sexta-feira, 1 de março de 2013

1.A CONSOLIDAÇÃO DO CAPITALISMO

O capitalismo apresentou grande dinamismo ao longo de sua história e foi se transformando à medida que os desafios à sua expansão foram surgindo. Com o tempo, sobrepôs outros sistemas de produção, até se tornar hegemônico. Considerando seu processo de desenvolvimento, costuma-se dividir o capitalismo em quatro fases: comercial, industrial, financeiro e informacional.

 Capitalismo Comercial
                                             A primeira etapa do capitalismo estendeu-se do fim do século XV até o século XVIII e foi marcada pela expansão marítima das potências econômicas da Europa Ocidental na época (Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda). Nessa época as trocas comerciais proporcionaram grandes acumulo de capitais, por isso a primeira etapa desse novo sistema econômico é chamada de capitalismo comercial. A economia nesse período funcionava de acordo com a doutrina mercantilista. O mercantilismo defendia a intervenção do Estado na economia e o protecionismo. Seus objetivos principais era fortalecer o Estado e aumentar a riqueza nacional via acumulo de  metais preciosos e obtenção de superávits na balança comercial. Durante a fase mercantilista do capitalismo a exploração das colônias proporcionou grande acumulo de capitais nos países europeus. Esse acumulo inicial de capitais foi fundamental para a eclosão da Revolução Industrial e o inicio de uma nova fase capitalista.

 Capitalismo Industrial
                                             Predominantes entre os séculos XVIII e XIX, esta etapa do capitalismo é marcada pela Revolução Industrial que provocou profunda transformação na produção de mercadorias com a introdução do uso de máquinas, possibilitando, dessa forma, o aumento da produção de mercadorias em série gerando a frequente necessidade da ampliação do mercado consumidor em escala mundial. Esse período também foi marcado por uma crescente circulação de pessoas e mercadorias graças à expansão das redes de transportes e comunicações. A partir desse momento, o comércio não era mais a essência do sistema. Nessa nova fase, o lucro provinha principalmente da produção de mercadorias realizada por trabalhadores assalariados. Ao contrário do período mercantilista, nessa nova etapa era conveniente para os capitalistas que a economia funcionasse segundo a lógica do mercado. Dessa forma consolidou-se  a teoria liberal que defendia o direito a propriedade, a livre iniciativa e concorrência e principalmente defendia a não intervenção do Estado na economia que deveria ser regulada pela oferta e pela procura do mercado.

 Capitalismo Financeiro
                                          Uma das características mais importantes do crescimento acelerado da economia no final do século XIX foi à formação de grandes empresas industriais e comerciais, além do crescimento acelerado de bancos e empresas financeiras. A concorrência acirrada favoreceu as grandes empresas, levando a fusão e incorporações que resultaram na formação de monopólios e oligopólios em vários setores da economia. Com o crescente aumento da produção e industrialização expandindo-se para outros países acirrou-se a concorrência. Era cada vez maior a necessidade de garantir novos mercados consumidores, acesso a fontes de energia, matérias-primas e novas áreas de investimentos. Foi nesse contexto do capitalismo que ocorreu a expansão imperialista. A partilha imperialista estabelecida pelas potencias industriais consolidou a divisão internacional do trabalho, pela qual as colônias eram fornecedoras de matérias-primas baratas para os países industrializados. Esse modelo consolidou a subordinação dos países as potencias imperialistas. Também nesse período, os bancos assumiram um papel mais importante como financiadores da produção. Bancos incorporaram indústrias, que por sua vez  criavam bancos para lhes dar suporte financeiro. Por esse motivo tornou-se cada vez mais difícil distinguir o capital industrial do capital bancário, dando origem ao termo capital financeiro.
                                             No capitalismo financeiro o mercado passou a ser dominado pelas grandes corporações, portanto, o liberalismo permanecia muito mais como ideologia capitalista, pois na prática, a livre concorrência, característica da fase anterior, ficou bastante limitada. O Estado, por sua vez passou a intervir na economia, sobretudo como agente planejador, coordenador, como também produtor.  Essa atuação do Estado intensificou-se, principalmente após a crise mundial de 1929. Esse pensamento econômico denominado de keynesianismo (John M. Keynes) defendia a intervenção do Estado na economia para evitar as crises de superprodução. Propunha o aumento dos gastos públicos para estimular o crescimento econômico e a geração de empregos.

 Capitalismo Informacional
                                             Com o início da Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Cientifica ou Revolução Informacional, o capitalismo atingiu a sua fase informacional. Essa nova etapa começou a se gestar pós-Segunda Guerra, mas se desenvolveu, sobretudo a partir dos anos 1980, quando gradativamente, disseminaram-se nas empresas o uso de robôs, computadores, satélites, telefones digitais, internet, etc.; ou seja, avanços tecnológicos responsáveis pelo aumento da produtividade econômica e pela aceleração dos fluxos de capitais, mercadorias, informações e pessoas. Nessa etapa capitalista os avanços tecnológicos potencializaram a produção industrial e o sistema financeiro. Além disso, os avanços tecnológicos permitiram que os fluxos financeiros ocorressem sem a necessidade física do dinheiro, possibilitando um enorme crescimento do setor financeiro globalizado. Entretanto, a característica fundamental dessa etapa do desenvolvimento capitalista é a crescente importância do conhecimento. Os produtos e serviços tem um conjunto cada vez maior de conhecimentos a eles agregados. A fabricação de uma televisão ou um automóvel, por exemplo, envolve uma série de conhecimentos específicos, além dos materiais e da mão-de-obra, esta possua vez, tende a ser cada vez mais qualificada. Produtos e serviços, portanto, tem uma nova característica: seu crescente teor informacional.
                                             O capitalismo informacional está alinhado à teoria econômica neoliberal, que busca aplicar os conceitos clássicos do liberalismo no capitalismo atual. Porém, os neoliberais não acreditam na regulação espontânea do sistema, por isso, para disciplinar a economia de mercado aceitam uma pequena intervenção do Estado para assegurar a estabilidade monetária e a livre concorrência. Também defendem a abertura econômica, financeira e a privatização de estatais. Com a aceleração atual, o capitalismo atingiu seu estágio planetário, a atual fase da globalização. Desenvolve-se num mundo cada vez mais integrado por modernos meios de transportes e telecomunicações. Por isso, podemos dizer que vivemos em um capitalismo informacional global. Entretanto, a globalização e seus fluxos abarcam o espaço geográfico mundial de forma bastante desigual, pois alguns países e regiões estão mais integrados que outras e os “comandantes” desse processo estão concentrados em poucos lugares. (Adaptado de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira. Geografia geral e do Brasil. Volume 2, p.12-27).

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