sexta-feira, 11 de março de 2011

ECONOMIA ITALIANA

A economia italiana passou por transformações marcantes no século XX. Até 1931, mais da metade da população ativa do país ocupava-se de atividades primárias; na década de 1960, o número de trabalhadores na indústria superava em muito o de agricultores.
Após enfrentar as dificuldades da década de 1970, com a crise do petróleo, instabilidade política e outros fatores, a economia italiana entrou num ritmo estável e moderado de expansão, com a inflação sob controle e os primeiros resultados do esforço nacional de saneamento da economia e das estruturas sociais, conhecido como il risanamento. Na área política, um saudável espírito prático tomou conta dos partidos, que passaram a discutir problemas concretos, como eliminar a poluição ambiental, reduzir a despesa pública e acabar com o déficit do orçamento nacional.
Depois de internacionalizar a economia e realizar parcerias com os concorrentes estrangeiros, o país enfrentou com tranqüilidade acordos internacionais, compra de tecnologia e outras práticas condenadas no passado. A antiga habilidade artesanal que ganhou fama em certos setores -- calçados, tecidos, malharia, máquinas, mobiliário se aliou à tecnologia de ponta e tornou possível fabricar produtos de alta qualidade e design sofisticado, a preços competitivos.
A estatização é uma forte característica da economia italiana. O Ministério das Participações Estatais, criado em 1956, controla diretamente as empresas públicas e sociedades de capital majoritariamente estatal, por meio de órgãos como o Instituto para Reconstrução Industrial (IRI), a Companhia Nacional de Derivados de Petróleo (ENI) e a Companhia Nacional de Energia Elétrica (ENE), que dão suporte financeiro à indústria pesada e controlam ramos vitais da economia, como siderurgia, bancos, construção naval, petróleo e gás natural, equipamento eletrônico, transportes, eletricidade, telefonia, telecomunicações, produtos químicos e cimento.

Agricultura e pecuária.
 A Itália é o terceiro país da Europa em área agrícola, mas só obtém rendimento elevado em áreas de solos férteis, climas brandos ou terrenos irrigados. O país é auto-suficiente em trigo, o cereal mais cultivado no país. Embora a maior área de trigais esteja na Sicília, os principais produtores são Emilia-Romagna, Lombardia, Vêneto, Marche e Piemonte. O milho é cultivado no verão na planície padano-veneziana. A Itália é o maior produtor europeu de arroz, cultivado no Piemonte e oeste da Lombardia. No Mezzogiorno cultivam-se olivais e cítricos. Há vinhedos em todas as grandes regiões da Itália. As principais áreas vinícolas são Monti del Chianti, na Toscana; Asti, no Piemonte; Orvieto, na Úmbria; e Marsala, no oeste da Sicília. A produção de carne e leite é insuficiente para o mercado interno, o que obriga o país a importar. A maior concentração de gado está na planície setentrional. Lombardia e Emilia-Romagna respondem pela maior produção de queijos e criam o maior rebanho suíno do país.

Pesca e recursos florestais.
 A maior parte do movimento dos barcos pesqueiros se faz a partir dos portos do Adriático. Enguias e outras espécies muito apreciadas são capturadas nas zonas pantanosas, como o delta do Pó e a laguna de Veneza. A principal atividade pesqueira (atuns, sardinhas, enxovas, cavalas e outros peixes pequenos) se desenvolve nos mares circunvizinhos à península, em pequenas embarcações. A pesca em grande escala é feita nas costas da Mauritânia (norte da África) e da Terra Nova (Canadá).
As reservas florestais ocupam vinte por cento da superfície do país. As principais regiões de extrativismo florestal são a Ligúria, a Toscana e o Trentino-Alto Adige.

Energia e mineração.
 A industrialização da Itália acarretou carência de combustíveis. As grandes usinas hidrelétricas, que aproveitaram o potencial dos Alpes, foram o primeiro passo para resolver o problema energético do país. Dois terços de toda a energia da Itália são gerados no norte. Parte da energia hidráulica vem de represas instaladas nos Abruzzos, Sardenha e Sicília. Centrais termelétricas complementam a produção. Uma usina aproveita o gás vulcânico de Larderello, no sul da Toscana. Há usinas termonucleares em Latina, Garigliano e Trino Vercellese. As reservas e a exploração do metano tendem a diminuir no vale do Pó e aumentar na Basilicata e na Sicília. O petróleo é extraído no sul da Sicília e na Basilicata.
O subsolo italiano é pobre em minerais metálicos e carvão. O minério de ferro é de boa qualidade; as principais jazidas ficam na ilha de Elba e no vale de Aosta. A mineração de chumbo e zinco se processa sobretudo em La Argentiera, no noroeste da Sardenha, com excedentes exportáveis. O mercúrio é explorado na região de Monte Amiata, na Toscana. O enxofre vem da Sicília, a bauxita da Apúlia e o sal da Toscana. Extraem-se também manganês, arsênico e antimônio.

Indústria. A indústria italiana está distribuída desigualmente por suas várias regiões. Dentre as modernas regiões italianas, o noroeste -- que compreende o Piemonte, a Lombardia, a Ligúria e o vale de Aosta -- comanda a economia do país. A área industrial mais importante é o triângulo Milão-Turim-Gênova. Lá se encontram boa parte dos solos férteis do país e metade das indústrias em funcionamento. A energia elétrica é abundante e barata, já que os vales alpinos próximos foram bem aproveitados para a construção de usinas hidrelétricas. O intercâmbio com o exterior faz-se através dos túneis dos Alpes e do porto de Gênova. A oferta de alimentos é garantida por uma agricultura intensiva e altamente irrigada. Milão, segunda cidade da Itália, é também o maior centro industrial e o principal entroncamento das vias de transporte do país. Em torno da cidade se desenvolveu um importante parque industrial, com indústrias mecânicas, de máquinas-ferramenta e material elétrico, metalúrgicas, têxteis, de cimento, vidro, borracha, anilinas e produtos farmacêuticos.
O centro-nordeste se estende da fronteira com a Áustria até Roma. Compreende as Três Venezas(Trentino-Alto Adige, Vêneto e Friuli-Venezia Giulia), a Emilia-Romagna, a Toscana, a Úmbria, as Marche e o norte do Lácio. Do ponto de vista da industrialização, essa região vem atraindo grande atenção desde a segunda metade da década de 1980, quando começou a se transformar no que os italianos hoje conhecem como "a terceira Itália" -- um importante aglomerado de prósperas cidades médias.
O sul da Itália, ou Mezzogiorno, é a região menos desenvolvida do país. Compreende a parte meridional do Lácio (a partir de Roma), os Abruzzos, Molise, Campânia, Apúlia, Basilicata, Calábria e as ilhas da Sicília e da Sardenha. De seus habitantes, conhecidos como meridionali, mais da metade trabalha na agricultura e menos de um quarto tem empregos industriais. A renda per capita equivale à metade da média encontrada no triângulo industrial do norte. Nápoles e Bari abrigam indústrias de petróleo, aço, alimentos, confecções e estaleiros. Mais de quarenta por cento da população economicamente ativa trabalha na indústria, enquanto somente a metade desse percentual está ocupada na agricultura. Dentre os setores industriais, o de mecânica é o mais importante, tanto em número de empregados como em valor da produção. Dois quintos das fábricas estão na Lombardia (principalmente na província de Milão), Piemonte e Ligúria. A mecânica pesada é forte em Sesto San Giovanni e Gênova, que também centraliza os estaleiros navais da costa da Ligúria. Dois terços dos navios construídos na Itália são lançados no trecho entre Pietra Ligure e La Spezia.
O principal centro da indústria automobilística é Turim, mas há fábricas também em Milão, Brescia e Desio. A indústria de máquinas elétricas também é importante no triângulo industrial. O potencial da planície padano-veneziana atraiu indústrias de máquinas, bicicletas, motocicletas e eletrodomésticos.

Finanças e comércio.
 O balanço cambial da Itália, embora desfavorável, equilibra-se com a receita do turismo, remessas de emigrantes e serviços diversos. Na pauta de importações destacam-se produtos alimentícios, metais e minerais, maquinaria e equipamentos, combustíveis e têxteis. Os principais fornecedores são a Alemanha, França, Estados Unidos e Países Baixos. As exportações mais importantes são máquinas e equipamento de transporte, massas alimentícias, produtos químicos, roupas, tecidos, fibras, ferro e aço.

Transportes e comunicações.
A maior parte das importações da Itália entra no país por via marítima, e a frota mercante italiana é uma das maiores do mundo. Há também intenso movimento de passageiros e carga entre o continente e as ilhas. A navegação de cabotagem é intensa ao longo de toda a costa. Os portos mais importantes são os de Gênova, La Spezia e Livorno, na costa da Ligúria; Civitavecchia, Nápoles, Reggio di Calabria, Messina e Palermo, no mar Tirreno; Cagliari, na Sardenha; e Brindisi, Bari, Ancona, Veneza e Trieste, no Adriático.
A malha ferroviária é em grande parte estatal. Quase todo o sistema emprega a tração elétrica, e noventa por cento das estradas de ferro têm bitola internacional. As rodovias ligam as principais cidades do continente italiano e da Sicília, e se comunicam com os sistemas viários da França, Suíça e Áustria, através de túneis imensos, um deles sob o monte Branco. O transporte aéreo civil é controlado pela estatal Alitalia. Os aeroportos mais movimentados são os de Roma e Milão. O estado controla a telefonia e o serviço de correios e telégrafos. Embora exista um sistema oficial de rádio e televisão, empresas privadas também operam no ramo.

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