quinta-feira, 31 de maio de 2012

Nordeste é região com maior retorno de migrantes, segundo IBGE

Sudeste perdeu potencial atrativo e Nordeste começou a reter população.
Instituto cruzou informações da PNAD e dos Censos de 2000 e 2010.
A migração entre regiões do país perdeu intensidade na última década, e estados do Nordeste, além de reter população, começaram a receber de volta os que deixaram seus estados rumo ao centro-sul do país. É o que diz um levantamento divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (15) com base em dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2009 e dos Censos realizados
Segundo o instituto, na última década começou a haver um movimento de retorno da população às regiões de origem em todo o país. A corrente migratória mais expressiva continua a ser entre o Nordeste e o Sudeste, mas houve redução. A região Nordeste foi a que apresentou o maior número de migrantes retornando para seus estados, seguida, em menor escala, pela região Sul.
O IBGE investigou onde morava o indivíduo exatamente cinco anos antes da data das pesquisas, no período entre 1999 e 2009, quando aproximadamente 4,8 milhões de brasileiros migraram entre estados e entre regiões do país.  Em 2009, os estados do Nordeste que apresentaram migração de retorno mais expressiva, conforme o instituto, superando os 20% do total de imigrantes, foram Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Oportunidades
“Além de apresentar menor migração, diminuindo o número de pessoas que saem, o Nordeste começa a atrair população, com uma rede social melhor. Enquanto isso, o Sudeste, que já não recebia mais tantas pessoas, passa a ser também emissor, não só de migrantes, como também de quem é originário e está deixando essa região”, afirma Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira, um dos pesquisadores do instituto.
Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro começaram a receber menos imigrantes na última década, estados antes considerados de grande evasão começaram a perder menos população, como Piauí e Alagoas. Já Bahia e Maranhão continuaram a ser classificados como regiões “expulsoras”, mas também diminuíram o fluxo.
Rio Grande do Sul foi o estado que apresentou maior número de migrantes de retorno do país, mas a taxa diminuiu em relação a 2004. Na Região Sul, o Paraná foi o estado que passou a receber mais migrantes. “Esse fenômeno de retorno também acontece em direção ao Paraná, mas em menor intensidade. São aqueles que haviam deixado o estado rumo ao Mato Grosso do Sul e ao Norte, em razão da expansão de fronteira agrícola, mas que começaram a retornar”, afirma o pesquisador.
Minas Gerais também aparece entre os que mais receberam migrantes de volta. "Em Minas, houve uma inversão na corrente migratória, que antes saía com direção ao Rio de Janeiro, e agora retorna, muito por conta da crise no RJ e do crescimento mineiro", avalia Oliveira. Segundo o estudo, o fenômeno de retorno no país ocorre devido “à saturação dos espaços do início da industrialização no centro-sul”, que “reduz a capacidade de geração de emprego e de novas oportunidades ocupacionais, o que coloca o movimento de retorno na pauta das estratégias de reprodução e circulação dos migrantes”.
Cidades que mais crescem
O estudo também considera que o crescimento das cidades com menos de 500 mil habitantes, conforme dados do Censo 2010, pode ser creditado em parte às migrações. O instituto chama o fenômeno, que vem ocorrendo nas últimas três décadas, de “desconcentração concentrada” na distribuição populacional no Brasil.
Os municípios com 500 mil habitantes ou mais aumentaram em quantidade quando comparados com o ano de 2000, passando de 31 para 38. “Nós estamos vendo que as pessoas começam a migrar para o interior que está em desenvolvimento, em busca de oportunidades nas cidades médias”, afirma Oliveira.
Entre as cidades com altas taxas de crescimento (8% do total), nenhuma possui mais de 500 mil habitantes.
Fonte: G1.


terça-feira, 29 de maio de 2012

A chuva ácida

Uma importante conseqüência da poluição do ar são as chuvas ácidas, que corroem edifícios, carros, monumentos e matam a vegetação. São chuvas que contêm poluentes ácidos ou corrosivos, produzidos por reações químicas na atmosfera devido à mistura de diversos tipos de gases com a água que existe no ar e dá origem às chuvas. E não são apenas os habitantes e o meio ambiente das áreas industrializadas ou com grande número de veículos que sofrem com as chuvas ácidas. Elas ocorrem também em regiões distantes, pois os ventos podem carregar as nuvens poluídas para longe, onde ocasionam estragos na agricultura, inutilizando colheitas, empobrecendo os solos e até mesmo matando grande quantidade de peixes nos rios.
A presença de componentes estranhos na atmosfera (principalmente óxidos de nitrogênio e de enxofre) tem sido responsável pela ocorrência das chuvas ácidas. Na atmosfera essas substâncias reagem quimicamente e produzem os ácidos sulfúrico e nítrico.
Esses gases, ao atingirem a Terra, sob a forma de precipitações, alterara também composição
química do solo e das águas, prejudicando as formações florestais e as lavouras. Além disso, a ação corrosiva dos ácidos sulfúrico e nítrico atinge fortemente as estruturas metálicas, as edificações, além de provocar sérios problemas à saúde da população.
Para que a chuva seja considerada ácida, e, portanto, prejudicial ao ambiente, o
valor do seu pH deve ser inferior a 5,6.
•Como a água corrói:
1.O dióxido de enxofre resultante da queima de carvão nas usinas termelétricas e os óxidos de nitrogênio provenientes de motores de carro, caminhões e ônibus entram na atmosfera;
2.Esses compostos são transportados pelo ar, onde passam por mundanças químicas. Eles voltam à superfície sobre formas microscópicas, partículas de poeira ácida ou misturados à umidade das nuvens, como chuva ácida.
3.O material ácido concentrado na água mata os organismos vivos ou inibe usa capacidade de reprodução, alterando ecossistemas.
4.Os ácidos corroem encanamentos velhos e poluem reservatórios de água potável.
5.Chuva ácida provoca a corrosão em edifícios e monumentos.
•Regiões no mundo onde há chuva ácida;
- Canadá;
-
Reino Unido;
- Suécia;
- Alemanha;
- Polônia;
- Japão;
- China;
- Índia;
- África do Sul;
- Grécia;
- Suíça;
- Brasil;
- EUA;
Eduardo Guimarães da Silveira

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Água fora do sistema solar

Em 2011, um grupo de cientistas representantes de diversas instituições e nacionalidades encontraram, por meio de análise de imagens obtidas por telescópio, a presença de vapor d’água na atmosfera de um exoplaneta situado há cerca de 60 anos-luz da Terra. O termo exoplaneta refere-se a um planeta que está fora ao sistema solar.
Desde que as pesquisas a respeito de exoplanetas foram iniciadas, os cientistas já suspeitavam da existência de água nesses planetas. O estudo foi chefiado por Giovanna Tinetti, integrante da  Agência Espacial Européia , e publicado na revista Nature. A pesquisa também teve a participação de estudiosos da Universidade de Harvard, EUA, e de países França, Taiwan e Reino Unido.
Por meio desse estudo, foi a primeira vez que se detectou vapor de água num exoplaneta em grande quantidade. As imagens foram recolhidas pelo telescópio espacial infravermelho Spitzer.
Além de vestígios de águas, há moléculas de água dominante na atmosfera. Esse exoplaneta é conhecido como HD 189733b, é um corpo que possui uma inclinação em sua órbita e brilha pouco perante sua estrela por transitar em frente à mesma.
Nesse estudo, os cientistas utilizaram uma técnica particular, realizaram suas observações quando o planeta transitava diante da estrela e não por meio de a ocultação do planeta por parte da estrela para estudar a emissão na região infra-vermelha do espectro. A diferença de tamanho que o planeta expõe ao telescópio corresponde a um grau de maior ou menor absorção por parte da molécula de água.
Tradicionalmente, a possibilidade de existência de vida inteligente e biológica fora do planeta Terra sempre esteve atrelada à existência de água em outros planetas, tendo como similaridade a existência de vida idêntica à humana. Em nosso sistema solar, apesar de Marte apresentar determinada quantidade de água congelada  e em forma de vapor, não há a presença de vida, portanto, a existência de água num determinado planeta pode não significar a existência de vida.
Em Marte, a presença de água sólida e gasosa numa superfície 150 vezes menor do que na Terra, sugere que já houve vida biológica no planeta num passado remoto. O meteorito ALH84001 que veio de Marte, apresenta restos de minerais que os cientistas ainda não conseguiram identificar se seriam restos de nanobactérias, compostos orgânicos simples ou elementos da própria Terra que contaminaram o material encontrado.
Fernando Rebouças

sexta-feira, 25 de maio de 2012

BASCOS

Os bascos são um grupo étnico que habita partes do norte da Espanha e do sudoeste da França. Os bascos, sendo nativos de Navarra, são predominantemente encontrados na região conhecida como País Basco, consistindo de quatro províncias na Espanha e três na França, localizadas em volta da borda ocidental dos Pirineus na região costeira do golfo de Biscaia.
Acredita-se que os bascos sejam remanescentes dos primeiros habitantes da Europa Ocidental, mais especificamente daqueles que habitavam a região franco-cantábrica. Tribos bascas foram mencionadas no período romano, por Estrabão e Plínio, o Velho, incluindo os vascones, os aquitanos, entre outros. Existem evidências suficientes de que eles já falavam o basco naquele tempo.[carece de fontes] No início da Idade Média o território entre o rio Ebro e o Garonne era conhecido como Vascônia, tendo sido unificado sob a nobreza castelhana. Depois das invasões muçulmanas e da expansão dos francos sob Carlos Magno, o território se fragmentou, e eventualmente o Reino de Castela e o Reino de Pamplona surgiram como os principais estados com população basca no século IX. Este último estado, que passou a ser conhecido posteriormente como Reino de Navarra, experimentou um processo de feudalização, e acabou tendo que se submeter à influência de seus vizinhos mais poderosos, como Aragão, Castela e França. Castela anexou partes do território de Navarra no século XI, XII e de 1512 a 1521. O restante de Navarra acabou anexado pela França.
Ainda assim as províncias bascas gozaram de alguma forma de auto-governo até o acontecimento da Revolução Francesa, ao Norte, e das guerras de motivação principalmente religiosa, ocorridas ao Sul, denominadas Guerras Carlistas, onde tentou-se estabelecer uma monarquia teocrática católica. Desde então, apesar do atual estatuto de autonomia do País Basco, estabelecido pela Constituição Espanhola, diversos elementos da sociedade basca ainda estão lutando por um Estado completamente separado (ver nacionalismo basco), inclusive através de terrorismo e luta armada.
Fonte: Wikipédia.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cientistas chamam atenção para futuro dos oceanos

Aumento das temperaturas médias dos mares pode levar à extinção de entre 20% e 50% das espécies do planeta
 A conferência anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS) foi realizada de 16 a 20 de fevereiro em Vancouver, cidade à beira-mar no Canadá. Não por acaso, diversos relatos de pesquisas relevantes sobre a vida e o futuro dos oceanos foram apresentados durante o encontro e chamaram a atenção do público em geral e especialmente da comunidade local.
Uma das exposições de grande repercussão foi a de James Hansen, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, a agência espacial norte-americana. Segundo Hansen, o uso intensivo de combustíveis fósseis e o consequente aumento das temperaturas médias dos oceanos (já bastante superiores às do Holoceno) podem levar, entre outras consequências, a elevações de vários metros do nível dos oceanos e à extinção de entre 20% e 50% das espécies do planeta.
A elevação do nível dos mares coloca em risco a própria existência física de cidades em áreas costeiras de baixa altitude, como é o caso de Vancouver, entre muitas outras. O fenômeno é intensificado pelo derretimento de parte das calotas polares, também decorrente do aquecimento global, especialmente em regiões mais próximos dos polos, como também é o caso da cidade canadense.
O alerta de Hansen, uma das grandes estrelas da reunião da AAAS, teve, portanto, grande impacto na opinião pública da cidade anfitriã da conferência, inclusive porque suas autoridades públicas tomaram recentes decisões que seguem na contramão das advertências do cientista.
Por exemplo, há planos para dobrar a produção de carvão metalúrgico e fazer crescer significativamente a de gás natural liquefeito, não só para atender à demanda local por energia, mas também para exportação.
Menos célebre do que Hansen, mas também muito respeitado na comunidade científica internacional, Villy Christensen, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, apresentou resultados iniciais, mas impressionantes, de seu projeto Nereus, cujo nome homenageia o deus grego que previa o futuro e morava no mar Egeu.
Segundo Christensen, as melhores estimativas atuais são de que há nos oceanos cerca de 2 bilhões de toneladas de peixe, ou seja, cerca de 300 quilos para cada habitante do planeta. No entanto, pelo menos metade disso está em zonas muito profundas dos mares, é constituída de espécies pequenas demais em tamanho e, por isso, é inviável para exploração comercial e consumo humano.
E na outra metade, de peixes que medem pelo menos 90 centímetros e são apropriados para alimentação de pessoas, houve um declínio da biomassa de 55% de 1970 até agora. “É uma mudança dramática e global”, disse.
Christensen defendeu que se invista mais em pesquisa sobre a vida marinha e especialmente sobre o impacto do aquecimento global sobre ela para que decisões políticas apropriadas possam ser tomadas, mas - apesar da necessidade de mais estudos - ele acha que o que já se sabe é suficiente para muita preocupação com o futuro.
Por exemplo, há a previsão de que o aumento da temperatura das águas vai fazer com que muitas espécies de animais marinhos procurem as águas mais frias das regiões mais próximas dos polos, o que poderia beneficiar os habitantes dessas áreas.
Mas William Cheung, que trabalha no mesmo projeto Nereus, argumenta que essa conclusão otimista pode ser apressada e errada: diferenças de quantidade de oxigênio em águas frias e quente e a crescente acidificação dos oceanos, outra consequência das mudanças climáticas, também comprometem negativamente a produtividade marítima.
Lisa Levin, do Instituto de Oceanografia Scripps, da Califórnia, em outra atividade da conferência da AAAS, corroborou indiretamente a fala de Cheung. Levin mostrou conclusões de sua pesquisa, segundo as quais o aquecimento dos oceanos produzidos pelas mudanças climáticas está causando a expansão de zonas submarinas de baixo oxigênio, o que afeta negativamente a produção pesqueira de diversas regiões, inclusive as da costa da Colúmbia Britânica.
Levin chama o fenômeno de “compressão de habitat” e disse que ele afeta áreas que se estendem por mais de 150 mil quilômetros em torno das beiradas dos oceanos. Segundo suas previsões, até o ano de 2050, peixes que habitam nessas regiões podem perder 50% na variação da profundidade em que vivem.
Os canadenses são bastante sensíveis para este tipo de problema por já terem visto como podem ser socialmente dramáticos os seus efeitos. Há cerca de 20 anos, a escassez da produção de bacalhau na região de Newfoudland, na costa leste do país, provocou o fim de 40 mil empregos. Diversas espécies de peixe - como o do bacalhau atlântico daquela cidade - estão sendo consideradas como ameaçadas de extinção e sua pesca está sendo restringida ou totalmente proibida.
Os efeitos dos problemas dos oceanos são percebidos em vários países. O professor Rashid Sumaila, também da Universidade da Colúmbia Britânica, apresentou aos participantes da conferência da AAAS estudos que conduziu no México que apontam redução de até 20% em poucos anos na produção de pesca de diversas espécies de peixes e moluscos.
Os efeitos de mudanças nos oceanos na vida do planeta discutidos na reunião da AAAS em Vancouver não se limitaram aos atuais e aos do futuro.
Peter DeMonocal, biólogo marinho da Universidade Columbia de Nova York, mostrou sua pesquisa, de acordo com a qual grandes diferenças de temperatura nos oceanos Índico e Pacífico que ocorreram há 2 milhões de anos foram responsáveis por alterações de padrões de chuva na África oriental que desertificaram vastas áreas daquele pedaço do mundo.
Mesmo quando as notícias sobre a exploração, a atividade e as mudanças nos oceanos apresentadas no encontro da AAAS são inegavelmente positivas, elas não deixaram de trazer junto com elas algum tipo de preocupação.
Por exemplo, Carlos Duarte, diretor do Instituto de Oceanos da Universidade da Austrália Ocidental, relatou como um grande tesouro de recursos genéticos está sendo descoberto e permitirá aplicações em diversos setores da economia, como medicamentos para combater dores, câncer, regenerar tecidos e ossos ou para gerar biocombustíveis.
De acordo com Duarte, desde 2009 cerca de 5 mil patentes genéticas de organismos marinhos foram requeridas e é previsto um aumento de 12% ao ano desta quantidade. Duarte também afirmou que a vida marinha tem uma diversidade muito superior à da terrestre e que pode levar até mil anos para que todas as suas espécies sejam descobertas e catalogadas.
Tudo isso pode ser ótimo, mas também pode provocar ainda mais problemas se não houver uma regulamentação bem concebida e cumprida rigorosamente para evitar excessos na pesquisa e exploração desses recursos, que agravariam ainda mais os efeitos das mudanças climáticas.
Além disso, há a questão de quem vai usufruir materialmente dessas descobertas. Apenas dez países têm 90% dos pedidos de patentes genéticas de organismos marinhos e três deles (Estados Unidos, Alemanha e Japão) têm 70%.
Isso pode fazer com que o fosso entre países ricos e pobres aumente ainda mais, com as inevitáveis tensões sociais decorrentes, e causar atritos diplomáticos capazes de prejudicar eventuais compromissos em decisões sobre problemas críticos, como os das mudanças climáticas.


CABO DAS TORMENTAS

CABO DAS TORMENTAS - DEPOIS CABO DA BOA ESPERANÇA - AFRICA DO SUL.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Força das Águas

Se as guerras do século XX foram motivadas pela exploração do petróleo, os conflitos do século XXI estarão centrados no controle dos recursos hídricos, quem controla a água controla a vida.
Boaventura de Sousa Santos, sociólogo português


Dia 22 de março, dia mundial da água. O Brasil tem o privilégio de ser uma das poucas regiões do mundo com enorme superávit desse bem essencial à vida, que compõe ao redor de 70% do corpo humano. Mais que enaltecimentos vazios que se evaporam ao vento, espera-se de todos ações concretas em defesa do ouro azul, cujo real valor perpassa aparentemente despercebido por entre milhares de mãos humanas.
Força motriz de toda a natureza, ou a única bebida para um homem sábio, a água é uma dádiva da natureza indispensável à vida, essencial à manutenção da saúde e à garantia do bem-estar do ser humano. Tales de Mileto dizia que a água é o princípio de todas as coisas. Ao longo da história das civilizações, as mais longevas e prósperas sempre se estabeleceram próximas a cursos d’água em busca de suprimento consistente e confiável. A universalização do acesso à água e ao saneamento básico é direito de todos e dever básico de mandatários públicos.
Em 2010 a ONU aprovou a resolução 64/292 que declara a água limpa e segura e o saneamento básico um direito essencial de todos. Essa resolução está em linha com um dos objetivos do milênio, que prevê reduzir pela metade até 2015 a parte da população mundial sem acesso a água potável e segura e saneamento.
A universalização do acesso à água é um dos maiores desafios mundiais. As dimensões do problema são descomunais: 17% da população mundial não possuem acesso à água potável, enquanto 40% não têm saneamento básico. Em países do continente africano, o problema aflige diretamente a população feminina, na medida em que muitas mulheres chegam a consumir seis horas diárias na busca por alguns litros de água.
Em 2050 mais de 45% da população mundial não poderá contar com a porção mínima individual de água para necessidades básicas, prevê a ONU, que estabelece como volume ideal 200 litros por pessoa por dia. Alguns países usam menos de 10 litros de água por pessoa ao dia: Gâmbia usa 4.5; Mali, 8; Somália, 8.9; e Moçambique, 9.3. Em contrapartida, o cidadão de classe média dos Estados Unidos usa 500 litros de água por dia, e o britânico 200 litros. Brasil, Rússia, China e Canadá são os privilegiados países que praticamente controlam as reservas mundiais de água.
Parafraseando o poeta inglês W. H. Auden: “muitas pessoas viveram sem amor, mas nenhuma sem água”. Um ser humano é capaz de suportar até 200 dias sem se alimentar. Sem água, porém, a resistência é bem menor: após 36 horas o organismo começa a entrar em colapso.
Vive-se em um planeta aquático e salgado, recoberto em 75% de sua superfície sobre a forma de oceanos, calotas polares, rios e lagos. A água pode ser encontrada também em aquíferos subterrâneos, como o Guarani, o maior deles, sob a bacia do rio Paraná, que espalha suas límpidas águas doces por quatro países: Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.
Do total de águas planetárias, há 97,5% de água salgada e os elevados custos de dessalinização ainda inibem torná-la doce. Os restantes 2,5% de água doce distribuem-se assim: 69% em geleiras e neves eternas; 30% em água subterrânea; 0,7% em umidade do solo, pantanais e solos congelados; e 0,3% em lagos e rios.
A água também é uma das poucas fontes para produção de energia que não contribui para o aquecimento global. Pelos efeitos da energia solar e da força da gravidade, de líquido transforma-se em vapor que se condensa em nuvens, que retornam à superfície terrestre sob a forma de chuva, em um mágico e constante ciclo hidrológico.
O uso da força das águas para gerar energia é bastante antigo e começou com a utilização das chamadas rodas d’água do tipo horizontal, que através da ação direta de uma queda d’água produz energia mecânica. A partir do século XVIII, com o surgimento de tecnologias como o motor a vapor, o dínamo, a lâmpada e a turbina hidráulica, foi possível converter a energia mecânica em eletricidade. Água e energia caminham juntas, sem energia não se tem acesso à água e sem água não se produz energia limpa e renovável.
Mesmo assim, a participação da água na matriz energética mundial é pouco expressiva e, na matriz da energia elétrica, decrescente. A participação da força das águas em um período de 33 anos (de 1973 a 2006) na produção total de energia, diminuiu de 2,2% para 1,8%. No mesmo período, a posição na matriz da energia elétrica sofreu recuo acentuado: de 21% para 16%. Esse percentual é inferior ao do carvão, petróleo e gás natural, combustíveis fósseis não renováveis, cuja combustão é caracterizada pela liberação de gases na atmosfera e sujeitos a um possível esgotamento das reservas no médio e longo prazos.
A energia límpida das águas renováveis, outrora um paradigma energético, transformou-se num aparente paradoxo com o recrudescimento dos movimentos ambientalistas ao redor do mundo, que questionam a validade de se construir usinas hidrelétricas ante os fortes impactos negativos que provocam no entorno.
O gerenciamento dos recursos hídricos pode ser compreendido como o conjunto de ações destinadas a regular o uso, controle, proteção e conservação das águas, seguindo os princípios e os instrumentos estabelecidos nas políticas nacionais, nos acordos internacionais e transfronteriços. Na área do gerenciamento, está a gestão que consiste em um conjunto de instrumentos comumente utilizados na elaboração de projetos de recuperação de nascentes, rios, engenharias de águas pluviais, construção de barragens, entre outros projetos de cunho técnico. Todos esses processos têm na sua essência a melhoria na qualidade de vida da população e dos ecossistemas globais e regionais.
Milhões de toneladas de esgoto inadequadamente tratados e efluentes industriais e agrícolas são despejados nos, lagos, rios e deltas. Anualmente, morrem mais pessoas pelas consequências de águas impróprias que por todas as formas de violência, incluindo as guerras. A cada ano, a contaminação das águas dos ecossistemas naturais afeta diretamente os seres humanos pela destruição de recursos pesqueiros ou outros impactos sobre a biodiversidade que afetam a produção de alimentos.
Na medida em que o tratamento de esgotos avança, aumenta a importância da chamada carga difusa na poluição de cursos d’água. A carga difusa representa os demais poluentes que também afetam a qualidade da água, como lixos jogados em rios e a poluição presente no ar que desce com as chuvas. A maior parte da água doce poluída desemboca nos oceanos, onde provoca graves prejuízos a muitas áreas costeiras, agravando a situação dos recursos oceânicos e dificultando sua gestão.
Dados e informações sobre hidrologia são raros, mais um contrassenso humano. Somente os Estados Unidos e alguns países da União Europeia fazem algum tipo de monitoramento sobre seus corpos d’água. Os níveis de barragens, apesar de monitorados por seus operadores, dificilmente são divulgados e milhões de pessoas sequer têm noção temporal se os níveis de lagos e rios estarão baixos ou cheios.
Um grupo de mais de 500 cientistas de 32 países, liderados pela França e pelos Estados Unidos trabalham na globalização de informações de recursos hídricos. Está em construção um satélite denominado SWOT (Surface Water Ocean Topography) que vai medir e monitorar oceanos, litorais, lagos, rios e outros pontos úmidos do planeta, por meio de dois radares que irão mover-se na atmosfera a 25 mil Km/h. O satélite vai gerar mapas tridimensionais dos níveis de água, seus fluxos, refluxos, circulação e complexidade em tempo real. Os dados serão disponibilizados gratuitamente pela internet e espera-se que esteja em operação até 2018.
A água é uma questão central na economia de qualquer país. Não só na economia, mas no desenvolvimento e articulação da própria sociedade. A gestão, outrora localizada, setorial, passou ao nível de bacia hidrográfica, mais integrada. Não se faz mais a gestão do ciclo hidrológico só na questão do suprimento energético. É preciso pensar na gestão da pesca, recreação, turismo, navegação, enfim, todo um conjunto de usos múltiplos que representam um corpo de água. Por outro lado, essa gestão integrada implica na necessidade de se gerir águas atmosféricas, águas superficiais e águas subterrâneas.
Mais de 66% da extração de água doce no mundo destinam-se à irrigação. O processo de irrigação artificial ou subterrâneo gota a gota implantado em alguns países como Israel é um fator decisivo no aumento da produtividade alimentícia, sua eficiência é infinitamente superior aos métodos de alagamento tradicionais. Novas tecnologias, métodos criativos e conscientização provocam avanços no uso mais racional e produtivo da água. No ano de 1995 o consumo mundial foi metade do que apontavam os estudos estatísticos realizados trinta anos antes. Espalham-se pelo mundo leis e regulações que impõem posturas construtivas para reter águas pluviais, que possibilita seu reuso.
A gestão adequada dos recursos hídricos implica em resolver dois aspectos fundamentais. O primeiro é a questão de integrar a qualidade e quantidade de água de uma forma adequada. Os usos múltiplos, o excesso de uso e o desperdício são importantes, mas a questão da qualidade engloba todos esses fatores. A princípio se pensava que a escassez de água era motivada pela sua quantidade. Diagnóstico correto: com o agravamento dos problemas de qualidade, tem-se água abundante, mas contaminada e sua purificação está cada vez mais dispendiosa.
Apenas um litro de óleo de cozinha contamina 20 mil litros de água. Por outro lado, para produzir uma tonelada de aço gasta-se 15 mil litros de água; cada quilo de frango consome 2 mil litros de água; um quilo de arroz 1,5 mil litros de água; um quilo de pão mil litros; a produção de um automóvel utiliza água que pode abastecer uma pessoa por dois meses.
O segundo aspecto é como, na economia globalizada e em todo esse conjunto dinâmico de processos econômicos e sociais do século XXI, o uso, a qualidade e a quantidade dos recursos hídricos estão sendo afetados. Na medida em que a sociedade se desenvolve cresce o processo de urbanização, a economia se torna mais complexa e desenvolvida, o que provoca aumento de demanda por recursos hídricos.
Tem-se que procurar caminhos dentro dessa economia, que apropria em demasiado dos recursos naturais, para utilizar menos água e preservar sua qualidade, mantendo elevados estoques de segurança de um bem vital para a espécie humana e para toda a biodiversidade do planeta. A conscientização do problema por meio de processos intensivos de educação ambiental é um dos caminhos. Há que se implantar medidas urgentes de melhoraria na qualidade do abastecimento de água nas grandes metrópoles, sob pena de que cidades como São Paulo, Pequim, Mumbai, e Dacar, que cada vez vão buscar água em bacias mais distantes, sofram com a falta do produto e enfrentem um regime severo de economia do recurso, em um horizonte de dez anos.
A Terra abriga 263 fluxos de água, que atravessam territórios de 145 países. Correspondem a 60% do volume total de água doce disponível no planeta e abastecem 40% da população mundial. Dezenove rios atravessam mais de cinco nações fronteiriças, e projetos de represas são a principal causa de conflitos entre os países que se encontram no curso desses rios. Os reservatórios artificiais construídos por todo o mundo são capazes de suprir as necessidades humanas por aproximadamente dois anos, sendo que há crise iminente de água em mais de 30 países.
A disputa por água pode provocar significativos conflitos internacionais e substituir o que foi a corrida pelo petróleo no século XX. A distribuição geográfica desproporcional do recurso, o crescimento populacional, a urbanização, a melhoria dos padrões de consumo e as mudanças climáticas que causam o aquecimento global só tendem a acirrar as disputas por um produto cada vez mais escasso.
As mudanças climáticas irão impactar cada aspecto do ciclo hidrológico. A escassez de água irá se expandir, eventos extremos como enchentes e estiagem serão potencializados, o nível do mar e as temperaturas irão subir lenta e progressivamente, e a recarga de água subterrânea, os regimes de chuva e a vazão fluvial serão profundamente modificados. Mas, o maior desafio que envolve a água não está ainda diretamente ligado às mudanças climáticas, e sim ao vultoso desperdício e à distribuição desigual das bacias hidrográficas.
Apesar de inúmeras ações de uso mais racional de água, o desperdício é assustador. No Brasil as perdas estão em 40%, motivadas principalmente por ligações clandestinas e vazamentos em tubulações. No mundo esse índice aproxima-se de 15%; na Alemanha um dos países que melhor gerencia seus recursos hídricos, as perdas médias são de 8%; no Japão 6%.
Grande parte dos países, principalmente os ricos, usa a água de forma perdulária, a exemplo do que se faz com a energia. Nesse ciclo vicioso, esgota-se estoques, procura-se por novas fontes e pouco se investe em sistemas preventivos de captação, reutilização e reciclagem e para cuidar da contaminação.
Escassez de água pode transformar o que atualmente é uma competição pacífica em conflitos beligerantes. O secretário geral das Nações Unidas Ban Ki-Moon afirmou em 2007 no Conselho de Segurança da ONU que enchentes e secas provocam migrações em massa, polarizam sociedades e enfraquecem a capacidade de países resolverem pacificamente os conflitos.
Mas ao perpassar os olhos pela história vê-se que houve muitos conflitos internacionais pela água, só que resolvidos com tratados e não com mísseis. A água é um item importante demais para que nações arrisquem uma disputa por seu suprimento, pois sem água a espécie humana seria extinta em questão de dias.
Um importante aspecto ligado à política internacional que regulamenta o uso de áreas úmidas refere-se à Convenção de Ramsar, firmada por um grande número de países naquela cidade do Irã, em 1971, com o objetivo inicial de proteger as áreas úmidas de importância internacional. O Brasil firmou essa convenção em 1993 e passou a se responsabilizar por fazer levantamentos de suas áreas úmidas. Essas áreas, que têm como limite a linha máxima das enchentes, devem ser detalhadamente estudadas para seu correto manejo e proteção.
Na Convenção de Ramsar foram definidos como áreas úmidas os pântanos, charcos, turfas e corpos de água, naturais ou artificiais, permanentes ou temporários, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo estuários, planícies costeiras inundáveis, ilhas e áreas marinhas costeiras, entre outros. Nesse conjunto de áreas úmidas são encontrados alguns dos ambientes mais produtivos e de maior diversidade biológica do planeta.
Na maior parte dos países a posse da água é do Estado. No Brasil de acordo com a Constituição de 1988 (Capítulo II - DA UNIÃO, Art. 20, III), são bens da União “os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais”.
Em análise análoga, o texto do Código Florestal de 1965, em seu Art. 2º, modificado pela lei 7.803, de 18 de julho de 1989, dispõe que “consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural, situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto”. Do ponto de vista ecológico, de preservação da biodiversidade e integridade dos ambientes de cursos d’água, o nível baixo não pode ser utilizado, nem tampouco o nível regular, mas sim o nível mais alto de expansão das cheias.
A distribuição da água no mundo é muito desigual e uma grande parte das bacias hidrográficas encontra-se em regiões carentes do produto. Estas regiões devem receber auxílio das nações mais ricas e de fundos internacionais para desenvolver tecnologias que permitam a captação, armazenamento e preservação da água e de seus mananciais. O problema é que instituições como o Banco Mundial, que tem programas nessa área, não possuem expertise para administrar programas retalhados e com aportes pequenos, típicos dessa atividade.
O Brasil possui 12% do total de água doce superficial do planeta, um privilégio. Mas como ocorre em todo o mundo, a distribuição também é desigual. Com apenas 7% da população brasileira, a Amazônia possui 78% dessa água superficial, um excedente hídrico que atrai a cobiça global. O Sudeste que representa 50% da riqueza brasileira fica com apenas 6%, um grande déficit para quem irriga quase metade da produção agrícola brasileira, setor, aliás, que abocanha aproximadamente 70% de todo consumo nacional de água.
Apesar de rico em cursos d’água, o Brasil não cuida nada bem desse seu patrimônio. Cerca de 45% da população está conectada à rede de esgoto e do total de esgoto coletado, apenas 38% é tratado. Grande quantidade de material orgânico é lançada em rios e no mar. O reflexo está explicitado em estudo da SOS Mata Atlântica, que avaliou a qualidade da água baseada em padrões do Conselho Nacional do Meio ambiente (Conama). O estudo ocorreu entre janeiro de 2011 e março de 2012 em 11 estados e 49 rios, córregos, ribeirões, represas, lagos e açudes. Nenhum deles recebeu a classificação de bom ou ótimo; 75% foram classificados como regular; e 25% como ruim.
Quatro rios podem provocar disputas conflituosas no futuro: o Nilo, o Jordão, o Tigre-Eufrates e o Indo. Principalmente porque são rios compartilhados entre países com histórico bélico. O rio Jordão corre por entre Israel, Jordânia, Líbano, Síria e territórios da palestina ocupados. O Tigre-Eufrates, berço da civilização suméria, passa por Iraque, Irã, Síria e Turquia. As águas do rio Indo abastecem Afeganistão, China, Índia, Paquistão e Caxemira. Por fim o rio Nilo que corta metade do território africano, banhando os países Sudão, Uganda e Egito.
O Iêmen é o primeiro país no mundo a sofrer total escassez de água devido ao aquecimento global, ao crescimento populacional e ao extrativismo, gerando possibilidades de conflitos e movimentos de massa que podem se espalhar pelo continente africano e pelo mundo.
Dentre os conflitos armados, Israel envolve-se na maioria deles. A disputa com Síria e Jordânia pelas Colinas de Golã, ocorre não pela sua beleza natural mas porque ali se encontra a nascente do Rio Jordão, fundamental para o abastecimento de água no Oriente Médio.
China e Índia também têm conflitos pela água: o rio de Brahmaputra já causou tensão entre os países e pode se tornar uma faísca para dois dos maiores exércitos do mundo. Em 2000, a Índia acusou a China de não compartilhar informações sobre o funcionamento do rio desde o Tibet, que causou inundações no nordeste da Índia e em Bangladesh.
Há tensões entre Botswana, Namíbia e Angola em torno da vasta bacia de Okavango, na África. As secas fizeram a Namíbia reativar projetos de dutos de água com extensão de 250 milhas para fornecimento à capital, Windhoek. Drenar o delta seria letal para comunidades locais e para o turismo. Sem a inundação anual do norte, os reservatórios encolherão e a água sangrará até o deserto de Kalahari.
A gestão da escassez de água não se restringe somente a águas superficiais, mas também às subterrâneas dos aquíferos. Os aquíferos são depósitos fósseis herdados da última era do gelo, ou seja, levaram milhares de anos para se formar, e são abastecidos por precipitações drenadas da superfície. Em regiões onde a água encontra-se a mais de um quilômetro de profundidade, pode atingir entre 50º.C. e 85º.C. e ser útil para alguns processos industriais e também para recreação e lazer, com instalação de termas.

O aquífero Guarani, que possue 2/3 de sua área sob solo brasileiro, ainda está bem protegido de contaminações e sua recarga é superior à extração, devido principalmente ao regime de chuvas. O problema ocorre quando essas reservas subterrâneas encontram-se em locais de baixos índices pluviométricos, ou onde prevalece clima mais seco, ou ainda onde é a principal ou única fonte de água existente para abastecer as populações locais.
O gigantesco aquífero Ogallala, um depósito pleistocênico, localizado nos Estados Unidos, que se espalha sob oito estados americanos, está em extinção devido ao uso ser maior que sua taxa de reposição. Localizado em região predominantemente seca e carente de recursos hídricos, vai do Texas à Dakota do Sul. É uma das regiões agrícolas mais produtivas do mundo e o aquífero foi o grande responsável pela pujança da região, possibilitando a irrigação de imensas plantações de trigo, algodão, milho, sorgo entre outros produtos.
Ocorre que por muitas décadas retira-se do Ogallala, por meio de milhares de poços, 30 centímetros ao ano enquanto sua reposição natural é de 1 a 2 centímetros ao ano. O reservatório milenar está condenado e sua vida útil é calculada entre 10 e 25 anos. Uma tragédia anunciada para uma região que deve sua prosperidade às águas subterrâneas do Ogallala.
Diversos países já se prepararam para vender grandes volumes de água. No Canadá, por exemplo, a preocupação é com a legislação que não permite esse tipo de venda, como é feito com o petróleo. Outros países “importam” água, processo designado de comércio de águas virtuais, por meio de compra de alimentos, principalmente cereais. Países do Oriente Médio, impedidos de produzir seus próprios alimentos devido à escassez de água e clima seco são os maiores importadores virtuais. Compram mantimentos de outras nações que não tem problemas crônicos de água doce. O cenário futuro é preocupante e os detentores de estoques hídricos de água doce serão os provedores da vida.
A urbanização irregular, o desperdício, os rios cada vez mais sujos e os sistemas de abastecimento cada vez mais precários são os principais motivos da escassez de água. A demanda por água só tende a aumentar e a busca pelo recurso está se direcionando para mananciais cada vez mais distantes, o que encarece o produto e causa desequilíbrio nas reservas subterrâneas. Deve-se planejar vultosos investimentos de longo prazo em obras de abastecimento que necessitam ser feitas de forma integrada, afinal, as bacias hidrográficas não estão distribuídas em conformidade com a demanda.
Segundo Jonh F. Kennedy, “quem for capaz de resolver os problemas da água será merecedor de dois prêmios Nobel, um pela paz e outro pela ciência”.

Rodnei Vecchia.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Especialistas temem guerra cibernética no futuro

Um exercício militar internacional, realizado em março em uma base militar na Estônia, tentou prever as consequências de um novo tipo de conflito, uma guerra cibernética.
A operação Locked Shields não envolveu explosões, tanques ou armas. Na operação, uma equipe de especialistas em TI atacou outras nove equipes, espalhadas em toda a Europa.
Notícias relacionadasExército brasileiro prepara sistema de prevenção contra ataques cibernéticosBrasil está entre os menos preparados para ataques de hackers, diz estudoAtaque de hackers expõe dados de cartão de crédito de 15 mil em Israel Tópicos relacionadosCiência e Tecnologia
Nos terminais da equipe de ataque, localizados no Centro de Excelência da Otan em Defesa Cibernética Cooperativa, foram criados vírus ao estilo "cavalo de Tróia" e outros tipos de ataques pela internet que tentavam sequestrar e extrair dados das equipes inimigas.
O objetivo era aprender como evitar estes ataques em redes comerciais e militares e mostrou que a ameaça cibernética está sendo levada a sério pela aliança militar ocidental.
O fato de a Otan ter estabelecido seu centro de defesa na Estônia também não é por acaso. Em 2007 sites do sistema bancário, da imprensa e do governo do país foram atacados com os chamados DDoS (sigla em inglês para "distribuição de negação de serviço") durante um período de três semanas, o que agora é conhecido como 1ª Guerra da Web.
Os responsáveis seriam hackers ativistas, partidários da Rússia, insatisfeitos com a retirada de uma estátua da época da União Soviética do centro da capital do país, Tallinn.
Os ataques DDoS são diretos: redes de milhares de computadores infectados, conhecidas como botnets, acessam simultaneamente o site alvo, que é sobrecarregado pelo tráfego e fica temporariamente fora de serviço.
Os ataques DDoS são, no entanto, uma arma primitiva quando comparados com as últimas armas digitais. Atualmente, o temor é de que a 2ª Guerra da Web, se e quanto acontecer, possa gerar danos físicos, prejudicando a infraestrutura e até causando mortes.
Trens descarrilados e blecautesPara Richard A. Clarke, assistente de combate ao terrorismo e segurança cibernética para os presidentes americanos Bill Clinton e George W. Bush, ataques mais sofisticados podem fazer coisas como descarrilar trens em todo o país, por exemplo.
"Eles podem causar blecautes, e não apenas cortando o fornecimento de energia, mas danificando de forma permanente geradores que levariam meses para serem substituídos. Eles podem fazer coisas como causar explosões em oleodutos ou gasodutos. Eles podem fazer com que aeronaves não decolem", disse.
No centro do problema estão interfaces entre os mundos físico e digital conhecidas como sistemas Scada, ou Controle de Supervisão e Aquisição de Dados, na sigla em inglês.
Estes controladores computadorizados assumiram uma série de tarefas que antes eram feitas manualmente. Eles fazem de tudo, desde abrir as válvulas de oleodutos a monitorar semáforos.
Em breve estes sistemas serão comuns em casas, controlando coisas como o aquecimento central.
O detalhe importante é que estes sistemas usam o ciberespaço para se comunicar com os controladores, receber a próxima tarefa e reportar problemas. Caso hackers consigam entrar nestas redes, em teoria, conseguiriam também o controle da rede elétrica de um país, do fornecimento de água, sistemas de distribuição para indústria ou supermercados e outros sistemas ligados à infraestrutura.
Dispositivos vulneráveisEm 2007 o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos demonstrou a potencial vulnerabilidade dos sistemas Scada. Com um software, o departamento entrou com comandos errados e atacou um grande gerador a diesel.
Vídeos da experiência mostram o gerador chacoalhando violentamente e depois a fumaça preta toma toda a tela.
O temor é de que, um dia, um governo hostil, terroristas ou até hackers que apenas querem se divertir possam fazer o mesmo no mundo real.
"Nos últimos meses temos vistos várias coisas", disse Jenny Mena, do Departamento de Segurança Nacional. "Atualmente existem mecanismos de buscas que podem encontrar aqueles dispositivos que estão vulneráveis a um ataque pela internet. Além disso, vimos um aumento no interesse nesta área na comunidade de hackers e de hackers ativistas."
Uma razão de os sistemas Scada terem uma possibilidade maior de ataques de hackers é que, geralmente, engenheiros criam o software, ao invés de programadores especializados.
 De acordo com o consultor de segurança alemão Ralph Langner, engenheiros são especialistas em suas áreas, mas não em defesa cibernética.
"Em algum momento eles aprenderam a desenvolver software, mas não se pode compará-los a desenvolvedores de software profissionais que, provavelmente, passaram uma década aprendendo", disse.
E, além disso, softwares de infraestrutura podem estar muito expostos. Uma usina de energia, por exemplo, pode ter menos antivírus do que um laptop comum.
Quando as vulnerabilidades são detectadas, pode ser impossível fazer reparos imediatos no software.
"Para isso, você precisa desligar e ligar novamente (o computador ou sistema). E uma usina de energia precisa funcionar constantemente, com apenas uma parada anual para manutenção", disse Langner. Portanto, até o desligamento anual da usina, não se pode instalar novo software.
StuxnetEm 2010, Ralph Langner e outros dois funcionários de sua companhia começaram a investigar um vírus de computador chamado Stuxnet e o que ele descobriu foi de tirar o fôlego.
O Stuxnet parecia atacar um tipo específico de sistema Scada, fazendo um trabalho específico e, aparentemente, causava pouco dano a qualquer outro aplicativo que infectava.
Era inteligente o bastante para encontrar o caminho de computador em computador, procurando sua presa. E também conseguia explorar quatro erros de software, antes desconhecidos, no Windows, da Microsoft.
Estes erros são extremamente raros o que sugere que os criadores do Stuxnet eram muito especializados e tinham muitos recursos.
Langner precisou de seis meses para analisar apenas um quarto do vírus. Mesmo assim, os resultados que conseguiu foram espantosos.
O alvo do Stuxnet era o sistema que controlava as centrífugas de urânio na usina nuclear de Natanz, no Irã.
Atualmente se especula que o ataque foi trabalho de agentes americanos ou israelenses, ou ambos. Qualquer que seja a verdade, Langner estima que o ataque o Stuxnet atrasou em dois anos o programa nuclear iraniano e custou aos responsáveis pelo ataque cerca de US$ 10 milhões, um custo relativamente pequeno.
Otimistas e pessimistas , o professor Peter Sommer, especialista internacional em crimes cibernéticos afirma que a quantidade de pesquisa e a programação sofisticada significam que armas do calibre do Stuxnet estariam fora do alcance da maioria, apenas disponíveis para governos de países avançados. E governos, segundo o especialista, costumam se comportar de forma racional, descartando ataques indiscriminados contra alvos civis.
"Você não quer causar, necessariamente, interrupção total. Pois os resultados podem ser imprevistos e incontroláveis. Ou seja, apesar de alguém poder planejar ataques que possam derrubar o sistema financeiro mundial ou a internet, por quê alguém faria isto? Você pode acabar com algo que não é tão diferente de um inverno nuclear."
No entanto, o consultor Ralph Langner afirma que, depois de infectar computadores no mundo todo, o código do Stuxnet está disponível para qualquer que consiga adaptá-lo, incluindo terroristas.
"Os vetores de ataque usados pelo Stuxnet podem ser copiados e usados novamente contra alvos completamente diferentes. Até há um ano, ninguém sabia de uma ameaça tão agressiva e sofisticada. Com o Stuxnet, isso mudou. (...). A tecnologia está lá, na internet."
Langner já fala em uma certeza: se as armas cibernéticas se espalharem, os alvos serão, na maioria, ocidentais, ao invés de alvos em países como o Irã, que tem pouca dependência da internet.
E isto significa que as velhas regras de defesa militar, que favoreciam países poderosos e tecnologicamente avançados como os Estados Unidos, já não se aplicam mais.
Michael Gallagher


segunda-feira, 21 de maio de 2012

A Terra em movimento e as Placas Tectônicas

Um dos assuntos mais interessantes estudados por geólogos é aquele referente à estrutura da Terra e as transformações que ocorrem no planeta. A maior parte dos processos de mudança, principalmente aqueles de abrangência global, são operados tão lentamente que os mesmos não são perceptíveis numa escala de tempo humano. Mas eles ocorrem de forma inexorável transformando a paisagem da Terra.
Forças internas do planeta agindo durante bilhões de anos elevam grandes massas rochosas (Cordilheira Andina e Alpina), dobram duras camadas de rocha e conseguem mesmo separar e mover continentes e abrir oceanos, rearranjando o mapa do mundo.
Periodicamente, o homem se dá conta das forças extraordinárias do planeta, cuja magnitude pode ser avaliada nos grandes eventos dos terremotos, durante os quais grandes fendas se abrem no chão, prédios inteiros são destruídos, pontes e viadutos são levantados, suas estruturas de aço distorcidas, e alterações imponentes ocorrem na superfície dos terrenos num curtíssimo espaço de tempo. Do mesmo modo, erupções vulcânicas modificam rapidamente a paisagem, criando ou destruindo montanhas. Essas forças endógenas do planeta são responsáveis pela dinâmica presente na crosta terrestre. A Figura 1 mostra um perfil esquemático ilustrando os processos derivados do movimento das placas tectônicas na superfície do globo terrestre.
A Teoria das Placas Tectônicas, na qual a superfície da Terra (Litosfera) está dividida em placas relativamente finas (contendo continentes ou não) que se movem e se chocam, provocando terremotos, erupções vulcânicas e formando cadeias montanhosas, é fruto da capacidade imaginativa e científica de figuras importantes do mundo geológico.
A idéia de uma movimentação relativa entre os continentes pode ser inicialmente encontrada nos escritos de Francis Bacon, datados de 1620. Bacon impressionou-se com o fato de que o contorno da costa leste americana casava quase que perfeitamente com o contorno da costa oeste da África e Europa.
A hipótese de uma possível deriva continental (continental drift) foi apresentada ao conhecimento público no começo do século XX pelo meteorologista alemão Alfred Wegener. Ele baseou-se principalmente em estudos e evidências de natureza climatológica para justificar a Teoria da Deriva Continental. Analisando registros paleoclimáticos nos diversos continentes, notou que nos Períodos Geológicos do Carbonífero (345 milhões de anos atrás) e Permiano (280 milhões de anos atrás), a África, a Austrália, a Antártica, a América do Sul e a península da Índia encontravam-se em período glacial. No mesmo Tempo Geológico, os grandes depósitos de carvão mineral estavam sendo formados na América do Norte, Europa e Ásia, e condições desérticas prevaleciam em toda a região norte. Os depósitos de carvão e os desertos são indicativos de clima quente, que ocorrem hoje em regiões tropicais e equatoriais. Aquelas condições climáticas não poderiam ser explicadas pela atual disposição espacial dos continentes, a não ser que os mesmos estariam sofrendo um movimento de deriva relativa. Wegener tentou demonstrar que ao se agrupar todos os continentes  numa única massa continental (Pangea), no Período Permocarbonífero, com a América do Sul bem próxima ao Pólo Norte, poder-se-ia explicar a condição climática glacial reinante nos continentes anteriormente indicados.
Da mesma forma, pelo arranjo proposto, a América do Norte, Europa e Ásia estaria localizados em zonas paleoclimáticas tropicais próximas à linha do Equador. Wegener publicou seus estudos em 1915 "A origem dos continentes e oceanos", mas não conseguindo explicar que forças seriam capazes de mover imensos blocos continentais, e com a sua morte em 1930, a Teoria da Deriva Continental foi posta em esquecimento.
Com os avanços científicos que se seguiram decorrentes do desenvolvimento de novos instrumentos e tecnologias de investigação, a partir da metade do século, pode-se constatar novas evidências geológicas indicativas do movimento das placas terrestres. A descoberta e os estudos realizados ao longo das Cadeias Meso-oceânicas (oceanic spreading ridge) que constitui um sistema contínuo de elevações do piso oceânico, com forte atividade sísmica e vulcânica, por exemplo a Cadeia Meso-Atlântica, que se extende continuamente quase exatamente no centro do Oceano Atlântico, deu margem ao desenvolvimento da Tese de Expansão do Fundo Oceânico. Pode-se dizer que a Teoria de Placas Tectônica é fruto dos estudos de Deriva Continental e dos estudos da Expansão do Fundo Oceânico.
http://www.cienciaonline.org/

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A população e o espaço urbano

Na zona rural a paisagem é mais ou menos marcada pelos elementos do meio natural: a influência do solo, do clima, da declividade do relevo, a presença de água e vegetação. A população vive dispersa em pequenos sítios. No meio urbano a população se concentra num espaço totalmente humanizado e dedica-se às atividades industriais, comerciais e de prestação de serviços.

A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, originou profundas alterações na forma e na função da cidade. A indústria se multiplicava nos países europeus e nos Estados Unidos, onde vivia grande parte dos trabalhadores urbanos. As lojas se instalavam nas ruas mais movimentadas, a fim de atrair um número cada vez maior de consumidores. As residências passaram a ser construídas de modo caótico, nos poucos espaços que sobravam entre as fábricas e rodovias, não haviam espaços para o lazer e o ar era muito poluído devido ao carvão utilizado nas indústrias. O nascimento da indústria originou cidades insalubres, isto é, pouco saudáveis, marcadas pela aglomeração dos pobres em pequenos quartos de cortiços, a população não tinha acesso à água tratada e nem rede de esgotos.
As pesquisas e projetos nessa área se avolumaram e constituíram uma área de estudo, o urbanismo. As primeiras iniciativas resultaram em bairros residenciais dotados de excelente infra-estrutura arborizados e ajardinados. As cidades planejadas deveriam Ter largas avenidas e um sistema viário eficiente, permitindo o trânsito rápido. A cidade de Brasília é o exemplo mais completo e bem acabado desse tipo de planejamento, que também foi adotado na implantação de cidades dos
Estados Unidos. França, Inglaterra, Israel e Japão.

Formadas por um conjunto hierarquizado de cidades com tamanhos diferentes, onde se observa a influência exercida pelos centros maiores sobre os menores. A hierarquia urbana se estabelece a partir dos produtos e dos serviços que as cidades tem para oferecer. Nos países desenvolvidos, as redes urbanas são mais bem estruturadas.

As metrópoles correspondem a centros urbanos de grande porte: populosos, modernos e dotados de graves problemas de desigualdades sociais. A concentração populacional amplia a oferta de mão-de-obra e, desse modo, atrai investimentos produtivos que contribuem para o desenvolvimento da indústria. A metrópole lidera a rede urbana à qual está interligada e exerce uma forte influência sobre as cidades de menor porte, podendo transformar-se num pólo regional,
nacional ou mundial.

Quando os limites físicos das cidades estão muitos próximos, formam-se conurbações. Vista do alto, a conurbação tem o aspecto de uma grande mancha urbana, ou seja, um conjunto de espaços urbanizados que engloba mais de uma cidade.

A megalópole não é uma mega-metrópole, mas uma conurbação de metrópoles, nelas as regiões rurais estão quase ausentes.

Um dos mais graves problemas é a habitação. Como os imóveis mais baratos em geral são os mais distantes do centro da cidade, a população passa a morar cada vez mais longe do local de trabalho. Em conseqüência disso a população por não ter um transporte coletivo digno vai trabalhar com seus próprios automóveis causando muito trânsito, poluição do ar, poluição sonora e até mesmo dos rios.

No século XIX, a urbanização foi mais intensa nos países que realizaram a Revolução Industrial e que constituem hoje países desenvolvidos. A partir do século XX, o ritmo de urbanização diminuiu nesses países. No pós-guerra, a concentração humana e a elevação do poder aquisitivo das populações dos países mais desenvolvidos produziram um grande aumento do consumo de bens e serviços, que favoreceu a expansão do setor terciário da economia. Com o desenvolvimento da tecnologia industrial , a produtividade aumentou e as necessidades de mão-de-obra se reduziram. Parte da população ativa no setor secundário foi para o setor. Depois de 1980 os setor terciário e a prestação de serviços aderiram aos avanços tecnológicos da informática.

O século XX se caracterizou pela urbanização dos países subdesenvolvidos. O ritmo se acelerou a partir de 1950, devido ao aumento das taxas de crescimento populacional. A industrialização, formaram-se grandes cidades, com maior disponibilidade de emprego, conforto e ascensão social. A industrialização adotou um padrão tecnológicos muito mais moderno do que o utilizado pelas indústrias do século XIX, o que resultou na criação de menos empregos. Nessas cidades existe o setor terciário informal – aquelas atividades não regulamentadas, como a dos camelôs e biscateiros – cresce mais que o formal. A maior parte da população ainda vive na zona rural.

Na África a maior parte da população vive na zona rural, pois as atividades agrárias predominam na estrutura econômica de quase todos os países do continente. Os países da África são os que apresentam as taxas de urbanização mais elevadas entre os países menos desenvolvidos. Seus habitantes possuem uma renda anual inferior a 370 dólares. A urbanização africana ocorreu quando houve um grande aumento do consumo mundial de matérias-primas, combustíveis fósseis e produtos agrícolas.

A Ásia, é o continente mais populoso do mundo, não tem uma tradição urbana. A população ainda é predominantemente rural. Vivem com uma renda como a dos africanos, inferior a 370 dólares por ano. A urbanização ocorreu com a oferta de trabalho das indústrias dos tigres asiáticos.

Com a globalização, surgem as metrópoles mundiais e tecnopolos. É nessas metrópoles que se concentram grandes capitais, profissionais qualificados e tecnologia. O papel de metrópole mundial adquiriu tamanha importância na atualidade que passou a ser a meta perseguida por muitas cidades desenvolvidas. Os tecnopolos, por sua vez correspondem a centros urbanos que abrigam importantes universidades, instituições de pesquisa e os principais complexos industriais, onde se desenvolvem tecnologias avançadas e pesquisas científicas.
Juvenal Santana




quinta-feira, 17 de maio de 2012

REGIÃO NORDESTE INFORMAÇÕES E DADOS

Informações e dados da região Nordeste do Brasil
- População: 53.078.137 (Censo IBGE 2010)
· Estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
· Vegetação: Mata Atlântica (em pequenas áreas da região próxima ao litoral); Cerrado (oeste da Bahia e sul do Maranhão), Caatinga ( no sertão nordestino, interior), Mata dos Cocais (em áreas do Maranhão, Piaui, Rio Grande do Norte e Ceará).
· Rios Principais: rio São Francisco, rio Parnaíba, rio Jaguaribe, rio Capibaribe, rio Piranhas-Açu e rio Una.
· Usinas Hidrelétricas: Sobradinho, Paulo Afonso, Três Marias e Xingó.
· Agricultura (principais produtos agrícolas): cana-de-açúcar (principal produto), tabaco, algodão, caju, manga, uva, acerola e cacau. A cana-de-açúcar é cultivada, principalmente, na região litorânea, onde encontramos o massapé, solo escuro, argiloso e muito fértil.
· Economia: bem diversificada. Nas cidades litorâneas destacam-se os serviços voltados para o turismo. Na pecuária, existe uma importante criação de bovinos nos estados do Maranhão, Piauí, Bahia e Pernambuco. Presença de indústrias, nas grandes cidades, de calçados, produtos elétricos e eletrônicos, petroquímica (pólo petroquímico de Camaçari) e tecelagem. Destaque para o Distrito Industrial de Ilhéus (Bahia), Complexo Industrial de Suape (Pernambuco), Distrito Industrial de Maracanaú (Ceará). Na área de tecnologia, podemos destacar o Porto Digital do Recife (maior polo tecnológico do país), com ênfase na produção de softwares.
· Turismo: as cidades litorâneas possuem uma ótima infra-estrutura turística (aeroportos, hotéis, pousadas, parques, etc). As praias se destacam pelas belezas naturais. Há também o turismo histórico-cultural, com cidades de arquitetura da época colonial (Recife, Olinda, Salvador, entre outras).
· Cultura Nordestina: a cultura é bem diversificada e representa a união cultural de brancos (principalmente portugueses), índios e negros africanos. Na culinária, podemos destacar pratos típicos como, por exemplo, acarajé, vatapá, sarapatel, sururu e carne-de-sol. No campo da música, existem vários rítmos populares (axé, samba, xote, forró, xaxado, samba-de-roda, frevo e baião). Não podemos deixar de mencionar também a beleza da literatura de cordel nordestina, tendo como principal representante Patativa de Assaré. Nas festas típicas nordestinas, destaca-se o bumba-meu-boi e as micaretas.
Problemas Sociais: o principal é a seca do Nordeste que atinge extensas áreas do sertão (região do polígono das secas), levando pobreza e fome para os habitantes.
SUA PESQUISA.



quarta-feira, 16 de maio de 2012

ECONOMIA DA OCEANIA

Os únicos países desenvolvidos do continente são a Austrália e a Nova Zelândia. Nas demais ilhas, a superpopulação, o isolamento territorial, a dispersão das comunidades, a distância dos grandes mercados mundiais, a precariedade das comunicações e a escassez de mão-de-obra qualificada constituem grandes óbices ao progresso econômico.
Pratica-se a agricultura em unidades familiares e, nas ilhas maiores, em sistema de latifúndio. Os produtos derivados do coco, como a copra, constituem as principais exportações de muitas ilhas. A cana-de-açúcar, o café, o cacau e as especiarias foram introduzidas em diversas regiões, para diversificar a produção agrícola. A pesca e a exploração madeireira têm relevância. Barcos da Coréia do Sul, de Formosa e do Japão operam no Pacífico, e a indústria de conservas de pescado é importante no Havaí, em Samoa, em Papua-Nova Guiné e nas ilhas Fidji e Salomão. Extrai-se ouro e cobre nas ilhas Fidji e Salomão e na Nova Guiné, e níquel na Nova Caledônia. Há jazidas de petróleo em Irian Jaya, porção indonésia da Nova Guiné, e em Nauru se obtêm fosfatos.
O Japão, os Estados Unidos, a Austrália e a França são os mais freqüentes parceiros comerciais dos países da Oceania. A partir da década de 1970, a melhoria dos serviços de comunicações permitiu o desenvolvimento do turismo, sobretudo no Havaí, nas ilhas de Guam, Fidji e na Polinésia francesa. As ilhas mais necessitadas recebem ajuda econômica de Austrália, França, Estados Unidos e Nova Zelândia.(Enciclopédia Barsa).

terça-feira, 15 de maio de 2012

AMERICA ANGLO SAXONICA

Convencionou-se chamar de “América Anglo-saxônica” ao conjunto dos países: Canadá e EUA, em oposição ao termo “América Latina” que denomina os países da América do Sul e Central, e em algumas definições, também o México e o Caribe.
  Essa denominação deve-se ao fato de que estes países tiveram sua colonização realizada majoritariamente por países de origem anglo-saxônica: “anglo-saxões” é a denominação dada aos habitantes da Inglaterra após a vitória dos saxões, povo germânico, sobre os bretões.
Entretanto, essa divisão é um pouco controversa, visto que não engloba alguns países e outros territórios caribenhos que tem com íngua oficial o inglês ou outras línguas de origem germânica, e estão ou estiveram sob domínio dos ingleses (a maior parte das ilhas caribenhas foi colonizada por espanhóis, porém passaram ao domínio dos ingleses, posteriormente).
Outro ponto de controvérsia está no fato de que o Canadá durante o período de sua colonização esteve ora sob domínio francês, um povo latino, ora sob domínio inglês, povo germânico, e tem como línguas oficiais o francês e o inglês. E na região de Quebéc (antiga Província do Canadá, junto com Ontário) o francês é a língua oficial, visto que as leis canadenses permitem que cada província eleja seu idioma oficial.
Caroline Faria

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ESTEPES

Estepe é o nome dado a um tipo de vegetação de regiões temperadas ou subtropicais. Essa formação vegetal se estabelece em planícies, sendo destituída de espécies arbóreas, é constituída basicamente por gramíneas (herbáceas).
A estepe é considerada uma faixa de transição vegetativa e climática, ocorrendo geralmente aos arredores de desertos. O solo onde desenvolve esse tipo de cobertura vegetal apresenta uma grande fertilidade, possui uma cor escura (negra) e é usado frequentemente para o cultivo agrícola.
Apesar de ser um tipo de vegetação aberta, a estepe abriga várias espécies de animais, especialmente aqueles que se deslocam em manadas - comportamento defensivo contra predadores.
Esse tipo de formação vegetal é encontrado, fundamentalmente, nos Estados Unidos, Mongólia e China, além de regiões próximas ao deserto da Patagônia.
Eduardo de Freitas

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Distribuição de Renda - A Pobreza e a Fome

É impossível separar a distribuição de renda, a pobreza e a fome, pois estas estão intimamente relacionadas, sendo cada uma causa e conseqüência da outra. Por mais de quinhentos anos a renda no Brasil é mal distribuída. E a renda também está ligada com a posse da terra. Desde o início da colonização, com as capitanias hereditárias, extensas faixas de terras estavam concentradas nas mãos de poucos. Dessa mesma forma, tempos depois, nas mãos dos senhores de engenho e séculos depois nas mãos dos barões do café. Nesse tempo, os trabalhadores e escravos, marginais do processo compunham a classe pobre, quase sempre mal alimentada.
Com a abolição da escravidão a situação da renda poderia ter melhorado, mas a imensa massa de negros foi deixada a própria sorte, sem qualquer tipo de assistência. Os negros libertos geraram as favelas e os trabalhadores rurais, sem terra. A situação agravou-se ainda mais durante a ditadura militar em que o lema "Primeiro crescer, depois distribuir" traduz o porquê da atual concentração de renda. E esta concentração de renda gera a concentração de riqueza, pois apenas aquele que possui uma renda alta pode poupar, empreender e assim enriquecer. Com isso o abismo entre ricos e pobres aumenta.
Atualmente, um dos grandes vilões da má distribuição de renda é o alto preço dos alimentos, que afetam muito mais as pessoas de baixa renda. Para uma família com renda mensal de R$ 200, 50% é gasto com alimentação. Essa porcentagem cai para 15% para uma família de renda de R$ 2000. Dois fatores explicam o alto preço do alimento. O primeiro é o modelo fiscal brasileiro, que sobretaxa produtos ao invés de lucros e investimentos. Por isso o pobre paga mais impostos. Além disso a produção brasileira é voltada para engordar o superávit da balança comercial, que serve para pagar juros e mais juros da dívida externa. Para exportar produtos que poderiam ser consumidos internamente aumenta-se o preço, através de vários impostos, enquanto incentivos fiscais para a exportação são concedidos. Com a diminuição do preço, o pobre pode comprar mais alimentos, por conseqüência diminui-se a fome. Muitas entidades fazem campanhas contra a fome, seja no Natal ou na época da seca para alimentar os famintos. Porém o benefício não atinge todos e quando termina a campanha, acaba também o sustento. Por isso é fundamental que o faminto tenha condições de se sustentar, para que a fome seja definitivamente erradicada.
O aumento do salário mínimo também melhora a distribuição de renda, já que o patrão passa a pagar mais a seus empregados. Além disso, no mercado informal, os salários tendem a se ajustar no patamar do novo mínimo. Como a maior parte dos pobres trabalham informalmente, há um aumento generalizado do poder aquisitivo.
Para visualizarmos a importância do salário na vida do brasileiro: 2/3 da população, 111 milhões, dispõe de renda familiar de até 2 salários mínimos e destes 34 milhões com renda inferior a ½ mínimo. Por fim o dado mais agravante: 1% da população concentra fortuna equivalente ao rendimento de 50% mais pobres da população.
A pobreza e a fome são parte do processe cíclico da má distribuição de renda. Hoje no Brasil temos 60 milhões de pobres (outras fontes indicam "apenas" 30 milhões) e outros tantos milhões abaixo da linha de indigência. A definição de pobre é aquele que tem uma renda per capita familiar inferior a linha de pobreza. A linha de pobreza é o custo das necessidades básicas do indivíduo. Os indigentes não conseguem nem satisfazer suas necessidades alimentares – são os famintos. Na população rural, 40% das pessoas são pobres. Isso se deve a extrema concentração de terra, já abordada anteriormente. Para termos uma idéia da enorme discrepância entre latifundiários e pequenos proprietários bastam estes números. Dos 5 milhões de estabelecimentos rurais, a metade possui menos de 10 hectares, numa área de aproximadamente 7,9 milhões de hectares. Já os 37 maiores latifúndios possuem juntos 8,3 milhões de hectares.
Este é o alicerce da má distribuição de renda no Brasil, pois dos latifúndios são improdutivos e servem como bem de capital. Se estes fossem integrados à reforma agrária, haveria uma maior produção de gêneros alimentícios básicos, ao invés da monocultura de exportação. Esses gêneros, além de suprir a necessidade do assentado, integraria a economia local, reduzindo substancialmente a fome e a pobreza. Mas a reforma agrária no Brasil é quase que inexistente, pois as decisões do Congresso são encabeçadas pela "bancada da terra", que é radicalmente contra qualquer mudança na estrutura fundiária brasileira, a não ser em seu próprio benefício.
O flagelo da fome ainda acarreta a uma série de problemas, como a baixa expectativa de vida, a elevada taxa de mortalidade infantil, o nanismo, que é a diminuição da estatura da população de uma região que enfrenta por várias gerações o problema da má alimentação e um sem número de doenças relacionadas à carência de nutrientes. Nesse cenário, epidemias e verminoses se espalham rapidamente.
Outro ponto fundamental é a educação pública: uma educação de baixa qualidade impede que o pobre integre-se ao mercado de trabalho e possa enriquecer ou até mesmo ter uma estabilidade. Já o rico, numa escola particular, mantêm-se em seu padrão de vida, geração por geração. Nesse ciclo vicioso, riqueza gera riqueza e pobreza gera pobreza. No urbano, aquele que não possui o ensino médio e atualmente uma especificação técnica ou experiência, compõe a imensa massa de desempregados. Estes incham as favelas das grandes cidades à procura de trabalho, vivendo precariamente na pobreza, muitos também passando fome.
Entende-se também por educação a informação. No Brasil, a mortalidade infantil é bem maior entre os mais pobres. Os pobres morrem de diarréia porque não conhecem o soro caseiro e que não amamentam mais que três meses (também devido ao estado de denutrição da mãe) pela falta de informação. A prova maior é a redução da mortalidade infantil após as propagandas sobre o soro caseiro e o acompanhamento médico nas comunidades carentes.
A realidade é que o Brasil tem uma dos piores índices de distribuição de renda no mundo, dezenas de milhões de pobres e outros milhões de famintos. Governos e mais governos passaram e a situação apenas piorou. Melhorar esse quadro não significa capítulos e mais capítulos de soluções demagógicas, mas sim poucas ações efetivas.
Dentre essas ações estão o aumento do salário mínimo, a diminuição do preço dos alimentos, diminuição da carga tributária dos mais pobres, através de uma reforma fiscal, melhora na educação e reforma agrária.
Porém nenhum destes projetos pode ser implementado sem a tal "vontade política", pois os que estão no poder são os mesmos que são beneficiados pela deplorável estrutura social do Brasil. Além disso, reformas que revelariam suas conseqüências positivas apenas 15 ou 20 anos depois de implementadas não são um bom artifício de campanha eleitoral. Desse modo, a distribuição, a pobreza e a fome tendem apenas a se agravarem...