segunda-feira, 1 de outubro de 2012

CONFLITOS NA CAXEMIRA

Identificação geográfica da área do conflito
A Caxemira consiste num território montanhoso localizado entre o norte da Índia, o nordeste do Paquistão e o sudoeste da China. Sua extensão territorial é de 220 mil quilômetros quadrados, sendo áreas de influência da Índia (100 mil km²), Paquistão (80 mil km²) e China (40 mil km²).
Historicamente, esse território tem sido alvo de disputas entre esses três países desde 1947, quando ocorreu a fragmentação das Índias Britânicas, e o consequente processo de descolonização do subcontinente, dando origem a dois países: Paquistão (com maioria da população mulçumana) e Índia (população hinduísta). Além da localização estratégica, o domínio da Caxemira proporciona o controle das águas do curso médio do rio Indo.
Após divisão territorial, as centenas de estados que formavam a gigantesca região das Índias Britânicas anexaram-se ao Paquistão ou à Índia. No entanto, a Caxemira era governada por hindus, e sua população de 5 milhões de habitantes, dos quais 80% eram mulçumanos, dificultou uma decisão a respeito de qual país a Caxemira seria anexada.
Portanto, foi decidido que a Caxemira iria continuar como um território autônomo, ou seja, se tornou um estado independente. Essa decisão desencadeou uma grande rebelião dos mulçumanos (maioria da população) contra o governo hindu (minoria da população).
A insatisfação dos mulçumanos contra o governo da Caxemira proporcionou uma série de atentados violentos, fazendo com que o governo local solicitasse auxílio da Índia. O Paquistão, por sua vez, enviou tropas em ajuda aos mulçumanos na Caxemira. O confronto durou mais de um ano e o território foi divido por uma linha que estabeleceu um lado hindu e um lado mulçumano.
Os conflitos entre Índia e Paquistão intensificaram-se durante a década de 1990. O Parlamento indiano declarou que a Caxemira (inclusive a parte de influência do Paquistão) pertencia à União Indiana. Entre 1990 e 1995, aproximadamente 10 mil pessoas foram mortas nos confrontos.
Uma guerra entre os dois países pode levar a um combate com utilização de armas nucleares, pois as duas naçõespossuem tecnologia para a fabricação desse tipo de armamento. Tanto a Índia quanto o Paquistão já realizaram testes de seus arsenais atômicos.
Além do Paquistão e da Índia, a China também possui interesse pela Caxemira, pois o território disputado é de grande importância estratégica para o país. Sua localização geográfica facilita o acesso chinês ao Tibete e à região de Sinkiang, ambas sob o domínio chinês.
Fronteiras: Índia x Paquistão
A fronteira entre Índia e Paquistão é a linha que limita os territórios da Índia e do Paquistão, estabelecida a partir da independência dos dois estados a partir do Raj Britânico, em 1947. As relações entre os dois estados são muito tensas e a passagem na fronteira de pessoas e bens é estritamente limitada. A principal fonte desta discórdia relaciona-se com a questão de Caxemira: nesta região, não há consenso sobre o traçado da linha de fronteira. Em Caxemira o traçado da fronteira está por definir. A Índia reclama soberania sobre as províncias de Caxemira Livre e Áreas do Norte, atualmente sob controle paquistanês. O Paquistão considera-se soberano sobre a zona do glaciar de Siachen, controlado pela Índia desde o conflito de Siachen em 1984. A região não tem nenhuma fronteira no sentido internacional, mas apenas uma linha de cessar-fogo, a Line of Control, limite das posições militares aquando do fim da Primeira Guerra Indo-paquistanesa em 1949. Esta linha de controle está materializada na quase totalidade do seu traçado por uma fileira dupla de arame farpado rodeado por campos minados. Conflitos entre os dois exércitos são regulares. 
 Caracterização socioeconômica e cultural da área de ocorrência entre os conflitos
Sobre a Índia:
 A Índia é considerada a 10º maior economia do mundo. O PIB do país, em 2007, chegou à casa dos U$800 bilhões, com um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. A economia indiana é a 2ª que mais cresce no mundo. Contudo, a desigualdade social no país, ao invés de diminuir, aumenta cada vez mais. O PIB per capita da população indiana, em 2007, foi de U$2,700.
O principal responsável pelo crescimento econômico na Índia é o setor de serviços, embora seja o setor agrícola o responsável por 3 em cada 5 empregos no país. Os produtos agrícolas mais comuns são: arroz, trigo, algodão, chá, cana-de-açúcar, juta, sementes oleaginosas, especiarias, legumes e verduras. As criações de aves, cabras, ovelhas, búfalos e peixes também são bem comuns na Índia. O principal produto de mineração é o minério de ferro, embora sejam explorados também: carvão, diamante, cromita e asfalto natural.
Sobre o Paquistão:
Paquistão, um país pobre e subdesenvolvido, sofreu durante décadas com disputas políticas internas e reduzido investimento estrangeiro. No entanto, durante os anos 2001 e 2007 o nível de pobreza diminuiu 10%, com ajuda do gasto público.Entre os anos 2004 e 2007 o PIB cresceu entre 5 e 8% ao ano, com a expansão do setor industrial mas entre os anos 2008 e 2009 o crescimento diminuiu e o desemprego aumentou.
 Contextualização histórico-temporal ressaltando as causas do conflito (territorial, religioso, étnico) e envolvimento da população local.
Na raiz da maioria dos conflitos está a Caxemira e o modo pelo qual o seu alinhamento político foi decidido após a partilha da Índia britânica em 1947. A Caxemira, de população majoritariamente muçulmana, era governada por um marajá hindu que decidiu, na ocasião da partilha, declarar a independência de seu principado. Uma invasão de unidades não-regulares paquistanesas, apoiadas por algumas tropas regulares, fez com que o marajá aceitasse unir-se à Ìndia para repelir os invasores. O resultado imediato foi o irrompimento da Primeira Guerra Caxemira entre Paquistão e Índia. O conflito durou mais de um ano cada uma das partes logrou avançar de maneira significativa no território da outra. Quando do cessar-fogo determinado pela ONU, a Índia havia assegurado pouco menos de três-quintos da Caxemira, inclusive o fértil Vale da Caxemira.
A Segunda Guerra Caxemira começou com uma infiltração instigada pelo Paquistão, que provocou uma rebelião em Jammu e Caxemira contra o governo indiano. Em retaliação, a Índia desfechou um ataque contra o território paquistanês. A guerra terminou num impasse.
A terceira guerra indo-paquistanesa não envolveu a Caxemira e sim o Paquistão Oriental (o futuro Bangladesh). Após meses de conflito interno ali, a Índia decidiu apoiar os bengaleses e, em quinze dias, o exército indiano havia derrotado as tropas paquistanesas, com a ajuda dos rebeldes, e levado o Paquistão à rendição.
As hostilidades mais recentes, conhecidas como Guerra de Kargil, são consideradas um conflito menor, embora tenha causado emoções fortes em ambos os lados, numa época de maior cobertura de mídia. A guerra terminou com a Índia de posse de Kargil (um distrito do estado indiano de Jammu e Caxemira).
Consequências do conflito
Guerrilha acompanhada por uma série de atentados terroristas contra a presença indiana no restante da Caxemira visando a integração futura dela no Paquistão.
O resultado é que essa disputa entre muçulmanos e indus levou os dois países a duas outras guerras, uma em 1965 e outra em 1971.  Principal responsável pela corrida armamentista nuclear do presente.
O subcontinente indiano viu-se as portas do início de uma corrida nuclear numa das áreas mais pobres do mundo.
A Ásia que parecia acenar para o século XXI com uma era de paz e prosperidade, foi varrida naquela ocasião por uma dupla tempestade: a financeira, que devastou os Tigres e Dragões econômicos.
 Desmanchou a curto prazo sonos de propriedade, a das explosões atômicas que fez com que se abalasse as perspectivas de paz.
Considerações finais
Terríveis conflitos separam as duas comunidades religiosas. Matanças entre hindus e muçulmanos fazem com que a independência da Índia nasça manchada de sangue indiano. Inicia-se a luta em torno da posse da Província da Caxemira, que conduzirá às Guerras de 1965 e 1971 (esta motivada pelo separatismo do Paquistão Oriental, hoje Bangladesh).
Enquanto o Paquistão conhece períodos alternativos de governo parlamentar e de ditaduras, a Índia orgulha-se de ser a maior democracia do mundo (com a alternância dos dois partidos: o Partido do Congresso e o Partido Janata). A Índia fez sua primeira experiência nuclear em 1974 e o Paquistão em 1998. As maiores lideranças pós-independência da Índia foram Nehru e sua filha Indira Gandhi, e Ali Butho representando o Paquistão. Além de  que essas catástrofes naturais criam por vezes condições políticas para a paz que a natureza não conhece fronteiras e que só unindo de forma sustentável as suas acções é que o Paquistão e a Índia poderão oferecer à população da Caxemira a esperança de reconstruir o seu futuro;


Um comentário:

  1. Ai fica a indignação sentida pelos moradores da região Caxemira,que não possuem soberania própria,e passam por várias guerras...

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