domingo, 5 de junho de 2011

BOLSA FAMILIA E O COMBATE A POBREZA

Quase 70% das famílias na extrema
pobreza já recebem o Bolsa Família

Pesquisa do Ipea mostra que metade das pessoas na miséria está desempregada
Dois terços das famílias extremamente pobre no Brasil, alvo de um novo programa do governo para acabar com a miséria, a ser lançado nas próximas semanas, já são beneficiárias do Bolsa Família. De acordo com um estudo divulgado nesta sexta-feira (20) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 66,7% da população em situação de extrema pobreza residem em domicílios atendidos pelo programa.
O governo deve lançar nos próximos meses um novo programa de combate à pobreza extrema, cujo objetivo é tirar mais de 16 milhões de brasileiros da miséria. Ainda de acordo com o anunciado pelo governo, o projeto terá como foco as famílias cuja renda per capita é de até R$ 70 por mês.
Os números nos quais o Ipea se baseia, da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios de 2009, são diferentes dos utilizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome para planejar o Brasil sem Miséria, que utiliza dados do Censo 2010.
A pesquisa do Ipea mostra que metade das pessoas cuja renda está abaixo da linha da pobreza está desempregada. Entre os que trabalham, apenas 0,4% têm carteira assinada e 14% ganham menos de um salário mínimo. O Bolsa Família responde por um total de 39,7% da renda dessas famílias.
Os dados apontam ainda que metade dessa população tem acesso a algum tipo de telefone e possui fogão, geladeira, rádio e televisão em casa. Apenas 2,9%, entretanto, têm computador. Mais de 90% deles residem em moradias com acesso à luz elétrica, mas apenas 29,7% em casas com água e rede de esgoto.
Diferenças
De acordo com os dados utilizados do Ipea, 4,7% (cerca de 9 milhões) da população brasileira estão abaixo da linha de extrema pobreza, estabelecida pelo instituto em R$ 67. Já o número de brasileiros miseráveis considerado pelo Ministério de Desenvolvimento Social é quase o dobro do considerado pelo estudo do Ipea, de 8,5% (16 milhões), embora a linha adotada pela pasta seja de R$ 70 – diferença de apenas R$ 3 para a do instituto.
De acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, a diferença é “natural”, uma vez que os números utilizados são distintos. Para ele, mais importante é o fato de o governo ter definido uma linha para o novo programa, que poderá ser utilizada para medir se ele está sendo bem sucedido.
Enquanto a Pnad utiliza apenas uma amostra de domicílios, utilizando-a de maneira estatística para se chegar a uma estimativa do total da população, o Censo visita todas as casas, com a ambição de entrevistar todos os brasileiros e ter o panorama exato da situação do país. Entretanto, ao contrário da Pnad, que é realizada constantemente, o Censo só é feito a cada dez anos.

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