitutivo: ela foi um processo de industrialização de substituição de importações. Tratou-se de produzir internamente bens que eram importados dos países desenvolvidos.

                Após a Segunda Guerra Mundial e principalmente a partir da década de 1950, esse processo de industrialização adquire novo caráter: as empresas estadunidenses, europeias e japonesas começam a se internacionalizar, tornam-se multinacionais e começam a se instalar fortemente no Brasil. O Estado passa, então, a associar-se ao capital estrangeiro, além de criar um grande número de empresas estatais. Nessa segunda metade do século XX, a industrialização no Brasil deixa de ser feita essencialmente com capitais privados em razão da expansão das multinacionais. Também, nesse período se expandiram no país as indústrias de bens intermediários e bens de capital.(Adaptado de José William Vesentini. Geografia: o mundo em transição 3, p.25-29).

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Assembleia Popular Nacional da China

Na China, a APN (Assembleia Popular Nacional) ou Congresso Nacional do Povo é referente ao Congresso Nacional daquele país, sendo responsável pela legislação da República Popular da China. A APN, apesar de sua importância, convive com a concentração de poder do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista.
Segundo a Constituição, a APN é o supremo órgão do poder de Estado". O Partido Comunista Chinês determina o nível de participação da APN que, na prática, deixou de ser um poder simbólico legislativo para mediar as aprovações do Partido Comunista Chinês. Geralmente, a APN aprova todos os projetos do governo. As reuniões da Assembleia ocorrem no Grande Salão do Povo, em Beijing.
Em março de 2013, o 3.000 delegados da assembleia aprovaram os nomes dos quatro vice-primeiros-ministros, incluindo o de uma mulher de 67 anos, Liu Yandong. O mais jovem indicado, Wang Yang, nascido em 1955, foi líder do PCC (Partido Comunista Chinês) ma província Guangdong. Essa província é a mais popular do país com cerca de 105 milhões de habitantes.
Na assembleia, o novos vice-primeiros-ministros foram aprovados por mais  de 97% dos 2.952 delegados que participaram no escrutínio, e dois deles  (Zhang Gaoli e Wang Yang) obtiveram 99,5% e 99,1% respectivamente. As reuniões gerais da APN costumam ser anuais para indicação de ministros e presidentes do país.
Em 2012, Wang Yi se tornou no novo ministro dos Negócios Estrangeiros. Xi Jinping se tornou no novo secretário-geral do PCC e no novo Presidente da República do país, sucedendo Hu Jintao, e Li Keqiang. Considerando o modelo político instituído nos anos  1990, a liderança chinesa será encabeçada por Xi Jinping e Li  Keqiang pelos próximos dez anos.
Atualmente, a China é a segunda maior economia do mundo, a primeira é os EUA. Para o ano de 2013, o país planejou a meta de crescimento de 7,5%, o FMI (do Fundo Monetário Internacional) prevê um crescimento da economia chinesa de 8% para o ano.  Ao assumir a presidência, Xi Jinping prometeu um governo limpo e  mais eficiente.
Fernando Rebouças

terça-feira, 23 de abril de 2013

PARTES DE UM VULCÃO


 Geralmente o vulcão é constituído pelas seguintes partes:
Cone ou edifício vulcânico – É a montanha formada pelas sucessivas erupções, que provocaram o acúmulo de materiais sólidos, tais como cinzas e lavas petrificada oriundas do interior da Terra. O cone tem forma afunilada, terminada na cratera.
Cratera – Boca afunilada que se forma devido às explosões que ocorrem na fase inicial da atividade, é a parte côncava situada no topo do cone e está ligada a cratera ao ponto de origem do vulcão.
Chaminé ou conduto – Abertura ou fenda através da qual os materiais são expelidos do interior da Terra para superfície, ligando a cratera ao ponto de origem do vulcão.
Caldeira ou câmara magmática - Bolsões profundos preenchidos pelo magma em encandeceste ebulição.
Durante as erupções são expelidos materiais gasosos, líquidos e sólidos. Muitas vezes o material gasoso é expelido junto com partículas sólidas(cinzas), que podem atingir quilômetros de altura. Outras vezes, podem formar fumarolas, nuvens densas e opacas que deslizam pelos do vulcão, formando as nuvens ardentes, cuja temperatura pode atingir 1000ºC, queimando tudo que encontram.
Entre os gases expelidos em maior quantidade acham-se os gases sulfurosos, com forte cheiro de enxofre, hidrogênio e grande quantidade de vapor d’água(80 a 95% do total).
A parte líquida é constituída pelas lavas, material magmático, em estado de fusão, devido às altas temperaturas, superior a 1000 ºC, que se deslocam pelos lados do cone vulcânico. Muitas vezes, ao solidificar, as lavas formam colunas prismáticas, cujo exemplo mais significativo é a denominada "Calçada dos gigantes", na Irlanda.
A matéria sólida ou piroclástico, constitui-se de pedaços das paredes das chaminés, da base do vulcão, ou mesmo pedaços de lava resfriada ao ser lançada para o alto através da atmosfera, conhecidas como pedra pomes.
A cinza é a mais comum dos materiais sólidos. Juntamente com os fragmentos, as cinzas podem causar grandes catástrofes, soterrando de cidades, quando se depositam em camadas de grande espessura, como aconteceu no ano de 79 d.C, quando inesperadamente o monte Vesúvio entrou em erupção e suas cinzas soterrou as cidades de Pompéia e Herculano do antigo império Romano.
Sob a crosta terrestre, a uma profundidade de 30 a 70 Km, existe uma camada de rochas, composta de silício e magnésio, e por isso chama-se Sima. A uma temperatura de mais ou menos 1330ºC e sob enormes pressões, essa camada de rocha mantém-se constantemente em estado pastos (magma). As enormes pressões ainda provocam fendas na crosta, pelas quais o magma pode aflorar à superfície da Terra.
Não se sabe ao certo o que impele o magma para cima. Supõe-se que seja a pressão ou gases ou do peso da crosta.
No próprio depósito de magma, origina-se a chaminé, uma das partes que compões o edifício do vulcânico. É uma espécie de funil por onde passa os materiais de erupção. Estes vão Ter á cratera coca afunilada que se forma nas primeiras explosões do vulcão. Fica geralmente no topo da montanha vulcânica, parte externa do vulcão, em formato de cone. Nem todos os vulcões tem cone. Na ausência deste, a lava e os materiais de erupção são expelidos através de uma fenda solo.
Mas também existem alguns vulcões que apresentam duas ou mais crateras que são chamadas de crateras secundárias e outros apresentam, além da cratera principal, fissuras ou rachaduras no solo por onde saem fumarolas e lava.
As maiores erupções vulcânicas e mais explosivas lançam dezenas a centenas de quilômetros cúbicos de magma sobre a superfície da Terra. Quando um grande volume de magma é removido de baixo de um vulcão, o solo abaixa ou se desmorona no espaço esvaziado, forma uma depressão enorme chamada caldera.
Algumas caldeiras estão a vários quilômetros de profundidade medindo mais de 25 quilômetros de diâmetro. A caldeira agora preenchida pelo Lago da Cratera –Crater Lake, no estado americano do Oregon foi produzido por uma erupção que destruiu um vulcão do tamanho do Monte Sta. Helens e sua cinza vulcânica enviada ao leste distante como Nebraska.
 
 


ORDEM MUNDIAL

Uma ordem mundial em geopolítica significa uma correlação de forças no plano internacional, ou seja, o equilíbrio mundial de poder entre os Estados nacionais.
                Apesar de um Estado-nação ter soberania sobre o seu território, isto na prática não se configura em autossuficiência. Os Estados dependem um do outro, como no fornecimento de recursos e produtos. Outro fato é que os Estados são diferentes entre si. Uns apresentam enormes populações, outros são pouco povoados; uns tem imensos territórios nos quais há muitas riquezas naturais, outros possuem territórios pequenos e como poucos recursos. Existem Estados que possuem economia desenvolvida, boas condições de vida para a sua população e poderio militar, enquanto muitos outros tem economias precárias, baixa qualidade de vida para a sua população e poderio militar frágil. Isto tudo significa que existe uma hierarquia de Estados, com alguns extremamente  poderosos denominados de grandes potências e, outros sem poder e influência. É essa hierarquia dos Estados juntamente com o alinhamento dos mais frágeis com outros mais fortes que constitui a correlação de forças em uma ordem mundial.
               Uma ordem mundial não é algo definitivo, ela se altera com o tempo devido às transformações geopolíticas. Dessa forma, uma ordem mundial é transitória, podendo ser basicamente de três tipos. Uma ordem unipolar é quando um Estado exerce o poder mundial de forma exclusiva. Esta ordem é muito difícil de acontecer. A ordem mundial bipolar se apresenta quando duas nações exercem o papel de protagonistas no cenário mundial, sendo os outros Estados alinhados as suas politicas. Este é o caso do período denominado de Guerra Fria (1945-1989), onde o mundo estava dividido em dois blocos: o capitalista, liderado pelos EUA; e o socialista, liderado pela URSS. Esses dois países eram as grandes potências econômica, politica e militar desse período. Os interesses ideológicos de proposta de mundo dessas potencias eram antagônicos, o que caracteriza a bipolaridade. Por último, temos a ordem mundial multipolar. Isso quer dizer que existem três ou mais potencias mundiais exercendo poder e influencia no mundo. Após o fim da Guerra da Fria, com o fim do bloco socialista e por consequência o fim da ordem bipolar no final do século XX, uma nova ordem mundial começou a se configurar.
                Nessa nova ordem mundial os EUA seriam o grande vencedor da Guerra Fria, pois com a queda do socialismo, o capitalismo predomina como sistema socioeconômico no mundo. Entretanto, a economia estadunidense tem concorrência forte da União Europeia, do Japão e da China. Este último provavelmente se tornará a maior potencia econômica do mundo nas próximas décadas. Este crescimento econômico de outros Estados e o enfraquecimento da economia dos EUA justificaria uma nova ordem multipolar. Porém, alguns autores falam numa nova ordem unipolar, pois na questão militar não existiria concorrentes para os EUA. Uma outra linha defende que essa nova ordem mundial seria unimultipolar, isto é, no aspecto militar existe apenas uma única potencia que é capaz de atuar em várias frentes pelo globo. Contudo, no aspecto econômico e tecnológico que é o mais importante atualmente, existem vários centros mundiais de poder: EUA, União Europeia, Japão e China.( Adaptado de José William Vesentini. Geografia: o mundo em transição 1, p.145-152).

segunda-feira, 22 de abril de 2013

BRASIL TEM MAIS MÉDICOS

O relatório do estudo “Demografia Médica no Brasil”, elaborado por pesquisadores da Faculdade de Medicina (FMUSP) da USP, mostra que apesar do número de médicos ter crescido 557% nos últimos 40 anos no País, chegando a dois profissionais para cada 1.000 habitantes, sua distribuição pelo território nacional é cada vez mais irregular, concentrando-se principalmente nas capitais das regiões sudeste e sul. O levantamento, divulgado em 18 de fevereiro na sede do Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília, também descreve o perfil e a distribuição dos médicos especialistas.
“O estudo contou os médicos de várias formas, ao confrontar bases e fontes distintas, segundo o registro nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), contratos formais de trabalho, cadastro e ocupação em estabelecimentos de saúde”, afirma o professor Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, que coordenou a pesquisa. O Brasil possui atualmente 400 mil médicos. De 1970, quando havia 59 mil médicos, até hoje, houve um salto de 557%. No mesmo período a população brasileira cresceu 101%. A partir do ano 2000 houve um saldo de crescimento 6 a 8 mil médicos por ano, devido a entrada (novos registros) ser maior que a saída (aposentadorias, mortes etc). “A idade média é 46 anos e 41% dos médicos têm menos de 40 anos, com perspectiva de longevidade profissional. É também uma profissão cada vez mais feminina, tendência irreversível desde 2009”, destaca o professor.
A região sudeste alcança 2,7 médicos por 1.000 habitantes. Quem mora na região sul e sudeste conta com duas vezes mais médicos que os habitantes do norte, nordeste e centro oeste (excluindo o Distrito Federal). “Quem vive em alguma capital conta com duas vezes mais médicos que os que moram em outras regiões do mesmo estado”, conta Scheffer. “A diferença entre os extremos, morador do interior de um estado do norte, nordeste, e centro oeste, e o residente de uma capital do sul ou sudeste, é de quatro vezes, no mínimo”.
Quem tem plano de saúde no Brasil conta com pelo menos quatro vezes mais médicos à disposição do que quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). “A persistência e a intensidade das desigualdades de distribuição demonstram que apenas o aumento global do quantitativo de médicos pode não garantir a disponibilidade de médicos nos locais, nas especialidades e nas circunstâncias em que hoje há carência de profissionais”, enfatiza o professor. “Há necessidade de mudanças substantivas nos rumos do sistema de saúde, a começar pela solução do subfinanciamento público, pelo balanço crítico do processo de privatização da gestão do SUS e de seu impacto sobre os recursos humanos, e pela regulação mais eficiente do mercado de planos de saúde.”
Movimentação dos médicos
Em 2012, 197 escolas médicas ofertavam aproximadamente 17 mil vagas. Mais de 180.000 médicos não concluiu programa de Residência Médica ou não tem título de especialista. “É um cenário preocupante de deterioração do ensino de graduação e da falta de vagas na Residência para todos os egressos de cursos de Medicina”, diz Scheffer. Sete especialidades concentram mais da metade dos profissionais titulados, sendo que quatro áreas básicas (Pediatria, Ginecologia e Obstetricia, Cirurgia Geral e Clínica Médica) tem 37% dos médicos.
O levantamento sobre a movimentação espacial dos médicos – onde nasceram, onde se formaram e onde atuam hoje – sugere que a localização dos cursos de medicina não é fator determinante de fixação dos médicos ali graduados. “A maioria deles termina por se fixar nos grandes centros por certo em busca de oportunidades de emprego, melhores salários, condições de trabalho, formação, crescimento profissional e condições de vida para a família”, alerta o professor da FMUSP.
A maior parte dos médicos formados fora do Brasil — tanto brasileiros quanto estrangeiros — se instala nas maiores cidades, especialmente no sudeste. “É um indício de que eventuais flexibilidades de revalidação de diplomas poderão não surtir o efeito desejado de suprir definitivamente locais hoje desprovidos de médicos”. O estudo também constatou que a concentração dos médicos acompanha a existência de serviços de saúde e de outros profissionais, principalmente de dentistas e enfermeiros.
“A configuração das estruturas e dos equipamentos de saúde, o atrativo das condições coletivas de exercício profissional, a oferta de emprego e renda, jogam a favor da instalação dos profissionais de saúde nos grandes centros”, ressalta o professsor. “O levantamento lança novo olhar sobre as especialidades médicas ao cruzar bases de dados antes incomunicáveis e ao incorporar a segunda e a terceira escolha dos especialistas”. O foi patrocinado pelo CFM e o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CRM-SP). O estudo na íntegra pode ser acessado no site www.portalmedico.org.br.
Publicado originalmente no site Agência USP.(Júlio Bernardes).


sexta-feira, 19 de abril de 2013

OS IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS PELA INDÚSTRIA

As economias capitalistas tiveram, do pós guerra até meados da década de 70, uma das fases de maior expansão e transformações da estrutura produtiva, sob a égide do setor industrial. Essa expansão foi liderada por dois grandes subsetores: o metal-mecânico (indústria de automotores, bens de capital e do consumo duráveis) e a química (especialmente a petroquímica).
A rápida implantação da matriz industrial internacional no Brasil internalizou os vetores produtivos da químico-petroquímica, da metal-mecânica, da indústria de material de transporte, da indústria madeireira, de papel e celulose e de minerais não-metálicos todos com uma forte carga de impacto sobre o meio ambiente.
De maneira geral, e abstraindo as características de cada ecossistema, o impacto do setor industrial sobre o meio ambiente depende de três grandes fatores: da natureza da estrutura da indústria em distintas relações com o meio natural; da intensiva e concentração espacial dos gêneros e ramos industriais; e o padrão tecnológico do processo produtivo- tecnologias de filtragem e processamento dos efluentes além do reaproveitamento econômico dos subprodutos.
A industrialização maciça e tardia incorporou padrões tecnológicos avançados para base nacional, mas ultrapassados no que se refere ao meio ambiente, com escassos elementos tecnológicos de tratamento, reciclagem e reprocessamento.
Enquanto o Brasil começa a realizar ajustes no perfil da indústria nacional, a economia mundial ingressa em um novo ciclo de paradigma tecnológico. Ao contrário da industrialização do pós-guerra, altamente consumidora de recursos naturais - matérias - primas, "commodities" e energéticos, o novo padrão de crescimento tende a uma demanda elevada de informação e conhecimento com diminuição relativa do "consumo" de recursos ambientais e de "produção" de efluentes poluidores.
WWW.TRABALHOSESCOLARES/GEOGRAFIA.


terça-feira, 16 de abril de 2013

GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO

Durante os anos 70 teve início um fenômeno chamado pelos especialistas de Terceira Revolução Industrial. Nesse processo, a informática tornou-se mais popular, além do impulso no que se refere ao desenvolvimento das comunicações e da microeletrônica. Dentro deste panorama, as informações começaram a ser difundidas de forma cada vez mais rápida por meio de redes de computadores, fibra óptica e satélites ao redor do planeta.
Não somente o setor da comunicação progrediu, assim como os transportes. Com isso, empresas multinacionais expandiram-se por vários lugares. Aproveitando-se das condições econômicas que outros países ofereciam, tais como impostos menores e grande quantidade de mão de obra, essas empresas desenvolveram-se. Desta forma, foi criado o conceito de globalização, que, segundo o iDicionário Aulete, significa “processo que conduz a uma integração cada vez mais estreita das economias e das sociedades, especialmente no que diz respeito à produção e troca de mercadorias e de informação”. Exemplos claros deste fenômenos são as redes de fast-food norteamericanas espalhadas em países subdesenvolvidos da América Latina, a presença de companhias de aviação de vários países ao redor do mundo e a inclusão de palavras estrangeiras em idiomas regionais.
Para justificar essa nova fase da economia mundial, que se tornou mais forte nos anos 80 após o colapso da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e a abertura dos países comunistas, vem à tona o conceito de neoliberalismo, um discurso econômico e político que indica uma economia com liberdade absoluta de mercado e restrições a intervenções do Estado na economia, sendo que este só poderia se manifestar quando fosse imprescindível.
Duas personalidades políticas de países desenvolvidos foram essenciais para a expansão do neoliberalismo: Ronald Reagan (EUA) e Margaret Thatcher (Inglaterra). Após um primeiro momento de prática neoliberalista nestes países, seus fundamentos começam a ser transferidos para a América Latina e a região oriental da Europa. Um órgão importante neste processo foi o FMI - Fundo Monetário Internacional -, levando o neoliberalismo a um nível de hegemonia em escala global com suas pressões econômicas.
Entre as principais características do neoliberalismo da época, destacam-se a retração do Estado de Bem-Estar Social, readaptação de direitos trabalhistas aos interesses empresariais, privatização de inúmeras empresas geridas pelo Estado e desregulamentação de mercados. Até mesmo governos historicamente reconhecidos por características de esquerda e trabalhista, acabaram optando por receitas de cunho neoliberal. Apesar da redução da inflação e dos gastos sociais, o desemprego e a desigualdade social continuaram a crescer.
Felipe Araújo


ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL

Taylorismo

                                             Em 1911, o engenheiro Frederick W. Taylor publicou o livro “Os princípios da administração cientifica”, no qual defendia a implantação de um sistema de organização cientifica do trabalho. Consistia basicamente em controlar os tempos e os movimentos dos trabalhadores e fracionar as etapas do processo produtivo, de forma que o operário desenvolve-se tarefas especializadas e repetitivas, com o objetivo de aumentar a produtividade no interior das fábricas. Esses novos procedimentos organizacionais aplicados às indústrias ficaram conhecidos como taylorismo.
Fordismo

                                             O industrial estadunidense Henry Ford inovou os métodos de produção conhecidos em sua época ao por o taylorismo em prática em sua empresa, a Ford Motor Company. A partir de 1913 desenvolveu seu próprio método de racionalização da produção ao introduzir esteiras rolantes nas linhas de montagem dos automóveis: as peças chegavam até os operários que, parados, executavam sempre as mesmas tarefas referentes à produção de cada parte do carro.
                                             Porém, o fordismo distinguiu-se do taylorismo por apresentar uma visão abrangente da economia, não ficando restrito as mudanças organizacionais no interior das fábricas. Ford percebeu que a produção em grande escala exigia consumo em massa, o que pressupunha produtos mais baratos e salários mais altos aos trabalhadores. Para viabilizar a produção fordista era fundamental criar um novo arranjo socioeconômico a fim de garantir a expansão capitalista. A intervenção do Estado na economia, nos moldes do keynesianismo, foi à solução encontrada. Esse novo arranjo assentava-se no c0ombate ao desemprego e no constante aumento dos salários.
                                             Com os rendimentos em ascensão, os trabalhadores podiam consumir cada vez mais. Dessa forma, os empresários obtinham maiores lucros, pois os aumentos salariais eram compensados com os crescentes aumentos da produtividade e do consumo. O Estado por sua vez, arrecadava mais impostos com a expansão econômica. Estavam criadas as condições para a melhoria do padrão de vida dos trabalhadores e para o desenvolvimento da sociedade de consumo, nas décadas seguintes, especialmente após a Segunda Guerra Mundial. A elevação das receitas dos Estados permitiu que os governos, sobretudo nos países desenvolvidos ocidentais, implementassem uma ampla rede de proteção social. A partir dos anos 1950, com a ascensão ao poder dos partidos socialdemocratas, socialistas e trabalhistas, consolidou-se em vários países, o Estado de bem-estar social.
                                             Assim, o modelo fordista-keynesiano criou as condições para o crescimento continuo das economias capitalista do pós-guerra, principalmente nos países desenvolvidos. Nesse período que se estendeu por mais de 30 anos, ocorreram as maiores conquistas sociais e trabalhistas nos países industriais. Essa onda de crescimento econômico foi interrompida em meados nos anos 1970. A produtividade não crescia em ritmo suficiente para atender os aumentos salariais e a elevação dos custos do Estado de bem-estar. A crise foi agravada pela crise do petróleo de 1973 e 1979 que inflacionaram os preços. Com essas crises houve uma tendência da redução da taxa de lucro das empresas e o modelo fordista foi posto em xeque. Para superar essa situação, os governos começaram a implantar novas politicas econômicas e as empresas promoveram transformações tecnológicas e organizacionais que levariam a um novo modelo de produção.
A Produção Flexivel

                                             Como resposta a crise do modelo de produção fordista, as empresas passaram a introduzir máquinas e equipamentos tecnologicamente mais avançados, como os robôs e novos métodos de organização da produção. Essas inovações implantadas no sistema produtivo, particularmente, nos países desenvolvidos, ficaram conhecidas como produção flexível, em contraposição a rigidez do modelo fordista, e permitiram uma nova fase de expansão para muitas empresas. Muitos também chamam essas inovações de toyotismo, porque começaram a ser desenvolvidas nas fábricas da Toyota Motor Company, em Toyota City, no Japão. O desenvolvimento dessa nova organização da produção tem gerado novas relações de trabalho, novos processos de fabricação e novos produtos. A palavra de ordem passa a ser competitividade e, para aumenta-la, as empresas buscam incessantemente racionalizar a produção, cortando custos e implantando novos processos produtivos nas indústrias. Tudo isso, visando aumentar seus lucros.
                                             A economia de escala, desenvolvida no interior das grandes fábricas rígidas é gradativamente substituída pela economia de escopo, desenvolvida em plantas menores e flexíveis. Nesta, a produção passa a se descentralizar. Ao mesmo tempo dissemina-se a prática da terceirização, que consiste em repassar para outras empresas atividades de suporte, como limpeza, segurança, alimentação, etc. Outra inovação da produção flexível são os círculos de controle de qualidade (CCQ). Nesse sistema, a linha de produção típica do modelo fordista é substituída por equipes de trabalho ou células de produção, nas quais cada equipe fica encarregada de todo o processo produtivo. Esse fator reduziu significativamente os defeitos de fabricação, pois tal controle passou a ser feito por toda a equipe ao longo do processo produtivo e, não apenas no final. Além disso, foram introduzidas no processo produtivo máquinas cada vez mais sofisticadas. No inicio, elas desempenhavam as tarefas mais repetitivas ou as mais perigosas e insalubres, mas com o passar do tempo, começaram a substituir cada vez mais os operários.
                                             Com a crescente automação das fábricas, muitos operários passaram a trabalhar em outros setores, como os de serviços; outros perderam seus postos de trabalho. Com essas mudanças, o mercado de trabalho tem exigido trabalhadores cada vez mais qualificados, mais versáteis, com capacidade de aprendizagem permanente e mais envolvidos com a sua profissão. .(Adaptado de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira. Espaço geográfico e globalização 2, p.135-140).



segunda-feira, 15 de abril de 2013

MORTE DAS ESTRELAS

Durante milênios, o homem acreditou que as estrelas eram eternas, no entanto, assim como os seres vivos, elas nascem e morrem. Em 1054, os chineses haviam registrado uma “estrela visitante” que, depois de alguns meses, não foi mais observada, desapareceu dos céus. Atualmente, na mesma posição os astrônomos encontram os restos de uma estrela, o resto de uma supernova hoje referida como nebulosa do Caranguejo.
Nebulosa planetária
Recentemente, a NASA, por meio dos telescópios Spitzer e Wise; e o Instituto de Tecnologia da Califórnia, através do Galaxy Evolution Explorer, detectaram a estrela anã branca “NGC 7293”, referida como Nebulosa da Hélice, em processo de falecimento.
A nebulosa foi observada a 650 anos-luz da Terra, situada na Constelação de Aquário. Ao ser descoberta ainda no século XVIII, os observadores da época a categorizaram como uma nebulosa planetária por ser parecida com um planeta gasoso. As nebulosas planetárias já eram conhecidas, mas hoje sabe-se que as nebulosas planetárias são restos de estrelas que um dia irradiavam luz como o sol.
Na maioria dos casos, essas estrelas, antes de se tornarem nebulosas, tiveram planetas e cometas em sua órbita. Ao deixar de queimar seu hidrogênio e explodir suas camadas exteriores, os seus planetas se chocaram uns com os outros e num processo de expansão houve uma tempestade de poeira cósmica.
Dependendo do tipo de estrela e de sua grandeza, uma estrela pode morrer bilhões de anos depois de nascer. A respeito do nosso Sol, acredita-se que o mesmo cumprirá seu tempo de vida assim como as demais estrelas. A teoria indica que a morte do sol será iniciada quando o seu núcleo não tiver mais hidrogênio, nessa fase o Sol se contrairá sob o peso da gravidade, havendo fusão de hidrogênio somente nas camadas superiores.
Nesse processo a temperatura da estrela se eleva nas camadas superiores gerando a expansão de sua matéria, posteriormente, a estrela se torna numa gigante vermelha com raios além da órbita da Terra. O hélio existente em seu núcleo se transformará em carbono, e o núcleo se resfriará, logo, somente restará uma nebulosa planetária.
Fernando Rebouças

quarta-feira, 10 de abril de 2013

CRISE DOS ESTADOS E ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

Com o advento da globalização da revolução técnico-cientifica, o Estado nacional vive um declínio, mesmo que relativo. Ele ainda é preponderante nas relações internacionais e provavelmente ainda manterá este status durante o século XXI. Mas o Estado já divide uma boa parte de seu poder com outras organizações e instituições: o mercado global, as instituições financeiras, os mercados regionais, as empresas multinacionais, organizações internacionais e ONGs.
                Mesmo dentro do Estado, no que se refere as sociedades democráticas, existe uma progressiva descentralização do poder, dando mais ênfase para as questões locais. Cada vez mais as organizações e comunidades locais acumulam poderes. Isso vem acontecendo, porque na verdade, o Estado está muito distante das pessoas. Hoje a maior parte da população esclarecida quer opinar e participar das decisões nas localidades em que vivem. Assim,  os poderes locais aumentam a sua influencia em detrimento do poder central, isto é, o Estado nacional. Essa inverção de poder também ocorre devido a falta de muitos Estados em atender as necessidades de sua população.
                Por outro lado existem as organizações supranacionais, em que as fronteiras estão cada vez mais abertas, como por exemplo, a União Europeia. Os Estados que se associam a este tipo de organização tem de levar em conta as normas de conduta estabelecidas em comum. A globalização aumentou a mobilidade das pessoas e o patriotismo já não é tão importante. Uma empresa multinacional, por exemplo, está interessada em seus lucros e não em interesses políticos do seu país de origem. Assim, como os trabalhadores estão cada vez mais interessados em suas carreiras, interesses pessoais e familiares, mesmo que isso entre em choque com os interesses de seu Estado nacional.
As Organizações Internacionais
                A ONU –Organização das Nações Unidas – inclui praticamente todos os países, com raras exceções. Com o fim da Guerra Fria e da ordem bipolar, a ONU se tornou uma organização mais ativa. Ela vem se fortalecendo em consequência da globalização, da interdependência cada vez maior dos Estados e até mesmo dos problemas comuns da humanidade. Antes, a atuação da ONU estava limitada sobre os problemas mundiais devido a interferência das superpotências (EUA e URSS). No entanto, ainda existem problemas que interferem numa atuação mais ampla da organização. Seu principal órgão é o Conselho de Segurança que tem o poder de decisão sobre os diversos conflitos no mundo e é formado por 15 membros, dez deles provisórios com mandatos de dois anos e cinco permanentes (Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, França e China) que possuem o chamado direito de veto, isto é, tem o poder de não concordar com qualquer decisão tomada pelo Conselho. A ONU atua em vários segmentos. Confira no quadro abaixo alguns deles:

OIT
Organização Internacional do Trabalho
FAO
Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Fome
UNESCO
Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura
OMS
Organização Mundial da Saúde
BIRD
Banco Mundial de Desenvolvimento
OMC
Organização Mundial do Comércio

                Outra organização internacional importante é o G-7 (bem mais restrito que a ONU) é constituído das sete maiores economias do mundo desenvolvido: Estados Unidos, Canadá, Japão, Inglaterra, Alemanha, França e Itália. Porém, é preciso salientar que o conceito de riqueza é relativo. Existem populações como da Noruega, Suécia, Suiça e Holanda que tem um padrão de vida bem melhor que a população destes países. Mas para o G-7, o importante é a produção total e não per capta. Mas aí também, alguns de seus membros não figuram mais entre as sete maiores economias, foram ultrapassados por exemplo pela China e pelo Brasil.        Em 1997, surge o G-8 que é constituído dos membros do G-7 mais a Rússia, um Estado considerado importante devido ao seu arsenal nuclear e influencia geopolítica. Assim, o G-7 se reúne para discutir questões econômicas internacionais e, o G-8 para tratar de questões politicas mundiais.
                Outras organizações mundiais importantes são:

OTAN
Organização do Tratado do Atlântico Norte
BRIC
Sigla que reúno os principais países emergentes do mundo atual: Brasil, Rússia, Índia e China.
OPEP
Organização dos Países Exportadores de Petróleo
UE
União Europeia
OEA
Organização dos Estados Americanos

                Um outro aspecto importante, tanto nas sociedades nacionais como nas questões internacionais, é o chamado Terceiro Setor. Ele é formado por movimentos ou organizações privadas sem fins lucrativos que tem como objetivo lutar por uma causa ou promover a expansão cultural, politica ou econômica de um local ou do setor para o qual atuam. Cooperativas, clubes, associações, igrejas e principalmente as ONGs são exemplo do terceiro setor. Atualmente existem milhares de ONGs que atuam em centenas de países nos mais diversificados setores como educação, meio ambiente, saúde, assistência social, política, etc. a expansão das ONGs representa mais um indicador do enfraquecimento do Estado, pois grande parte do que eles propõem ou realizam deveria ser preocupação e ação das próprias instituições públicas. (Adaptado de José William Vesentini. Geografia: o mundo em transição 1, p.154-159).

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Disputa entre China e Japão em 2012

Em setembro de 2012, ficou acirrada a disputa ente Japão e China pela posse de ilhas desabitadas situadas entre o mar dos dois países. A ilhas Diaoyu (para os chineses) e Senkaku (para os japoneses) são desabitadas e são reivindicadas pelos dois países. Até 2012, estavam  sob controle do Japão.
No dia 17 de setembro, os protestos se intensificaram em ambos os países, principalmente, na China, onde as empresas japonesas Canon e Panasonic suspenderam suas atividades. As empresas japonesas decidiram suspender suas atividades na China por temer ataques da população.
As ruas da cidade de Shenzen, China, foram tomadas por manifestantes que são contra a venda das ilhas para os japoneses. Em Shenzen, o protesto popular destruiu um hotel; em Zhuhai, carros japoneses foram destruídos. Porém, em Pequim, os protestos foram pacíficos.
As montadoras de carro Nissan, Honda e Toyota também paralisaram as atividades para garantir a segurança de seus funcionários. A fábrica da Panasonic instalada na cidade chinesa de Qingdao foi incendiada.
Apesar de quase três dias de atividades suspensas, nenhum funcionário japonês foi retirado da China. Entre os dias 16 e 17 de agosto, além de fábricas e concessionárias de carros, manifestantes chineses atingiram lojas e restaurantes, forçando os japoneses radicados no país a se esconderem e a Fast Retailing, rede asiática de moda, a fechar seus negócios na China.
Em nível diplomático, a iniciativa do Japão de nacionalizar as ilhas do mar do Leste da China incomodou o governo chinês, as ilhas são alvo de disputas entre os dois países há décadas, em determinado período da história, até Taiwan já participou da disputa.
O Japão resolveu nacionalizar as ilhas para que o governador de nacionalista de Tóquio não as comprasse para a construção de novas instalações, fator que incomodaria ainda mais o governo chinês.
Logo após a nacionalização japonesa das ilhas, a China enviou seis navios militares para patrulhar a região. O arquipélago de Senkaku, assim batizado pelos japoneses, comtém reservas de gás. Além dos navios militares, mais de 1.000 barcos pesqueiros chineses navegaram em direção ao arquipélago.
Fernando Rebouças


terça-feira, 2 de abril de 2013

ANGOLA

País situado na costa ocidental da África, ex- colônia de Portugal , Angola adquiriu sua independência em 1975. A capital do país é Luanda. É o segundo maior produtor de petróleo e exportador de diamante da África subsaariana, 65 % do petróleo angolano provém de Cabinda.
O termo Angola é derivado do vocábulo bantu “N´gola”, termo que intitulava os governantes de uma região a leste de Luanda, no século XVI. Nesta época iniciou-se o estabelecimento de portos comerciais portugueses nos tempos de colônia.
Na fase colonial, o país chegou ser invadido pelos holandeses, expulsos pela exposição do luso-brasileiro Salvador Correia de Sá em 1648. De 1961 a 2002, o país viveu tempos de conflitos políticos e civis contra o domínio português e entre a guerra civil que se instaurou entre os partidos de Angola em 1975.
A política era acirradamente dividida entre três grupos : Movimento Popular de Libertação de Angola, União Nacional pela Independência Total de Angola, e Frente Nacional de Libertação de Angola.
O país é divido em 18 províncias, cujos governadores são nomeados pelo presidente. Angola segue a Lei Constitucional de 1992 , que determina a estrutura de poder e direitos e deveres do cidadão.
Antes da era colonial, os angolanos usavam colares e conchas como meio de troca comercial. A moeda vigente é o Kwanza sob a lei 11/99 , circulando em notas de Kz 1,00 ; Kz 5,00; Kz 10,00; Kz 50,00; e Kz 100,00.
Fernando Rebouças

segunda-feira, 1 de abril de 2013

UMA LUTA DE FOICES E ARMAS

A violência no campo já deixou centenas de vítimas no país nos últimos anos - e as mortes se acumulam de ambos os lados, tanto entre fazendeiros e seus capatazes como entre os sem-terra. Entre 1985 e 1989, quando a UDR tornou-se nacionalmente conhecida, as mortes chegaram a 640, um recorde. De 1996 até meados de 2003, o saldo foi menor, mas ainda assustador: mais de 200 pessoas morreram no campo. O maior massacre de sem-terra na história do país ocorreu no Pará, estado campeão em confrontos, em Eldorado dos Carajás, em 1996, com 19 mortes e 51 feridos. A violência agrária, porém, não se resume às lutas de foices, facões e balas entre fazendeiros e lavradores. Nos últimos anos, foram registrados roubos, saques, invasão e depredação de propriedades públicas e privadas, seqüestros, extorsões e chantagens.
Em muitos casos, as invasões em áreas que não podem ser desapropriadas acabam com lavouras destruídas, máquinas estragadas e animais mortos. Sob o argumento de que quer pressionar para acelerar a política de assentamento, o MST passou a ocupar prédios públicos, de delegacias de polícia a agências bancárias. Quando a seca despontou no Nordeste, o MST correu para organizar saques a caminhões e armazéns de comida. Em 2000, o movimento decidiu "comemorar" os 500 anos de descobrimento do Brasil com um mutirão de protesto. Seus militantes organizaram invasões de terra em treze Estados. Em 2002, seus militantes realizaram a mais surpreendente ação de sua história, invadindo a fazenda dos filhos do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Arrasaram a despensa e a adega, danificaram colheitadeiras e tratores, mataram galinhas e perus, mexeram em papéis privados. No auge do deboche, deitaram-se na cama do presidente e abriram o guarda-roupa da primeira-dama.
Do lado dos grandes proprietários rurais, o problema é encarado com pistolas e espingardas. O crescimento da tensão no campo e as ameaças de invasão motivaram esse grupo a se armar para repelir as investidas dos sem-terra. A promessa de receber os invasores com balas virou rotina. O chamado às armas não tem adesão unânime dos fazendeiros, mas ainda é ouvido numa escala preocupante. Os defensores desse procedimento dizem ter motivos de sobra para comprar armas: além das costumeiras ocupações de latifúndios improdutivos, há registros de invasões de terras produtivas em vários estados. Alguns fazendeiros dizem ter sido forçados a pagar para ter a autorização para escoar a produção pelos sem-terra que cercavam suas propriedades. O pior desse quadro é o seguinte: quanto mais tempo a reforma agrária demora e mais intensa fica a pressão por sua realização, os riscos para quem mora no campo - com ou sem terra para plantar - invariavelmente aumentam.
Estatísticas
• A violência no campo já deixou centenas de vítimas no país nos últimos anos. Entre 1985 e 1989, quando a UDR tornou-se nacionalmente conhecida, as mortes chegaram a 640, um recorde. De 1996 até meados de 2003, o saldo foi menor, mas ainda assustador: mais de 200 pessoas morreram no campo. O maior massacre de sem-terra na história do país ocorreu em Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996, com 19 mortes e 51 feridos. O comandante da operação policial que culminou no massacre, coronel Mário Colares Pantoja, foi condenado a 228 anos de prisão - 12 anos por cada morte.
• O MST tem 19 anos de história e cerca de 1,5 milhão de afiliados. De acordo com o comando do movimento, cerca de 350.000 famílias foram assentadas até hoje e mais 80.000 vivem em acampamentos organizador pelo grupo. Com 1.800 escolas montadas, o MST tem cerca de 160.000 crianças estudando nos assentamentos, e 19.000 jovens e adultos envolvidos em programas de alfabetização.
• Nos seis meses iniciais do governo Lula, o MST fez 110 invasões em quase todos os Estados, e, nos conflitos ocorridos até agora, já houve dez mortes, mesmo número de vítimas fatais em 2000. No Pará, 40 famílias invadiram 3.000 hectares. Em Mato Grosso, onde 70 fazendas já estão sob ocupação do MST, 300 famílias invadiram outra área. Houve, ainda, ocupações em Minas Gerais e em São Paulo.
• Em sua reunião com Lula, o MST entregou ao governo uma lista com 16 pedidos, entre eles a meta de assentar 1 milhão de famílias até 2006 e 120.000 imediatamente. O governo respondeu propondo assentar 60.000 famílias até o fim do ano, e não quis dizer quantas famílias quer assentar até o fim do mandato. Passados seis meses do primeiro ano de Lula como presidente, o governo assentou 2.534 famílias, menos de 5% da meta de assentamento para o ano.
• Segundo o governo, outras 2.276 famílias devem ser atendidas nos próximos meses nos 80 projetos de assentamento criados no primeiro semestre de 2003. Lula já assinou decretos de desapropriação de 199.000 hectares de terras, que deverão receber 57.000 famílias assentadas. No entanto, falta dinheiro: cada família assentada custa 23.000 reais, e o governo não tem verba para cumprir sua meta até dezembro. O limite de gastos do Ministério do Desenvolvimento Agrário com assentamentos é de 162 milhões de reais, suficiente para 6.956 famílias - pouco mais de 10% do prometido.
• Em entrevista a VEJA, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, afirmou que a prioridade do governo são as 80.000 famílias acampadas no país. Ele diz, porém, que a demanda por terra é muito maior, e pode chegar a 4 milhões de pessoas. Nos últimos anos, os balanços dos números de candidatos na fila por terras do governo mostraram que a conta da reforma agrária nunca fecha: antes da posse de Fernando Henrique havia 40.000 famílias acampadas esperando terra; foram assentadas mais de 600.000, e ainda existem 80.000 na fila.
• Sem contar Lula, Fernando Henrique Cardoso foi o presidente que mais assentou famílias de sem-terra entre os quatro últimos chefes de estado brasileiros. Em seu governo, a média de famílias assentadas foi de 70.000 por ano. Itamar Franco foi o pior, com 11.000 famílias por ano. João Baptista Figueiredo assentou 18.500 famílias por ano; José Sarney, 18.000; e Fernando Collor, 19.000.
• O governo FHC retalhou 18 milhões de hectares, uma área maior que o Uruguai e equivalente a metade do território da Alemanha, e neles assentou 635 000 famílias. Quase 2 milhões de brasileiros receberam terras entre 1995 e 2002. Para isso, o antigo governo FHC gastou 25 bilhões de reais na aquisição de terra e na instalação de assentamentos.
Quem são os religiosos que lutam ao lado do MST
A roda de chimarrão faz parte da paisagem de todo acampamento de sem-terra, em qualquer lugar do país. É em torno do chá-mate que se comemora o sucesso de uma ocupação ou se discute o plantio do feijão e do milho. Entre uma bicada e outra, também é comum ouvir uma pregação. "Dividir o chimarrão é uma lição de como se deve dividir tudo na vida. A terra, o pão", diz o padre Círio Vandresen, 35 anos, num dos três acampamentos que visita por semana no interior de Santa Catarina. Não há grupo de sem-terra que não conte com a supervisão constante de um padre católico. Vandresen é o exemplar típico desse exército de religiosos. "Não sou padre só para rezar. Sou padre para me engajar na luta por justiça. E a coisa mais importante a ser feita pela Justiça no Brasil é a reforma agrária", apregoa. Vandresen é um padre sem paróquia nem residência fixa. Como coordenador da Comissão da Pastoral da Terra, CPT, em Santa Catarina, ele e três assessores percorrem o Estado, dormindo em tendas de lona ou pernoitando em uma paróquia aqui, noutra acolá. O padre já participou diretamente de quinze invasões e, em suas andanças, passou por todos os 293 municípios do Estado.
Não se sabe exatamente quantos padres militam dessa maneira ao lado do MST. A única contabilidade sobre o assunto é a da Pastoral da Terra, à qual estão filiados 700 religiosos. É um grupo, por si só, mais numeroso no país do que ordens católicas tradicionais, como a dos dominicanos. Mas calcula-se que o dobro desse número divida seu tempo entre as atividades regulares nas paróquias e o apoio aos acampamentos do MST e de outros movimentos pela reforma agrária. Não é de se estranhar. O berço do movimento sem-terra e o de boa parte dos padres é o mesmo - as cidades mais pobres do interior dos Estados do Sul.
Segundo uma pesquisa feita em 1998 pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais, Ceris, quase a metade do clero brasileiro veio da Região Sul do país. Dois terços pertencem a famílias de classe baixa ou média-baixa. Enquanto 78% da população brasileira vive nos centros urbanos, 64% do clero tem origem na zona rural. Três em cada quatro padres nasceram em cidades com menos de 20.000 habitantes. Na secretaria da entidade, dos quatro secretários executivos, dois vêm do Rio Grande do Sul, um do Paraná e o outro de Santa Catarina. "Padre gaúcho parece churrascaria. Tem em todo o lugar", diz dom Tomás Balduino, bispo responsável pela CPT, uma exceção na cúpula do movimento - ele é goiano.
A concentração de padres sulistas no movimento pela reforma agrária não é só um dado estatístico e a análise sobre sua origem não é apenas uma curiosidade sociológica. O interesse dos padres da Região Sul pelo Movimento dos Sem-Terra e outros movimentos ligados à reforma agrária é um fenômeno que explica em parte a lógica e a maneira de pensar do próprio MST. O fato de os padres que apóiam o movimento ser originários de famílias de imigrantes, conservadoras e profundamente religiosas, estabelecidas em pequenas propriedades, cria a base para que seus descendentes de batina sejam refratários a modernizações e desconfiados em relação aos mecanismos capitalistas de produção. Esses são alguns fatores que explicam por que estes religiosos defendem com tanto fervor o engajamento ideológico do MST.
No sul do país há padres demais porque persiste um hábito trazido pelos imigrantes europeus no início do século. "Como acontecia no sul da Itália e na Baviera católica, cada família costuma mandar pelo menos um dos filhos para o seminário", explica o filósofo Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, estudioso da história da Igreja no Brasil. É uma maneira barata de garantir educação e emprego a pelo menos um dos rebentos. Com padres demais sendo formados, todos num mesmo caldo de cultura, é natural que eles se associem aos sem-terra, com quem concordam em gênero, número e grau. A família de Vandresen, caçula de onze irmãos, exemplifica o fenômeno. Suas seis irmãs se tornaram freiras. Dos quatro irmãos, três cursaram o seminário (mas não se formaram). Essa contabilidade não surpreende na pequena cidade de Rio Fortuna, a 196 quilômetros de Florianópolis, onde ele nasceu. De lá, desde a II Guerra, saíram 36 padres. Bastante para um município que possui apenas 2.000 habitantes.
Foi a colonização dos imigrantes que fez com que ali, no mesmo caldeirão, se misturassem a religiosidade e os problemas fundiários. Quando chegaram ao Sul, a partir do final do século passado, os lavradores europeus receberam glebas de tamanho razoável. De uma geração para outra, porém, as famílias - muito numerosas - tiveram de dividir a terra em pedaços cada vez menores. Em algumas décadas, o campo ficou pequeno para tanta gente. Uma das conseqüências foi a diáspora de agricultores gaúchos, que partiram para desbravar as fronteiras agrícolas em todos os cantos do país. Outras foram o acirramento da luta pela terra e o aumento do desemprego no campo.
Na década de 60, depois dos ventos liberalizantes do Concílio Vaticano II, os seminários da região passaram a receber padres formados no Seminário para a América Latina, situado em Verona, norte da Itália. Sua influência foi imensa. Lá, os livros da Teologia da Libertação (que, no Brasil, eram proibidos pela ditadura) davam a tônica. "Para entender a situação agrária daqui, líamos Graciliano Ramos e Jorge Amado e assistíamos aos filmes de Glauber Rocha", explica o padre italiano Ermanno Allegri, 54 anos. O modo de pensar desses padres formou toda uma geração de religiosos brasileiros, que por sua vez se espalharam pelo país. O bispo Itamar Vian, gaúcho de Roca Sales, decidiu há quinze anos mudar-se para o Nordeste. Nesse período, deu auxílio direto e indireto a 550 invasões na região de Feira de Santana, na Bahia. "A terra prometida foi uma ocupação", teoriza o italiano Allegri.
Nos últimos anos, o papa João Paulo II bombardeou duramente a Teologia da Libertação, especialmente onde ela ameaçava corroer os dogmas mais importantes da Igreja. Mas deixou que a atividade política dos padres à esquerda subsistisse por um motivo simples. Para Roma, ela é uma maneira de garantir os fiéis da zona rural, onde a Igreja Católica ainda tem predominância tranqüila. "A Igreja sabe que, na cidade, é mais difícil garantir seus fiéis. Há outras religiões. E também os templos de consumo, os shopping centers", teoriza a historiadora Zilda Iokoi, da Universidade de São Paulo, especialista em movimentos sociais. Manter os fiéis longe desses "perigos" também interessa.
Fonte: Revista Veja