sexta-feira, 28 de setembro de 2012

MAR DE BARENTS

O Mar de Barents (norueguês: Barentshavet, russo: Баренцево море) é parte do Oceano Glacial Árctico e situa-se a norte da Noruega e da Rússia. Recebeu o nome do navegador neerlandês Willem Barents. Tem uma profundidade média de 230 m.
Os portos de Murmansk, na Rússia, e de Vardø, na Noruega, permanecem livres de gelo ao longo de todo o ano, devido à acção da corrente do Atlântico Norte, uma corrente quente ligada à corrente do Golfo. Os maiores arquipélagos do mar de Barents são os da Nova Zembla (Rússia) e de Svalbard (Noruega).
Antes da Guerra de Inverno, o território da Finlândia também atingia o mar de Barents, e o porto de Petsamo era o único porto finlandês livre de gelo no inverno.
A contaminação nuclear de despejos de reactores navais russos é um problema ambiental sério no mar de Barents.
O Mar de Barents é centro de extracção de petróleo desde a década de 1970, tanto na parte norueguesa como na russa.
WIKIPEDIA

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Coreia do Norte: Com suas bombas nucleares, Coreia abala a geopolítica

A inesperada explosão subterrânea de uma bomba atômica pela Coreia do Norte, em 9 de outubro de 2006, provocou muito mais abalos políticos do que sísmicos. Até mesmo a China, tradicional aliada dos norte-coreanos, posicionou-se contrariamente ao governo de Pyongyang, a capital da República Popular Democrática da Coreia - nome oficial do mais novo membro do pequeno grupo de países que possuem armas nucleares.
Por que um país pequeno e pobre como a Coreia do Norte desenvolveu um programa nuclear com finalidades bélicas? O que leva seu teste com uma bomba atômica a provocar apreensão em países tão diversos quanto os Estados Unidos e a Rússia? E como a própria China e o Japão, adversários tradicionais, se uniram para protestar e propor sanções contra os norte-coreanos?
Evidentemente, a existência e proliferação de armas nucleares em qualquer país mundo já é motivo suficiente de preocupações e temores. Entretanto, para compreender melhor a questão da Coreia do Norte, é preciso conhecer a história desse país e a sua inserção no mundo e no Sudeste asiático, onde ele se localiza. Para isso, é preciso recuar no tempo até o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Guerra fria
Neste ano, a Coreia viu-se livre a invasão japonesa, mas os seus libertadores, a União Soviética, ao Norte, e os Estados Unidos, ao Sul, embora aliados contra o Eixo Alemanha-Itália-Japão, eram rivais na influência que pretendiam exercer no mundo do pós-guerra. Representavam sistemas econômico-políticos antagônicos: o comunismo e o capitalismo.
 EUA e URSS dividiram a Coreia de acordo com seus próprios interesses geopolíticos, sem prestar grande atenção aos anseios coreanos. Era o início da chamada Guerra Fria entre as duas nações que emergiram da Segunda Guerra como grande potências militares.
 Até a década de 1990, quando ocorreu o colapso da URSS, os dois países (e regimes) se enfrentariam indiretamente em diversos locais do planeta, evitando um confronto direto. Como as duas potências dispunham de grandes arsenais nucleares, uma guerra entre elas podia significar - literalmente - o fim do mundo.
Paralelo 38
No norte da Coreia, a influência soviética se traduziu na implantação de um regime comunista e na proclamação da República Democrática Popular da Coreia em setembro de 1948, liderada pelo secretário-geral do Partido dos Trabalhadores Norte-coreanos, Kim Il-Sung. A península coreana foi dividida no paralelo 38, ao sul do qual os Estados Unidos apoiaram o regime nacionalista de Singman Rhee, eleito o primeiro presidente da República da Coreia (ou Coreia do Sul).
 Entre 1948 e 1949, apesar da tensão entre as duas Coreias, EUA e URSS retiraram suas tropas da região, mas quem apostava na permanência de uma situação pacífica entre os coreanos do norte e do sul viu suas expectativas frustradas em 1950.
 Nesse ano, tropas norte-coreanas, com apoio soviético e chinês, atravessaram o paralelo 38, invadindo a Coreia do Sul e dando início a uma guerra que se estenderia até 1953. A Organização das Nações Unidas condenou a invasão, o que permitiu aos Estados Unidos enviarem tropas em socorro dos sul-coreanos. Para evitar a derrota da Coreia do Norte, a China engajou suas tropas no conflito.
 A intervenção chinesa fez a situação voltar à que havia em 1949, com a Coreia do Norte e a do Sul divididas pelo paralelo 38 e adotando, respectivamente, regimes comunista e capitalista. A partir daí, o desenvolvimento político e econômico dos dois países tomou rumos divergentes.
Dois modelos
Na Coreia do Norte, implantou-se uma ditadura comandada por Kim Il-Sung até 1980, quando o poder passou às mãos de seu filho Kim Jong-Il. O regime se tornou autoritário, repressivo e cada vez mais militarizado. Com isso, a economia norte-coreana desandou. Considerada mais desenvolvida que seu vizinho do Sul até o começo da gestão Jong-Il, a Coreia do Norte vive desde então em permanente crise econômica.
 Sua indústria (à exceção da bélica) declinou, o país tornou-se fundamentalmente agrícola, em condições geográficas adversas. Grande parte da sua população, de cerca de 23 milhões de habitantes, depende do auxílio humanitário de outros países para não morrer de fome.
 Já a Coreia do Sul, que viveu sob ditaduras militares de direita dos anos 1960 até o fim dos anos 1980, evoluiu em direção à democracia, ao mesmo tempo em que - promovendo uma revolução educacional - tornou-se um país altamente industrializado e rico, ingressando no grupo de países conhecidos como Tigres Asiáticos.
 A relação entre as duas Coreias conheceu momentos de distensão ao longo desse período que vem do fim da guerra aos dias de hoje, embora diversas crises tenham ocorrido esporadicamente. Os dois países aderiram à ONU em 1991 e assinaram tratados de desnuclearização da península.
Chantagem nuclear da Coreia do Norte
Desde 1998, entretanto, tornou-se fato notório que a Coreia do Norte desenvolvia um programa nuclear com fins militares. Na verdade, o governo de Pyongyang passou a usar a ameaça atômica como elemento de barganha para angariar recursos e auxílio econômico, provenientes principalmente da Coreia do Sul e do Japão, os alvos mais próximos e prováveis de um ataque norte-coreano.
 Ao longo da década de 1990 e no início da década de 2000, os Estados Unidos procuraram conter diplomaticamente a corrida armamentista da Coreia do Norte, embora sua política tenha apresentado inflexões mais brandas ou agressivas, durante os governos de Bill Clinton (1993-2000) e George W. Bush (2001-2008).
 Por enquanto, os desdobramentos do episódio do teste nuclear de 9 de outubro de 2006 são imprevisíveis. Os países que integram o Conselho de Segurança da ONU, formado por cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e China) e dez eleitos para atuar por dois anos, deliberam sobre que medidas tomar para conter a Coreia do Norte e evitar uma guerra.
 Os norte-coreanos afirmam que farão mais testes nucleares e ameaçam reagir a quaisquer retaliações. A sorte está lançada: a paz no Sudeste asiático está mais uma vez em jogo.
Antonio Carlos Olivieri

terça-feira, 25 de setembro de 2012

BIODIESEL: PESQUISA SOBRE AGROCOMBUSTIVEIS CRESCE NO BRASIL

A demanda anual de biodiesel no Brasil é estimada em 1,2 bilhões de litros. O país se prepara para ocupar posição de pioneirismo na produção e no comércio mundial desse combustível, apesar das dúvidas existentes no mercado externo quanto à possibilidade de o biodiesel servir, realmente, como alternativa ao petróleo.
O Brasil apresenta uma grande variedade de matérias-primas disponíveis para o avanço da tecnologia que produz o biodiesel, a chamada "revolução verde".
O pioneirismo brasileiro só se confirmará, no entanto, se forem vencidas duas barreiras: 1) convencer os mercados de que o biodiesel brasileiro é solução e não nova fonte de problemas (o que acontecerá somente se houver efetivo combate à devastação ambiental, à concentração fundiária e ao desrespeito à legislação trabalhista); 2) realizar a integração efetiva dos pequenos produtores, por meio do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), lançado no final de 2004.
O avanço dos agrocombustíveis no Brasil pode ser explicado por uma série de projetos das áreas pública e privada. Além de eleger o setor como uma de suas prioridades, o governo tem procurado estimular as usinas a comprarem matéria-prima de agricultores familiares, em troca da redução de alguns impostos.
Principais culturas voltadas ao biodiesel
Soja: importante produto brasileiro, a soja tem posição de destaque também no segmento de biodiesel. Estima-se que pelo menos 80% do biodiesel fabricado no país provenha da soja. A fatia restante do mercado é suprida, basicamente, por sebo bovino; e menos de 1% é produzido a partir de outros óleos vegetais.
A predominância do uso da soja na obtenção de biodiesel tem uma série de explicações, mas a principal é a abundância: foram produzidos 60 milhões de toneladas na safra 2007/08.
Com 61 usinas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP) a produzir esse combustível, a expansão da área de soja no Brasil deve garantir o atendimento da demanda de óleo para a fabricação de biodiesel. Além disso, há previsão de instalação de outras 50 usinas, o que poderá resultar num salto dos atuais 2,5 bilhões de litros por ano para mais de quatro bilhões.
Mamona: depois da soja, a mamona é, provavelmente, a cultura que mais atraiu investimentos por parte das usinas de biodiesel, principalmente pelo fato de existirem incentivos fiscais às indústrias que compram a produção da agricultura familiar.
A mamona já foi uma cultura importante para o Brasil, e o país chegou a ser o maior produtor do mundo dessa oleaginosa - e principal exportador do seu óleo. No entanto, após ter alcançado o topo do ranking, o Brasil, por falta de investimentos, foi superado pela Índia e pela China na década de 1990.
Dendê: o dendê é uma das oleaginosas mais produtivas entre as culturas comerciais. Em âmbito mundial, seu óleo é o segundo mais consumido, ficando atrás apenas do proveniente da soja.
Como matéria-prima para biodiesel, entretanto, o dendê ainda não tem importância comercial. Atualmente, apenas duas indústrias - Agropalma, no Pará, e Biobrax, na Bahia - produzem combustível de dendê. A produção se destina a suprir a demanda das frotas internas dessas empresas, e apenas o excedente é comercializado.
Algodão: assim como a soja, o algodão é uma cultura dominada pelo agronegócio, que tem no óleo um produto secundário. Em vista da crescente demanda por agroenergia, porém, as fábricas de biodiesel também vêm mostrando interesse em utilizá-lo. Atualmente, há pelo menos 24 usinas (prontas ou em construção) capazes de transformar o óleo de algodão em biodiesel.
Pinhão-manso: alguns países da Ásia e da África apostam no pinhão-manso como matéria-prima para a produção de agrocombustíveis. No Brasil, essa idéia também conquistou adeptos, embora muitos especialistas recomendem cautela, uma vez que o cultivo da planta exige mais pesquisas. Mesmo assim, cerca de trinta usinas estudam a possibilidade de utilizar o pinhão-manso na produção de biodiesel.
De maneira geral, acredita-se que - oferecendo uma alternativa ao petróleo e colaborando para a geração de emprego e renda no campo - os agrocombustiveis poderão ajudar a atenuar os efeitos das crises climáticas e financeiras mundiais.
Ronaldo Decicino

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CLIMA TEMPERADO

O clima temperado é aquele que ocorre nas regiões central da Europa, sudeste da Austrália, litoral sul da América do Sul, nordeste da China, norte do Japão e parte do Oriente Médio.
O clima Temperado possui as seguintes características:
- Nas áreas de clima temperado, os verões costumam ser moderados e os invernos frios;
- O índice pluviométrico (quantidade de chuvas) varia entre 1.500 mm e 2.000 mm (média anual);
- Na época do inverno, a umidade relativa do ar fica em torno de 80%. Já no verão ela aumenta para cerca de 90%.
- No período do inverno, a média de temperatura fica em torno de -2°C. No verão, a média sober para 15°C.
- O clima temperato pode ser subdivido, de acordo com a região em que atua. Desta forma tempos o temperado mediterrânico (Roma, Lisboa, Madri, Santiago do Chile), sutropical úmido (Curitiba, Porto Alegre, Houston), temperado marítimo (Prince Rupert, Limoges, Açores), temperado subártico (Punta Arenas, Monte Dinero), temperado continental (Moscou e Chicago).
Fonte: Sua Pesquisa.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Explosão traz evidências sobre antigos buracos negros estelares

Segundo astrônomos da Nasa, descoberta traz nova visão sobre essa misteriosa classe de buracos negros, que podem produzir grande quantidade de energia
Pesquisadores da Nasa afirmam que a explosão produzida por um buraco negro em uma galáxia próxima, a M83, forneceu evidências diretas sobre uma 'população' de antigos buracos negros estelares voláteis - localizados a cerca de 15 milhões de anos-luz da Terra.
A descoberta traz nova visão sobre a natureza dessa misteriosa classe de buracos negros, que podem produzir energia tanto em um raio X como em milhões de sóis irradiando em todos os comprimentos de onda. Segundo os astrônomos, que usaram dados do Observatório de Raios X Chandra, da Nasa, foi encontrada uma nova fonte de raios X ultraluminosa, ou ULX.
Esses objetos emitem mais raios X do que a maioria dos sistemas binários, em que uma estrela companheira orbita os restos de uma estrela colapsada. Essas estrelas colapsadas formam tanto o núcleo denso de uma estrela de nêutrons ou de um buraco negro. O emissão extra de raios X, ainda sugere que as ULX contêm buracos negros que podem ser mais massivos do que os encontrados em outras partes da nossa galáxia.
Estadao.com.br

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A REFORMA AGRÁRIA NO MUNDO

"Foi então, pela primeira vez, promulgada a lei agrária, que, desde aquela época até hoje, nunca mais foi discutida sem provocar as mais violentas emoções", escreveu o historiador romano Tito Lívio, quase 2.000 anos atrás, sobre um episódio ainda mais antigo, a redistribuição de terras ordenada pelo tribuno Caio Graco um século antes. Se Tito Lívio, que morreu há 1.980 anos, soa tão atual é porque a reforma agrária nunca foi discutida sem provocar violentas emoções. Reforma agrária não é simples instrumento para dar terra aos sem-terra. Como desafia o direito Ache os cursos e faculdades ideais para você. É fácil e rápido. de propriedade e chacoalha a estrutura de poder, carrega consigo o espírito de uma autêntica revolução social. Mais de quarenta países experimentaram projetos de redistribuição da posse da terra neste século - e nenhum deles permaneceu o mesmo depois disso.
Caio Graco pagou com a vida a ousadia de desapropriar os latifúndios patrícios. No final do século XVIII, a Revolução Francesa implodiu as relações de trabalho no campo, abolindo a servidão rural. Meio século depois, os Estados Unidos moldaram o destino do país ao distribuir de forma igualitária a terra pública. Apesar dessas marcantes experiências do passado, a reforma agrária, do jeito que hoje se pratica, é um fenômeno inteiramente moderno. A ordem estabelecida no campo foi virada de cabeça para baixo pela primeira vez em 1910, com a Revolução Mexicana, ao preço de 1 milhão de mortos. À frente de um exército de camponeses, Emiliano Zapata distribuiu terras na marra e, como Caio Graco, acabou assassinado. A semente plantada na revolução demorou duas décadas para germinar. Mas nos anos 30 o México entregou 70 milhões de hectares de áreas agrícolas a 3 milhões de lavradores, realizando uma das maiores redistribuições de terra da História.
Sete anos depois da Revolução Mexicana, os comunistas russos aboliram a propriedade privada da terra com um decreto assinado no dia seguinte à tomada do poder. O abismo ideológico entre as duas experiências pioneiras marcou, dali para diante, a história das mudanças nesse âmbito. O México tomou a terra de grandes fazendeiros e a distribuiu entre vários, menores, multiplicando o número de proprietários. A União Soviética expropriou a terra de todos em benefício de um único grande patrão, o Estado, o nome verdadeiro da "propriedade do povo". Os dois modelos foram amplamente copiados, quase sempre misturados e adaptados às circunstâncias específicas de cada país. Bandeiras vermelhas e camponeses em armas, contudo, tão marcantes nas duas reformas pioneiras, raramente voltaram à cena. A reforma agrária é quase sempre iniciativa de governos às voltas com crises, que precisam resolver ou amainar. Algumas foram impostas por exércitos de ocupação, como fizeram o Exército Vermelho na Europa Oriental e os Estados Unidos no Japão e na Coréia do Sul.
O objetivo básico das reformas em países não comunistas é melhorar a vida do homem do campo e redistribuir a renda a seu favor. Depois da II Guerra, percebeu-se também que se tinha ali um excelente instrumento para dar à agricultura um papel estratégico no desenvolvimento dos países pobres. São dos anos 40 e 50 as quatro grandes experiências em países de economia de mercado - Japão, Taiwan, Coréia do Sul e Egito -, com decisiva influência nas que vieram depois. Como os três primeiros se transformaram em potências econômicas, suas experiências servem como vitrine. Comparadas à coletivização forçada na União Soviética, a grande experiência socialista nos anos 30, que custou 6 milhões de mortos e resultou numa agricultura até hoje ineficiente, as reformas asiáticas são mesmo de dar água na boca.
No final da II Guerra, os três países tinham em comum a enorme concentração da posse da terra e a economia destroçada. Cerca de 70% do solo agrícola japonês era cultivado por arrendatários - os kosakus -, que entregavam aos proprietários ausentes metade da produção. No comando das forças de ocupação americanas e, como tal, imperador de fato, o general Douglas MacArthur simplesmente exigiu uma reforma agrária em 1946. O governo japonês tentou safar-se propondo o teto de 5 hectares para as propriedades rurais - artifício que, visto o tamanho nanico do latifúndio japonês, limitaria a reforma a somente 20% das terras. MacArthur, que tinha entre seus objetivos aniquilar o poder político dos latifundiários, um dos pilares do militarismo japonês, impôs 1 hectare, o tamanho de uma chácara de fim de semana no Brasil.
O terreno excedente foi desapropriado a preço vil e revendido aos agricultores com financiamento camarada. Toda essa revolução, que entregou lotes a 4 milhões de famílias e acabou com os resquícios de feudalismo na estrutura social, demorou apenas 21 meses. "Ao incorporar os kosakus ao processo político, a reforma foi fundamental para a modernização do país", diz Ikutsune Adachi, diretor do Centro de Pesquisas Sociais em Agronomia, em Tóquio. Do ponto de vista macroeconômico, a contribuição foi bem menor. O minifúndio japonês, nascido da reforma de 1946, depende ainda hoje para sobreviver de gordíssimos subsídios estatais e produz o arroz mais caro do mundo. É mais negócio, porém, pagar para manter o agricultor no campo do que lhe dar emprego na cidade.
A ironia é que essas grandes transformações foram obras de governos profundamente anticomunistas. Expulso da China continental pela vitória comunista, o generalíssimo Chiang Kai-chek reproduziu o modelo japonês em Taiwan. A inovação local foi a indenização parcialmente paga em ações, convertendo os antigos latifundiários em sócios da industrialização do país. O resultado social foi de tirar o chapéu: em 1952 a reforma agrária tinha transferido aos agricultores o equivalente a 13% do PIB, pacificando o campo e criando uma nova classe de consumidores.
A situação sul-coreana era agravada pela falta de espaço (só 4% do território é cultivável), pela má distribuição da posse e pela guerra, que continuou devastando o país até 1953. O governo anunciou regras tão severas que a maioria dos proprietários, temendo o calote das indenizações, se apressou em vender a terra diretamente ao arrendatário. O impacto na distribuição de renda foi superior ao ocorrido no Japão e em Taiwan e garantiu a comida barata de que o país precisava para se transformar numa potência econômica.
De forma muito parecida com a Coréia do Sul, só 4% do solo egípcio era aproveitável para a agricultura. A maior parte dessa terra estava nas mãos de uma classe de 12.000 proprietários. Dez milhões de felás - os camponeses e arrendatários do Vale do Nilo - penavam sob aluguéis exorbitantes, que chegavam a 75% da produção. Seis semanas depois de derrubar a monarquia, em 1952, Gamal Abdel Nasser acabou com as grandes propriedades. Cerca de 1,7 milhão de egípcios receberam lotes com tamanho médio de 1 hectare cada um. Em quantidade de terra e número de beneficiados, foi a maior reforma agrária dos anos 50. O resultado, contudo, nem se compara ao dos países asiáticos. O regime detonou o poder dos latifundiários - mas os felás continuam miseráveis como sempre.
O pós-guerra foi também o período em que a União Soviética impôs seu modelo agrícola à Europa Oriental, ainda que a maioria dos países tenha conservado algum tipo de pequena propriedade individual. A China fez a maior revolução camponesa de todos os tempos e, no início dos 60, Cuba implantou a versão caribenha da agricultura coletiva. Diante do avanço comunista, a reforma agrária ganhou impulso, também, como ferramenta da Guerra Fria. Na periferia latino-americana, governos de alguma inclinação esquerdista produziram suas próprias reformas. No Peru e na Bolívia, com grandes populações indígenas, a redistribuição de terras aliviou injustiças mas pouco contribuiu para aumentar a produção ou amenizar a miséria. No Chile, o processo foi peculiar. A reforma, iniciada pela Democracia Cristã e ampliada pelo socialista Salvador Allende, obviamente tropeçou com o golpe militar. A ditadura, porém, não devolveu a terra à velha oligarquia rural. Os lotes, de tamanho reduzido, foram comprados por capitalistas urbanos, que modernizaram a produção e iniciaram o modelo moderno de exportação de alimentos, principalmente frutas.
A reforma agrária saiu da agenda dos países a partir dos anos 70. Ou já tinha sido feita, com resultados variados, ou não era mais necessária como fator de desenvolvimento. "Até os anos 60, ela era fundamental para a modernização. Depois, a produtividade da agricultura moderna mostrou-se capaz de garantir o abastecimento sem outra revolução que a tecnológica", analisa o professor Bastiaan Reydon, do Núcleo de Economia Agrícola da Unicamp. "Como a própria agricultura perdeu importância na economia global, a reforma agrária reduziu-se a uma questão de justiça social." Os teóricos do desenvolvimento, que também saíram de moda, agora mudaram de enfoque e temem que a fragmentação do solo agrícola em propriedades menores prejudique a escala da produção.
"Reforma agrária dá certo quando se consegue o que se queria, seja aumentar a produção de alimentos, seja resolver problemas sociais graves", ensina o professor José Eli da Veiga, da Faculdade de Economia da USP. "A História mostra que isso só acontece naquelas realizadas rapidamente, de um a três anos no máximo. Quando entrava, é porque a sociedade não está preparada e a reforma está condenada ao fracasso." Mudanças radicais na posse da terra não são garantia absoluta de benefício econômico. Muitas vezes, nem mesmo de justiça social. A agricultura soviética oferecia condições de vida tão ruins que, para impedir a migração para a cidade, o governo negou passaporte interno aos membros das fazendas coletivas até 1974. O fim do comunismo não mudou muito as coisas, exceto pelo fato de que agora os agricultores podem largar o campo. Por falta de interessados em se tornar proprietários, o Estado continua dono de 95% da terra.
No México, onde tudo começou, a reforma agrária agoniza. O ejido, a propriedade comunal explorada individualmente, segundo a tradição indígena, viveu anos de relativa prosperidade entre 1940 e 1965, mas retrocedeu diante da produtividade crescente das modernas empresas rurais. Sessenta anos depois da revolução, o México está de volta ao ponto de partida. Em Chiapas, no extremo sul, alçou-se o exército de camponeses que reivindica a estirpe zapatista. Na terra onde nasceu, a reforma agrária produziu um paradoxo dramático: transformou uma imensa massa de sem-terra numa imensa massa de pequenos proprietários sem perspectivas. É o que de mais parecido existe com o Brasil.
REvista Veja.

 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

CICLOVIAS

 O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de bicicletas e deverá fechar o ano de 2008 com uma produção de 5,6 milhões de unidades, estando atrás apenas da China e da Índia. A idéia de se adotar bicicletas como meio de locomoção está amadurecendo e o país investe em vias exclusivas (ciclovias) para essa modalidade de transporte.
Apesar da falta de ciclovias, o uso da bicicleta como meio de transporte não é insignificante no Brasil. De acordo com levantamento feito em 2005 pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), 7,4% dos deslocamentos em área urbana são feitos de bicicleta, num total de 15 milhões de viagens diárias no país. As viagens, inclusive, já não estão mais concentradas nas pequenas e médias cidades do interior, mas também nas grandes metrópoles.
Várias capitais brasileiras já contam com projetos de ciclovias, como São Paulo - que pretende implantar aproximadamente 900 quilômetros de pistas para bicicletas até 2018 - e o Rio de Janeiro, que pretende construir uma malha equivalente à capital paulista.
Porto Alegre prevê a construção de ciclovias ou ciclo-faixas em 495 quilômetros de ruas e avenidas da capital gaúcha. Belo Horizonte discute projetos para seis ciclovias, que irão dobrar para 40 quilômetros as já existentes na cidade. Vitória e Brasília também já possuem projetos de construção de ciclovias.
O Brasil possui, atualmente, 60 milhões de bicicletas, sendo que 53% delas são utilizadas como transporte, para ir e voltar do trabalho ou da escola. Em 2008, pouco mais de 2,5 mil quilômetros de ciclovias encontravam-se distribuídos por 279 cidades. As cidades do Rio de Janeiro (com 160 quilômetros) e Curitiba (com 122 quilômetros) são as mais bem servidas por ciclovias. No caso de São Paulo, a cidade possui apenas 23,5 quilômetros dessa via exclusiva.
Ciclovias e espaço urbano
A implantação das ciclovias prevê que a construção dessas redes seja bem planejada, seguindo o conceito de ciclo-redes, com trajetos curtos, integradas a terminais de ônibus e trens, que deverão ter bicicletários.
Na maioria das metrópoles brasileiras, o incentivo e o acesso ao uso da bicicleta como meio de transporte, embora com atraso, chega num momento oportuno. Basta lembrar que a prioridade do transporte individual e a conseqüente construção de grandes avenidas acabam resultando na circulação de 3,5 a 4 milhões de veículos nos horários de pico, causando congestionamentos superiores a 150 quilômetros.
Embora a construção de ciclovias seja simples, há necessidade de se seguir alguns parâmetros para que traga bons resultados: além da disponibilidade de espaço nas ruas ou calçadas, é desejável que elas sejam implantadas em áreas planas. São Paulo, por exemplo, foi construída sobre vales e morros, ou seja, muitos bairros que não possuem topografia plana, ou declividade entre 0% e 10%, apropriada para ciclistas, deixarão de ser atendidos por essas redes. E esse obstáculo ocorrerá não só na capital paulista, como também em várias outras cidades brasileiras.
De qualquer forma, existem inúmeras maneiras de adequar os espaços urbanos ao uso de bicicletas. Além disso, a construção de espaços para pedestres e ciclistas não pressupõe rios de dinheiro, como os que são consumidos pelo automóvel.
Na verdade, organizar o espaço público para receber um expressivo número de ciclistas é uma medida ligada ao chamado traffic calming, um conceito que se espalha pelo mundo - na tradução literal, "acalmar o trânsito", ou seja, no caso dos ciclistas, reduzir a velocidade e o poder letal dos automóveis, para que todos possam circular pelas cidades com segurança e sem poluir o planeta.
O incentivo às ciclovias pode tirar das ruas uma boa quantidade de carros - vale lembrar que mais de 14% das emissões de dióxido de carbono no planeta vêm do setor de transporte, e a bicicleta é um veículo que não polui.
Ciclovias no mundo
Em várias cidades da Europa, Estados Unidos e Japão, vias exclusivas para bicicletas já existem há anos. A Holanda, por exemplo, possui 34 mil quilômetros de ciclovias. Em Copenhague, na Dinamarca, 36% da população utiliza a bicicleta para ir ao trabalho. Paris, uma das cidades mais bem servidas de metrô do mundo, implantou, há pouco tempo, 300 quilômetros de ciclovias.
Nova York, que já possui 180 quilômetros de ciclovias, planeja criar mais 120 quilômetros até o final de 2009. Bogotá é a única cidade sul-americana que está entre as cidades mundiais que contam com um bom número de ciclovias: implantou 340 quilômetros nos últimos sete anos.
Ronaldo Decicino


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

AUTOMATIZAÇÃO

Automatização - Sistema em que as operações em fábricas, nas empresas de telecomunicações ou nas organizações comerciais são controladas por mecanismos automáticos, com pouca interferência humana.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

AQUÍFERO GUARANI



O termo aquífero Guarani é uma denominação unificadora de diferentes formações geológicas que foi dada pelo geólogo uruguaio Danilo Anton em homenagem à grande Nação Guarani, que habitava essa região nos primórdios do período colonial. O aquífero foi inicialmente denominado de aquífero gigante do Mercosul, por ocorrer nos quatro países participantes do referido acordo comercial.
O
aquífero se constitui pelo preenchimento de espaços nas rochas (poros e fissuras), convencionalmente denominadas Guarani. As rochas do Guarani constituem-se de um pacote de camadas arenosas depositadas na bacia geológica do Paraná, entre 245 e 144 milhões de atrás. A espessura das camadas varia de 50 a 800 metros, estando situadas em profundidades que podem atingir até 1800 metros. Em decorrência do gradiente geotérmico, as águas do aquífero podem atingir temperaturas relativamente elevadas, em geral entre 50 e 85ºC.
O pacote camadas que constitui o aquífero Guarani tem arquitetura arqueada para baixo como resultado da pressão das rochas sobrejacentes, como os espessos derrames de lavas basálticas oriundos da ativação de falhas, arcos regionais e soerguimento de bordas, ocorridos na bacia sedimentar do Paraná. As formações geológicas do Guarani congregam sedimentos fluvio-lacustres do período Triássico (245 - 208 milhões de anos): Formações Pirambóia e Rosário do Sul, no Brasil, e Buena Vista no Uruguai; sedimentos eólicos desérticos do período Jurássico (208 - 144 milhões de anos): Formações Botucatu, no Brasil; Misiones, no Paraguai; e Tacuarembó no Uruguai e Argentina.
As reservas permanentes de água do aquífero são da ordem de 45.000 km3 (ou 45 trilhões de metros cúbicos), considerando uma espessura média aquífera de 250m e porosidade efetiva de 15%. As reservas explotáveis correspondem à recarga natural (média plurianual) e foram calculadas em 166 km3/ano ou 5 mil m3/s, representando o potencial renovável de água que circula no aquífero. A recarga natural ocorre por meio da infiltração direta das águas de chuva nas áreas de afloramento das rochas do Guarani; e de forma indireta, por filtração vertical (drenança) ao longo de descontinuidades das rochas do pacote confinante sobrejacente, nas áreas onde a carga piezométrica favorece os fluxos descendentes.
Menos de 1% da água doce disponível no mundo provém de fontes renováveis. Uma parte considerável dessa porcentagem está sob os pés de brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios. Na região que engloba o centro-sul do Brasil, o nordeste argentino, o Uruguai e o Paraguai localiza-se o Aquífero Guarani, um gigantesco manancial de bilhões de litros de águas subterrâneas ainda pouco aproveitado. Ainda não se sabe com exatidão quanto desses recursos pode ser explorado e de que forma, mas já há polêmica em relação ao assunto. Ambientalistas preocupam-se com a sustentabilidade do aquífero e com a soberania em relação a ele, enquanto os recursos já estão sendo utilizados nos quatro países.
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Ambiental e Agropecuária (Embrapa), a água ali contida é de excelente qualidade e suficiente para abastecer a atual população brasileira por 2.500 anos. É a maior reserva de água doce subterrânea do mundo. Sua área se estende por 1,15 milhão de quilômetros quadrados, sendo a maior parte (71%) localizada sob território brasileiro. Em seguida vem a Argentina, com 19%. Paraguai tem 6% das águas do manancial e Uruguai, 4%. No Brasil, ele atinge os estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás.
Sob condições naturais, apenas uma parcela das reservas reguladoras é passível de explotação. Em geral, esta parcela é calculada entre 25% e 50% (Rebouças, 1992) das reservas reguladoras, respectivamente entre 40 a 80 km3/ano. Este volume pode aumentar dependendo da adoção de técnicas de desenvolvimento de aquíferos disponíveis; contudo, os estudos deverão ser aprofundados para definir a taxa de explotação sustentável das reservas, uma vez que a soma das extrações com as descargas naturais do aquífero para rios e oceano, não pode ser superior a sua recarga natural.
A proteção contra os agentes de poluição que comumente afetam os mananciais de água na superfície, que decorre de mecanismos naturais de filtração e autodepuração bio-geoquímica que ocorrem no subsolo, resulta numa água de excelente qualidade. A qualidade da água e a possibilidade de captação nos próprios locais onde ocorrem as demandas fazem com que o aproveitamento das águas do aquífero Guarani assuma características econômicas, sociais e políticas destacadas para abastecimento da população.
Aspectos relativos ao desenvolvimento e uso das funções do aquífero são ainda incipientes. O uso da energia termal de suas águas poderá resultar, eventualmente, em economia de energia de outras fontes e em processos de co-geração de energia elétrica. Atualmente, destaca-se o uso energético em balneários e indústrias agropecuárias.
Um dos principais problemas existentes é o risco de deterioração do aquífero em decorrência do aumento dos volumes explotados e do crescimento das fontes de poluição pontuais e difusas. Essa situação exige gerenciamento adequado por parte das esferas de governo federal, estadual e municipal sobre as condições de aproveitamento dos recursos do aquífero.
O Projeto Aquífero Guarani visa contribuir para a superação da situação atual por meio da formulação de um modelo técnico, legal e institucional para a gestão dos recursos do aquífero de forma coordenada pelo conjunto dos países e organismos envolvidos.
O Brasil possui o maior volume de água doce renovável do mundo, com 6.220 bilhões de metros cúbicos capazes de serem aproveitados. Ainda segundo a Unesco, embaixo do solo encontra-se 97% da água doce em estado líquido do mundo. O restante está em rios e geleiras. Esses reservatórios são importantes, pois geralmente possuem água de boa qualidade devido ao processo de filtragem feito pelas rochas e a reações biológicas e químicas naturais. Além disso, por não ficarem na superfície, estão menos expostas a agentes poluentes.
O Aquífero Guarani, de acordo com a Embrapa, tem recarga de 140 bilhões de metros cúbicos por ano, mas apenas 40 bilhões de metros cúbicos poderiam ser utilizados, para que a sustentabilidade do lençol freático fosse mantida. Não há dados de quanto já é consumido. Apesar dos números grandiosos, há quem diga ser necessário cuidado ao analisá-los. O coordenador do Laboratório de Recursos Hídricos da Coppe-UFRJ Paulo Canedo é um deles. “O Aquífero tem uma grande quantidade de água, mas não é essa maravilha toda. Números não significam muito. Ele não é um mar subterrâneo. Apesar de conexo, possui diferentes profundidades. É preciso analisar a viabilidade de uso e a capacidade de proteção do solo”, diz. Entre os estudos a serem feitos estão o custo de bombeamento, o impacto dessa ação no subsolo e a possibilidade de poluir a área. “Ao contrário de um rio, no Aquífero, se poluir uma vez, os detritos ficarão lá para sempre”.
Já há empresas explorando a área para retirar água mineral, o que preocupa ambientalistas, assim como a falta de informações precisas sobre a região. A dor de cabeça aumenta ainda mais com a presença estrangeira. “Existe um batalhão do exército dos EUA na tríplice fronteira (entre Brasil, Argentina e Paraguai) que oferece fotos de satélite do Aquífero atualizadas a cada minuto. Eles sabem mais do Aquífero do que a gente”, alerta João Manoel Bicca, coordenador do movimento Pró-Rio Uruguai - Aquífero Guarani.
UFRGS / site www.oaquiferoguarani.com.br


terça-feira, 11 de setembro de 2012

A IMPORTÂNCIA DO CANAL DE SUEZ




O Canal de Suez é uma das vias marítimas mais importantes do mundo e um dos grandes focos da economia do Egito. É o eixo de união entre o Oriente e Ocidente (tem 163 km de extensão). Situado em terras do Egito, no istmo que une a África à Ásia.
Coube ao francês Ferdinand Lesseps a realização do projeto desse importante canal interoceânico que liga o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo. A região faz parte da fossa africana em que se incluem as penínsulas do Sinai, circundadas pelos golfos de Suez e de Akaba, no Mar Vermelho.
A construção do Canal de Suez encurtou distâncias, sobretudo no sentido Europa - Extremo Oriente - Índia e vice-versa. Favoreceu o povoamento nas margens do Mar Vermelho e uniu a Europa agro-industrial aos grandes mercados de matérias-primas da Ásia, sobretudo o petróleo, dando vivacidade aos portos da Europa, Ásia e África, principalmente.

Em 25 de abril de 1859 o primeiro golpe de picareta foi dado por Lesseps, em Port Said, e em 27 de novembro de 1869 o canal foi inaugurado oficialmente pelo governador do Egito, Ismail Pacha.

O canal de Suez é o maior canal sem comportas e, desde o Mediterrâneo até ao Mar Vermelho, passa por três lagos. Ao norte o lago Manzala, depois o lago Timsah e ao sul os lagos Amargos.
Apesar de estar em solo egípcio e de ter sido construído por mão-de-obra egípcia, o canal de Suez pertenceu ao Reino Unido até 1956. Na verdade, esse canal foi construído com capital inglês e tecnologia francesa.
Durante mais ou menos um século, esse canal funcionou a todo o vapor, com grande circulação de navios. Dois fatores contribuíram para diminuir a sua importância:
- o grande porte dos navios modernos, tornando difícil sua passagem pelo canal;
- as guerras entre árabes (principalmente do Egito) e israelenses, que tornaram essa área insegura e extremamente militarizada.
Com uma largura de no máximo 120 m e uma profundidade de 11 m, o canal de Suez não permite que os gigantescos navios mercantes atuais - sobretudo os superpetroleiros, que carregam mais de 300 mil toneladas de carga (às vezes até 500 mil) - trafeguem por ele.
Além disso, a Guerra dos Seis Dias, em 1967, envolvendo Israel e Egito e alguns outros países árabes, tornou essa travessia perigosa. Isso porque, com a colocação de minas nessas águas pelos israelenses, qualquer navio que estivesse a serviço de algum país árabe, transportando petróleo, seria afundado como represália. Assim, a rota pelo oceano Índico, passando pela África do Sul, ou seja, pelo Cabo da Boa Esperança, voltou ser mais utilizada para trasnportar o petróleo do Oriente Médio, apesar de ser bem mais longa.
Nos últimos anos o Egito vem tentando reformar esse canal, tirando as minas que foram colocadas durante a guerra e ampliando seu leito.

A disputa pelo canal

Em 1888, a Convenção de Constantinopla definiu que o Canal de Suez deveria servir a embarcações de todos os países mesmo em tempos de guerra. Inglaterra e Egito assinaram, em 1936, um acordo que assegurava a presença militar do Reino Unido na região do canal por um período de 20 anos.
Com a retirada das tropas inglesas, em 1956, o presidente egípcio Gamal Nasser iniciou um conflito ao nacionalizar o canal e impedir a passagem de navios com a bandeira de Israel. Neste mesmo ano, com o auxílio do Reino Unido e da França, o exército israelense invadiu o Egito. Derrotado, mas contando com o apoio da ONU, dos EUA e da União Soviética, o Egito garantiu o controle sobre o canal. O preço do apoio foi a abertura do canal para a navegação internacional.
Em 1967, com a Guerra dos Seis Dias (conflito entre Israel e a frente árabe, formada por Egito, Jordânia e Síria), a passagem é novamente fechada. A partir de 1975 o Canal de Suez é reaberto para todas as nações do mundo.
José Willian Vesentini e Vânia Vlach









quinta-feira, 6 de setembro de 2012

FUTURO DA AMAZÔNIA

Haverá um avanço de savana na Amazônia, caso a temperatura do planeta aumente 5 °C até 2100, e ocorram desmatamentos acima de 60 % da floresta na América do Sul. A área de savana deverá se expandir em até 215,6 %.
Apenas 44,2 % da floresta destruída, conseguirá se regenerar.
Caso a temperatura aumente 3 °C, ocrescimento da savana na região será de 170 % até 2050. A elevação da temperatura desencadeará aumento do calor e da seca na floresta amazônica , causando sérios riscos de queimadas.
Estes dados foram divulgados pela equipe de Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE. A pesquisa avaliou modelos gerados por computadores, que combinando fatores relacionados à elevação da temperatura e desmatamento, mostraram o processo de savanização que a Amazônia poderá sofrer no século 21, com consequentes perdas de espécies.
Segundo Carlos Nobre, se a floresta não sofresse nenhum impacto, conseguiria se recuperar e se regenerar, mas devido às fortes mudanças climáticas que acometerão o planeta, a floresta não encontrará condições de se regenerar completamente, pois sua região estaria mais seca, após os danos sofridos.
As áreas que perderem florestas, ganharão savana, e a savana surge onde a floresta é deficiente em espécies. A migração de ecossistemas leva um tempo de séculos a milênios, exigindo uma lentidão às adaptações que a floresta necessitaria fazer.
Fernando Rebouças

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Voyager 1 chega à fronteira do sistema solar, diz Nasa

Sonda está a 18 bilhões de quilômetros do Sol e segue viagem até 2025
A sonda espacial Voyager 1 chegou aos limites do sistema solar, ampliando seu próprio recorde de ser o objeto feito pelo homem que viajou a maior distância no espaço. Segundo um comunicado publicado pela Nasa, o equipamento está enviando dados para a Terra que demonstram um grande aumento no número de partícular originadas fora do sistema solar.
ReutersInformações enviadas pela sonda demoram quase 17 horas para chegar na Terra"Os responsáveis pela missão Voyager, ao ver os dados desse rápido crescimento, estão mais perto de uma conclusão histórica e inevitável - a de que o primeiro emissário da humanidade ao espaço está nas fronteiras do nosso sistema solar", indica o texto da Agência Espacial dos Estados Unidos.
As partículas indentificadas pela Voyager 1 são provenientes de estrelas que explodiram em outros locais da galáxia. A quantidade cresce de forma estável conforme a sonda avança no espaço, mas o aumento foi particularmente maior nos últimos meses.
"De janeiro de 2009 a janeiro de 2012, houve um aumento gradual de cerca de 25% no número de raios cósmicos encontrados pela Voyager", disse Ed Stone, um dos cientistas do projeto. "Mais recentemente, vimos uma escalada muitio rápida nessa parte do espectro de energia. A partir do dia 7 de maio, o impacto dos raios cresceu 7% em uma semana e 9% em um mês", exemplificou.
A sonda, junto da sua irmã, a Voyager 2, foi lançada em 1977 e está a aproximadamente 18 bilhões de quilômetros do Sol. Ela se move a 17 quilômetros por segundo e atualmente a informação que envia leva cerca de 16 horas e 38 minutos para chegar ao terminais da Nasa.
A Voyager 2, por sua vez, está a cerca de 15 bilhões de quilômetros do Sol. Juntas, as sondas exploraram todos os planetas gigantes do Sistema Solar - Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, assim como 48 de suas luas.
A exata posição da fronteira do sistema solar é desconhecida, mas outro indicador de que a sonda entrou no espaço interestelar deve ser a mudança nas direções do campo magnético em volta do equipamento. Os cientistas da Nasa estão buscando dados para checar se isso de fato ocorre.
"As leis da física indicam que, algum dia, a Voyager será o primeiro objeto feito pelo homem a sair do sistema solar, mas ainda não sabemos quando esse dia vai chegar. Os últimos dados indicam que estamos claramente em uma região onde as coisas mudam mais rápido. É muito empolgante, estamos chegando aos limites do sistema solar", disse Stone.
O plutônio que abastece os motores da Voyager deve durar até 2025. Quando o combustível acabar, as sondas continuarão a vagar pelo espaço até entrar na órbita de outras estrelas da Via Láctea, mas não conseguirão mais transmitir informações para a Terra.