sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

RELÂMPAGO

O relâmpago é a luz emitida pela descarga elétrica (raio) entre duas nuvens, ou entre uma nuvem e o solo ou outro receptor da descarga (um pára-raios, por exemplo).
 Os relâmpagos são produzidos durante tempestades com nuvens eletricamente carregadas, quando o campo elétrico se torna tão forte e intenso ao ponto de forçar uma descarga elétrica entre a nuvem e o solo.
 Não existe um consenso entre os cientistas sobre como as nuvens ficariam carregadas ocasionando os raios. Porém, uma explicação bastante aceita é a de que as partículas de vapor de água ao subir pela atmosfera vão se chocando com pequenos cristais de gelo, ou gotas que estão caindo e que compõem as nuvens. Esse choque faria com que alguns elétrons fossem arrancados dessas partículas deixando-as com carga positiva. Os elétrons arrancados tenderiam a se acumular na parte inferior da nuvem, enquanto que as partículas positivamente carregadas se acumulam na parte superior da nuvem.
 Essa separação de cargas cria um campo elétrico na nuvem com uma intensidade de milhares de volts por centímetro. A intensidade do campo elétrico da nuvem é tão grande que a carga positiva da nuvem repele a carga positiva do solo próximo deixando-o positivamente carregado.
 Devido ao campo elétrico, o ar em torno começa ficar ionizado. Os elétrons ou íons positivos começam a ficar mais afastados do que antes ganhando mais mobilidade e, por conseqüência, tornando-se melhores condutores. À medida que o ar vai se ionizando, vai sendo criado um “caminho” entre a nuvem e o solo por onde ocorrerá a descarga elétrica (o raio).
 A intensidade é tamanha que o ar em volta dela literalmente explode devido ao calor produzido pela descarga elétrica (mais quente que a superfície do sol!).
 Mas, como já citado, um raio pode ocorrer de uma nuvem para o solo ou de uma nuvem para outra. De acordo com essa classificação existem alguns tipos de relâmpagos: relâmpago normal, da nuvem para o solo; relâmpago de calor, relâmpago próximo ao horizonte; relâmpago difuso, um relâmpago normal que é refletido nas nuvens; “red sprite”, explosão vermelha que atinge alguns quilômetros de comprimento em direção à estratosfera; “blue Jet” uma explosão cônica azul, que se movimenta para cima em alta velocidade.
Caroline Faria.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

ALEGRETE

A cidade localiza-se a uma latitude de 29º47'01,63" sul e a uma longitude de 55º47'27,54" oeste - coordenadas do centro da praça Getúlio Vargas, estando a uma altitude média de 102 metros.
O clima da região é subtropical, temperado quente, com chuvas bem distribuídas e estações bem definidas (Cfa na classificação de Köppen). A média de precipitação pluviométrica é de 1525 mm anuais. A menor média de precipitação acontece em agosto e a maior em outubro. As precipitações intensas, dentro de um período de 24 horas, são de até 115 mm.

A temperatura média anual é de 18,6°C, variando entre 13,1°C em julho e 35,8°C em janeiro. A menor temperatura mínima observada desde 1931 foi de - 4,1°C e a máxima de 40,4°C. A formação de geadas ocorrem eventualmente entre maio e setembro. A umidade relativa média do ar é de aproximadamente 75% em todos os meses do ano.
A paisagem caracteriza-se como estepe gramíneo-lenhosa (campo nativo) e floresta estacional decidual aluvial (mata ciliar). A fisionomia é de extensas planícies de campo limpo com algumas ondulações e raros morros residuais de arenito silicificado.
O município está totalmente sobre o Aquífero Guarani e seu lençol freático apresenta água levemente alcalina, utilizável sem restrições para o uso humano e para a irrigação, apresentando poços com profundidade média de 120 metros e vazão média de 110m³/h.
Sendo uma área de delicado ecossistema, a superexploração agrícola e a pecuária extensiva fazem crescer o já chamado "deserto dos pampas" ou "Deserto do São João": uma área de mais de 200 ha na região do mesmo nome.
Fonte: Wikipédia; www.somosdosul.com.br
Características geográficas
7 803,967 km² (BR: 186º)3
77 673 hab. Censo IBGE/20104
9,95 hab./km²
102 m
Indicadores
0,793 alto PNUD/2000 5
R$ 1 022 330,821 mil IBGE/20086
R$ 12 851,75 IBGE/20086

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

AS CORÉIAS DO NORTE E DO SUL: DOIS PARALELOS COM IDEOLOGIAS DIFERENTES

Analisando a história desses países podemos conhecer e aprender um pouco mais sobre os dois lados: um segue objetivos promissores com alianças importantes, enquanto o outro ainda continua vivenciando as influências do passado e seguindo um regime pós-guerra.
Apesar de poucos conhecerem as diferenças entre as duas Coreias, as histórias desses países dividem as forças políticas e econômicas do mundo até hoje, o que nos propicia a avaliação de questões que são temas de reflexão acerca de referências mundiais que tiveram sua gênese nas divergências entre as duas partes da península coreana.
 Os reflexos de uma luta que atravessou séculos foram dar na situação vivida pela Coreia do Norte, que é vista por muitos como um país artificial, devido às marcas deixadas pela Guerra Fria, na qual o país atuou sem razões claras e sem qualquer autonomia, além do fato de estar numa posição geoestratégico claras e sem qualquer autonomia, além do fato de estar , fator que ainda interfere no equilíbrio entre os dois países.
 A Coreia do Sul é a décima economia mundial. No caso de uma reunifi cação da península coreana, mesmo que a Coreia do Norte seja um estado de economia primitiva, pesquisadores defi nem que, a longo prazo, um novo polo de afi rmação econômica e tecnológica acabaria por nascer, podendo fazer frente de concorrência à economia nipônica. Com esta proposta, uma Coreia reunifi cada poderia não ser um adversário para o Japão, mas não deixaria de ter suas prioridades e autonomia numa conjuntura em que até mesmo o papel dos EUA – principal aliado do Japão – teria de ser redefi nido, a começar pela presença militar na península coreana.
Dois modelos de governos
Na Coreia do Norte, anos atrás, foi implantada uma ditadura comandada por Kim Il-Sung que durou até o ano de 1980, quando o poder passou às mãos de seu fi lho Kim Jong-Il. Assim o regime se tornou autoritário, repressivo e cada vez mais militarizado e com isso, a economia norte-coreana desandou. Considerada mais desenvolvida que seu vizinho do Sul até o começo da gestão Jong-Il, a Coreia do Norte vive em permanente crise econômica desde então.

Além do setor da Indústria entrar em declínio, o país tornou-se fundamentalmente agrícola, em condições geográficas adversas. Grande parte da sua população, cerca de 23 milhões de habitantes, depende do auxílio humanitário de outros países como medida de sobrevivência.
 Anteriormente, víamos uma Coreia ocupada durante centenas de anos pela China, tendo sido ajudada pelos japoneses, no ano de 1895, quando ocorreu uma rebelião contra os chineses que acabou por garantir a independência do país. Mas a tranquilidade durou pouco tempo, já que o império nipônico imperou em 1910, trazendo uma política neocolonialista e de expansionismo.
No entanto, no período da II Guerra Mundial, os coreanos lutaram com os chineses (país onde se encontrava o governo coreano no exílio) contra o domínio japonês, e a partir de 1943, na Conferência do Cairo , fi cou estabelecido o apoio à independência da Coreia.
No fi nal da guerra, ocorreu a divisão desta Península, que se defi niu em Yalta e Potsdan, pelo paralelo 38, em duas zonas de infl uência: o norte soviético e o sul a norteamericano, situação em que se proclama o início da “Guerra Fria”. Já no ano de 1947, formaram-se dois governos, apenas o do sul sendo reconhecido pela ONU. Já no ano seguinte constituíram-se em dois Estados autônomos: a República Popular Democrática da Coreia, localizada ao norte, com o sistema comunista e a República da Coreia, ao sul, com o sistema capitalista.

Dois anos depois, em 1949, a maior parte das tropas estrangeiras retirou-se do país e em 1950 as tropas do norte invadiram o sul, conquistando Seul, o que motivou os EUA a enviarem tropas para ajudarem. Sendo assim, os americanos conquistaram o norte e avançaram até à fronteira com a China, o que motivou o seu apoio aos norte- coreanos e à sua entrada na guerra.
 Em 1952, os EUA adotaram para este fi m, uma política defensiva que era centrada em preservar a sua influência na Coreia do Sul e aceitaram a divisão com o norte. Assim podemos entender a história deste cisma, onde o armistício de 27 de Julho de 1953 ditou a separação das duas Coreias.
As divergências entre as duas Coréias
 Pyongyang
Pyongyang é a maior capital e maior cidade com cerca de 3.858.000 habitantes, fundada em 2.333 a.C. Situada na parte Ocidental do país, está localizada na parte inferior do Rio fl uxo Tedong. A cidade exposição como é chamada está dividida em parte ocidental e não olha para a parte oriental, que foi ocupada por unidades Pyongyang Soviéticas. Construída em glória à revolução que instaurou o regime, Pyongyang, à beira do majestoso rio Taedong, é conhecida como a “cidade dos salgueiros”.
 A relação das duas Coreias conheceu momentos de crises esporádicas. Mesmo assim, os dois países aderiram à ONU em 1991, assinando tratados de desnuclearização da península. Desde 1998, entretanto, tornou-se fato notório que a Coreia do Norte desenvolvia tecnologia nuclear com fi ns militares.
 Analistas do cenário internacional acreditam que, uma vez comprovada a capacidade do país de produzir armamento nuclear, o ditador Kim Jong-il usará seu arsenal como estratégia de negociação com os Estados Unidos. Ele pretenderia, assim, forçar um acordo e derrubar as sanções econômicas impostas a Pyongyang  forçar um acordo e derrubar as sanções Pyongyang pela ONU em 2006, após a realização dos primeiros testes nucleares.
 Devido a questões históricas, ao desrespeito ao direito internacional e aos arroubos militares do ditador Kim Jong-il, a Coreia do Norte é vista com desconfi ança pelos países vizinhos, a Coreia do Sul; Japão e Taiwan, que podem se ver forçados a iniciar uma corrida armamentista naquela região da Ásia.
A evolução da Coréia do Sul diante dos conflitos

Já a Coreia do Sul, que viveu sob ditaduras militares de direita dos anos 1960 até o fi m dos anos 1980, quando evoluiu em direção à democracia, ao mesmo tempo em que, promovendo uma revolução educacional - tornou-se um país altamente industrializado e rico, ingressando no grupo de países conhecidos como Tigres Asiáticos.
 Programa nuclear
O filme Dr. Fantástico, do ano de 1964, é um clássico do cinema do diretor Stanley Kubrick, que conta a história de um general norte-americano que fi ca louco e ameaça bombardear a ex-União Soviética, detonando a Terceira Guerra Mundial.
 Vale salientar que o terrorismo não cedeu ainda, não houve uma paz fi rmada seriamente entre as partes. Segundo especialistas da área, as células estão em ação e são perigosas porque são silenciosas e quando atuam causam danos graves, sérios e atingem todos os povos do mundo.
Ainda no ano de 2009, a Coreia do Norte já testou seis mísseis de curto alcance, em apenas três dias. Algumas horas após ter testado o sexto míssil, o regime ameaçou atacar a Coreia do Sul, caso o país se venha a intrometer na soberania norte-coreana. Com isso, a Coreia do Sul juntou-se à iniciativa liderada pelos Estados Unidos, a designada PSI (Segurança contra a Proliferação), cujo objetivo atual é interceptar quaisquer navios suspeitos de transportarem armas de destruição massiva. A posição tomada pelos sul-coreanos desencadeou a ameaça da Coreia do Norte, pois tal ação é considerada por este estado como uma imperdoável interferência na soberania do regime.
 Ainda em outubro de 2009, aconteceu em Pequim, uma reunião com os primeiros- ministros chinês e japonês e o presidente da Coreia do Sul, cuja intenção é a de traçar uma estratégia que resulte no fi m do programa nuclear traçar uma estratégia que resulte no fi m do programa nuclear  norte-coreano.
 É importante lembrar que, anteriormente este modelo de acordo já citado, que envolveu a China, as duas Coreias, o Japão, a Rússia e os EUA, foi cancelado depois da ONU ter aprovado novas sanções contra o regime norte-coreano que pretenderam castigar a decisão da Coreia do Norte em realizar novos testes de mísseis nucleares.(Revista Geográfica Conhecimento e Prática).





quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O DESAFIO DA CHINA E DA ÍNDIA

'O desafio da China e da Índia' traz os estudos e pronunciamentos do XVII Fórum Nacional (2005). O cerne desse desafio - de dois concorrentes nossos, mas também parceiros - no comércio, nos investimentos e nas negociações multilaterais - está nos grandes ganhos competitivos recentes daqueles dois países.
Autor: João Paulo dos Reis Velloso
Editora: José Olympio
Páginas: 728
Ano: 2005

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

CONSUMO INDUSTRIAL DE ENERGIA NO BRASIL

Em 2011, segundo o Índice Setorial Comerc publicado pela Comerc Gestão, houve um aumento de 3,0% no consumo industrial de energia no ano. A Comerc é considerada a maior gestora independente de energia elétrica no Brasil. Sabemos que o consumo de energia elétrica no setor industrial serve de termômetro para medirmos o ritmo de produção industrial do país.
No primeiro semestre de 2011, a alta foi de 4,2%, em julho de 2011 houve uma estabilização do nível de consumo. No primeiro semestre, os responsáveis pela elevação de consumo foram os setores de Siderurgia e Metalurgia, que registraram crescimento de 5,9%, seguidos pelo setor de alimentos com 5,4%.
 Em terceiro lugar ficou o setor de Eletromecânica com 4,9%. O segmento de Veículos e Autopeças teve um consumo inferior  de 3,1% em virtude das oscilações das decisões do governo a respeito da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no ano de 2011.
 O setor que também apresentou queda foi o da indústria Têxtil, Couro e Vestuário, cujo percentual negativo 4,2% se deveu ao crescimento das importações de produtos concorrentes. A FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) informou que, no ano de 2011, as importações de produtos têxteis realizadas pelo Brasil atingiu o volume de 4,6 bilhões de dólares, um aumento de 21% em comparação ao ano de 2010.
 No ano de 2012, o consumo de energia elétrica no setor industrial registrou crescimento de 2,1% no mês de março, em comparação ao mesmo mês em 2011, os dados foram confirmados pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) na Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica.
 No principal centro consumidor do país, região Sudeste, a taxa de crescimento de consumo de energia industrial foi de 0,8% , porém muito baixo em comparação ao esperado. Na região Sul o crescimento de 2,3% apresentou melhor evolução. No Nordeste, o percentual de crescimento atingiu 1%.
 Em dezembro de 2012, a queda na atividade industrial brasileiro se refletiu na queda de 3,2% no consumo de energia pela indústria. Em 2012, o consumo total registrado foi de  448.293 GWh.
Fernando Rebouças

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

GEOGRAFIA DA AUSTRIA

A Áustria é um país localizado na Europa central, possui fronteira com a Itália, a Eslovênia, Hungria, Eslováquia, República Tcheca, Alemanha, Suíça e Liechtenstein. A área total de seu território é de 83.870 km², o idioma oficial é o alemão.

A capital do país é Viena, o território é dividido em nove estados. Além de Viena, há a baixa Áustria, Alta Áustria, Bugenland, Estiria, Carintia, Salzburgo, Tirol e Vorarlberg.
 Em todo o seu território, 80% é composto por montanhas, a área central das montanhas é ocupada pelos Alpes Orientais que atingem mais de 920 picos em altitudes de 3.000 metros de altitude. Os 20% restante é formado por colinas, planície na zona oriental e pelos vales da bacia do Danúbio.
 Danúbio é o nome do principal rio austríaco que atravessa todo o país, com os afluente Inn, Trainda e Drave. Neusiedl é o lago mais importante do país, situado no estado Burgenland, próximo à fronteira com a Hungria.
 A flora e fauna do país contrastam entre a zona alpina e os vales do Danúbio, há grandes bosques de carvalhos e pinos. Na base dos Alpes, situam-se as terras de cultivo de batata, trigo, cevada e centeio.
 No lago Neugsiedler há grande incidência de aves como a garça real e o pelicano. Além das aves, há o urso pardo, a águia e o falcão, espécies protegidas por uma legislação específica.
 Na Áustria, a temperatura média na época do Verão é de 20°C, com altas de até 35°C. Durante o inverno, a temperatura oscila entre -15°C a -4°C. No inverno há abundância de neve, as chuvas são freqüentes nos meses de Maio e Junho.
Fernando Rebouças

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A SECULAR RESISTÊNCIA MAPUCHE

A etnia que teve território e soberania reconhecidos pela coroa espanhola foi massa crada pelos Estados argentino e chileno após a independência destes países. A luta deste povo não acabou e continua nos dias atuais.
 Na cidade de Santiago (Chile), manifestantes saem às ruas para exigir o fim da repressão policial contra a comunidade Mapuche, que havia iniciado o processo de recuperação de suas terras "ancestrais".
Quando observamos mapas da América do Sul do período da independência de nossos países, além de diferenças nas fronteiras de cada um deles, podemos ver no extremo sul do continente uma enorme gleba territorial cuja história nunca é contada, pois nunca fez parte nem da América colonial espanhola, nem da portuguesa, nem de nenhuma outra conquista europeia. Nos mapas essa região aparece como Patagônia, nome que em nada se relaciona com os povos que nela habitavam. Muito menos com o povo que delimitou essa fronteira em batalhas contra os espanhóis: os mapuches. Estes ocupam a Araucania chilena e a cordilheira dos Andes nesta região, tanto do lado chileno como do lado argentino. O território denominado nos mapas como Patagônia era ocupado também pelas etnias Tehuelche, Onas, Aonikenk (batizados de patagones pelos europeus) e Chonos. Um expoente contemporâneo da população mapuche é Mauro Millán, o porta-voz ou werkén em mapudungun (a língua originária mapuche) das comunidades da região do Maitén, na patagônia argentina, em região andina próxima ao Chile. Ele foi um dos primeiros a se levantar contra o empreendimento mineiro de Esquel, um movimento que mobilizou a cidade e, através de um plebiscito, impugnou a concessão que o Estado argentino dera à canadense Meridian Gold para explorar ouro em uma mina a céu aberto e com uso de substâncias altamente contaminantes como o cianureto. Durante as gravações do documentário Onde Está América Latina? Uma Mina de Ouro em PuelMapu (que conta a história deste plebiscito) conversamos com Millán, porém nossa conversa seguiu outros rumos e foi muito além da discussão sobre o embate com a mineradora.
 A independência da América espanhola, por contraditório que possa parecer, foi ruim para os mapuches. Significou na verdade o fim da autonomia deste povo. Os Estados chileno e argentino que surgiam trataram de construir uma pátria grande e delimitar as fronteiras do país. Na Argentina, o general Roca comandou o avanço militar à Patagônia em campanha chamada de A Conquista do Deserto, que não era assim tão deserto, mas que, para os livros de história era deserto. Ali não havia mais que uns poucos "bárbaros"...
 O primeiro ponto que Millán fez questão de salientar é o significado das fronteiras. "Os mapuches nunca precisaram de cercas, nem grades, nem arames farpados", conta. No Chile essa resistência à delimitação territorial durou até 1974, quando um decreto-lei do ditador Augusto Pinochet distribuiu arame farpado às populações camponesas e as obrigou a delimitar o espaço de terra de cada família sob pena de perda de propriedade das terras não demarcadas. O fato, além de individualizar as propriedades, servia também para desestruturar a forma de organização política dessas populações. Segundo nos explica Mauro Millán, os mapuches resistiram à invasão espanhola, não porque eram povos guerreiros, mas porque sua estrutura de organização social lhes trouxe uma forma eficaz de resistência. Ao contrário dos modelos verticais que os europeus estavam acostumados a lidar, os mapuches se organizavam de forma horizontal, não havia líderes. Eles se dividiam em milhares de lofts, que eram comunidades autônomas que funcionavam internamente como imensas famílias. Cada loft era representado por um Lonko. E, cada Lonko tinha o mesmo grau de importância e autonomia entre os mapuches. As decisões que abrangiam a coletividade mapuche eram discutidas em Parlamentos. "Muitos cronistas europeus se admiraram com o que viram. Imaginem que neste período a Europa vivia sob estruturas absolutistas monárquicas. Estamos falando de um período muito anterior à Revolução Francesa. Quando chegam e veem que os povos que para eles eram 'bárbaros' têm esse tipo de organização, fazem relatos admirados", comenta Millán. De fato, os espanhóis tinham por tática sequestrar e matar os líderes para então dominar os povos à medida que estes ficavam, por assim dizer, órfãos. Foi assim com Atahualpa, o último líder Inca, por exemplo. Ele foi sequestrado e após a entrega de quantidades exorbitantes de ouro dos povos que o adoravam, houve a traição e o assassinato do líder.
Outra tática dos espanhóis era, sempre que possível, criar cisões e discórdias internas e externas entre as populações. Porém, as tropas comandadas por Pedro de Valdívia ao território mapuche não tiveram êxito. Não identificaram o líder e não conseguiram criar rivalidade entre os Lonkos, pois esses tinham por tradição respeitar as diferenças. Vale frisar que nos parlamentos se um Lonko não concordasse com determinada decisão, mesmo tendo voto vencido, seu loft não era obrigado a acatar a decisão dos demais. Quando os espanhóis chegam a essas terras, encontram milhares de lofts livres e autônomos, mas nunca isolados. Os mapuches contavam com uma eficiente rede econômica e de informação. Por outro lado, logo nos primeiros parlamentos os Lonkos consideraram os forasteiros perigosos e criaram táticas de resistência. Como as populações eram nômades e tinham amplo domínio da Geografia local, os espanhóis eram constantemente emboscados. Dessas batalhas dois nomes são imortalizados como grandes heróis da história latino-americana: Lautaro  e Caupolicán , que impuseram à coroa espanhola consideráveis derrotas. Para os mapuches, a situação também não era agradável e ambos chegaram a uma trégua. Em 1641, assinaram um tratado de paz que determinava o rio Bio-Bio (a mais ou menos 500 km ao sul de Santiago) como fronteira entre o território mapuche e o espanhol.
 A independência da América espanhola, por contraditório que possa parecer, foi ruim para os mapuches. Significou na verdade o fim da autonomia deste povo. Os Estados chileno e argentino que surgiam trataram de construir uma pátria grande e delimitar as fronteiras do país. Na Argentina, o general Roca comandou o avanço militar à Patagônia em campanha chamada de A Conquista do Deserto, que não era assim tão deserto, mas que, para os livros de história era deserto. Ali não havia mais que uns poucos "bárbaros"...
 Nasceu em Pilmaiquén. É o mais conhecido dos heróis mapuches. Quando assume a incumbência de Toqui (liderança militar), consegue a rendição das forças espanholas que controlam a Plaza Arauco. Junto a Lautaro, participou da Batalha de Tuca-Pel, na qual venceram e aprisionaram o líder militar espanhol Pedro de Valdívia. No combate de Millaraque é vencido pelas tropas espanholas de García Hurtado e forçado a refugiar-se. Assim mesmo, refuta acordos de paz e rendição e continua a comandar a resistência mapuche. É vencido após o frustrado ataque ao forte de Cañete. Morre em praça pública perfurado por um enorme pedaço de pau, que atravessa suas entranhas.
 O general Roca delimitou as fronteiras argentinas e evitou que a Patagônia fosse tomada pelos chilenos. Do lado chileno, a campanha comandada por Cornélio Saavedra recebeu o nome de Pacificação da Araucania. O Estado chileno precisava colocar fim aos distúrbios causados pelos povos rudes da região e levar a eles a civilização. Para o mapuche Mauro Millán, há a outra versão: "Os militares avançaram naquilo que poderíamos chamar 'plano tesoura', destruindo as terras por onde passavam e encurralando as populações locais até que elas não tivessem mais para onde correr. Minha bisavó contava que o povoado onde ela cresceu era formado por mapuches que originalmente estavam do lado chileno da cordilheira e que se refugiaram para este lado (argentino), assim como populações do lado de cá tiveram que fugir para lugares inóspitos do outro lado da cordilheira para escapar da Campanha de Conquista do Deserto. Imaginem quantos povos não desapareceram como consequência dos avanços territoriais da economia globalizada. E cada povo tinha uma visão de mundo própria, um idioma. Fala-se muito de Império Inca, que dominava imenso território etc. Vocês sabem que os Incas, por exemplo, não eliminaram nenhuma língua originária? Alguém fala de quantos idiomas a América do Sul perdeu com o avanço espanhol? Quantas culturas e diferentes visões de mundo, não apenas religiões, foram perdidas com a evangelização?".
 A luta mapuche continua nos dias atuais. Tanto do lado argentino como chileno as populações se mobilizam pelo reconhecimento do direito às suas terras e pelo resgate da autodeterminação, a preservação de sua cultura, tradições e idioma. No Chile contemporâneo essa luta acontece com intensidade. E o embate é difícil. Hoje, neste país, há 44 mapuches encarcerados como terroristas, em uma política de Estado que atua com leis herdadas do regime do ditador Augusto Pinochet.
Pedro Dantas.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

CANA DE AÇÚCAR NA AMAZÔNIA

Em maio de 2013, foi aprovada pelo Senado Federal, a lei 626/2011 que altera o ZAE (Zoneamento Agroecológico) da cana-de-açúcar, o que autorizará o plantio da cana na Amazônia Legal, no Cerrado  e Campos Gerais. A alteração  poderá deixar vulnerável diferentes áreas essenciais de nossos biomas.
cana de acucar na amazoniaOs defensores no Senado do plantio da cana-de-açúcar na Amazônia, acreditam que a expansão da mesma na região estimulará a produção de biocombustíveis, sendo necessário a ampliação das áreas de cultivo para atender a crescente demanda de etanol e açúcar no mercado interno e externo.
 Entre os ambientalistas, ONG’s estão recomendando que a lei não passe pela Câmara dos Deputados, muitos menos aceita pela Presidência da República. Segundo a WWF-Brasil, a expansão da cana-de-açúcar sobre a Amazônia traria mais malefícios ambientais do que benefícios econômicos, principalmente, para as comunidades locais.
 É essencial refletir sobre os projetos de desenvolvimento sustentáveis mais cabíveis para a Amazônia e uma política de biocombustíveis mais sólida e ambientalmente correta para o país. Nos anos 2000, o ZAE da cana trouxe avanços e desenvolvimentos significativos para o setor produtivo e para o respeito aos biomas, proibiu o cultivo da cana-de-açúcar na Amazônia Legal, Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai. O ZAE original também possibilitou a implementação de melhores condições para a produção canavieira, pela redução da pressão sobre os ecossistemas protegidos.
 Em 2007, a Amazônia já possuía uma produção de 20 milhões de toneladas de cana ao ano, segundo dados do Centro de Pesquisa e Monitoramento da Embrapa, colocando em risco o equilíbrio ambiental em diversas áreas. Na região do Acre, o Álcool Verde tinha o projeto de produzir 45 milhões de litros de biocombustíveis a partir de 2008, com investimentos de 60 milhões de reais calculados na época.
 Em 2009, o ZAE da cana-de-açúcar restringiu o plantio, identificando 64,7 milhões de hectares aptos a produção da cana, sendo 19,3 milhões de hectares com alto potencial produtivo. Até 2030, o Plano Nacional de Energia prevê produção anual de 1,14 bilhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que demandará uma área de 13,9 milhões de hectares. Calculando os 19,3 milhões de hectares já existentes, seria necessário expandir o plantio da cana-de-açúcar para a Amazônia e para o Cerrado?
Fernando Rebouças  

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

INDÚSTRIA BÉLICA

A expressão Indústria bélica faz referência a um negócio global destinado à produção de armas, equipamento e tecnologia militar, com destaque para armas, munições, mísseis, aviões militares, veículos militares, navios e sistemas eletrônicos. Tal setor concentra-se na pesquisa, desenvolvimento e produção de equipamento bélico em geral, e atende principalmente as forças armadas dos países de todo o mundo.
O comércio de armas é hoje um dos setores mais afetados pela crise do crédito, com um valor global de mercado reduzido atualmente pela metade. Acredita-se que ocorreu um declínio no comércio de armas desde a última década do século XX, influência das violentas imagens amplamente divulgadas de conflitos armados modernos, e dos tratados de diminuição de armamentos, com destaque para a série de tratados START (Strategic Arms Reduction Treaty) entre EUA e a antiga União Soviética. Na época da Guerra Fria, as exportações de armas foram utilizadas tanto pela União Soviética quanto pelos Estados Unidos para influenciar suas posições em outros países, especialmente nos países do chgoamado Terceiro Mundo.
 Ao mesmo tempo, o desmantelamento do arsenal da antiga União Soviética ajudou a proliferar a tecnologia bélica para outras regiões do planeta. Ainda, estima-se que no mundo todo haja um arsenal de armas de fogo de 639 milhões de unidades, cuja metade está nas mãos de civis e o restante esteja reservado à polícia, o que resulta em uma arma para cada 10 pessoas no mundo. Apesar de não se saber exatamente o valor da produção e do comércio de armas ligeiras, houve um aumento significativo no valor a partir do final da Guerra Fria, e alguns analistas estimam que a exportação pode valer mais do que 6.000 milhões por ano, ou seja, um oitavo do valor total do comércio de armas. O Brasil aparece como o décimo país entre os maiores produtor de armas.
 Muitos países industrializados possuem sua própria indústria doméstica de armas, projetada para atender a demanda das forças militares locais. Outras nações também têm um comércio legal ou ilegal substancial de armas para uso de seus cidadãos. Outro importante segmento da indústria é o comércio ilegal de armas de pequeno porte, que está presente em muitos países e regiões afetadas pela instabilidade política. Uma grande parte do problema do comércio ilegal está no excedente dos contingentes militares. A maioria dos países, ao invés de destruir as armas antigas ou os excedentes, geralmente acabam por vender seus estoques. Entre os únicos estados que têm uma política de destruir seus excedentes ou ainda as armas apreendidas são Nigéria, Letônia e África do Sul.

 Emerson Santiago

terça-feira, 26 de novembro de 2013

TROMBADA D'ÁGUA

A“tromba d’água” é um tornado que se forma sobre a água, mais comumente sobre o mar, em condições de alta umidade e forte calor surgindo tão rápido quanto se desfazem.
 No Brasil, a região sul, principalmente, e em parte o Estado do Mato Grosso do Sul é bastante favorável a ocorrências desse tipo de evento climático.
 Só em Santa Catarina foi registrada a ocorrência de cerca de 23 tornados e trombas d’água de 1976 a 2000 que em grande parte estavam associados à passagem de frentes frias e a ocorrência de sistemas convectivos de mesoescala e sistemas convectivos isolados na primavera e no verão respectivamente. (A última tromba d'água de SC - até a data deste artigo - aconteceu em Florianópolis, em Março de 2008) 
 Os tornados são uma imensa coluna de ar giratória que se estende desde a base da nuvem que o gera (chamada de cumulonimbus, nuvem em forma de bigorna que pode chegar a 35km de altura) até a superfície do continente ou da água, sendo neste caso chamado de “tromba d’água”.
 É importante não confundir tornado com furacão: o segundo pode atingir centenas de quilômetros de diâmetro e sempre surge sobre os oceanos que é o local de onde retira sua energia destrutiva e pode durar vários dias percorrendo diversos lugares. Já o tornado é mais localizado, raramente ultrapassa 1km de diâmetro e dura apenas alguns minutos (são raros os que duram 1 hora, por exemplo).
Caroline Faria.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

SANTIAGO

Santiago  é a capital e a maior cidade do Chile. Está localizada na Região Metropolitana de Santiago, no vale central chileno, ao lado da Cordilheira dos Andes. É o maior e mais importante e desenvolvido centro urbano, financeiro, cultural e administrativo do país. Chamada de Grande Santiago ou simplesmente Santiago, é uma aglomeração que possui 32 comunas de maneira íntegra e 11 comunas de forma parcial. A maior parte de Santiago está na província de mesmo nome, com alguns setores periféricos dentro das províncias de Maipo, Cordillera e Talagante.

No ano de 2002, a conurbação se estendia em 641,4 km² e tinha uma população de 5 428 590 habitantes1 , o que equivale a cerca de 36% da população total do país naquele ano. De acordo com esses números, Santiago, é efetivamente, a sétima cidade mais populosa da América Latina, a 40ª do mundo e uma das 45 regiões metropolitanas mais populosas do mundo.
A cidade de Santiago abriga os principais organismos governamentais (à exceção do Congresso Nacional, localizado na cidade Valparaíso), financeiros, administrativos, comerciais e culturais do Chile. Santiago também é sede da CEPAL, além de ser considerada a terceira capital latino-americana com melhor qualidade de vida3 , depois de Montevidéo e Buenos Aires, e uma Cidade Global "Alfa -", segundo estudos da Globalization and World Cities Research Network4 . Finalmente, é considerada como a 53º cidade mais rica do mundo, com um PIB estimado em US$93 bilhões em 2005 e que deve chegar a US$ 205 bilhões até 20205 .
Fonte: Wikipédia.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A INFLUENCIA GEOPOLITICA DAS DIÁSPORAS ÉTNICAS

As diásporas étnicas e a questão identitária de um povo estão intrinsecamente ligadas à geopolítica.
 Tradicionalmente, as teorias geopolíticas são elaboradas a partir de uma interpretação do mundo político com base na teoria da soberania, que sustenta ser o Estado a autoridade suprema sobre determinado território. Essa interpretação considera que as relações entre essas unidades territoriais delineiam os contornos da política mundial. Em outras palavras, os Estados territoriais seriam os únicos atores da imaginação geopolítica.
Contudo, uma questão extremamente relevante para a compreensão da correlação de forças no espaço mundial constitui a infl uência geopolítica das diásporas étnicas. Uma diáspora étnica é uma formação sócio-política dispersa por diversos Estados, criada como resultado da migração forçada ou voluntária. Essas formações políticas adquirem cada vez mais um papel significativo na política nacional, interestatal e global.
 O fator identidade
Portanto, a geopolítica – como combinação de fatores geográficos e políticos que determinam a condição de um Estado ou região – deve considerar a dinâmica interna dos Estados e o papel das diásporas étnicas que são capazes de direcionar a atenção para a questão da identidade: uma vez despertada, a questão identitária pode ser usada para infl uenciar a formulação da política externa. O fator identitário é tão importante que alguns teóricos acreditam que a construção de uma identidade étnica é pré-condição para a identidade política e demandas políticas. Outros, como o russo Yuri Boradai, afirmam que os principais fundamentos da geopolítica seriam a etnia e a identidade.
No processo de formação dos Estados-nação, as diferentes identidades foram subordinadas à identidade cultural “oficial” do Estado-nação por meio de um processo muitas vezes violento. Um exemplo é a formação identitária da República da Turquia na década de 1920 que, na tentativa de homogeneizar a população, suprimiu a identidade etno-linguística curda e a religião xiita dos alevis.
Apesar do uso da violência durante as tentativas de unificação identitária, as identidades nacionais são bem menos homogêneas do que aparentam. Muitos Estados contêm dentro de suas fronteiras grupos minoritários que se identificam com culturas diferentes, formando enclaves etno-culturais no interior dos Estados receptores, como consequência da frágil identificação com a cultura nacional. Geralmente, esses grupos étnicos diaspóricos mantêm contatos regulares ou esporádicos com Estados ou grupos com os quais possuem relação de parentesco ou cultura e podem, eventualmente, ter afinidades e interesses convergentes. No entanto, devido a fatores como aculturação, assimilação e integração, nem todos os membros de uma diáspora têm o mesmo sentimento de pertencimento à cultura ancestral e, sendo assim, nem todos compartilham a mesma visão e nem estão dispostos a participar de organizações diaspóricas.
Diásporas na História
As diásporas etno-nacionais não são um fenômeno recente. Algumas diásporas étnicas, como a grega e a judaica, se desenvolveram durante a Antiguidade; outras, como a romani (cigana), surgiram na Idade Média; e há comunidades chinesas dispersas pelo mundo desde o século 17. O diasporismo étnico cresceu após o fim da ex- URSS e certos grupos diaspóricos antigos e dormentes se tornaram mais ativos nas arenas políticas e socioeconômicas. Isso porque a globalização possibilitou, por um lado, uma maior integração e interconexão das partes, estimuladas em grande medida pela disseminação e consolidação de novas tecnologias de comunicação. Por outro lado, a expansão da homogeneização cultural incitou a resistência cultural e política dos grupos minoritários. Apesar de muitos integrantes de diásporas pertencerem a culturas híbridas, o recuo ao absolutismo étnico e religioso promovido por alguns Estados alimentou as identidades defensivas, como reação às tentativas de restauração da coesão frente ao hibridismo nacional.
Quanto à atuação política, as diásporas étnicas possuem esferas de atuação, orientações políticas e estratégias distintas e nem sempre são convergentes com os interesses das pátrias de origem. Há estratégias diversas, como assimilação, separatismo, integração, autonomia e irredentismo, algumas com implicações territoriais diretas, outras com impactos limitados na dinâmica interna dos Estados receptores. Além disso, as políticas das diásporas têm obtido grande relevância e despertado o interesse de diversos governos devido à amplitude de sua infl uência no comportamento internacional e as múltiplas maneiras de infl uenciá-lo. Como canais entre diferentes sociedades, as diásporas agem como pontes ou mediadoras, transmitindo valores e intermediando o fl uxo de recursos. Podem desencadear confl itos e interferem na perpetuação ou na resolução das tensões, podendo até servir de pretexto para o irredentismo de alguns Estados que pretendem expandir seus limites territoriais. De forma negativa, algumas diásporas são a principal fonte de violência e instabilidade, criminalidade e terrorismo internacionais, utilizando modernos recursos tecnológicos além do alcance dos Estados estabelecidos.
 A região de Nagorno- Karabakh se encontra dentro do território do Azerbaijão e foi palco de conflito armado entre a Armênia e o Azerbaijão. O conflito se acendeu em 1991, após a declaração de independência da região, que, apesar de estar localizada na parte sudoeste do Azerbaijão, possui população predominantemente de origem armênia.
 Além das fronteiras

A ação de uma diáspora não é constante, estando sujeita a alterações conjunturais. A aquisição de uma pátria territorial por uma etnia altera o posicionamento do grupo diaspórico, como no caso dos armênios. A independência da Armênia após o fim da ex-URSS fez com que a principal preocupação dos armênios diaspóricos fosse oferecer apoio político e assistência econômica aos armênios envolvidos no conflito de Nagorno-Karabakh aos armênios envolvidos no . A conexão de uma diáspora com a pátria de origem pode também atingi-la durante um confl ito ou tensão entre grupos ou Estados. Como em 1994, quando a comunidade judaica argentina foi vítima de um ataque terrorista provocado por radicais islâmicos com apoio do Irã, que causou 85 mortes e a destruição da Asociación Mutual Israelita Argentina. Não obstante o aumento do hibridismo cultural dentro das fronteiras nacionais, os indivíduos diaspóricos permanecem definidos como o paradigmático “outro” do Estado-nação, como desafiadores das suas fronteiras tradicionais, como transportadores transnacionais de culturas, e como manifestações de comunidades desterritorializadas. Apesar das atitudes hostis de muitos Estados diante das diásporas e da ambiguidade política de suas pátrias, a luta pela sobrevivência física e cultural dos indivíduos diaspóricos continua e as futuras pesquisas sobre as diversas esferas geopolíticas não podem ignorar os objetivos e as infl uências das diásporas.
Marcos Toyansk

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

REFLEXÕES SOBRE GEOGRAFIA FÍSICA NO BRASIL

'Reflexões sobre a Geografia Física no Brasil' apresenta novas abordagens sobre a natureza no contexto da Ciência Geográfica. O livro contém trabalhos provenientes de experiências científicas e acadêmicas de seus autores, que apresentam os mais recentes avanços nos níveis teórico, epistemológico, metodológico e empírico sobre diferentes temas na Geografia Física.
Autores: Antônio José Teixeira Guerra e Antônio Carlos Vitte
Editora: Bertrand Brasil 
Páginas: 280 
Ano: 2004

Fonte: Revista Geográfica Prática e Conhecimento.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A INDÚSTRIA AUTOMOTIVA NO BRASIL

A indústria automotiva  está presente no Brasil desde o início do século XX, e passa a atuar de forma direta em território nacional a partir da década de 50 do mesmo século.
O primeiro automóvel no Brasil foi um Peugeot, modelo francês importado de navio até a cidade de Santos, pelo jovem de 18 anos chamado Alberto Santos Dumont, em 1894. A primeira empresa a estabelecer um escritório no país foi a Ford, em 1919. Em 1925 seria a vez da General Motors, ambas baseadas na capital paulista. Na década de 20 surge a primeira rodovia asfaltada, a Rio-Petrópolis, inaugurada pelo presidente Washington Luís, que tinha como lema "governar é abrir estradas".
 O verdadeiro nascimento da indústria automotiva ocorre durante os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. O primeiro tomou medidas importantes como a proibição da importação de veículos montados e a imposição de alta taxação de peças. Outro ponto capital, não só no nascimento da indústria automobilística como na de outros setores foi a instalação da CSN - Companhia Siderúrgica Nacional, que possibilitou  a manufatura em território brasileiro de chapas e barras de ferro e aço, matéria-prima de todo automóvel, bem como a fabricação de várias peças.
 Já Kubitschek deu o passo seguinte, dando condições às indústrias no Brasil para desenvolver localmente qualquer tecnologia estrangeira. A primazia do primeiro carro 100% fabricado nacionalmente coube à Romi, indústria de tornos e equipamentos agrícolas, que obteve o licenciamento de um minicarro italiano, o Isetta. Surge assim, em 1956, a Romi-Isetta, como ficou conhecida, com um motor semelhante ao de uma motocicleta, rodas diminutas, aro 14 e somente uma porta, frontal. No mesmo ano, outras fábricas, como a FNM (Fábrica Nacional de Motores) e a Vemag (de origem alemã) lançavam carros totalmente nacionais, apesar de serem cópias licenciadas de modelos baratos europeus e norte-americanos. Kubitschek criou ainda o GEIA - Grupo Executivo da Indústria Automobilística, destinado a viabilizar as iniciativas de produção de automóveis nacionais.
 Em 1959 é a vez da Volkswagen, que instala sua filial em São Bernardo do Campo, SP, e monta os primeiros Fuscas e Kombis nacionais. A empresa irá liderar o mercado de automóveis no Brasil até o início dos anos 90. O automóvel nacional tornava-se uma realidade palpável, e o cenário urbano já era "invadido" pelos modelos nacionais, que ocupavam o espaço dos importados.
 No fim dos anos 60 e início dos 70, o consumidor se torna mais exigente, e os modelos passam a ter uma qualidade melhor, sendo que várias empresas pequenas surgem, com destaque para a Gurgel e a Puma. Ao mesmo tempo, quatro empresas irão se consolidar como as principais fabricantes do país, dominando quase todo o mercado: Volkswagen, GM, Ford e Fiat.
 Nos anos 90, a importação de veículos volta a ser estimulada, abrindo o mercado brasileiro. Atualmente, o Brasil possui 20 empresas competindo em um lucrativo mercado, onde estima-se que haja proporcionalmente um carro para cada cidadão brasileiro na região da grande São Paulo.
Emerson Santiago  

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ENCHENTES


Além dos mais variados problemas causados pelo homem que assolam as grandes cidades, outros fenômenos que contam com grande participação da natureza também dificultam a vida nos centros urbanos: as enchentes.
As áreas urbanas são as que mais expressam as intervenções humanas no meio natural. O desmatamento, as edificações, a canalização, a mudança do curso dos rios, a poluição da atmosfera, dos cursos de água e a produção de calor geram diversos efeitos sobre os aspectos do ambiente. As alterações ambientais causadas pelas atividades urbanas são sentidas pela população, tais como o aumento da temperatura nas áreas centrais, o aumento de precipitação e as enchentes. Essa última consequência do processo de urbanização teve como causa principal a construção de casas, indústrias, vias marginais implantadas nas áreas de várzeas dos rios e proximidades e é, atualmente, um problema constante nos períodos chuvosos nos principais centros urbanos.
Causas e Consequências 
As enchentes são fenômenos naturais que ocorrem quando a precipitação é elevada e a vazão ultrapassa a capacidade de escoamento, ou seja, quando a chuva é intensa e constante, a quantidade de água nos rios aumenta, extravasando para as margens dos rios (áreas de várzeas). Todos os canais de escoamento possuem essa área de várzea para receber o "excesso" de água, quando ela ultrapassa os limites dos canais. Entretanto, com as interferências antrópicas (do homem), as inundações são intensificadas em vista de alterações no solo de uma bacia hidrográfica, tais como a urbanização, impermeabilização, desmatamento e o desnudamento (eliminação da vegetação).

O processo de urbanização causa mudanças no microclima das cidades. O intenso processo de desmatamento e a construção de residências, edifícios, indústrias, ocupação das áreas de várzeas e a impermeabilização do solo com asfalto acarretam no aumento de temperatura dos centros urbanos em relação às áreas periféricas (afastadas do centro) e às áreas rurais. Em algumas cidades esta diferença de temperatura pode atingir até 10°C. Além do desmatamento e da impermeabilização do solo, o consumo de combustíveis fósseis por automóveis e indústrias torna a cidade uma fonte de calor. Esse fenômeno é denominado "ilha de calor". O aumento de temperatura nos centros urbanos intensifica a evaporação; além disso, o material particulado (poluentes) em suspensão favorece a formação de núcleos de condensação na atmosfera. O resultado é o aumento da quantidade de chuvas. A tabela 1 mostra que, nas áreas urbanas, a quantidade de chuva anual é 5% maior e, em dias de chuva, a precipitação (quantidade de chuva medida) é 10% superior se comparada com as áreas rurais. No entanto, as inundações não resultam apenas do aumento da quantidade de chuva, mas - e principalmente - do aumento da velocidade de escoamento superficial ocasionado pela impermeabilização do solo. Além disso, diariamente, os rios recebem uma carga de água utilizada pela população (esgoto), o que também contribui para aumentar a quantidade de água no leito dos rios.
Em condições naturais, parte da chuva fica retida nos troncos e folhas, o escoamento superficial é retido por obstáculos naturais gerando maior infiltração e retardando a chegada da água nos cursos de água. Quando a cobertura vegetal é retirada, não há resistência ao escoamento e a água atinge os rios com maior facilidade e rapidez, contribuindo também com o assoreamento dos rios, pois, sem a cobertura vegetal, os sedimentos são carregados pela água e acabam depositados no fundo dos leitos dos rios. Este fato é agravado quando há impermeabilização do solo.
Outro fator que agrava as inundações nos centros urbanos é o entupimento dos bueiros ocasionado pelo lixo jogado nas ruas pela população. Em dias de chuva, com a impossibilidade do escoamento pelos bueiros, a água concentra-se nas ruas de forma rápida, causando transtornos no trânsito e no comércio, além de atingir residências e causar todo o tipo de estragos.
Um perigo para a vida urbana
 As enchentes representam uma ameaça para a população, especialmente nas áreas periféricas, onde há deficiência de coleta e tratamento de esgoto. Em épocas de inundações, a população tem contato com a água contaminada, contribuindo para a propagação de doenças como a leptospirose. O processo de urbanização no Brasil, atualmente, ocorre de forma intensa e, na maior parte dos casos, sem planejamento. Áreas inteiras são ocupadas e loteadas, de forma clandestina ou não, contribuindo para os processos de erosão. Esta urbanização desmesurada também leva a população a ocupar áreas dos leitos de rios ou de mananciais.
 Precipitação
É o nome técnico utilizado para denominar o fenômeno climático de queda de água do céu para a superfície terrestre. A precipitação pode ser sólida (granizo); sólida em cristais (neve, ocorre quando o esfriamento da água é mais lento) e líquida (chuva propriamente dita).
 Tudo isso só faz agravar a problemática das enchentes nos grandes centros urbanos. As soluções encontradas para conter, da maneira que é possível, as enchentes seguem uma linha imediatista na tentativa de alcançar a resolução do problema em um período curto de tempo. Dentre as ações, destacam-se as obras de desassoreamento dos rios (retirada dos sedimentos depositados pela água) e, consequentemente, o aprofundamento do leito, com canalização e construção de reservatórios regularizadores de vazão.
 Alternativas e soluções
As medidas preventivas ideais para a solução das inundações são fundamentalmente institucionais. A atuação e fiscalização dos órgãos responsáveis (estaduais e municipais) no que tange ao uso e ocupação do solo, à utilização dos recursos hídricos e ao cumprimento da legislação seriam um bom ponto de partida para a solução do problema.
 Neste sentido, a má definição de atribuições, ausência de uma política unificada e de competição entre os órgãos públicos e o conflito de projetos são fatores que influenciam na resolução dos problemas em curto prazo e o grande investimento de capital. Portanto, frente aos problemas elucidados, é necessário um planejamento urbano coerente com a gestão dos recursos hídricos e uso e ocupação do solo, respeitando as áreas de várzeas e as encostas. Ressalta-se que estas áreas podem ser ocupadas, mas de forma planejada, e as atividades devem ser compatíveis com as suas características, como, por exemplo, a implantação de parques, ciclovias, áreas para práticas esportivas ou exposições nas áreas de várzea.
 A conscientização dos técnicos e da população de que as enchentes são um processo natural do regime hidrológico de um rio é essencial para a implantação de medidas preventivas que evitem os prejuízos vistos atualmente e com os quais toda a sociedade tem que arcar.
 Divulgação

As enchentes representam uma ameaça para a população, especialmente nas áreas periféricas, onde há deficiência de coleta e tratamento de esgoto. Em épocas de inundações, a população tem contato com a água contaminada, contribuindo para a propagação de doenças como a leptospirose.
Aline Aquino

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A FORTE ECONOMIA MINEIRA CHILENA E A HERANÇA DE SALVADOR ALLENDE

No atual contexto geopolítico da América Latina, duas questões estão permanentemente na pauta das discussões. A primeira é a necessidade de cuidados de preservação ambiental e de políticas que valorizem os recursos naturais da região em prol do desenvolvimento social de suas populações. Outra questão discutida é a eficiência e a legalidade dos processos de nacionalização que são adotados por governos mais ousados, como o de Hugo Chávez na Venezuela e Evo Morales na Bolívia.
Salvador Allende
Salvador Allende Zurkovich (26/6/1908 - 11/9/1973) foi um político chileno. Médico, socialista e adepto das teorias do marxismo, foi eleito democraticamente presidente do Chile em 4 de novembro de 1970. Governou com ampla aceitação pública até 11 de novembro de 1973, quando foi deposto pela junta militar chilena. O Golpe colocou no poder o Comandante em Chefe do Estado Chileno, Augusto Pinochet, no Palácio de la Moneda. Em vida, Allende tentou implementar uma estratégia política e econômica e socializar a economia chilena, fazendo a reforma agrária e nacionalizando indústrias. Sua morte é cercada de uma nuvem de mistério. Alguns, como sua filha, acreditam que ele se suicidou no Palácio com uma arma que lhe fora dada por Fidel Castro. Outros creem que ele foi assassinado pelas forças militares invasoras no momento do Golpe Militar.
A importância da indústria estatal para a receita pública de um país é evidente, muito embora a atual tendência econômica neoliberal leve a um caminho contrário. Pensemos no papel que tem a Petrobras para a saúde monetária do Estado brasileiro. Um exemplo emblemático da importância que uma indústria estatal forte pode exercer na economia de um país e o contraste que esta pode chegar a uma semelhante privada é o que se pode observar na atual economia chilena entendida como exemplo de economia neoliberal bem-sucedida na América Latina.
 O primeiro que se deve saber para entender a economia chilena é que ela é basicamente mineira, alicerçada na extração do cobre. E também que o cobre é a segunda riqueza natural mais vendida no mercado internacional, atrás apenas do petróleo. É importante saber também que a região mais rica em cobre do país é justamente o extremo norte, conquistado da Bolívia e do Peru durante a Guerra do Pacífico, ainda no século XIX. Aquela famosa guerra que deixou a Bolívia sem saída ao mar. Hoje quando se discute o direito boliviano a um porto livre no Pacífico se esquece da imensa riqueza natural que o país perdeu no conflito.
 Na época do conflito, o Chile era um país que incorporava os preceitos liberais, enquanto o governo boliviano pretendia começar a cobrar impostos das companhias salitreiras inglesas e estadunidenses. Com apoio inglês, os chilenos venceram o conflito. Na mesma região conquistada pelo Estado chileno nesta guerra, algumas décadas depois, descobriram-se imensas reservas de cobre. A principal delas é Chuquicamata, a maior mina de cobre a céu aberto do mundo.
 Em 1971 as riquezas dessa mina, junto às outras quatro grandes minas em exploração na época, foram revertidas ao Estado chileno graças à nacionalização promovida por Salvador Allende . A nacionalização teve como base a resolução 1803 da XVII Assembleia Geral das Nações Unidas, de 14 de dezembro de 1962, chamada Sobre a Soberania Permanente dos Recursos Naturais. Nela se reconhece o direito inalienável de todo Estado dispor livremente de suas riquezas naturais de maneira conforme interesses nacionais e em respeito à independência econômica dos Estados.
 O economista chileno Julian Alcayaga Olivares, especialista na questão mineira, ressalta: "para se ter uma idéia da importância da nacionalização, em 2004 a CODELCO (Corporación Nacional del Cobre criada oficialmente em 1976 a partir da junção das cinco grandes minas nacionalizadas por Salvador Allende em 1971) rendeu aos cofres públicos através de impostos seis vezes mais do que a soma de impostos pagos pelo conjunto das mais de 10.000 empresas privadas existentes no país, incluindo as demais empresas mineiras, pesqueiras e madeireiras, os bancos, companhia de seguros, etc. Vale ressaltar que a soma da produção dessas empresas é duas vezes mais que a da CODELDCO.
 Hoje, há documentos que comprovam que a nacionalização do cobre promovida por Allende foi o principal motivo da ingerência estadunidense que apoiou o golpe militar de 73, que levou Allende à morte e instaurou a política de terror e violação de direitos humanos comandada por Augusto Pinochet. O mais importante de se notar é que a importância da nacionalização era tamanha que Pinochet não voltou a privatizar as minas estatais deixadas por Allende.
 No Chile, existe um total de 47 empresas multinacionais mineradoras. Nos últimos 12 anos, as multinacionais de cobre levaram do Chile 23 milhões de toneladas do mineral, o que representa um valor de 43 bilhões de dólares, e não pagaram impostos. As empresas privadas exploram hoje 2/3 do cobre extraído do país.
 "Uma dona de casa que compra menos de um quilo de pão paga imposto, mas as mineradoras multinacionais não pagam."
Ricardo Lagos, ex-presidente do Chile
Ao contrário, mesmo frente às pressões internas e externas para 'desnacionalizar' o cobre, em 1976 o governo militar criou a CODELCO a partir da fusão das cinco grandes minas nacionalizadas por Allende em uma única grande empresa estatal. Pinochet indenizou as multinacionais nacionalizadas, o que até então não ocorrera, e criou decreto-lei que determina que 10% do lucro da CODELCO seja diretamente revertido às forças armadas chilenas. Paralelamente, os novos investimentos na mineração não apenas voltaram a ser permitidos ao capital privado e estrangeiro, mas o Estado chileno, aos poucos, passou a oferecer regalias ao investidor privado." Assim, hoje, no Chile aquela empresa que demonstre prejuízo em seu balanço anual, seja por pagamento de dívidas ou qualquer tipo de prejuízo inclusive fora do território chileno, fica isenta de impostos.
 Graças a esse benefício, em 2004 a Comissão Especial de Tributação do Senado afirmou que entre 1995 e 2002 as mineradoras estrangeiras não pagaram nenhum dólar de imposto de renda ao Estado chileno, com exceção da Mineradora Escondida e Mantos Blancos S.A., que contribuíram em duas oportunidades.
 O próprio presidente chileno à época, Ricardo Lagos, disse em um programa de televisão que "uma dona de casa que compra menos de um quilo de pão paga imposto, mas as mineradoras multinacionais não pagam". No Chile, existe um total de 47 empresas multinacionais mineradoras. Nos últimos 12 anos, as multinacionais de cobre levaram do Chile 23 milhões de toneladas do mineral, o que representa um valor de 43 bilhões de dólares, e não pagaram impostos. As empresas privadas exploram hoje 2/3 do cobre extraído do país.
 Atualmente, a mineração chilena enfrenta uma questão emblemática que desnuda o tipo de atuação de boa parte das empresas multinacionais privadas na América Latina. Trata-se do projeto minerador Pascua Lama, da companhia canadense Barrick Gold Corporation, que escandaliza não apenas por suas características econômicas que não asseguram nenhum retorno financeiro ao Estado chileno, mas principalmente pelo descaso com o meio ambiente e com as populações que vivem na região onde se pretende extrair ouro. A Barrick Gold é a terceira empresa produtora de ouro no mundo, com minas ativas nos Estados Unidos, Canadá, Peru, Tanzânia e Chile.
 Em 1997, representantes dos governos de Carlos Menem, da Argentina, e Eduardo Frei, do Chile, assinaram tratado de acordo binacional sobre mineração. O acordo permite que empresas estrangeiras desenvolvam projetos em jazidas que se encontrem em regiões fronteiriças. Pascua Lama é o primeiro grande projeto a fazer uso desse tratado. A Barrick Gold pretende explorar uma mina a céu aberto, onde além de ouro, obterá também prata, cobre e outros metais secundários. A mina está localizada na fronteira entre o deserto chileno de Atacama e a província de San Juan, na Argentina. O processo de mineração prevê utilização de substâncias altamente perigosas, como o cianureto.
 Em fevereiro de 2006, a companhia conseguiu aprovar no Chile seu estudo de impacto ambiental e, em dezembro de 2007, obteve também autorização das autoridades da província de San Juan, na Argentina. Apesar disso, os ambientalistas afirmam que o cianureto e os demais resíduos da mina, por meio de drenagens ácidas, contaminarão as reservas de água da região. Desde o alto da cordilheira dos Andes, com nascente próxima à mina, flui ao Pacífico o rio Huasco. O vale desse rio é um verdadeiro oásis no deserto do Atacama e a região produz o melhor pisco do país, maçã e uva para exportação, além de outras frutas e verduras que abastecem o mercado local. São 70 mil habitantes que seriam diretamente afetados no caso de uma eventual contaminação.
 Em Santiago é comum a ação policial com bombas de gás lacrimogêneo e carros pipa reprimindo as manifestações sociais e estudantis. Assim mesmo, a herança deixada por Allende com a nacionalização deixa aos cofres públicos ainda hoje seis vezes mais do que a soma do ingresso deixado pelas mais de 10.000 empresas privadas existentes no país.
 Um dos problemas mais sérios é que no local de exploração da mina está uma enorme geleira, na nascente do rio Huasco. Segundo Lucio Cuenca, diretor do Observatório Latino-Americano de Conflitos Ambientais (Olca), "eles propõem remover a geleira de uma montanha a outra, sem destruí-la. Isso, na minha opinião, é um insulto à inteligência dos chilenos e de todos em geral". A mina utilizará também 370 litros de água por segundo, mais do que a média diária de um cidadão comum do vale Huasco. O projeto prevê um investimento de 950 milhões de dólares e uma vida útil de 20 anos. Porém, vale lembrar que as empresas estrangeiras de mineração que apresentarem perdas em seu balanço anualestão isentas de pagar impostos. Ou seja, se a bilionária Barrick Gold apresentar em sua contabilidade problemas financeiros por gastos com novos investimentos ou pagamento de dívidas, terá isenção tributárias.
 O Chile está hoje entre os cinco países do mundo mais confiáveis para o investimento estrangeiro, sua economia cresce a uma media de 5% ao ano. Ao mesmo tempo, o país está entre as 10 piores distribuições de renda do mundo. O grande volume financeiro que as riquezas do país trazem ainda hoje chegam ao Estado graças à ação do "socialista" Salvador Allende. A ousadia do então presidente lhe custou a vida e a liberdade do povo do povo chileno por quase 20 anos. Hoje, a democracia vigente no país não reverteu as leis promovidas pela ditadura militar.
 A CODELCO segue deixando 10% de seu lucro às forças armadas e a lei antiterrorista é a mesma da época de Pinochet de forma que muitos líderes sociais, indígenas e políticos estão encarcerados como terroristas. Em Santiago é comum a ação policial com bombas de gás lacrimogêneo e carros pipa reprimindo as manifestações sociais e estudantis. Assim mesmo, a herança deixada por Allende com a nacionalização deixa aos cofres públicos ainda hoje seis vezes mais do que a soma do ingresso deixado pelas mais de 10.000 empresas privadas existentes no país. Codelco representa sozinha mais da metade do ingresso para todo o pouco que o país oferece em serviços públicos de educação, saúde, transporte e cultura.
 Será que o processo de nacionalização promovido por governos mais ousados é realmente, como dizem muitos, uma medida populista e irresponsável? Enquanto isso, países de imensas riquezas naturais como Brasil e México ocupam respectivamente os lugares 65 e 55 no ranking IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU. E Cuba, uma minúscula ilha isolada pelas restrições de comércio impostas pelo vizinho gigante, está na 52ª posição.(Pedro Dantas, Revista Geográfica Prática e Conhecimento).