quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ABORIGENES AUSTRALIANOS

Os aborígenes australianos são a população nativa australiana. Têm a pele negra, como os negros africanos, embora se diferenciem destes por diversos outros traços físicos. Actualmente, representam apenas duzentos mil dos vinte milhões de habitantes da Austrália. Praticam uma religião animista. Sofreram um grande decréscimo populacional com o início da invasão europeia em 1770.
Os aborígenes australianos descendem, provavelmente, de emigrantes africanos que, há cerca de cinquenta mil anos, cruzaram o mar, usando canoas e toscas embarcações. Nessa época, a Austrália era ligada à Nova Guiné e era muito mais verde e menos desértica do que hoje, possuindo vários rios caudalosos que se transformaram posteriormente em córregos ou desapareceram.
Os ingleses colonizaram a ilha no século dezoito. Encontraram trezentos mil aborígenes, divididos em mais de quinhentos grupos. Uns com apenas cem membros, outros com mil e quinhentos, conforme a diversidade e abundância de recursos alimentares. Falavam duzentas línguas - hoje apenas vinte se mantêm fortes. Os ingleses trataram os aborígenes como pessoas de segunda categoria e foram bastante violentos com eles. Houve massacres enormes, leis discriminatórias e a religião quis apagar os traços dos cultos animistas.

Em 1806, o racismo dos colonizadores e soldados os levou a violar locais sagrados aborígenes e a caçar aborígenes por prazer[carece de fontes]. Em meados dos anos 1900, com a Austrália já independente da Inglaterra, a discriminação racial contra qualquer indivíduo que não fosse de ascendência inglesa continuava. Entre 1910 e 1970, o governo da Austrália retirou cem mil crianças aborígenas - a maioria de pele clara - aos pais e internou-as em centros educativos para incutir nelas a cultura ocidental. Os australianos chamam de "geração roubada" a essas crianças. Recentemente, John Howard, primeiro-ministro da Austrália, lamentou publicamente esse fato, mas não quis pedir desculpas oficiais, pois isto iria acarretar em milhões de dólares de indenizações para as famílias ou seus descendentes.

Até 1962, os aborígenes não votavam. Puderem recensear-se pela primeira vez cinco anos depois.
Por volta de 1965, a população de aborígenes puros chegava a pouco mais de quarenta mil, pois foram massacrados pelos colonizadores e expulsos das terras produtivas, migrando para regiões desérticas ou para o norte da Austrália. Os soldados ingleses visitavam localidades aborígenes oferecendo presentes, artefatos e outras coisas de interesse da aldeia. E a festa acontecia, enquanto outros soldados envenenavam com arsênico a comida e toda a água potável que eles tinham. Vilas inteiras aborígenes foram dizimadas pelo uso de arsênico[carece de fontes]. O rum, primeiramente importado da Inglaterra, era oferecido gratuitamente para aldeias aborígenes, pois os ingleses sabiam que eles tinham o hábito de beber sem parar por uma semana consecutiva, até que o coma alcoólico ocorresse. Os ingleses se aproveitavam também do estado de embriaguês dos aborígenes para incitar guerras entre aldeias e deixar que eles mesmo se aniquilassem[carece de fontes].
Mais tarde, os aborígenes foram recrutados para trabalhar em fazendas de gado. O pagamento era muito inferior ao dos trabalhadores brancos[carece de fontes]. As justificativas para tal procedimento eram a de que os aborígenes não tinham intimidade com os cavalos (o que era verdade, pois eles eram nómadas e andavam sempre a pé) e a de que os aborígenes eram vagarosos e insolentes. Porém os aborígenes suportavam tranquilamente o calor, por ter pele bastante negra, ou cor de chocolate, enquanto os trabalhadores brancos ficavam com bolhas e queimaduras de sol.
Atualmente, várias leis antidiscriminação foram introduzidas pelo governo para toda a Austrália. A discriminação racial passou a ser um crime grave. Contudo, os aborígenes ainda sofrem muitas discriminações: em comparação com a população branca, os salários são três vezes inferiores, a taxa de desemprego é cinco vezes superior, a taxa de mortalidade infantil é o dobro e, em média, vivem dezoito anos menos. São a maioria dos reclusos nas prisões. Apenas trinta e três por cento dos aborígenes completam o ensino superior.

Apesar de muitos estarem bastante integrados na sociedade actual, o que inclui uma forte actuação na política, nas artes e em todas as áreas de trabalho[carece de fontes] e direito ao voto, a maioria ainda continua vivendo isoladamente em terras e regiões longe das grandes cidades.


Um comentário: