quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

MAORIS


Os maoris habitam um país fascinante e há pouco tempo revelado e colonizado, a Nova Zelândia, localizada na Oceania, também conhecida, segundo alguns estudiosos, como continente australiano. Esta região é composta de ilhas – Ilha do Norte, Ilha do Sul e as menores -, situadas no sudoeste do Oceano Pacífico.
No idioma deste povo, o Reo Māori, maori tem o sentido de ‘normal’, ‘ordinário’, na tentativa de discernir os meros mortais de deuses e espíritos, de acordo com os mitos destes nativos. Esta população é composta por pessoas cordiais e excitantes. Elas têm voz potente, um riso intenso e se distinguem pelo uso de tatuagens na face, que são conhecidas como ‘moko’. A famosa cantora de ópera Kiri Te Kanawa é a mais célebre descendente dos maoris. Os maoris não eram assim chamados pelos primeiros emissários da Europa a chegarem ao território neozelandês; apenas entre si eles preservavam esta identidade. Somente em 1947 o Departamento de Relações Nativas foi rebatizado como Departamento de Relações Maoris, oficializando assim sua verdadeira origem.
Não se sabe ao certo, até hoje, como os maoris chegaram à Nova Zelândia. Indícios arqueológicos, linguísticos e antropológicos revelam que seus ancestrais podem ter partido do leste polinésio até seu novo destino, as terras neozelandesas, atravessando o Oceano Pacífico por meio de canoas.
Estas terras foram as últimas do Planeta a receber os povos europeus, o que ocorreu há bem pouco tempo, em meados do século XVII. Seus primeiros visitantes foram os viajantes Abel Tasman, que aí aportou em 1642, e James Cook, o qual desembarcou nesta região em 1769. Em suas descrições deste povo, eles se referem a tribos cruéis e altivas, constantemente em conflito, sempre prontas a escravizar ou a devorar os derrotados.
Já em 1830 havia uma grande quantidade de imigrantes europeus neste território, atingindo a cifra de 2000 habitantes. Alguns eram escravizados pela população local, enquanto outros chegavam a conquistar posições como a de orientadores de elite, e alguns estrangeiros assumiam a identidade maori.
Com este contato algumas tribos adquiriram armas, dando início a um conflito longo e sangrento conhecido como Guerra dos Mosquetes, período no qual muitas comunidades se extinguiram e outras deixaram suas terras. Enfermidades herdadas dos europeus também eliminaram muitos maoris. Este contexto só teve fim com a decisiva intervenção do governo inglês.
Os maoris cultivam a tradicional arte da tatuagem, sendo a facial a que mais provoca admiração. Segundo a tradição deste povo, quanto mais ilustre for o membro da comunidade, mais espaço de seu rosto é impresso com os sinais tatuados. Estas marcas, portanto, atuam como índices de status social.
Nos momentos de intensa guerra o maior objeto do desejo eram as cabeças decapitadas dos adversários, repletas de tatuagens, itens de coleção dos europeus excêntricos. Esta mórbida ambição deu origem a um estranho tráfico de cabeças, intercambiadas pelos próprios maoris por armas de fogo.
Atualmente o povo maori totaliza 15% dos habitantes da Nova Zelândia, mas continua exercendo um fascínio incomum sobre os turistas que percorrem as ilhas do Pacífico. A maior parte deles reside na Ilha Norte e apenas um quarto domina o idioma original. Em apenas alguns recantos maoris sua cultura é resguardada. A maioria deles pratica o ecoturismo, guiando turistas pelas florestas deste país.
Ana Lucia Santana

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESTADOS NÃO RECONHECIDOS

São denominados Estados não reconhecidos  aqueles territórios cujo reconhecimento internacional diplomático é nulo ou limitado, ou ainda com governo representativo estabelecido ou exilado.
No campo do Direito Internacional Público, um Estado têm reconhecida sua independência quando obedece aos seguintes critérios:
•território delimitado;
 •população permanente;
 •um governo  representativo;
•capacidade de estabelecer relações diplomáticas com outros estados.
Muitas vezes, porém, encontramos casos onde estes fatores estão presentes ou são de implementação imediata, mas, por pressão política, militar e diplomática de outras nações, tais territórios vêem sua ascensão à soberania completa barrada. Exemplo clássico é o do Estado Palestino, que até hoje tem sua independência frustrada principalmente pelas dificuldades impostas por Israel, com o apoio explícito dos Estados Unidos. Há muito a Autoridade Palestina possui relações com outros estados, e até mesmo assento na ONU, mas as questões com Israel, que vê na autodeterminação palestina uma ameaça à sua segurança, e em última instância à sua existência, acaba por frustrar os anseios deste povo.
Por outro lado, temos entidades que possuem um reconhecimento limitadíssimo, e tem sua razão de ser no apoio de um outro país com interesse na autonomia daquele território em particular. Exemplos não faltam, como por exemplo, a República Turca do Norte de Chipre (RTNC), que ocupa cerca de um terço da parte nordeste da ilha de Chipre, e é composta por uma população de etnia turca. Ocorre que a RTNC não possui praticamente nenhum reconhecimento internacional, apenas o da Turquia, que é responsável por muito do comércio e relações internacionais daquele território.
Outro exemplo é a República da Transnístria, que se declara independente da Moldávia. Quando a Moldávia se desmembrou da extinta União Soviética, em 1990, a região da Transnístria, no nordeste do território, ocupado por uma minoria russa, resolveu separar-se do território moldavo. Seguiu-se uma breve guerra civil, sem nenhum vitorioso, e a república separatista continua reclamando sua autonomia, sendo atualmente reconhecida por apenas dois outros estados com reconhecimento também limitadíssimo, a Abecásia e a Ossétia do Sul.
Há ainda o caso de estados cujo reconhecimento é significativo, possuem os requisitos apregoados na teoria do Direito Internacional, mas, por força de uma potência alienígena, encontram-se ocupados, como é o caso do Saara Ocidental, antiga colônia espanhola no norte da África ocupada desde 1975 pelo Marrocos. O governo do Saara no exílio é membro de pleno direito da União Africana, e possui o reconhecimento de 84 países atualmente. Planos para um referendo que decida a autonomia são constantemente adiados pelo Marrocos.
Outros países que popularmente são considerados como tal, na verdade não possuem pleno reconhecimento, como por exemplo a República da China (Taiwan) e Israel.
Emerson Santiago