quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A FLORA E FAUNA ANTARTICA

O frio, a escassez de solos livres de gelo, a débil insolação e a extrema secura ambiental são os fatores que determinam a pobreza biológica das terras antárticas. A vegetação, constituída por plantas adaptadas à sobrevivência nos duros invernos polares, só consegue vingar em algumas zonas litorâneas favorecidas pela disposição topográfica e pela latitude, ou então em pontos isolados do interior, onde os cumes mais altos e escarpados sobressaem da camada de gelo e neve. As espécies vegetais, na maior parte, são talófitas (liquens, algas e fungos), briófitas (musgos) e bactérias. Todas se reproduzem durante o verão antártico, formando manchas vegetais nos pontos em que se derrete o gelo dos glaciares e também nos afloramentos rochosos do interior, onde ocorre um interessante fenômeno de criação de microclimas mais quentes por causa da absorção de radiação solar pelas rochas de cor escura. No extremo da península Antártica e nas ilhas situadas ao norte do círculo polar, as condições climáticas menos rigorosas permitem a existência de maior variedade de espécies vegetais, entre as quais se incluem numerosas plantas superiores.
Em contraste com a pobreza vegetal das terras antárticas, a franja oceânica circundante contém enorme riqueza biológica, sobretudo em forma de fitoplâncton (microrganismos vegetais), cujo crescimento se vê favorecido pela contínua chegada de substâncias nutritivas, vindas com as correntes ascensionais oriundas do fundo do mar, e pela mistura de massas de água entre as geleiras flutuantes.
A escassez de vegetação limita as possibilidades de vida animal nas terras continentais; de fato, as únicas espécies capazes de sobreviver, graças às reduzidas colônias de fetos, musgos e liquens, são os insetos e aracnídeos (cerca de cinqüenta espécies), muitos dos quais parasitos de animais marinhos (focas e pingüins). A abundância de fitoplâncton (diatomáceas) e zooplâncton (krill, um crustáceo minúsculo que forma grandes concentrações) nos mares antárticos constitui a base alimentícia de numerosas espécies de peixes, moluscos, crustáceos, cefalópodes, mamíferos marinhos e aves.
Como não existem grandes predadores, as colônias de aves alcançam desenvolvimento extraordinário nas costas do continente e das ilhas. Os pingüins são as aves mais características da Antártica; adaptados à vida aquática, esses animais formam enormes concentrações nas ilhas subantárticas (pingüins-reais, saltadores etc.) e no continente, onde se destacam as espécies do pingüim-imperador e o Adélia, os mais capacitados para resistir ao rigoroso inverno. Entre as 45 espécies de aves que vivem na zona antártica cumpre citar ainda a pomba e o corvo  marinhos, que durante o verão se alimentam de carniça e de ovos e filhotes de pingüim, a andorinha do mar, o petrel antártico ou procelária, o cormorão-de-olho- azulado, a gaivota gigante e diversos tipos de gaivotas, albatrozes e patos.
O mais meridional dos mamíferos marinhos é a foca de Weddell, que costuma viver no limite da banquisa e se alimenta de lulas e peixes pequenos, assim como a foca de Ross, que habita as proximidades das plataformas flutuantes de gelo. Outras espécies de pinípedes antárticos são o elefante marinho, a foca caranguejeira, cuja dieta se baseia no krill e a foca-leopardo, que se alimenta de pingüins e de filhotes de outras espécies de focas. O krill é também o alimento básico das baleias, as quais encontram nos mares antárticos um habitat perfeito para sua sobrevivência, sobretudo nos meses de verão. A caça descontrolada desses cetáceos pôs em risco iminente de extinção algumas espécies, particularmente a baleia azul, o maior animal do mundo. Outros cetáceos presentes nas águas antárticas são o rorqual, a orca, a baleia preta ou jubarte e o golfinho.
O Tratado da Antártica, firmado em 1959, estipula a proteção internacional da riqueza biológica das terras e mares desse continente, cujo sistema ecológico é o menos alterado do planeta, apesar da introdução recente de diversas espécies procedentes de outras latitudes, como o coelho, o carneiro, o cão e o rato, principalmente nas ilhas subantárticas.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

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