sexta-feira, 13 de maio de 2011

RAIOS

Descargas elétricas nascem da agitação intensa de elétrons dentro das nuvens
Ronaldo Decicino*
Os relâmpagos são descargas elétricas semelhantes às correntes elétricas que passam pelos fios das residências. No entanto, são milhares de vezes mais fortes. Tão fortes que ao passarem pela atmosfera deslocam o ar e produzem um barulho intenso, o trovão. Vemos o relâmpago antes de ouvir o trovão porque a luz é mais rápida que o som.

Existem vários tipos de relâmpagos: os que ocorrem dentro das nuvens, entre duas nuvens e até das nuvens para o alto. Os relâmpagos que ocorrem entre as nuvens e o solo são chamados de raios. A corrente elétrica de um raio pode alcançar 20 mil amperes - o que corresponde a mil chuveiros elétricos.

Produzidas em formações como cúmulos e cúmulos-nimbos, essas descargas resultam da movimentação vertiginosa de elétrons dentro das nuvens.
O Brasil é campeão mundial em ocorrência de raios - foram mais de 60 milhões em 2008. Isso se deve à dimensão continental do país e à sua localização, já que os trópicos formam a região mais quente do planeta. A chance de um brasileiro ter sido atingido por um raio em 2008 foi de uma em 2,5 milhões. O perigo maior esteve em Alagoas e Tocantins, com uma possibilidade em 500 mil; e o menor, no Rio de Janeiro, na Bahia e no Pará, com uma em 7,5 milhões.
O número de mortes causadas por descargas atmosféricas preocupa especialistas e organismos da defesa civil. Em 2008, 75 brasileiros morreram fulminados - em 2007 foram 47 casos. Antes do recorde de 2008, o ano com mais registros de mortes por descargas atmosféricas foi 2001, que somou 73 casos.

As regiões Norte e Nordeste foram as mais atingidas, mas a maioria das vítimas era do Sudeste. E seis entre dez mortes ocorreram no verão, vitimando sobretudo homens, ao ar livre, na zona rural. Das 75 vitimas fatais, 63% estavam em áreas rurais, 22% em zonas urbanas, 10% em rodovias e 5% no litoral.

Fora as mortes, os raios causam também um prejuízo de R$ 2 bilhões à economia do Brasil todo ano, apurou o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O setor elétrico acumula perdas de cerca de R$ 600 milhões por ano, seguido do setor de telecomunicações, com prejuízos de R$ 100 milhões. Também são atingidos os setores de eletroeletrônicos, construção civil, aviação, agricultura, pecuária - e, em consequência, o setor de seguros.
Embora a previsão de temporais seja atividade corriqueira nos serviços de meteorologia, o efeito dos raios sobre pessoas e edificações impõe desafios permanentes aos organismos de defesa civil, tendo em vista que não há como prever em que local um raio cairá, embora existam indicadores, como a formação de nuvens.

Também não há nenhum método conhecido que evite a ocorrência de um relâmpago. Mesmo construções devidamente protegidas já sofreram o "ataque" de raios, enquanto outras, desprotegidas, às vezes ao lado das primeiras, nada sofreram.

Contudo, a invenção do para-raios permitiu maior segurança contra as descargas atmosféricas. Ele faz parte do que hoje se chama de sistema de proteção. Esses sistemas foram feitos para proteger construções e seus ocupantes dos efeitos da eletricidade dos relâmpagos. Eles criam um caminho, com um material de baixa resistência elétrica, para que a descarga entre ou saia pelo solo com um risco mínimo às pessoas presentes no local.

Um dos cuidados básicos para fugir ao alcance dos raios é o abrigo em estruturas fechadas, como casas e automóveis (embora o material metálico possa atrair descargas, elas não têm o poder de penetrar nos veículos). Outras recomendações: nunca ficar sob árvores isoladas e sempre afastar-se do mar, de lagos, rios e piscinas. Falar ao celular não é problema, desde que o aparelho não esteja ligado na rede elétrica.

Nenhum comentário:

Postar um comentário