quinta-feira, 5 de abril de 2012

ECONOMIA EUROPÉIA

Durante muitos séculos a Europa foi o centro econômico do mundo, graças à iniciativa de seus habitantes e às favoráveis condições geográficas, que permitiram um aproveitamento intensivo da terra, facilitaram as comunicações e contribuíram com as matérias-primas necessárias para a primeira revolução industrial. No século XX, porém, o continente viu declinar seu predomínio em benefício dos Estados Unidos e do Japão. As guerras mundiais travadas em seu próprio território e a carência de petróleo representaram para o continente a perda de sua liderança econômica.
Agricultura, pecuária e pesca. Na Europa, as colheitas agrícolas não se comparam em volume com as da Ásia ou da América do Norte. As culturas incluem a de cereais, sobretudo a do trigo (Ucrânia, França), de baixo rendimento se comparado com o obtido pelos Estados Unidos ou pela Argentina. A cevada se cultiva no limite com o bosque setentrional, e o centeio nos solos arenosos. A colheita de outros cereais (milho, arroz e aveia) é deficiente. Outro produto muito importante é a batata, cultivada em alternância com o centeio.
A produção frutícola é muito variada. Destacam-se as frutas cítricas no Mediterrâneo, a maçã e a pêra nas zonas de clima temperado úmido. Nos países mediterrâneos são muito importantes as videiras, tanto pela quantidade de uvas como pela qualidade dos vinhos, e as oliveiras.
Os problemas agrícolas da Europa decorrem da falta de autonomia do continente no tocante aos produtos tropicais, às gorduras vegetais e aos cereais para forragem. Não podendo concorrer com os outros continentes nessa área, os governos se vêem forçados a subvencionar o cultivo de certos produtos, para evitar a ruína dos agricultores e não depender excessivamente do mercado internacional, sobretudo no que se refere ao trigo.
A pecuária tem maior peso nos países nórdicos, onde é muito desenvolvida e de alta qualidade. A Europa produz leite, queijo e manteiga acima de suas necessidades. Os rebanhos mais importantes são o bovino e o suíno. A avicultura abastece o mercado de ovos e de carne.
A Europa tem grande tradição pesqueira e marinheira. A pesca é uma atividade econômica relevante na Rússia, na Noruega, na Islândia, na Dinamarca e na Espanha. As espécies mais comuns são a sardinha, a cavala, o atum, o arenque, o bacalhau e os moluscos e crustáceos.
Fontes de energia e mineração. A produção energética da Europa é insuficiente, o que exige a importação de grandes quantidades de petróleo. O carvão mineral, recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial, é muito abundante, sobretudo na Rússia, na Polônia, no Reino Unido e na Alemanha. O petróleo só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no mar do Norte. O gás natural é muito abundante nos Países Baixos, na Rússia, na Romênia e no Reino Unido. Centrais hidrelétricas e nucleares, muito espalhadas por todos os países, complementam a produção de energia.
A Europa tem um subsolo muito rico em ferro (Rússia, Alemanha, Reino Unido, Eslováquia), e isso, juntamente com o carvão, viabilizou uma possante indústria siderúrgica, mecânica e automobilística. O continente, no entanto, não produz em quantidade suficiente bauxita, cobre, estanho, zinco e minerais estratégicos (níquel, cromo ou urânio), embora, graças à importação, se tenha criado uma importante indústria de fundição de metais não-ferrosos.
Indústria. A Europa foi o primeiro continente a realizar a revolução industrial. O país pioneiro foi o Reino Unido, mas nas primeiras décadas do século XIX essa mudança se estendeu por todo o continente. Depois, o imperialismo oitocentista garantiu matérias-primas baratas e mercados seguros para as manufaturas européias, o que contribuiu para acelerar o processo de industrialização. Ao longo do século XX, a Europa foi perdendo seu poderio, mas a criação de organismos econômicos supranacionais, como a Comunidade Econômica Européia, estimulou a recuperação da fatia perdida do mercado.
A indústria européia abrange praticamente todos os campos. Continua sendo muito competitiva nos setores siderúrgico, de construção, têxtil, químico, naval e automobilístico. Além disso, os bosques de coníferas da Rússia, da Escandinávia e da Alemanha abastecem uma potente indústria do papel. Contudo, os setores de ponta das novas tecnologias (microeletrônica, telecomunicações, indústria espacial) apresentam certo atraso em relação ao Japão e aos Estados Unidos. As concentrações industriais mais importantes estão no Ruhr (oeste da Alemanha), na região central da Inglaterra, na zona de Paris e no distrito industrial de Donbass, na Rússia.
Comércio e comunicações. No que se refere ao comércio exterior, há uma nítida diferença entre a Europa oriental, que tem volume menor de transações comerciais, e a Europa ocidental, que ocupa lugar proeminente nas trocas internacionais. A Europa tem como principais parceiros os Estados Unidos, o Canadá, o Japão e os países do Oriente Médio.
A Europa importa sobretudo matérias-primas, minerais, produtos tropicais, borracha e madeira. Como muitos de seus produtos perderam a competitividade, já na década de 1970 as nações européias passaram a comprar grandes quantidades de manufaturados de alta tecnologia procedentes do Japão e dos Estados Unidos. A exportação européia compreende basicamente manufaturados, automóveis, navios, produtos químicos, produtos ópticos e calçados.
O comércio intra-europeu é comparável ao mantido com os outros continentes. Para favorecer as trocas, firmaram-se na segunda metade do século XX acordos comerciais que se materializaram em organizações como a Associação Européia de Livre Comércio e a Comunidade Econômica Européia.
No campo das comunicações, a área centro-ocidental européia, onde o comércio é intenso, forma a rede terrestre mais densa do planeta. As demais regiões não dispõem de uma rede viária tão densa, mas nem por isso são mal servidas. Nenhum habitante de uma região medianamente importante deixa de contar com ferrovia ou rodovia.
A Europa, com seu perfil acidentado, conta com muitas baías e portos naturais, o que contribui historicamente para desenvolver a vocação marítima dos habitantes do litoral. Os portos de maior movimento comercial são os de Rotterdam (Países Baixos), Antuérpia (Bélgica), Le Havre e Marselha (França), Londres (Reino Unido) e Gênova (Itália). O tráfego aéreo é também muito intenso. Os aeroportos de Moscou, Londres e Paris figuram entre os mais movimentados do mundo. Além disso, o fluxo turístico rumo ao litoral mediterrâneo fortaleceu a aviação comercial e é enorme o número de passageiros que transitam por aeroportos como o de Palma de Mallorca e o de Málaga, na Espanha.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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