domingo, 15 de maio de 2011

PENINSULA ARÁBICA

A Ásia projeta para o sul três grandes penínsulas: a Indochina, a Índia e a Arábia. A península arábica, situada no sudoeste asiático, é o ponto de confluência de três continentes.Yazirat-al-Arab, que significa ilha dos nômades, foi berço de uma grande civilização que floresceu durante a Idade Média, a islâmica. A península constitui uma unidade geográfica de forma trapezoidal, com 2.590.000km2, e contém os seguintes estados: Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Iêmen. O território árabe, desértico e pobre em sua maior parte, converteu-se, após a descoberta de campos de petróleo em seu subsolo, em uma das regiões econômicas mais importantes do mundo.
A península arábica limita-se ao norte com a Jordânia e o Iraque, a leste com os golfos Pérsico e de Omã, ao sul com o mar da Arábia (oceano Índico) e a oeste com o mar Vermelho.
Geografia física
Regiões naturais. Na península distinguem-se as seguintes paisagens: os desertos, as estepes secas e os oásis. O principal deserto é o Rubal Khali, vasta área de 650 a 800km de largura, localizada ao sul. Uma parte da região desértica estende-se para o norte, indo fundir-se com o Nafud, que constitui o limite entre o deserto da Síria e a Arábia central. A estepe seca ocupa a maior parte do restante da Arábia. São grandes áreas com superfície plana ou suavemente ondulada, onde se encontram as fontes. Os oásis localizam-se em duas regiões: no centro da península, circundados por desertos, e nas zonas próximas ao litoral. Os principais oásis são o Djebel Chamar, que recebe água das cordilheiras vizinhas, o Kasin, e o Neid, o mais extenso.
Geologia e relevo. A Arábia constitui uma placa do antigo continente de Gondwana, ao qual esteve unida até cerca de vinte milhões de anos atrás. Na era mesozóica foi ocupada pelo mar, momento em que se depositaram as areias e conglomerados que hoje constituem a maior parte da região. Emergida no oligoceno (período terciário), começou a separar-se da África durante o mioceno, por meio da fossa tectônica do mar Vermelho.
Os grandes traços dessa península têm por base vasto escudo cristalino, que forma um planalto de bordo abruptamente escarpado na porção ocidental e que se inclina, em rampa suave e regular, na direção do golfo Pérsico. O escarpamento para o lado do mar Vermelho é muito brusco e aí se localizam as maiores altitudes da Arábia: o Djebel Sam (2.980m), em Omã, e o Djebel Shuayb (3.760m), no Iêmen. Esse enorme bloco, de estrutura geológica bastante uniforme, é recoberto por sedimentos, constituídos em sua maior parte de calcário e arenito. Não possui dobramentos, nem falhas em grande escala.
Clima. A Arábia é um elo na cadeia de desertos que se estende entre a África setentrional e a Ásia central. Apesar de estar cercada por mares, a influência moderadora do oceano é fraca, uma vez que as barreiras montanhosas limitam seus efeitos. A aridez e o calor predominam no clima da região, que é extremamente seco e apresenta grandes oscilações térmicas diárias: de 0 a 25o C no inverno e de 15 a 50o C no verão. As chuvas só beneficiam as zonas montanhosas do litoral e a chamada Arábia Feliz, onde a altitude provoca a condensação da umidade dos ventos oceânicos. Em contrapartida, o coração do planalto carece totalmente de precipitações.
As temperaturas de verão são bastante elevadas, cerca de 54o C à sombra, no litoral de Omã, ao longo do mar Vermelho e no Iêmen. Durante o inverno ocorre neve habitualmente sobre as montanhas e, raramente, sobre o planalto, no extremo setentrional. O norte da península recebe ventos procedentes do mar Mediterrâneo, os quais sopram em direção ao golfo Pérsico. Freqüentemente a Arábia é açoitada por tempestades de areia, ocasionadas por ventos quentes.
Hidrografia. Como conseqüência da aridez climática, a Arábia carece de rios permanentes. Existem apenas ueds, cursos d'água temporários, que recolhem as precipitações das cordilheiras periféricas. A maior parte dessa água se perde no interior da península, por evaporação ou filtração. O planalto é extremamente ressecado na borda ocidental. À medida que se caminha na direção do golfo Pérsico e do vale do Eufrates, os ueds são menos desenvolvidos, tornando-se quase imperceptíveis. Embora os ueds não tenham um caudal permanente de água, esta pode ser encontrada sob seus leitos com a abertura de poços. Onde a água se encontra a pequena profundidade, aparecem os oásis, de importância fundamental, uma vez que fixam as tribos nômades e são focos iniciais de exploração agrícola e de irradiação de atividades econômicas.
Flora e fauna. Com exceção da tamareira, muito comum em toda a Arábia, praticamente não existem árvores na península. Vegetação de porte razoável são os zimbros, que crescem no planalto do sudoeste, e as tamargueiras, muitas vezes plantadas em filas para impedir ou retardar os deslocamentos de areia. O café ainda é bastante cultivado em algumas regiões, como as montanhas do Iêmen. Em outros pontos da península foi substituído pelo narcótico qat (Catha edulis), comercialmente mais lucrativo. Além dos cereais cultivados em diferentes regiões, como o trigo, a cevada e o arroz, a paisagem peninsular conta com plantações de fruteiras, especialmente romãzeiras, figueiras, bananeiras e cidreiras.
O dromedário é o principal suporte da vida nômade na Arábia, pois sem ele seria dificílimo o deslocamento dos beduínos. Os animais mais comuns da península são, no entanto, os caprinos e ovinos. Dentre os animais selvagens, destacam-se o lobo, a hiena, o chacal e a gazela. A serpente venenosa mais comum é a víbora de chifre. Além de diversas variedades de aves de rapina, como as águias e os abutres, a fauna da península apresenta garças, pelicanos, flamingos e outras aves marinhas.
População
De acordo com a tradição, os árabes descendem de duas raças, uma originária dos planaltos da península, e outra, que muitos julgam ser descendente de Ismael, filho de Abraão, oriunda da Arábia central. Devido ao segregamento natural ao longo de sua história, os habitantes da península arábica conseguiram manter uma grande hegemonia racial.O árabe constitui a língua da imensa maioria da população, mas as comunidades de imigrantes africanos e asiáticos, que ali se instalaram, falam seu próprio idioma. A classificação mais prática dos povos que habitam a península é a que os divide em nômades e sedentários. Os beduínos, nômades do deserto, vivem em tribos, ocupados com a caça, a criação e venda de camelos, o transporte e pilhagem. Os povos sedentários habitam o planalto do Iêmen, a região de Asir (na Arábia Saudita) e Omã. O acelerado crescimento vegetativo, que apresenta índices superiores a 2,5% ao ano, tem como causa o elevado índice de natalidade e a queda das taxas de mortalidade. Mesmo assim não há grandes cidades na Arábia, resultado de uma irregular distribuição geográfica e da característica nômade de seus habitantes.
As cidades mais importantes são Meca e Medina, ambas consideradas sagradas pelo islamismo; Riyad, capital da Arábia Saudita; Hofuf, centro comercial; Djida, porto do mar Vermelho; Sana e Odeida, respectivamente capital e principal porto do Iêmen.
Durante o século XX, a indústria petrolífera determinou o surgimento de cidades ao longo do golfo Pérsico. Essa atividade econômica foi responsável por um fluxo migratório para as regiões produtoras, originário de países mais pobres da África e da Ásia.
Economia
Agricultura e pecuária. O clima da Arábia é o fator determinante da pobreza agrícola de seu território. Só na porção sudoeste, no Iêmen, situada na área afetada pelas monções, desenvolveu-se uma intensa agricultura de irrigação; é a terra do incenso, da mirra, do café e do fumo. No oásis do interior da península há plantações de palmeiras e pequenos cultivos de árvores frutíferas e hortaliças. Na zona do golfo Pérsico cultivam-se a cana-de-açúcar e o algodão.
A pecuária, praticada tradicionalmente pelos beduínos no sistema de transumância (migração periódica dos rebanhos), perdeu importância no decorrer do século XX. Os maiores rebanhos são de ovinos, caprinos e bovinos.
Entre os recursos marinhos destaca-se a pesca de ostras perlíferas no litoral do golfo Pérsico, principalmente em Bahrein.
A grande riqueza da Arábia consiste em seus vastos lençóis de petróleo. A produção petrolífera, da qual depende a economia dos países da península, é exportada para os Estados Unidos, Japão e, principalmente, para a Europa, que obtém nessa região a maior parte do petróleo que consome.
Transportes e comércio. A rede ferroviária da península arábica, muito reduzida, consiste em três linhas principais: Damasco-Medina, Meca-Djida e Riyad-Kuwait. As demais vias de comunicação são estradas carroçáveis, ainda que na segunda metade do século XX a exploração de petróleo no golfo Pérsico permitisse a construção de boas rodovias. O principal meio de comunicação entre as cidades é o transporte aéreo. A privilegiada situação geográfica da península arábica promoveu a atividade comercial de seus habitantes em diversos períodos históricos. Até os portugueses descobrirem o caminho marítimo para as Índias, pelo cabo da Boa Esperança, no século XV, os árabes atuaram como intermediários no comércio entre o Mediterrâneo e a Índia. A abertura do canal de Suez, em 1860, voltou a valorizar a região, afastada desde o século XVI das rotas internacionais de comércio. Depois da segunda guerra mundial, o comércio árabe passou a se basear na exportação de petróleo e na importação de produtos manufaturados. Os principais portos da região são Djida, Aden, Cidade do Kuwait e Dubai.
Fonte: Barsa.


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