segunda-feira, 6 de junho de 2011

OCEANO PACÍFICO

Em 1513, o espanhol Vasco Núñez de Balboa divisou de uma montanha do istmo do Panamá uma massa de água que denominou "mar do Sul". Oito anos depois, Fernão de Magalhães, em sua viagem de circunavegação da Terra, comprovou que se tratava de um vasto oceano salpicado de ilhas e o chamou de Pacífico.
O Pacífico é o maior oceano da Terra, com uma área duas vezes maior que a do Atlântico. Estende-se desde a Antártica, ao sul, até a região ártica, ao norte; e da Ásia e Austrália, a oeste, até a América, a leste. Tem uma superfície de aproximadamente 166.000.000km2, sem incluir os mares costeiros, o que representa cerca de um terço da superfície total do planeta e mais do que o conjunto das terras emersas, incluída a Antártica. Comunica-se com o oceano Glacial Ártico pelo mar de Bering; com o Índico, pelos mares da China, Arafura e Timor; e com o Atlântico, pelo estreito de Magalhães e pelo canal artificial do Panamá. O oceano Glacial Antártico forma o setor meridional do Pacífico. Do estreito de Bering à Antártica, a distância em latitude é de 135o ou 15.500km, enquanto que a máxima largura, ao longo do paralelo 5o N, é de 21.300km.
A profundidade média do Pacífico é de 4.280m e a máxima conhecida, na fossa das Marianas, é de 11.034m. A parte ocidental do oceano contém numerosos mares marginais: de norte a sul destacam-se os mares de Bering, de Okhotsk, do Japão, Amarelo, da China Oriental, da China Meridional, das Celebes, de Arafura, de Coral e da Tasmânia. Na parte oriental, as costas americanas apresentam-se muito menos recortadas e só se destacam os golfos do Alasca, da Califórnia e do Panamá. Importantes rios da Ásia oriental deságuam no Pacífico, entre eles o Amur, o Amarelo e o Mekong.
Características da água oceânica. Na zona do equador, é baixa a salinidade da água superficial, devido às chuvas relativamente abundantes e à escassa evaporação, limitada pela ausência de ventos fortes e pela nebulosidade. Nessa área, a taxa média de salinidade é de 34g por mil. Nas zonas dominadas pelos ventos alísios, que sopram para oeste nas latitudes tropicais de ambos os hemisférios, a salinidade é um pouco maior: 37 por mil no sul e 36 por mil no norte. Nas áreas próximas à Antártica, onde a fusão das geleiras deposita grande quantidade de água doce, registram-se índices de 34 por mil, enquanto os níveis mais baixos ocorrem no extremo norte, com concentrações inferiores a 32 por mil. A salinidade é também baixa no setor oeste do Pacífico, em conseqüência das chuvas fortes e prolongadas das monções e aos deltas dos grandes rios.
A temperatura das águas superficiais é em geral mais elevada no Pacífico norte do que no sul. Isso se deve à maior proporção de terras emersas no hemisfério norte e à influência do continente gelado da Antártica no sul. O fluxo dos ventos alísios, boreais e austrais condiciona o clima em grande parte do oceano, assim como os movimentos de suas águas. Esses ventos são gerados em torno de dois grandes centros subtropicais de alta pressão, situados entre 30o e 40o de latitude N e S, a nordeste e a sudeste do oceano, respectivamente. Os alísios transportam massas de ar relativamente frio até o equador e na direção oeste. Embora esses ventos em geral determinem condições climáticas agradáveis e uniformes, às vezes provocam tempestades violentas conhecidas como tufões, sobretudo no Pacífico oeste, entre os paralelos 5o e 25o de latitude N. Na zona equatorial, para onde convergem os alísios boreais e austrais, o clima se caracteriza pela estabilidade (calmarias equatoriais).
Outro traço característico da climatologia do oceano Pacífico é o regime de monções, relacionado ao resfriamento e aquecimento da massa continental asiática, que determina a alternância de uma estação úmida e outra seca em todo o Pacífico ocidental. Os ventos alísios empurram as águas superficiais do oceano na direção oeste e assim formam as correntes quentes equatorial do norte e equatorial do sul, cujos eixos coincidem, respectivamente, com o paralelo 15o N e a linha do equador (o equador térmico está deslocado para o norte em relação ao equador geográfico). Entre ambas, flui a contracorrente equatorial, das ilhas Filipinas até a costa do Equador. Ao norte das Filipinas, a corrente equatorial do norte forma a de Kuroshio, que, por sua vez, se divide em várias ramificações. A equatorial do sul volta-se para o sul ao chegar às ilhas Salomão. Ao sul do Pacífico, flui para leste uma corrente fria que, ao chegar às costas sul-americanas, se divide em duas -- a do Peru, ou de Humboldt, na direção norte; e outra que se dirige ao Atlântico pelo estreito de Drake.
A partir do mar de Bering flui para sudoeste a corrente fria de Oyashio, que se junta às águas quentes da corrente de Kuroshio na latitude de 36o N. No Pacífico leste, as costas da América do Norte são banhadas pelas correntes do Pacífico norte (quente) e da Califórnia (fria). A circulação vertical das águas do Pacífico é determinada, em primeiro lugar, pela imersão de grandes quantidades de água fria, procedentes da Antártica, que se depositam até o norte para formar a camada inferior do oceano. O movimento das águas profundas está também condicionado pelo descenso de águas superficiais nas zonas de convergência das correntes marinhas. As principais dessas zonas de convergência são a pacífica tropical, que coincide com a contracorrente equatorial, a pacífica subtropical, em torno dos paralelos 35o e 40o de latitude N e S, a antártica e a ártica. Nas costas das Américas do Sul e do Norte encontram-se zonas de divergência, onde a água fria ascende à superfície.
Geologia e relevo submarino. A bacia do oceano Pacífico apresenta três grandes regiões fisiográficas bem diferenciadas: a região leste ou oriental, a região oeste ou ocidental, e a região central. O Pacífico oriental, a leste do meridiano 150o O, apresenta relevo pouco pronunciado. A plataforma continental é estreita e abrupta e sua configuração está relacionada com o choque das placas da crosta terrestre e com a formação do sistema de cordilheiras que percorre o continente americano de norte a sul. O deslocamento lateral das Américas do Norte e do Sul para oeste, sobre o solo oceânico, originou as profundas fossas abissais de Acapulco, Guatemala e Peru. As principais dorsais ou cordilheiras submarinas da zona oriental são as de Cocos, do istmo centro-americano às ilhas Galápagos; de Sala y Gómez, que separa a bacia do Peru da bacia sudeste; e a antártico-pacífica, que divide a bacia sudeste da sudoeste.
A região do Pacífico ocidental está definida por uma linha descontínua de fossas oceânicas que compreende, de norte a sul, as das Aleutas, Kurilas, Japão, Filipinas, Marianas, Novas Hébridas, Tonga e Kermadec, entre outras. Nessas fossas se encontram as profundidades máximas do planeta. As fossas, cuja gênese se relaciona com a formação dos cordões ou guirlandas insulares que as circundam, foram originadas pelo choque entre as placas Eurasiana, Filipina e Pacífica. Por força desses contatos, foram geradas zonas de subducção, assim como atividade sísmica e vulcânica. São conseqüência dessa atividade os maremotos e os tsunamis, ondas de grande poder destrutivo geradas por movimentos sísmicos no leito oceânico. Muitas das ilhas que emergem do Pacífico são cumes das dorsais que se sucedem de norte a sul da região ocidental desse oceano: Aleutas, Kurilas, Japão, Filipinas, Marianas, Carolinas, Bismarck, Salomão, Santa Cruz, Samoa, Tonga, Kermadec, Chatham e Macquarie. A maior parte dessas ilhas se compõe sobretudo de rochas basálticas.
A região central do Pacífico constitui a parte mais estável da crosta terrestre, do ponto de vista geológico. Apresenta várias zonas de expansão de escasso relevo e suas principais dorsais submarinas são as do Havaí, da ilha Christmas e a Austral. A maior parte das ilhas do Pacífico se agrupa na Oceania, que compreende, além dos arquipélagos da Micronésia, Melanésia e Polinésia, os territórios da Austrália, Nova Guiné e Nova Zelândia. Por motivos culturais e geográficos, outras ilhas como o Japão, Taiwan (Formosa) e Filipinas, se incluem no continente asiático. Muito características das zonas tropicais do Pacífico são as ilhas formadas por depósitos de coral sobre cones vulcânicos ou mesetas basálticas. Recifes, atóis e barreiras de coral são muito abundantes na Melanésia, Micronésia e Polinésia e se encontram também nas costas da Austrália, do México e da América Central.
Fonte: Barsa.

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