quarta-feira, 16 de março de 2011

A POPULAÇÃO CHINESA

Etnias. Embora todos os seus habitantes provenham do tronco mongol, a China é um país multinacional, tanto do ponto de vista étnico como do lingüístico. A população em sua maioria pertence ao grupo han (chinês), que apresenta, porém, características raciais variadas. Os chineses do norte são mais altos e têm o rosto mais comprido que os do sul; estes, por sua vez, têm a pele mais morena que os do norte.

O resto da população compõe-se de 55 grupos minoritários, com tradições culturais, religiões e línguas próprias. Localizam-se mais no oeste, na periferia do país, onde os han estabeleceram-se em épocas mais recentes e, assim, não conseguiram absorver as outras etnias. Na região sudoeste ficam as minorias mais numerosas: o grupo chuang (zhuang) no Yunnan e os tibetanos no Tibet. No noroeste acham-se os uigur, os casaques e os mongóis, e no nordeste os manchus, totalmente assimilados à população han.

Línguas. Os idiomas falados na China provêm de quatro troncos: o sino-tibetano, o altaico, o indo-europeu e o austro-asiático.

O idioma oficial, falado pela maioria da população, é o chinês, da família sino-tibetana, que apresenta diferentes dialetos regionais, embora todos utilizem a mesma escrita. Embora sua escrita (caracteres ideográficos) seja universal, a pronúncia varia segundo a região e existem oito dialetos ininteligíveis entre si, a maioria deles usada na faixa costeira do sul. A partir da década de 1950 o governo favoreceu o dialeto do norte, o mandarim ou pequinês, adotado nas escolas. Em 1979, a pedido do governo da República Popular da China, a imprensa de todo o mundo começou a empregar um novo sistema (o pinyin) para grafar os sons do chinês mandarim. Entre outras modificações, o pinyin, que utiliza o alfabeto romano, faz uso freqüente do x e do g, ao contrário do tradicional sistema Wade-Giles, e abole o hífen entre dois nomes personativos.

O segundo tronco lingüístico, o altaico, divide-se, na China, em dois ramos: o turco, representado pela minoria uigur, e o mongol. Os outros dois troncos lingüísticos são minoritários. O tronco indo-europeu prevalece no noroeste com os tadjiques, enquanto o austro-asiático é representado pela minoria kawa, que habita o sul do país, na fronteira com Myanmar.

Demografia. A China é o país mais populoso do mundo. De cada cinco habitantes do planeta, um é chinês. A população se multiplicou por vinte desde o início da era cristã. No século II, havia 57 milhões de chineses. Em 1600, eles já eram 150 milhões e, no começo do século XIX, ultrapassavam 400 milhões. Em 1953, o primeiro censo rigoroso contou 583 milhões de habitantes. A partir de 1950, a estabilidade social, a introdução de melhorias sanitárias e um padrão de vida mais elevado provocaram um aumento acelerado na taxa de natalidade. Em fins da década de 1980 o país passou a marca de um bilhão de habitantes.

Em meados da década de 1970, o perigo da superpopulação levou o governo chinês a adotar medidas drásticas de controle da natalidade, promovendo o uso de anticoncepcionais, recomendando o casamento em idade mais madura e impondo penalidades às famílias com mais de um filho. Com essa política, o crescimento vegetativo caiu de 2,6% ao ano para menos de um por cento, mas nem por isso a população deixou de crescer em mais de 12 milhões por ano.

Além dos habitantes da República Popular, uma numerosa colônia chinesa, que no fim do século XX ultrapassava 17 milhões de pessoas, vive em outros países, sobretudo no sudeste asiático, nos Estados Unidos e na Europa. Esses grupos provêm de antigas emigrações, já que, depois da revolução de 1949, limitaram-se as saídas do país.

As condições naturais tornam a distribuição demográfica muito irregular. O clima da metade oeste do país impede ou reduz ao mínimo a colonização (regiões desérticas do Tibet e Xinjiang). Somente nas zonas bem irrigadas no sopé das montanhas encontram-se alguns núcleos de população. A maior parte dos chineses concentra-se na região oriental, sobretudo na costa, zona de clima ameno e solos férteis. A densidade média é muito elevada; nas fecundas planícies do Yangzi e em Cantão, supera mil habitantes por quilômetro quadrado.

A maioria da população é rural; em fins da década de 1980, mais de oitenta por cento dos chineses viviam no campo. Contudo, a partir de 1950, a população urbana começou a crescer, devido à procura de mão-de-obra nas cidades em franco desenvolvimento industrial. Até a revolução de 1949, a indústria era pouco importante e as cidades tinham uma função quase exclusivamente administrativa e comercial. Depois, as grandes cidades chinesas transformaram-se em importantes centros industriais e comerciais. Destacam-se Xangai, Tianjin (Tientsin), Cantão e Pequim, a capital do país.

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