sexta-feira, 29 de abril de 2011

RIO AMAZONAS

Rio em que os fatos são tão assombrosos quanto as lendas, o Amazonas fertiliza uma região de quase seis milhões de quilômetros quadrados, equivalente a mais de metade da Europa: se a Amazônia é "o pulmão do mundo", sua artéria principal é o rio Amazonas.
Há ainda controvérsias sobre sua nascente, o que dá grandes variações à extensão total. A hipótese atualmente mais aceita apresenta como primeiros lances de sua formação os cursos d'água andinos (e peruanos) Apurimac-Ucayali. Com base nisso, a Carta Aeronáutica Mundial deu ao Amazonas, daí à foz, o comprimento de 6.571km, pouco menor que o do Nilo, consagrado em torno de 6.670km. Uma outra versão localiza o nascedouro em um ponto mais a sudeste e acha 7.025km de percurso. Seja como for, é difícil afirmar com segurança o comprimento do Amazonas.
Pouco característico em seus começos, o rio principia a assumir sua identidade perto de Iquitos, no Peru, onde se encontram o Ucayali e o Marañón, os dois grandes braços alternativos. É quando toma sua definitiva direção oeste-leste, correndo quase sempre a menos de 5o de latitude sul. Seu declive é mínimo, avançando serenamente pela mais ampla várzea do planeta. De Benjamin Constant, na fronteira entre o estado do Amazonas e o Peru, até a ilha de Marajó, o Amazonas só desce 65m em três mil quilômetros (em cada quilômetro, é de 20mm o gradiente médio).
O curso médio do Amazonas depende de se tomar o Marañón ou o Ucayali como principal formador. No primeiro caso, inicia em Pongo de Manseriche, no segundo, em Contamana, ambas pequenas cidades do Peru. Daí vai até Óbidos, a mil quilômetros da foz, onde já se notam efeitos das marés. Além do Peru, marcado quase de ponta a ponta pelas duas tortuosas vertentes da primeira parte do rio, o norte do Brasil (estados de Amazonas e Pará) constitui o imenso território onde o rio se expande, formando a maior bacia hidrográfica da Terra (5.846.100km2), que alcança ainda trechos da Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela e Guianas. Além dos nomes que recebe no Peru, dentro do próprio Brasil, o Amazonas é conhecido por outro nome, o de Solimões, mais ou menos entre Benjamin Constant e Manaus.
Sua descarga, vazão ou volume de água, é também, de longe, a maior que se conhece. Em 1963, o United States Geological Survey, associado à Universidade do Brasil e à Marinha de Guerra, mediu a vazão em Óbidos: 216.342m3 por segundo, doze vezes a do Mississippi, mais de vinte vezes a do Nilo. Vale notar que, depois de Óbidos, o Amazonas recebe as águas do Tapajós e do Xingu, na margem direita, do Maicuru, Paru e Jari, na margem esquerda.
São aspectos igualmente curiosos os registros de velocidade, largura e navegabilidade. A velocidade média, no médio e baixo cursos, é de 2,5km por hora, mas em Óbidos, onde o rio tem sua passagem mais estreita em território brasileiro (2.600m), a velocidade chega a oito quilômetros por hora. A largura é outra das medidas de cálculo difícil, por causa das muitas ilhas que se formam no leito, dando origem a uma subdivisão das águas em vários braços ou "paranás". Sem ilhas de permeio, um dos trechos reconhecidamente mais largos fica uns vinte quilômetros antes da foz do Xingu e mede 13km. Mas, nas épocas de cheia, muitas passagens vão além de cinqüenta quilômetros de largura. Tudo ali é variável e dinâmico demais. Em altura, entre o nível máximo das enchentes (junho) e mais baixo da vazante (outubro-novembro), a oscilação é de 10,5m.
O Amazonas é um rio generosamente navegável. Nos 3.700km que vão da embocadura à cidade de Iquitos, sua profundidade (às vezes mais de cinqüenta metros) lhe permite receber navios de alto-mar. Muitos de seus afluentes são também navegáveis, de modo que o transporte hidroviário é um dos mais fáceis da região e permanece subexplorado em todos os planos: da quantidade, da qualidade, dos recursos tecnológicos empregados com esse objetivo. Bem programado, é o meio ideal no que diz respeito à proteção da natureza.
Entre os afluentes do Amazonas há também muitos rios colossais. O Madeira é um dos vinte maiores do mundo; o Purus, o Tocantins e o Juruá estão entre os trinta principais. Em toda a rede desses afluentes, no Brasil, sobressaem, pela margem direita, o  Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu; pela margem esquerda, Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jari.
O estuário do rio Amazonas tem duas partes, pelo menos: o canal do Norte, mais largo, e o do Sul, conhecido ainda pelos nomes de rio Pará e baía de Marajó. De um a outro lado dos dois canais a distância é de cerca de 150km. Se se considera o estuário até a costa leste da ilha de Marajó, a medida é o dobro, girando em torno de 300km. Na verdade há mais corredores para a saída do rio. São os chamados furos de Breves, uma série de canais naturais a sudoeste da ilha de Marajó, por onde as águas se distribuem, se filtram, como se fossem muitos e cuidadosos os preparativos para entrar no oceano. Adiante surgem as ilhas: além da Marajó, a Grande de Gurupá, a Caviana, a Mexiana, a Janaucu, a Queimada etc.
O Amazonas apresenta ainda vários fenômenos muito curiosos. No baixo curso, o mais famoso é o da chamada pororoca, encontro violento das águas do rio com as do mar, com estrondo que se ouve a quilômetros de distância. As ondas sobem abruptamente e depois descem em sucessão sobre as praias, tornando perigosa a navegação. Acontece principalmente em outubro, quando as condições do rio e do mar, águas baixas e maré alta, são propícias.
Algo semelhante ocorre nas proximidades de Manaus, quando os rios Negro e Amazonas se encontram: embora não se dê a explosiva luta da pororoca, os dois custam muito a se misturar e, como suas cores são bastante diferentes, vê-se a dificuldade com que o Negro deságua, infiltrando-se aos poucos no Amazonas. As marés de água doce também são intrigantes. Ocorrem em diversos rios que acabam no mesmo estuário amazônico, e duas vezes por dia, dada a variação do nível do mar.
Perfeitamente conhecido, e às vezes apavorante, é o fenômeno das terras caídas, conseqüência evidente da formidável força e predomínio das águas em toda a Amazônia: as margens são solapadas e  subitamente sai da terra uma nova ilha levada pelo rio, muitas vezes com seus animais ou moradores, uma parte do gado ou instalações e casas. Mais recente é a pesquisa sobre as cores dos rios da Amazônia: há rios "brancos" ou amarelos, alaranjados, de forte castanho-escuro, verdes, negros, transparentes. A explicação está nos compostos químicos (orgânicos e inorgânicos) que prevalecem nos lugares por onde passam. O Amazonas, de um modo geral, é dos "brancos", barrento claro, ao menos em sua viagem pela planície.
Suas águas tingem as do oceano até cerca de 200km da costa, reduzindo a salinidade. Por isso o espanhol Vicente Pinzón, que em 1500 teria chegado à foz, denominou-o Mar Dulce. Em 1542 Francisco Orellana desceu o rio a partir do Peru. Quer por causa de um ataque de índios de cabelos longos, quer por acrescentar a seu relato de viagem a fantasia das mulheres guerreiras, referiu-se ao rio como das Amazonas, permanecendo esse nome para sempre.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

CORDILHEIRA DOS ANDES

Os incas conheciam pelo nome de Anta, que em quíchua significa "cobre", a cordilheira situada ao sul do Peru, onde havia abundância desse metal. A denominação, que no século XVI aparece como Antas e Antis, passou depois a designar toda a cadeia.
Um dos mais altos e vastos maciços do planeta, só inferior em altitude ao Himalaia, nele se acham os pontos culminantes das Américas, e em suas encostas desenvolveram-se diversas culturas e civilizações.
Situação e relevo. Às vezes chamados tão-somente de Cordilheira, os Andes situam-se a oeste da América do Sul, do noroeste da Venezuela até a Terra do Fogo, alcançando 8.900km de extensão. De largura variável, atingem o máximo em território boliviano e estreitam-se gradualmente em direção ao sul, quando se apresentam como uma cadeia simples e de grandes altitudes na parte setentrional. Acham-se aí algumas de suas mais altas elevações, como o pico Mercedario (6.770m), o Tupungato (6.650m) e sobretudo o Aconcágua (6.959m), ponto culminante das Américas.
Do rio Copiapó para o norte, até a região do Vilcanota, os Andes subdividem-se em duas cadeias, a Ocidental e a Oriental, levantando-se entre estas um grande planalto (o altiplano boliviano), com altitude média superior a quatro mil metros e com alguns lagos, entre os quais, na fronteira Peru-Bolívia, o Titicaca. A cadeia Ocidental, nada mais do que a continuação para o norte da cordilheira andina do extremo sul, apresenta nesse trecho outros picos muito altos, como o vulcão Llullaillaco (6.723m). A cordilheira Oriental, de vulcanismo mais intenso, mostra-se menos coberta de neve.
Nas imediações do Vilcanota as duas cadeias unem-se, e mais adiante voltam a se dividir em duas, entre as quais se acham as nascentes do rio Ucayali, início do Amazonas. Na colina de Pasco unem-se de novo, desdobrando-se depois em três cadeias (Oriental, Central e Ocidental), ainda no Peru. Na verdade, a própria cadeia Ocidental é dupla nesse segmento, formando a cadeia Branca e a Negra. Corre entre as duas o alto Marañón. Nessa faixa peruana, os cumes, acima de cinco mil metros, são permanentemente cobertos pela neve.
No Equador, os Andes voltam a separar-se apenas em duas cadeias, Ocidental e Oriental. Estão aí vários vulcões ativos, como o Chimborazo (6.267m), o Cotopaxi (5.897m) e outros. Os Andes colombianos têm picos relativamente modestos, mas cobertos de neves eternas. Há manifestações vulcânicas ativas, como o Tolima e o Puracê, e o pico Cristóbal Colón (5.775m) é o mais alto da região. A cadeia Ocidental perde altitude para o norte e desaparece em território venezuelano, enquanto a Oriental inflete para leste e forma o sistema de Mérida, que guarnece o golfo de Maracaibo.
Geologia. Um corte ideal dos Andes, de leste para oeste, mostra uma sucessão de rochas dobradas e falhadas, entremeadas aqui e ali de rochas magmáticas. A formação dessa cordilheira, como a de muitas outras cadeias de montanhas, é ainda matéria de controvérsia sob diversos aspectos. Os Andes constituem a estrutura geológica mais importante da América do Sul, quer pelas dimensões gigantescas, quer pela influência que exerceram em fenômenos geológicos ocorridos em outras regiões sul-americanas. Embora sua fisionomia atual se deva a eventos geológicos mais ou menos modernos, a história da região andina aprofunda-se até o início do paleolítico, e é muito complexa.
Tanto os Andes como as montanhas Rochosas, os Alpes ou o Himalaia formaram-se pelo dobramento e elevação de espessas seqüências de rochas acumuladas em antigas depressões marinhas a que os geólogos dão o nome de geossinclinal. Esses dobramentos foram acompanhados por fenômenos vulcânicos muito intensos, cujas manifestações residuais ainda se observam em nossos dias. Os dobramentos e falhamentos que conduziram à formação dessas cordilheiras de estrutura tão complexa não se manifestaram de uma vez, mas reincidiram em épocas distintas, da era proterozóica à pleistocena. Uma das fases mais decisivas foi a do período cretáceo, em que a presença do mar, embora persistente, teve domínio oscilante: resultou daí a alternância de depósitos marinhos com depósitos continentais em diversos pontos.
Economia. Os recursos naturais dos Andes e a variação das características de seu solo são determinantes para a orientação dos sistemas econômicos dos diferentes países atravessados por esse vasto sistema montanhoso. Nas cadeias andinas da Venezuela, a atividade predominante é a agricultura de exportação de produtos tropicais, sobretudo café e cacau, nas menores altitudes.
Na Colômbia, as culturas predominantes já dependem da altitude: nas terras mais baixas, encontram-se a cana, o cacau, o algodão, a banana; as altitudes médias são o domínio do café, de que o país é o segundo produtor mundial; nas terras mais frias, plantam-se cereais. Embora secundária, a mineração de carvão, ouro e esmeraldas soma-se a jazidas de petróleo, que vêm sendo exploradas. Na região equatoriana, as principais atividades econômicas são o cultivo de cereais e batatas e a criação de ovinos e de lhamas.
Nos Andes peruanos também se criam lhamas, alpacas e ovelhas. A oeste, e no planalto, as terras são mais áridas, e a leste fica a floresta equatorial. A agricultura é apenas complementar, mas a extração mineral compreende ferro, cobre, prata, zinco, carvão e petróleo. Na Bolívia, a economia distingue-se igualmente pelo predomínio da mineração, sobretudo de estanho, zinco, chumbo e tungstênio.
No Chile e na Argentina os Andes alcançam suas maiores altitudes, a temperatura desce em direção ao sul -- baixando os limites das neves eternas --, e a umidade aumenta com os ventos marinhos. Há minas de cobre, ferro, nitrato e metais preciosos e, nos vales da parte central do Chile, excelentes culturas de tipo mediterrâneo, como a da videira, de que provêm os melhores vinhos de todo o continente.
Geografia humana. Nos Andes e em suas proximidades floresceram extraordinárias civilizações pré-colombianas, particularmente a do império inca (que ia do Equador até a metade do Chile) e a dos chibchas, que habitavam planaltos da Colômbia a mais de 2.500m de altura. Poucos testemunhos restaram dos conhecimentos e das artes desses povos, aniquilados pela ocupação espanhola.
As populações dos países que se criaram na cordilheira e em suas cercanias parecem ter mantido, ao longo do tempo, sua preferência pelas alturas, pois muitas das capitais aí se situaram, como é o caso de Caracas (920m), Bogotá (2.611m), Quito (2.850m), La Paz (3.636m). Esta última, em alguns pontos, fica acima de quatro mil metros, classificando-se como a capital mais alta do mundo. Mais ao sul, no entanto, as condições climáticas e os recortes cada vez mais agudos da cordilheira impedem essa concentração demográfica nas montanhas.
Na verdade, em termos de distribuição, os altos picos, as áreas frias chilenas de 42 graus de latitude sul para baixo e as semi-áridas ou desérticas do Peru e do Chile meridional são fracamente povoadas. Em contrapartida, os planaltos andinos da Venezuela, a região de Bogotá, de Lima, e as vertentes ocidentais do Chile, de clima ameno, registram as maiores densidades das regiões andinas.
Embora os territórios nacionais por onde passam os Andes já abrigassem em meados da década de 1990 cerca de 150 milhões de habitantes (compreendendo a Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Venezuela, Equador e Bolívia), as regiões propriamente andinas reúnem um terço desse total. Expressivos contingentes de população indígena subsistem no Equador, Peru e Bolívia (quíchuas), assim como no Chile (araucanos), enquanto na Colômbia os negros, mulatos e mestiços em geral compõem a maior parte dos habitantes. Na Argentina, quase toda a população é de origem européia, tendo restado muito poucos representantes dos vários povos indígenas.
Nos países em que os ameríndios e mestiços predominam, observa-se um fato curioso: a proporção dos habitantes que se apresentam como católicos é muito maior que a dos usuários da língua espanhola.
São difíceis, nos Andes, os transportes e as comunicações, enquanto as redes rodoviária e ferroviária já construídas são insuficientes. Há exceções portentosas, como a rodovia Pan-Americana e estradas de ferro como a que sobe a Cuzco, no Peru, ou a que vai de Buenos Aires a Valparaíso, unindo os oceanos Atlântico e Pacífico. Há esforço crescente no sentido de ampliar e integrar os corredores existentes, embora em muitas regiões o melhor meio de transporte ainda continue a ser o lombo das mulas e das lhamas.
Exploração. As expedições científicas aos Andes tiveram início no século XVIII, mas só no final do século XIX se organizaram empreendimentos sistemáticos. Essa exploração começou pelos importantes vulcões nas proximidades da costa do Pacífico e penetrou aos poucos no interior, até alcançar, especialmente no Peru, algumas das cadeias de difícil acesso, que, em certos casos, só mesmo no século XX vieram a ser conhecidas. Os alpinistas pioneiros eram ingleses, alemães e italianos, seguidos mais tarde por americanos, franceses, holandeses, belgas e japoneses.
Na parte equatoriana da cordilheira Ocidental localizam-se mais de trinta vulcões significativos, salientando-se o Chimborazo e o Cotopaxi, os mais altos da Terra. A região foi estudada de 1736 a 1744 pelos franceses Pierre Bouguer e C.M. de la Condamine e pelos espanhóis Antonio de Ulloa e Jorge Juan. Seguiu-se a estes, entre outros, o cientista alemão Alexander von Humboldt, que em 1802 chegou a mais de 5.800m do Chimborazo. O cume só foi atingido em 1880 pelo inglês Edward Whymper, que fez a escalada completa de várias outras montanhas.
Voltando-se para o sul dos Andes, os montanhistas viram no Aconcágua sua meta mais ambiciosa. O pico, na província argentina de Mendoza, foi atingido por Stuart Vines e Matthias Zurbriggen, da expedição inglesa de Edward A. Fitzgerald, em 1897. Entre os maiores desafios estava a região andina do Peru e da Bolívia. Os picos do Huascarán foram pela primeira vez vencidos pela americana Annie S. Peck (1908), e uma expedição da Universidade de Harvard em 1950 alcançou o terrível Yerupajá, dito El Carnicero, com mais de 6.600m. De altitude ainda maior (mais de 6.860m), o segundo dos picos do Illimani, perto de La Paz, também só foi atingido em 1950: o pioneiro Sir Martin Conway alcançara o primeiro em 1898. Proeza à parte, e de grande fama, foi a descoberta da cidade esquecida de Machu Picchu (1911), no Peru, por Hiram Bingham.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A CRISE DA HEGEMONIA OCIDENTAL NO ORIENTE MÉDIO

A hegemonia do capitalismo no mundo se assentou na industrialização, que promoveu sua superioridade econômica, com todos os seus outros desdobramentos – tecnológicos, culturais, políticos. Esse processo se apoiou centralmente no petróleo como fonte energética, sem que a Europa ocidental – seu núcleo original – pudesse contar com petróleo.
A hegemonia norteamericana consolidou o estilo de consumo da civilização do automóvel – a mercadoria por excelente do capitalismo norteamericano -, que acentuou o papel do consumo de petróleo. Embora os EUA tivessem petróleo, seu gasto excessivo fez com que suas fontes se aproximassem cada vez mais do esgotamento, além de que o montante que sempre precisaram os fez se somarem aos países que dependem da importação do petróleo.
Estava assim inscrito no estilo de vida ocidental, a dominação dos países árabes, para dispor de petróleo a preços baratos. Esse esquema encontrou seu primeiro grande obstáculo com o surgimento de regimes nacionalistas, em países fundamentais na região, como o Egito e o Irã. Os problemas convergiram na crise de 1973, em que se uniram o aumento do preço do petróleo com a reivindicação do Estado palestino e a oposição ds governos árabes unidos a Israel.
Diante da crise, os EUA passaram a operar em duas direções: intensificar os conflitos que dividissem o mundo árabe – como a guerra Iraque-Irã – e buscar formas de conseguir a presença permanente de tropas norte-americanas na região – obtida a partir da primeira guerra do Iraque.
O enfraquecimento dos governos árabes e da sua unidade interna foi acompanhada da cooptação do governo do Egito – depois da morte de Nasser, primeiro com Sadat (o primeiro a normalizar relações com Israel) e depois com Mubarak, o que fez desse pais o aliado fundamental dos EUA no mundo árabe, recebendo a segunda maior ajuda militar de Washington no mundo, logo atrás de Israel.
A diversificação das fontes de energia – com a importação de gás da Rússia – alivia um pouco a demanda de petróleo, mas incorpora a dependência de um país que tampouco aparece como confiável para a Europa. Mais seguro é o controle politico e militar da região pelos EUA, como garantia para a Europa. Os países europeus não participaram das guerras do Iraque – com exceção da Inglaterra -, mas as financiaram, pelos serviços que os EUA lhes prestam.
A eventual perda do Egito como eixo do controle politico da região seria gravíssimos para os EUA – além da queda do ditadora aliado na Tunísia e outros desdobramentos em países com governos similares na região. Além de que poderia contribuir decisivamente para romper o isolamento de Gaza, liberando a entrada via Egito, até aqui tão bloqueada como aquela controlada por Israel.
A impotência norteamericana diante das formas tradicionais de intervenção militar confirma a decadência da hegemonia dos EUA, nesse caso em uma região e em um país chaves para seu sistema de dominação. Está claro que Obama já abandonou a possibilidade de sobrevivência de Mubarak, concentrando-se agora numa transição que permita a cooptação de quem vier a sucedê-lo. É um tema aberto, que pelo menos revela que a alternativa aos regimes ditatoriais da região não reside obrigatoriamente em forças islâmicas – argumento utilizado na logica do mal menor de apoio a esses ditadores.
Em condições culturais renovadas, o nacionalismo árabe pode renascer, agora articulando uma nova unidade de governos progressistas, anti-EUA e pro palestinos na região – a pior das possibilidades para Washington -, mas plenamente possível, pela intervenção espetacular dos povos desses países.
Emir Sader.


terça-feira, 19 de abril de 2011

EXTENSÃO TERRITORIAL DO BRASIL

O Brasil é um dos países mais extensos do mundo, com uma área de 8 514 876 km². Essa imensidão de terras constitui o território do nosso país, isto é, a porção do espaço terrestre sobre a qual a nação brasileira exerce domínio e soberania. O Brasil é o quinto maior país do mundo em território.

O território brasileiro tem a característica de ser continuo. Com exceção de algumas ilhas oceânicas, em nosso país não territórios separados. Entretanto, existem alguns países no mundo cujo território é descontinuado.

O território brasileiro ocupa cerca de 1,6% da superfície terrestre; 5,7% das terras emersas; 21,5% do continente americano; e 47% do território sulamericano.

MAPAS: COORDENADAS GEOGRAFICAS

Ponto A 50° lat.N;100° long.O
Ponto B 40° lat.N; 80° long.L
Ponto C 20º lat.S; 40º long.O
Ponto D 10º lat.S; 20° log. L


Ponto A 20º lat.N; 45º long.O
Ponto B 0° lat.; 75º long. O
Ponto C 10° lat.S; 45° long.L
Ponto D 30º lat.S; 0°long.
Ponto E 10º lat. N; 30° long. L

sexta-feira, 15 de abril de 2011

POSIÇÃO GEOGRÁFICA DO BRASIL

O Brasil por sua amplitude territorial, é considerado um país de dimensões continentais. Tanto no sentido norte-sul quanto no sentido leste-oeste, ele apresenta grande extensão.

Em relação a superfície terrestre o Brasil está localizado totalmente no hemisférios Ocidental, isto é, a oeste do meridiano de Greenwich. Além disso, 93% das terras brasileira encontram-se no hemisfério sul, isto é a sul da linha do Equador; enquanto 7% estendem-se pelo hemisfério norte, ou seja a norte da linha do Equador.

Para localizar corretamente a posição do território brasileiro, assim como de qualquer outro lugar terrestre, utilizamos as coordenadas geográficas, isto é, as latitudes e as longitudes.

Em relação ao subcontinente sulamericano o Brasil se encontra localizado na sua parte centro oriental.
Geografia – Espaço e Vivência.

PIRÂMIDE ETÁRIA

quinta-feira, 7 de abril de 2011

SALINIDADE DAS ÁGUAS

Nos primeiros tempos de sua formação, a Terra era constituída por uma massa em fusão. À medida que o planeta foi esfriando, os elementos mais densos ficaram no centro e os menos densos migraram para a superfície. Alguns gases (oxigênio, hidrogênio, metano, vapor de água) escaparam para formar a atmosfera. Quando a Terra esfriou ainda mais, formou-se uma crosta sólida e o vapor de água condensou em grande parte, dando lugar aos oceanos.
A água dos oceanos é salgada porque contém sais dissolvidos, com concentrações de cerca de 35 gramas de sais para cada quilograma de água. Isso significa que para cada litro de água do mar há 35 gramas de sais dissolvidos (a maior parte é cloreto de sódio, NaCl). Essa água não é potável, devido à alta concentração de sais, que podem desidratar uma pessoa.
A água do mar é uma solução rica em sais, com 85% de cloreto de sódio (NaCI), também conhecido como sal comum, ou sal de cozinha, que representa no mar mais de 90% do peso de todos os sais.
A salinidade da água do mar não é uniforme ao redor do globo. A água menos salina do planeta é a do Golfo da Finlândia, no Mar Báltico. O mar mais salino é o Mar Morto, localizado no Oriente Médio (Ásia ocidental), com salinidade 10 vezes superior à de qualquer outro oceano. Por causa desses sais, as águas do Mar Morto são ricas em propriedades terapêuticas, indicadas no tratamento de várias doenças de pele e problemas respiratórios.

Fontes de sais
Existem algumas hipóteses sobre as fontes de enriquecimento de sais para a água do mar, sem que a ocorrência de uma delas possa significar a ausência da outra:
• As rochas da crosta vão-se desgastando por erosão e uma parte dissolvida desse material, que origina os sais, é transportada para o oceano pelos rios. Esta é a hipótese mais conhecida e durante longo tempo se acreditou ser a única. Porém a análise comparativa entre os sais dissolvidos transportados pelos rios e a composição dos sais presentes na água do mar demonstrou que nem todo sal existente poderia ter se originado somente através desse processo.
• As erupções vulcânicas libertam substâncias (tais como dióxido de carbono, cloro e sulfato) para a atmosfera, uma parte das quais acaba transportada com a precipitação diretamente para o oceano ou indiretamente através dos rios.
• Nos processos vulcânicos existentes nos assoalhos marinhos, as lavas originárias do manto trazem diretamente ao oceano água juvenil, ou seja, água contida nas camadas interiores do planeta e que nunca esteve na forma líquida na superfície da Terra (por nunca ter estado antes na superfície terrestre leva o nome de água juvenil). Esta água contém, em solução, vários constituintes químicos, como cloretos, sulfatos, brometos, iodetos, carbono, cloro, boro, nitrogênio e muitos outros.
Além disso, devido ao calor do magma, a água fria dos fundos dos oceanos, ao passar pelas rochas do assoalho, se aquece e troca elementos químicos com o meio rochoso. Ao ascender, integra-se ao ambiente oceânico.
• Para além destas fontes naturais, há ainda sais que provêm de poluentes gasosos, líquidos ou sólidos.
A salinidade do oceano tem-se mantido estável por milhões de anos, provavelmente como conseqüência de um sistema tectônico/químico que recicla o sal.
As interações entre os constituintes químicos dissolvidos através de vários processos, envolvendo trocas entre oceanos, atmosfera, fundos marinhos, rios, rochas da superfície e magma originam um balanço geoquímico estável do meio marinho. Por isso, há um equilíbrio entre as fontes, a quantidade de sais dissolvidos e a composição da água do mar, mantendo esse equilíbrio essencialmente constante por séculos.
Ronaldo Decicino.


sexta-feira, 1 de abril de 2011

CAMADA DE OZÔNIO

A atmosfera da Terra é constituída de gases que permitem a passagem da radiação solar, e absorvem grande parte do calor (a radiação infravermelha térmica), emitido pela superfície aquecida da Terra. Esta propriedade é conhecida como efeito estufa. Graças a ela, a temperatura média da superfície do planeta mantém-se em cerca de 15°C. Sem o efeito estufa, a temperatura média da Terra seria de 18°C abaixo de zero, ou seja, ele é responsável por um aumento de 33°C. Portanto, é benefício ao planeta, pois cria condições para a existência de vida.
Quando se alerta para riscos relacionados com o efeito estufa, o que está em foco é a sua possível intensificação, causada pela ação do homem, e a conseqüência dessa intensificação para o clima da Terra. A hipótese da intensificação do fenômeno é muito simples, do ponto de vista da física: quanto maior for a concentração de gases, maior será o aprisionamento do calor, e conseqüentemente mais alta a temperatura média do globo terrestre. A maioria dos cientistas envolvidos em pesquisas climáticas está convencida de que a intensificação do fenômeno em decorrência das ações e atividades humanas, provocará esse aquecimento. Uma minoria discorda disso e indaga em que medida esse aquecimento, caso esteja ocorrendo, se deve ao efeito estufa, intensificado pela ação do homem. Sem dúvida, que as descargas de gases na atmosfera por parte das indústrias e das frotas de veículos, contribuem para aumentar o problema, e naturalmente ainda continuarão a ser objeto de muita discussão entre os cientistas e a sociedade.

O que é ?
A camada de ozônio serve como uma proteção contra os raios ultravioleta. Hoje, sabe-se que ela pode ser destruída por substâncias como o clorofluorcarbono(CFC), usado em aerossóis, em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado.
Na atmosfera, o CFC é quebrado pelos raios ultravioleta do sol, e o átomo de cloro é liberado. O cloro destrói a molécula de ozônio, formando monóxido de cloro e oxigênio. A região mais afetada pela destruição da camada de ozônio e a Antártida. Nessa região, principalmente no mês de setembro, quase a metade da concentração de ozônio e misteriosamente sugada da atmosfera. Esse fenômeno deixa a mercê dos raios ultravioletas uma área de 31 milhões de quilômetros quadrados, maior que toda a América do Sul, ou 15% da superfície do planeta. Nas demais áreas do planeta, a diminuição da camada de ozônio também é sensível, de 3 a 7% do ozônio que a compunha já foi destruído pelo homem. Mesmo sendo menor que na Antártida, esses números são um enorme alerta ao que poderá acontecer se continuarmos a fechar os olhos para esse problema.

Causas
Os cientistas apontam os clorofluorcarbonos como os responsáveis pela situação. Também chamados CFCs, os clorofluorcarbonos surgiram em 1931 para serem usados em refrigeradores, eram excelentes, pois, além de baratos, não eram tóxicos nem inflamáveis.

Consequências
Uma das consequências que o aumento do efeito estufa irá causar é o crescimento da temperatura global da Terra, isto ainda não está provado mas existem fortes indícios de que este aumento da temperatura irá acontecer (ou está acontecendo), e se isso vier ocorrer poderá surgir na Terra uma série de fenômenos catastróficos.

Solução
É possível recuperar o dano feito à camada de ozônio parando imediatamente de produzir CFC. Isso e possível porque o ozônio é produzido quando a luz solar incide sobre óxidos de nitrogênio (ex. NO2), que são expelidos pelos automóveis em meio aos seus gases de descarga. Assim, se a produção de CFC fosse totalmente parada, aos poucos a camada de ozônio se recuperaria, apesar de que isto demoraria anos, já que os átomos de cloro já expelidos em CFC ficarão por até 75 anos reagindo com as moléculas de ozônio e transformando-as em moléculas de oxigênio.
 Victor Hugo Baldassarre