quarta-feira, 11 de julho de 2012

GEOGRAFIA DE ALAGOAS

O martírio do bispo dom Pero Fernandes Sardinha, em mãos dos caetés; a epopéia do quilombo dos Palmares, em fins do século XVII; e a expressiva participação da intelectualidade alagoana nas lutas em favor da abolição da escravatura e da república -- estes são somente alguns dos momentos mais destacados da história de Alagoas, estado que já foi chamado "terra dos marechais".
Alagoas, na região Nordeste do Brasil, limita-se ao norte com Pernambuco, a leste com o oceano Atlântico, ao sul com Sergipe e a oeste com a Bahia. Ocupa uma superfície de 27.933km2. A capital é Maceió.
Geografia física
Cerca de 86% do território alagoano se encontra abaixo de 300m de altitude, e 61% abaixo de 200m. Apenas um por cento fica acima de 600m. Cinco unidades compõem o quadro morfológico: (1) a baixada litorânea, com extensos areais (praias e restingas) dominados por elevações de topo plano (tabuleiros areníticos); (2) uma faixa de colinas e morros argilosos, imediatamente a oeste, com solos espessos e relativamente ricos; (3) o pediplano, ocupando todo o interior, com solos ricos, porém rasos, e uma topografia levemente ondulada, da qual despontam as serras de Mata Grande e Água Branca, no extremo oeste do estado; (4) a encosta meridional do planalto da Borborema, no centro-norte, parte mais elevada de Alagoas; (5) e planícies aluviais (várzeas), ao longo dos rios, inclusive o delta e a várzea do baixo São Francisco (margem esquerda), com solos anualmente renovados por cheias periódicas.
A rede hidrográfica do estado é constituída por rios que correm diretamente para o oceano Atlântico (como, por exemplo, o Camaragibe, o Mundaú, o Paraíba e o Coruripe) e por rios que deságuam no São Francisco (como o Marituba, o Traipu, o Ipanema, o Capiá e o Moxotó).
Três tipos de cobertura vegetal, em grande medida modificados pela ação do homem, revestiam o território alagoano: a floresta tropical na porção úmida do estado (microrregião da mata alagoana); o agreste, vegetação de transição para um clima mais seco, no centro; e a caatinga, no oeste. Toda a metade oriental do estado possui clima do tipo As, de Köppen, quente (médias anuais superiores a 24o C), com chuvas de outono-inverno relativamente abundantes (mais de 1.400mm). No interior dominam condições semi-áridas, clima BSh, caindo a pluviosidade abaixo de 1.000mm; essa região está incluída no chamado Polígono das Secas. As estações do ano são perfeitamente definidas pela periodicidade das chuvas. O verão tem início em setembro e termina em fevereiro e o "inverno" começa aproximadamente em março, terminando em agosto. A temperatura não sofre grandes oscilações, variando, no litoral, entre 22,5 e 28o C, e no sertão, entre 17 e 33o C.
População
Alagoas é um dos estados brasileiros mais densamente povoados (cerca de 86 hab./km2). A vida média dos habitantes do estado é de 46-91 anos.
As maiores concentrações populacionais ocorrem na tradicional zona da mata e nas encostas de Borborema, onde se verificam densidades superiores a 100 hab./km2. As áreas de mais escasso povoamento correspondem aos solos pobres dos tabuleiros litorâneos e às terras secas do sertão. A população se divide em partes praticamente iguais entre as zonas rural e urbana.
As principais cidades do estado são Maceió, Arapiraca, Palmeira dos Índios e Penedo. Maceió, além de capital, porto exportador de açúcar e centro industrial (têxteis e produtos alimentares), desempenha também, em relação ao comércio e aos serviços, as funções de capital regional para todo o território alagoano e uma pequena parte do norte de Sergipe. Sua zona de influência mais direta restringe-se à fachada oriental do estado. No restante da área de influência atua por meio de dois centros intermediários: Palmeira dos Índios, que serve ao Agreste e ao Sertão, e Penedo, que serve à parte meridional do estado e alguns municípios sergipanos. Arapiraca, segunda cidade do estado, é o entreposto comercial da região fumageira do Agreste. 
Economia
Agricultura e criação. Cerca de metade da população ativa de Alagoas está ocupada no setor primário. A principal atividade, a grande lavoura comercial, encontra-se na zona da mata, sobretudo onde predominam os solos ricos de humo. A cultura canavieira constitui aí o principal elemento da paisagem. As plantações recobrem os solos argilosos das colinas e morros e as várzeas dos rios. Também grandes lavouras comerciais são a monocultura do arroz, nos aluviões do baixo São Francisco, e a do coco, nas areias da orla marítima. Ainda na microrregião da mata, desenvolvem-se pequenas lavouras comerciais ligadas ao abastecimento dos centros urbanos. O agreste é domínio quase exclusivo dessas pequenas lavouras (fumo, milho, mandioca, feijão, algodão).
No sertão a agricultura se vê reduzida à atividade subsidiária da criação, limitando-se a pequenas culturas de subsistência praticadas especialmente nas encostas das serras de Água Branca e Mata Grande, graças às chuvas de relevo que aí ocorrem. A criação de gado bovino apresenta certo vulto no interior, sobretudo na área de transição do Agreste para o Sertão, onde se desenvolve a pecuária leiteira (municípios de Jacaré dos Homens, Major Isidoro e Batalha).
Possuindo muitas lagoas, diversos rios e uma extensa costa marítima, o estado conta com considerável riqueza de pescado, cujo aproveitamento entretanto, se faz ainda segundo práticas tradicionais.
Indústria. As principais atividades industriais são a fabricação de produtos alimentares, especialmente açúcar (existem numerosas usinas na microrregião da mata) e de tecidos (Maceió, Rio Largo, São Miguel dos Campos, Palmeira dos Índios e Delmiro Gouveia). Nos últimos anos, em conseqüência da ação da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), o parque industrial vem sendo diversificado e ampliado.
Alagoas é o maior produtor nacional de amianto, que se extrai em Jirau do Ponciano. Produz também apreciável quantidade de petróleo e gás natural em cinco campos (Tabuleiro do Martins, Miguel dos Campos, Coqueiro Seco e mais dois na plataforma submarina). Os campos petrolíferos alagoanos produziam no começo da década de 1990 uma média anual em torno de 700.000m3 de petróleo. Nas proximidades de Maceió, na região de Pontal da Barra, foram descobertas grandes jazidas de sal-gema, cuja exploração abre ao estado importantes perspectivas de desenvolvimento econômico, a cargo de um dos maiores projetos da Sudene, a Salgema Indústrias Químicas, responsável por cinqüenta por cento do cloro consumido no país e mais de um terço de toda a demanda de soda cáustica na década de 1980.
As possibilidades da coleta no meio vegetal são reduzidas em face da situação fisiográfica do estado, integrante da região Nordeste. Mesmo assim alguns produtos vegetais podem ser citados: tucum, caroá, piaçaba, casca de angico, castanha-de-caju e sisal, o último já parcialmente plantado.
Energia e transporte. O estado dispõe de amplos recursos energéticos, assegurados pela usina hidrelétrica de Paulo Afonso, instalada na divisa dos estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco. Mais de uma quarta parte do consumo anual de energia destina-se a uso industrial. Das estradas de rodagem de Alagoas poucas são pavimentadas e a rede ferroviária do estado é pequena. A rodovia mais importante é a BR-101, que faz a ligação Natal-Recife-Salvador. É toda pavimentada, e em seu percurso existe uma ponte rodoferroviária sobre o rio São Francisco. Grande parte da produção do interior flui para Maceió pela BR-316. A capital é ponto de partida da Rede Ferroviária do Nordeste, no estado. A linha tronco se bifurca em Rio Largo, lançando um ramal para o norte e outro para o oeste. O porto de Maceió, o quarto do Nordeste em movimento de carga, especializa-se na exportação de açúcar.
Turismo. O turismo teve grande desenvolvimento no estado a partir da década de 1980, quando Maceió passou a expandir sua rede hoteleira. Além de suas lagoas, onde se localizam vários sítios de recreio, Maceió possui numerosas praias com renques de coqueiros e onde se vêem dezenas de jangadas (praias de Ponta Verde, Pajuçara, Sobral e Pontal da Barra). Restaurantes de comida típica constituem especial atrativo para turistas de todo o país. Nas margens do São Francisco, a cidade histórica de Penedo conserva valioso patrimônio artístico em suas igrejas do séc. XVII. No extremo oeste do estado encontram-se o parque nacional de Paulo Afonso, com a cachoeira do mesmo nome.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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