quarta-feira, 11 de maio de 2011

OCEANO ATLÂNTICO

Via natural de contato entre a Europa, a África e a América desde o século XVI, o Atlântico se estende no sentido norte-sul entre os oceanos Glacial Ártico e Antártico, banhando as costas ocidentais da Europa e da África e orientais da América.
O oceano Atlântico é o segundo oceano do mundo em extensão, com uma superfície de 106.460.000km2, o que corresponde à quinta parte da superfície da Terra. Inclui os seguintes mares periféricos: a leste, mar Báltico, mar do Norte e mar Mediterrâneo; a oeste, as baías de Baffin, de Hudson, os golfos do México e de São Lourenço e o mar do Caribe.
Esse oceano, cujo nome deriva do gigante Atlas, personagem da mitologia grega, tem o formato de um grande S, com 16.000km de comprimento na direção norte-sul; profundidade média de 3.330m; e largura que varia de 2.800km, entre o cabo de Palmas, na costa da Libéria, e o de São Roque, no litoral do Brasil, até 8.000km, entre a Flórida, nos Estados Unidos, e o noroeste da África. O Atlântico recebe as águas de vários dos principais rios do mundo: o São Lourenço, o Mississippi, o Orenoco, o Amazonas, o rio da Prata, o Congo, o Níger, o Loire, o Reno e o Elba.
Com 35g de sal para cada mil de água, tem salinidade média superior ao dos demais oceanos. Esse índice cai para 31 ou 32g/mil gramas de água na desembocadura dos grandes rios, ao longo das plataformas continentais e nas zonas de contato com as massas de água polares. No centro do Atlântico, entre os 12 e 28 graus de latitude de ambos os hemisférios, os índices de salinidade alcançam níveis elevados, em torno de 37g/mil gramas de água.
Para os brasileiros o Atlântico tem uma importância especial, pois o Brasil possui extensa costa (cerca de 9.000km), por meio da qual tem recebido influências étnicas e culturais e mantém-se em contato com o resto do mundo, em particular no campo comercial.
Morfologia. O Atlântico é o mais jovem dos grandes oceanos, uma vez que a comunicação entre as duas regiões polares só se estabeleceu durante o período terciário, como conseqüência da expansão do leito oceânico e da deriva continental. O fundo do oceano compreende várias unidades morfológicas:
Dorsal médio-atlântica. A região central do Atlântico é percorrida de norte a sul por uma linha de cordilheiras, vulcões e planaltos denominada dorsal médio-atlântica ou mediana. A região tem profundidade média de 1.500 a 3.000m e é constituída pela dorsal mediana, que se estende do norte da Islândia até a linha do equador, e pela dorsal do Atlântico Sul, separada da anterior pelo estreito de Romanche e pontilhada de ilhas (Ascensão, Santa Helena e Tristão da Cunha, entre outras).
Bacias. A dorsal médio-atlântica divide o oceano em várias regiões de grande profundidade (3.660 a 5.500m), denominadas bacias ou depressões, limitadas pelas chamadas soleiras ou elevações alongadas. Algumas dessas bacias, sobretudo as orientais, são montanhosas (européia ocidental, Cabo Verde e Guiné), enquanto as situadas no Atlântico ocidental são planas e recobertas com uma fina capa sedimentar, que descansa sobre o sima (camada interior da crosta terrestre).
Regiões atlânticas. A divisão regional do oceano Atlântico é feita a partir da linha média do equador e das zonas de comunicação com os oceanos Ártico, Antártico e mares periféricos.
Atlântico norte. O Atlântico setentrional se estende entre 10o de latitude norte e o oceano Ártico. Do ponto de vista topográfico, uma cordilheira dorsal em forma de crista separa longitudinalmente duas depressões, acidentadas por platôs e fossas. Na região ocidental situa-se a fossa de Porto Rico, com 8.381m de profundidade, e o planalto das Bermudas; na região oriental destacam-se a bacia e o planalto de Cabo Verde. Ao norte do paralelo 50o, a dorsal médio-atlântica dá lugar a uma ampla plataforma continental que serve de base a vários mares secundários (mar da Terra Nova, mar do Norte, mar da Irlanda e o canal da Mancha). Nas costas mais setentrionais se prolongam mar adentro os vales fluviais (vale do Hudson), cujos sedimentos constituem o solo da plataforma continental.
A circulação atmosférica do Atlântico norte é regida essencialmente por dois centros de altas pressões: o anticiclone subtropical e o anticiclone continental americano. Entre os ventos dominantes destacam-se os alísios no setor meridional, os ciclones sazonais do Caribe, os tornados africanos e, na zona setentrional, os ventos do oeste que varrem as costas européias.
As diferenças climáticas dessas regiões se devem não somente à latitude, mas também à orientação das massas de ar. Os ventos úmidos do oeste são responsáveis pelas temperaturas moderadas e precipitações abundantes na vertente européia; já na costa africana a predominância dos alísios, ventos muito secos, causa maior escassez de chuvas.
Na parte ocidental, a corrente fria do Labrador provoca quedas nas temperaturas até zonas de latitudes médias. As precipitações pluviais são inferiores a 500mm ao norte do paralelo 62o. Outras características da região ocidental são a abundância de nevoeiros na Terra Nova e os ciclones tropicais de setembro, de raio curto e muito violentos; os fortes ventos e as chuvas, que podem alcançar 500mm em 24 horas, produzindo efeitos catastróficos nas zonas setentrionais do mar do Caribe.
A temperatura da água é mais elevada no setor oriental, devido à influência da corrente marinha do golfo do México, que constitui o fluxo de água mais importante do Atlântico norte. Essa corrente tem origem no mar do Caribe e no golfo do México e segue para o norte pelo estreito da Flórida até o paralelo 30o N e depois muda de direção, seguindo os ventos do oeste até alcançar as costas européias. A essa corrente quente unem-se outras duas correntes frias procedentes do norte, a do Labrador e a da Groenlândia. As águas dessas correntes se misturam ao sul da Terra Nova, onde surge uma grande quantidade de plâncton, que serve de alimento para as espécies que habitam os riquíssimos pesqueiros da zona (arenque, bacalhau, cavala, sávio). Além dessa região, são também zonas pesqueiras importantes as da costa européia: Irlanda, Bretanha, golfo de Biscaia, Galícia e Portugal (merluza, atum, sardinha, linguado, mariscos).
Atlântico central ou equatorial. Zona de ligação e divisão entre as duas grandes massas oceânicas do norte e do sul, o Atlântico equatorial caracteriza-se morfologicamente pelo afundamento da dorsal médio-atlântica e pela presença de um fundo muito irregular, onde se combinam cristas situadas a menos de três mil metros de profundidade e fossas com mais de sete mil metros (fossa de Romanche, 7.758m). Essa topografia complexa expressa a ação de forças eruptivas e sísmicas que intervieram em sua formação. É muito conhecida a região sísmica denominada zona Daussy, que se estende para ambos os lados da linha do equador, entre 15o e 35o de longitude oeste.
Sobre o Atlântico equatorial se encontra um núcleo de baixas pressões permanentes, que produz elevado nível de precipitação, com mais de 2.000mm anuais; a intensa e contínua insolação determina a isotermalidade do clima dessa região, com temperaturas médias constantes de 25o C. A temperatura da água, muito elevada, passa de 24o C, chegando a superar 28o C, próximo ao golfo da Guiné. Os bancos de atum, merluza e arenque predominam nessa área.
Atlântico sul. Entre o equador e 35o de latitude sul, o Atlântico meridional caracteriza-se por não possuir em suas margens nenhum mar secundário, devido ao recorte modesto das costas da África e da América do Sul.
O relevo submarino apresenta uma plataforma litoral muito estreita, com exceção da zona situada ao sul do estuário do Prata, de onde se estende a vasta planície da Patagônia. O talude da plataforma apresenta escarpas abruptas, de modo que as grandes profundidades não se localizam no centro do oceano, e sim a pouca distância da costa. A oeste da Dorsal do Atlântico Sul encontram-se as bacias do Brasil e da Argentina, com profundidades superiores a cinco mil metros, separadas pelo planalto do Rio Grande; a leste situam-se as bacias da Guiné, de Angola e do Cabo.
A circulação atmosférica nessa região apresenta dois centros de ação: o das baixas pressões equatoriais, até 7o de latitude sul, e o anticiclone subtropical do hemisfério sul, até 36o sul, região dominada pelos ventos alísios. No entanto, existem grandes diferenças entre a costa ocidental africana, cujo clima tropical desértico se deve à presença de uma corrente marinha fria (corrente de Bengala), e o setor americano, correspondente às costas dos pampas argentinos e do Uruguai, que possuem clima temperado, com verões quentes e úmidos. A temperatura da água reflete a da atmosfera: na vertente oriental oscila entre 20o C no verão e 12o C no inverno, enquanto na costa americana varia entre 22o C no verão e 20o C no inverno.
As diferenças térmicas e os ventos dão origem a numerosas correntes marinhas. As mais importantes são a corrente quente sul-equatorial, ao longo da costa do Brasil e da Argentina, e a corrente fria de Bengala, que percorre a costa africana desde o Cabo até Moçâmedes. Os recursos marinhos são abundantes, tanto nessas correntes quanto na Patagônia (dourado, lagostas, arraias e atum).
História da navegação atlântica. Os fenícios foram os primeiros marinheiros a atravessar o Atlântico, por volta do ano 500 a.C., deixando o Mediterrâneo e alcançando as ilhas Canárias, ao sul, e as ilhas britânicas ao norte.
No século XI, os viquingues navegaram pelo Atlântico setentrional até a Islândia e a Groenlândia, alcançando a Terra Nova e a península do Labrador. Entretanto, essa descoberta não teve maiores desdobramentos, pois os navegantes nórdicos não tiveram consciência dela e a seus núcleos de colonização faltou continuidade. A história da navegação atlântica teve um impulso decisivo durante o século XV, quando os turcos e mongóis interromperam o caminho terrestre até as Índias (Ásia). Os portugueses procuraram chegar até elas margeando o Atlântico, e, em 1487, Bartolomeu Dias alcançou o cabo da Boa Esperança, no sul da África. Cinco anos depois, Cristóvão Colombo atravessou o Atlântico e chegou à América Central, de que tomou posse em nome dos reis da Espanha. A partir do século XVI multiplicaram-se as viagens de exploração e o Atlântico finalmente substituiu o Mediterrâneo como principal via marítima de comércio.
Nas costas do Atlântico e de seus mares periféricos encontram-se alguns dos mais poderosos países do mundo: Estados Unidos, Canadá e os países da Europa ocidental. A importância econômica desse oceano se deve à riqueza de suas zonas pesqueiras e ao volume da navegação comercial: grande parte do tráfico marítimo mundial se realiza pela rota atlântica, sobretudo no Atlântico norte, entre a Europa e a costa leste americana.
Além disso, trinta dos cinqüenta portos mais importantes do mundo encontram-se no Atlântico. Entre eles destacam-se, na Europa, os de Londres, Liverpool, Havre, Rotterdam, Bremen e Lisboa; na África, Dacar e Cidade do Cabo; na América, Nova York, Boston, Baltimore, Filadélfia, Vera Cruz, La Guaíra, Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Montevidéu e Buenos Aires.


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