quinta-feira, 31 de março de 2011

CORRENTES DEMOGRÁFICAS

A existência de um problema demográfico é quase unanimidade nos dias de hoje. Mas as divergências sobre o sentido dos dados estatísticos, e, sobretudo sobre os caminhos para um equacionamento, são acentuadas. Há três grandes linhas de interpretação: uma, neomalthusiana; outra, que acredita na auto-regulação; e outra, de cunho católico, que conjuga auto-regulação e intervenção sábia do ser humano. Esta última corrente não só apresenta uma originalidade em sua gênese, como também na análise dos fatos e na proposta de soluções. Ao mesmo tempo em que apregoa a necessidade de um planejamento familiar e de uma política demográfica, ela o faz com pressupostos antropológicos e teológicos surpreendentes, conjugando o respeito absoluto à vida em todas as suas formas e a intervenção sábia do ser humano. Para esta última corrente só há solução do problema demográfico se economia e política trilharem outros caminhos, fundados na distribuição mais justa dos recursos da terra e na solidariedade.

Explosão Demográfica
De acordo com os números da ONU, a Terra já se aproxima dos 6 bilhões de habitantes, provavelmente este habitante de número 6 bilhões nascerá num país pobre, com altas taxas de natalidade. E em 2050 esse número poderá chegar a 9 bilhões e 400 milhões. Por volta do ano 8.000 a.C. (antes de Cristo), calcula-se, por meios estatísticos e científicos, que a população mundial girava em torno de 5 milhões de pessoas.
No ano de 1650 d.C. (depois de Cristo), a população mundial atingia a cifra de 500 milhões. Indicando que a população do planeta dobrava a cada 1500 anos. Passado mais 200 anos, isto é 1850, a população dobrou chegando a 1 bilhão de pessoas. Passaram mais 80 anos, dobrou novamente, em 1930, a população chegava aos 2 bilhões. Em 1975, isto é, 45 anos depois dobrava de novo, chegando a 4 bilhões de pessoas, chegando ao ano 2000 com 6 bilhões de pessoas. É o que se pode chamar de crescimento exponencial, ou explosão demográfica.
Este crescimento populacional dos últimos séculos colocou em evidência Thomas Robert Malthus (1766-1834), economista e sacerdote da igreja anglicana do século XVIII, que ganhou celebridade com a teoria (teoria malthusiana) exposta em "Um Ensaio Sobre o Princípio da População", onde faz uma análise profunda a respeito da explosão demográfica do Planeta, afirmando que jamais teríamos uma sociedade feliz devido à tendência (estatística) de que as populações sempre cresceriam mais que os meios de sua subsistência. Segundo Malthus, a produção de alimentos cresce em progressão aritmética e a população em progressão geométrica, gerando fome e miséria das grandes massas. A natureza corrige essa desproporção por meio das guerras e epidemias, que reduzem a população. Malthus recomenda ao governo antecipar-se à natureza negando assistência social às populações.

Resumo da teoria Malthusiana

Foi estabelecida por Thomas Robert Malthus (1766-1834); estabelece que: a população cresce geometricamente (2, 4, 8, 16, 32, 64, 128,…); a produção de alimentos cresce aritmeticamente (2, 4, 6, 8, 10,...);
Conseqüência: morte por fome;
Solução: só procriam os mais aptos (os mais abastados economicamente), que corresponde à teoria segregacionista (ponto de vista socioeconômico).
No final do século XIX, as teorias Malthusianas começaram a ser esquecidas. O desenvolvimento da tecnologia agrícola aumentou o índice de produção de alimentos, o avanço da medicina, as condições econômicas e sociais dos países foram melhorando e as taxas de natalidade foram caindo. Atualmente, todos os países desenvolvidos apresentam níveis baixos de crescimento vegetativo.

A Explosão Demográfica Nos Países Subdesenvolvidos
O que contribuiu para a explosão demográfica nos países subdesenvolvidos a partir da década de 50?
Até o fim da Segunda Guerra Mundial, os países subdesenvolvidos apresentavam uma dinâmica populacional equilibrada, similar a da Europa antes da Revolução Industrial (século XVIII). As taxas de natalidade eram elevadas (muitos nascimentos), mas as taxas de mortalidade também eram elevadas (muitas mortes), que resultava num crescimento vegetativo moderado (equilibrado). Contudo, a partir de 1950(após a Segunda Guerra Mundial), esses países subdesenvolvidos começaram a ser beneficiados, por novos produtos e procedimentos obtidos nos países desenvolvidos, com novos medicamentos, vacinas, programas de prevenção de doenças, controle de doenças epidêmicas, etc, fato este que colaborou para a redução das taxas de mortalidade, logo resultando no crescimento da população, que em 45 anos "pulou" de 2 bilhões para 4 bilhões.
Surgindo neste período a preocupação com o crescimento populacional, fez surgir uma nova teoria sobre o crescimento populacional. Essa nova teoria defendida principalmente pelos países desenvolvidos ficou conhecida como Teoria Neomalthusiana.
A Teoria Neomalthusiana defendia a implantação de políticas de controle de natalidade nos países subdesenvolvidos a partir da utilização dos diversos métodos anticoncepcionais. Para os neomalthusianos, o crescimento da população provocava o atraso do crescimento econômico.

Os Reformistas
Em oposição aos neomalthusianos surge a Teoria Reformista, que afirmam: não é o crescimento da população que provoca o atraso econômico, e sim o atraso econômico que provoca o crescimento populacional. A situação social precária, a miséria e a má distribuição de renda é que provocariam o atraso econômico.
A única possibilidade de controlar o crescimento populacional seria realizar reformas sociais e econômicas que possibilitassem uma melhor distribuição de recursos e a conseqüente elevação do nível de vida da população. Com melhor nível de vida as populações estariam mais instruídas para o controle da natalidade. Uma família deve, por si própria, decidir o número de filhos de acordo com seus desejos e suas possibilidades financeiras.
A favor da teoria dos reformistas está o fato de que na maioria dos países desenvolvidos não houve a aplicação de nenhuma lei para o controle de natalidade - as taxas diminuíram naturalmente à medida que o padrão econômico e social da população melhorou.
Hugo Leonardo Ferreira.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O PROBLEMA DA TERRA NA AMÉRICA LATINA

Alguns países da América Latina realizaram a reforma agrária com sucesso. Outros estão na fase de ajustes, mas a maioria mudou, durante o século 20, a estrutura rural de grandes latifúndios, herdada da época colonial.

Zapata, no México
O primeiro país latino-americano a fazer a reforma agrária foi o México, com os exércitos camponeses liderados por Emiliano Zapata. Eles ocuparam e dividiram a maioria dos seis mil latifúndios que ocupavam toda a terra arável mexicana, durante a revolução de 1910.
Mas só em 1940 a reforma agrária se consolidou na metade das terras cultiváveis e beneficiou 50% dos pobres nas zonas rurais.

Na Bolívia,apenas o direito de voto
Na revolução boliviana (1951-1952), os camponeses indígenas ocuparam as grandes propriedades agrícolas. Os subsídios a alimentos importados e a falta de política agrária ajudaram os antigos donos de propriedades a voltar à situação anterior.
A reforma serviu para tornar os indígenas do país cidadãos, com direito a voto, educação básica e posse da terra.

Em Cuba, reforma, derrocada e embargo
Em Cuba, o controle das terras pertencia a poucos indivíduos ou corporações. Com a revolução de 1959, o regime comunista de Fidel Castro fez a reforma agrária, eliminando a pobreza extrema do meio rural.
Com o fim do apoio soviético, 40 anos depois, o país perdeu US$ 4 bilhões de ajuda anual e o parceiro de 85% de seu comércio. A isso se somou o embargo comercial imposto pelos Estados Unidos que em 2007 ainda se mantinha.
A economia do país entrou em recessão, com graves conseqüências também para a agricultura.

Chile, processo interrompido
No Chile, mais de 80% da terra se concentravam em 10 mil propriedades. Em 1967, o presidente Eduardo Frei fez a lei que permitiu ao governo seguinte, de Salvador Allende, a reforma agrária de 1970 a 1973, redistribuindo 47% do total de terras cultiváveis.
Após o golpe militar de Pinochet, a reforma foi interrompida, com participantes presos, exilados ou mortos.

Venezuela: sem reduzir pobreza rural
Na década de 60, um quarto dos trabalhadores rurais sem terra da Venezuela recebeu fazendas de 10 hectares.
A crescente receita do petróleo do país financiou a reforma, que não teve sucesso na redução da pobreza rural e no estímulo à produção. Muitos dos beneficiados abandonaram seus lotes para buscar rendimentos maiores na economia urbana em expansão.

No Peru, conflitos e cartéis
Greves de camponeses e guerrilhas provocaram uma reforma agrária no Peru, em 1962.
O movimento foi feito por oficiais do exército e técnicos do Ministério da Agricultura, mestiços com pouca simpatia pelos grandes latifundiários, de origem européia.
Eles favoreceram os indígenas que trabalhavam nas terras expropriadas. Nos anos 1980, predominavam pequenas e médias propriedades, com guerrilhas e conflitos causados por pobreza, baixo preço dos produtos agrícolas e cartéis da coca.

Na Nicarágua, quase a metade das terras
Na Nicarágua, depois da vitória das forças rebeldes sandinistas, em 1979, um quinto das propriedades rurais pertenciam ao ditador deposto, Somoza. Foram transformadas em empresas estatais.
Donos de terras improdutivas tiveram que cedê-las a camponeses, em aluguéis nominais. Em 1986, a reforma atingiu quase a metade das terras e da população rural.
Jurema Aprile.

terça-feira, 29 de março de 2011

EMPRESAS INVESTEM EM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Ecodesign é o termo utilizado para se nomear uma crescente tendência nos campos da arquitetura, da engenharia e do design, segundo a qual o objetivo dos profissionais dessas áreas deve ser o de projetar lugares, produtos e serviços que, de alguma forma, reduzam o uso de recursos não renováveis ou minimizem o impacto ambiental. O ecodesign é visto como um instrumento importante para o desenvolvimento sustentável.
No ecodesign, o ciclo de vida do produto é um dos aspectos verificados no processo de design, buscando, assim, reduzir a carga ambiental total com fornecedores, distribuidores, usuários, companhias de reciclagem e empresas de processamento.
Acredita-se que grande parte dos problemas ambientais foi causada pelo design convencional e pela indústria, pois desconsideraram os riscos e os impactos ambientais ao produzir bens e serviços.
Criar produtos e serviços de qualidade, que consumam cada vez menos insumos e matérias-primas, não é um desafio novo para as empresas. Há pelo menos duas décadas, algumas das principais companhias vêm buscando a ecoeficiência, a fim de atender mercados mais exigentes, melhorar a competitividade e aumentar a produtividade.
Um exemplo de ecoeficiência foi demonstrado pela empresa alemã Basf, que criou uma ferramenta de avaliação - a ACV (Avaliação de Ciclo de Vida) - utilizada para analisar os produtos a partir de 22 referenciais e propor ecosoluções.
No caso da Basf, uma das consequências da aplicação da ACV foi a substituição das embalagens cartonadas ou de vidro por embalagens plásticas. O vidro recebeu a pior avaliação, pois sua produção exige exploração maior do solo e mais espaço de armazenamento, além de oferecer maior risco de acidente. A embalagem cartonada perdeu pontos devido ao alto custo do seu processo de reciclagem.

Produtos mais eficientes no Brasil
A ACV, utilizada na Alemanha desde 1996 e nos Estados Unidos desde 2002, foi disponibilizada no Brasil a partir de 2005. A partir dessa data, começaram a surgir iniciativas para reciclar materiais e estender a vida útil de matérias-primas não renováveis.
Por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com instituições de ensino, órgãos oficiais e entidades empresariais, o Brasil começou a preparar seu próprio banco de dados para uso em ACV. Ao mesmo tempo, a indústria nacional vem concebendo produtos cada vez mais eficientes e deixando de lado matérias-primas antes usadas em larga escala, mas que poluíam demais o meio ambiente.
Como exemplo de produtos cada vez mais eficientes da indústria nacional, pode-se citar a criação de uma lavadora de roupas semiautomática. Para reduzir o custo do transporte, a máquina pesa apenas 6,8 quilos e é desmontável, o que permite que uma de suas partes seja encaixada na outra. Ou seja, ela ocupa 50% do espaço necessário para acomodar lavadoras convencionais em veículos e áreas de estoque. Além disso, demanda metade do plástico utilizado em sua fabricação e, quando em operação, consome um terço do volume de água utilizado nos outros modelos existentes. Acrescente-se que todas as peças dessa máquina são identificadas com a simbologia internacional da matéria-prima empregada, para facilitar o processo de reciclagem.
Já existem também propostas de celulares produzidos com materiais obtidos por processos que respeitam o meio ambiente. Esses aparelhos dispõem do mínimo necessário de funções e têm como foco o consumidor idoso.
Há também um software que fornece jeans sob medida, o que possibilita eliminar o desperdício de tecidos. E também chuveiros que diminuem o consumo de água, mas mantêm o jato forte; bacias e válvulas sanitárias que demandam o mínimo de água por descarga; e torneiras que lançam água misturada com ar para poupar o insumo, preservando a sensação de frescor.
O grande foco de atuação do ecodesign, especialmente no Brasil, está no setor automobilístico - a cadeia automotiva continua sendo a principal indústria do século 21. Os veículos evoluíram muito nos últimos 20 anos, passaram a incorporar motores mais eficientes e com capacidade para operar com vários tipos de combustível; peças de plástico recicláveis reduziram significativamente o seu peso; e vários componentes passaram a ser produzidos a partir de fibras longas naturais biodegradáveis (que substituíram as fibras de vidro) ou totalmente confeccionados em PET reciclado, como carpetes e revestimentos.
A importância dada ao meio ambiente ainda difere muito de empresa para empresa, mas isso certamente mudará à medida que se adquirir maior experiência. O ecodesign se tornará um dos elementos centrais em qualquer empresa, juntamente com as áreas de pesquisa e desenvolvimento, marketing, política de investimentos e inovação.

Princípios do ecodesign
- Escolha de materiais de baixo impacto ambiental: materiais menos poluentes, não tóxicos, que sejam feitos com materiais reciclados e que requeiram menos energia na fabricação.
- Eficiência energética: processos de fabricação que gastem menos energia.
- Qualidade e durabilidade: produtos que durem mais tempo e funcionem melhor, a fim de gerar menos lixo;
- Modularidade: objetos cujas peças possam ser trocadas em caso de defeito, sem a necessidade de substituir todo o produto, o que também gera menos lixo.
- Reutilização/reaproveitamento: objetos feitos a partir da reutilização ou reaproveitamento de outros objetos.
Ronaldo Decicino

CONSEQUÊNCIAS E CARACTERISTICAS DAS CIDADES

Urbanização é o aumento proporcional da população urbana em relação à população rural. Segundo esse conceito, só ocorre urbanização quando o crescimento da população urbana é superior ao crescimento da população rural.
Somente na segunda metade do século 20, o Brasil tornou-se um país urbano, ou seja, mais de 50% de sua população passou a residir nas cidades. A partir da década de 1950, o processo de urbanização no Brasil tornou-se cada vez mais acelerado. Isso se deve, sobretudo, a intensificação do processo de industrialização brasileiro ocorrido a partir de 1956, sendo esta a principal conseqüência entre uma série de outras, da "política desenvolvimentista" do governo Juscelino Kubitschek.
É importante salientar que os processos de industrialização e de urbanização brasileiros estão intimamente ligados, pois as unidades fabris eram instaladas em locais onde houvesse infra-estrutura, oferta de mão-de-obra e mercado consumidor. No momento que os investimentos no setor agrícola, especialmente no setor cafeeiro, deixavam de ser rentáveis, além das dificuldades de importação ocasionadas pela Primeira Guerra Mundial e pela Segunda, passou-se a empregar mais investimentos no setor industrial.

Êxodo rural
As indústrias, sobretudo a têxtil e a alimentícia, difundiam-se, principalmente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Esse desenvolvimento industrial acelerado necessitava de grande quantidade de mão-de-obra para trabalhar nas unidades fabris, na construção civil, no comércio ou nos serviços, o que atraiu milhares de migrantes do campo para as cidades (êxodo rural).
O processo de urbanização brasileiro apoiou-se essencialmente no êxodo rural. A migração rural-urbana tem múltiplas causas, sendo as principais a perda de trabalho no setor agropecuário - em conseqüência da modernização técnica do trabalho rural, com a substituição do homem pela máquina e a estrutura fundiária concentradora, resultando numa carência de terras para a maioria dos trabalhadores rurais.
Assim, destituídos dos meios de sobrevivência na zona rural, os migrantes dirigem-se às cidades em busca de empregos, salários e, acima de tudo, melhores condições de vida.

População urbana
Atualmente, a participação da população urbana no total da população brasileira atinge níveis próximos aos dos países de antiga urbanização da Europa e da América do Norte. Em 1940, os moradores das cidades somavam 12,9 milhões de habitantes, cerca de 30% do total da população do país, esse percentual cresceu aceleradamente: em 1970, mais da metade dos brasileiros já viviam nas cidades (55,9%). De acordo com o Censo de 2000, a população brasileira é agora majoritariamente urbana (81,2%), sendo que de cada dez habitantes do Brasil, oito moram em cidades.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2005 o Brasil tinha uma taxa de urbanização de 84,2% e, de acordo com algumas projeções, até 2050, a porcentagem da população brasileira que vive em centros urbanos deve pular para 93,6%. Em termos absolutos, serão 237,751 milhões de pessoas morando nas cidades do país na metade deste século. Por outro lado, a população rural terá caído de 29,462 milhões para 16,335 milhões entre 2005 e 2050.
Angelo Tiado de Miranda.

segunda-feira, 28 de março de 2011

DERIVA CONTINENTAL E AS PLACAS TECTÔNICAS

As deformações visíveis na superfície do terreno, os fenômenos vulcânicos e sísmicos, presentes tanto nos continentes, como no fundo dos oceanos, são provas do dinamismo da Terra. Nosso Planeta não é um corpo estático, pelo contrário, ele esteve e continua sob intensa atividade. Ideias científicas sobre a evolução da Terra começaram a surgir há 200 anos atrás mas até o início do presente século, acreditava-se que a distribuição dos continentes e oceanos era essencialmente a mesma.

A Deriva Continental
Em 1915, o alemão Alfred Wegener publicou a Teoria da Deriva dos Continentes, propondo que a 200 milhões de anos atrás todos as massas emersas de terra estariam reunidas em um único super-continente, denominado Pangea (imagem), envolto por um mar universal, a Panthalassa. Posteriormente, essa massa continental fraturou-se em partes menores que se dispersaram em consequência de movimentos horizontais. Além da semelhança entre as margens dos continentes, que se encaixam como um grande quebra-cabeça, Wegener buscou evidências geológicas, paleontológicas e climáticas, particularmente nos continentes do hemisfério sul, para fundamentar sua hipótese. Ele acreditava que a força para impulsionar a movimentação dos continentes seria derivada das marés e da própria rotação da Terra. No entanto, existem dificuldades de ordem física e matemática para sustentar esse modelo de movimentação e, por isso, a teoria sofreu forte oposição dos principais cientistas da época, caindo, praticamente, em esquecimento.
Grande revolução científica aconteceu nos Anos 60 com o aporte de inúmeras e novas informações, particularmente no campo da geologia e da geofísica marinha: melhor conhecimento do fundo dos oceanos desenvolvimento do paleomagnetismo, do conceito das falhas transformantes, da localização mais precisa dos terremotos etc. A partir dessas ideias, entre 1967 e 1968 nasce à teoria da Tectônica de Placas com os trabalhos de J. Morgan, X. Le Pichon e D. McKenzie, entre outros autores.

A teoria da Tectônica de Placas
Essa teoria postula que a crosta terrestre, mais precisamente a litosfera -que engloba toda a Crosta e a parte superior do Manto, até cerca de 100 km de profundidade -está quebrada em um determinado número de placas rígidas, que se deslocam com movimentos horizontais, que podem ser representados como rotações com respeito ao eixo que passa pelo centro da Terra.
Essas movimentações ocorrem porque a Litosfera, mais leve e fria, praticamente “flutua” sobre o material mais quente e denso e parcialmente fundido, existente no topo da Astenosfera.É nessa parte viscosa, dos primeiros 200 km da Astenosfera, que são geradas as correntes de convecção, supostamente o mecanismo que proporciona a movimentação das placas tectônicas.
As placas deslizam ou colidem uma contra as outras a uma velocidade variável de 1 a 10 cm/ano. Nas regiões onde elas se chocam ou se atritam, crescem os esforços de deformação nas rochas e, periodicamente nesses pontos, acontecem os grandes terremotos. Justamente nos limites das placas tectônicas, ao longo de faixas estreitras e contínuas, é que se concentra a maior parte da sismicidade de toda a Terra.É também próximo das bordas das placas que o material fundido (magma), existente no topo da Astenosfera, ascende até a superfície e extravaza-se ao longo de fissuras, ou através de canais para formar os vulcões. Apesar de os terremotos e vulcões normalmente ocorrerem próximo aos limites das placas, exepcionalmente, podem acontecer super terremotos nas regiões internas das placas.
Fundamentalmente existem 3 tipos de contatos entre as placas tectônicas proporcionados por movimentações com sentido divergente, convergente, de deslocamento horizontal ou falha transformante.

Movimento entre Placas Divergentes
Ocorre quando as placas se movimentam para direções contrárias entre si. Esse processo acontece principalmente nas áreas ao longo das cadeias meso-oceânicas. Essas cadeias são extensas elevações submarinas, cuja topografia é muito mais acentuada e exuberante do que as tradicionais zonas montanhosas existentes nos continentes - podem alcançar mais de 1.000 km de largura e 20.000 km de extensão e sua crista é marcada por profundas fendas ou fissuras.
Quando as placas se afastam uma da outra, o material em estado de fusão - o magma - existente no topo da astenosfera, sobe através das fendas, situadas na crista das cadeias submarinas, e extravasa-se formando um novo fundo oceânico.


Movimento de Placas Convergentes
Este caso ocorre quando duas placas se chocam. Na maior parte das vezes, uma delas desliza por debaixo da outra, formando profunda trincheira que penetra pelo fundo oceânico. A placa inferior desliza no interior da astenosfera segundo um plano inclinado - entre 40ºa 60º com relação a horizontal. Essa região de junção de placas recebe o nome de Zona de Subdução ou Zona de Benioff-Wadati. Mais de 3/4 dos terremotos do mundo ocorrem nesse tipo de limite de placas. É aí também que se encontram os sismos de foco profundo, com 300 a 700 km de profundidade.Ao subsidir para zonas mais profundas da astenosfera a placa rígida encontra altas temperaturas podendo ser parcialmente fundida. Esse novo magma, que é menos denso que as rochas circunvizinhas, sobe através de zonas de fraqueza da crosta e extravasa-se sob a forma de vulcões. Aproximadamente 2/3 das erupções vulcânicas conhecidas ocorrem nesse tipo de limite de placas.
Exemplo clássico de placas convergentes é a de Nazca e a da América do Sul. A interação do movimento dessas placas possibilitou a formação da Cadeia Andina e a trincheira oceânica Chile-Peru.

Movimento Horizontal ou de Falha Transformante
Separa placas que estão se deslocando lateralmente. O atrito entre as placas é grande de modo que podem ocorrer grandes esforços e deformações nas rochas que, periodicamente, são liberados por meio de grandes terremotos.Para esse caso, o melhor exemplo é a falha de Santo André, na Califórnia, limitando a Placa Americana, com movimento geral na direção SE, da Placa do Pacífico, com movimento geral na direção NW.


A CRISE NA LÍBIA

País está à beira da guerra civil, entre forças leais e contrárias a Muammar Gaddafi

Mergulhada em uma guerra civil, a Líbia é hoje uma nação dividida entre as forças leais ao ditador Muammar Gaddafi e a oposição, que domina o leste do país e pede por democracia. Há mais de quatro décadas no poder, Gaddafi resiste ao movimento que pretende por fim ao seu regime autoritário.
A repressão aos manifestantes e a contraofensiva (para recuperar cidades perdidas para os opositores) já deixou cerca de 6.000 mortos, segundo organizações de direitos humanos.
Diante da promessa de massacre aos rebeldes, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) autorizou na uma intervenção militar na Líbia para “proteger a população civil”, além de criar uma zona de exclusão aérea no país. Estão autorizados bombardeios aéreos, mas sem ocupação terrestre de tropas da coalizão.
O governo líbio prometeu um cessar-fogo imediato, mas as forças de Gaddafi continuam a atacar fortemente cidades rebeldes. Desta forma, a França começou os ataques contra as tropas de Gaddafi, ação seguida mais tarde pelos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Itália.

Como a crise começou?
Oprimidos por quatro décadas de regime autoritário, vivendo sob péssimas condições econômicas em um país rico em petróleo e inspirados nas revoluções que derrubaram as ditaduras da Tunísia e do Egito, cidadãos líbios foram às ruas da Líbia a partir do dia 15 de fevereiro.
O movimento rapidamente ganhou força no leste do país, e a cidade de Benghazi (a segunda maior) se tornou o epicentro dos protestos.
A repressão respondeu com força, e o regime ordenou o bombardeio de manifestantes. Muitos militares desertaram e passaram a seguir as ordens de Gaddafi. Dois pilotos desviaram um caça líbio para Malta e pediram asilo.

O avanço da oposição
No dia 25 de fevereiro, Muammar Gaddafi apareceu em público e se disse disse disposto a morrer lutando. O filho do ditador, Saif al Gaddafi, alertou para o perigo de uma guerra civil e disse que rios de sangue correriam caso os protestos continuassem.
A partir do dia 20 de fevereiro, militares abandonam em massa o regime e vários diplomatas líbios deixam seus postos no exterior. O embaixador da Líbia na ONU pede que a comunidade internacional salvasse o país.
A oposição avançou e passou a controlar Benghazi, Tobrouk, Misrata e outras cidades do leste. Os líderes rebeldes fundam um conselho para a transição, já reconhecido como governo provisório pela França.

A ditadura contra-ataca
Gaddafi lançou uma contraofensiva no leste, bombardeando Benghazi. O avanço da oposição na cidade de Zawyia, a 50 km de Trípoli, provocou um massacre. Segundo organizações de direitos humanos, os mortos pela repressão podem chegar a 6.000.
Enfraquecido, Gaddafi passou a contratar mercenários no norte da África. A crise na Líbia também provocou um êxodo no país. Ainda assim, Gaddafi recuperou as cidades de Zawyia, em 4 e 5 de março, e Ras Lanuf, nos dias 8 e 9.
Segundo a ONU, mais de 150 mil pessoas fugiram do conflito, entre eles cerca de 500 brasileiros que viviam no país – a maioria funcionários de empresas multinacionais brasileiras, retirados de avião e navio para a Europa.
O regime também tem dificultado a cobertura da imprensa estrangeiras e prende jornalistas, entre eles o repórter do jornal O Estado de S. Paulo, o brasileiro Andrei Netto.

O mundo reage
A comunidade internacional condenou rapidamente a repressão sangrenta na Líbia. Os EUA anunciaram sanções ao regime no dia 25 de fevereiro. A ONU, que suspendeu a Líbia de seu Conselho de Direitos Humanos, e a União Europeia também anunciaram medidas contra a ditadura de Gaddafi nos dias seguintes. A Suíça congelou os investimentos da família no país.
A ONU também autorizou procuradores do Tribunal Penal Internacional a investigar crimes de guerra cometidos Gaddafi durante a repressão aos rebeldes. No dia 4 de março, a Interpol (polícia internacional) lançou um alerta internacional contra o líder líbio e 15 colaboradores.

O Brasil também condenou a repressão na Líbia.
Em 17 de março, o Conselho de Segurança da ONU autorizou uma intervenção militar e a criação de uma zona de exclusão aérea no país. Dois dias depois, a França deu início aos bombardeios contra tropas de Gaddafi, seguida mais tarde por Reino Unido, Canadá, Itália e Estados Unidos.

sábado, 26 de março de 2011

CICLO DA ÁGUA

Mais abundante componente da matéria viva, a água precisa ser necessariamente reciclada para a garantia de vida do planeta, a superfície terrestre é recoberta de 75% de água. De toda essa água que recobre a terra, cerca de 97% pertencem aos ecossistemas marinhos. Do restante, apenas 1% está disponível na superfície (52% em lagos, 38% retidos no solo, 8% na atmosfera, 1% nos organismos vivos e 1% em rios). O ciclo hidrológico ocorre graças à energia solar que permite a mudança de estado físico. A água se evapora das superfícies aquáticas e terrestres, formando as nuvens. Condensa-se e se precipita na forma de chuva, neve ou granizo.

No solo, a água pode atravessar os diversos horizontes (camadas) atraída pelas forças da gravidade, e atingir o lençol freático, de onde chega até um rio ou riacho. Parte da água precipitada pode ser retida pelo solo e absorvida pelas plantas, através do seu sistema radicular.

Nos vegetais pode ocorrer a perda de água através da transpiração, gutação ou transferência alimentar à cadeia dos consumidores.

Os animais, por sua vez, participam do ciclo, ingerindo água diretamente ou indiretamente através dos alimentos. O processo de eliminação é variável, podendo ocorrer da urina, fezes, respiração, suor etc. E aí ocorre a evaporação de toda a parte líquida, formando as nuvens e a precipitação e... começa tudo de novo, formando um ciclo interminável.

Pode admitir-se que a quantidade total de água existente na Terra, nas suas três fases, sólida, líquida e gasosa, se tem mantido constante, desde o aparecimento do Homem. A água da Terra - que constitui a hidrosfera - distribui-se por três reservatórios principais, os oceanos, os continentes e a atmosfera, entre os quais existe uma circulação perpétua - ciclo da água ou ciclo hidrológico. O movimento da água no ciclo hidrológico é mantido pela energia radiante de origem solar e pela atração gravítica.

Pode definir-se ciclo hidrológico como a seqüência fechada de fenômenos pelos quais a água passa do globo terrestre para a atmosfera, na fase de vapor, e regressa àquele, nas fases líquida e sólida. A transferência de água da superfície do Globo para a atmosfera, sob a forma de vapor, dá-se por evaporação direta, por transpiração das plantas e dos animais e por sublimação (passagem direta da água da fase sólida para a de vapor).

A quantidade da água mobilizada pela sublimação no ciclo hidrológico é insignificante perante a que é envolvida na evaporação e na transpiração, cujo processo conjunto se designa por evapotranspiração.

O vapor de água é transportado pela circulação atmosférica e condensa-se após percursos muito variáveis, que podem ultrapassar 1000 km. A água condensada dá lugar à formação de nevoeiros e nuvens e a precipitação a partir de ambos.

A precipitação pode ocorrer na fase líquida (chuva ou chuvisco) ou na fase sólida (neve, granizo ou saraiva). A água precipitada na fase sólida apresenta-se com estrutura cristalina no caso da neve e com estrutura granular, regular em camadas, no caso do granizo, e irregular, por vezes em agregados de nódulos, que podem atingir a dimensão de uma bola de tênis, no caso da saraiva.

A precipitação inclui também a água que passa da atmosfera para o globo terrestre por condensação do vapor de água (orvalho) ou por congelação daquele vapor (geada) e por intercepção das gotas de água dos nevoeiros (nuvens que tocam no solo ou no mar).

A água que precipita nos continentes pode tomar vários destinos. Uma parte é devolvida diretamente à atmosfera por evaporação; a outra origina escoamento à superfície do terreno, escoamento superficial, que se concentra em sulcos, cuja reunião dá lugar aos cursos de água. A parte restante infiltra-se, isto é, penetra no interior do solo, subdividindo-se numa parcela que se acumula na sua parte superior e pode voltar à atmosfera por evapotranspiração e noutra que caminha em profundidade até atingir os lençóis aqüíferos (ou simplesmente aqüíferos) e vai constituir o escoamento subterrâneo.

Tanto o escoamento superficial como o escoamento subterrâneo vão alimentar os cursos de água que desaguam nos lagos e nos oceanos, ou vão alimentar diretamente estes últimos.

O escoamento superficial constitui uma resposta rápida à precipitação e cessa pouco tempo depois dela. Por seu turno, o escoamento subterrâneo, em especial quando se dá através de meios porosos, ocorre com grande lentidão e continua a alimentar os cursos de água longo tempo após ter terminado a precipitação que o originou.

Assim, os cursos de água alimentados por aqüíferos apresentam regimes de caudal mais regulares.

Os processos do ciclo hidrológico decorrem, como se descreveu, na atmosfera e no globo terrestre, pelo que se pode admitir dividido o ciclo da água em dois ramos: aéreo e terrestre.

A água que precipita nos continentes vai, assim, repartir-se em três parcelas: uma que é reenviada para a atmosfera por evapotranspiração e duas que produzem escoamento superficial e subterrâneo.

Esta repartição é condicionada por fatores vários, uns de ordem climática e outros respeitantes às características físicas do local onde incide a precipitação: pendente, tipo de solo, seu uso e estado, e subsolo.

Assim, a precipitação, ao incidir numa zona impermeável, origina escoamento superficial e evaporação direta da água que se acumula e fica disponível à superfície. Incidindo num solo permeável, pouco espesso, assente numa formação geológica impermeável, produz escoamento superficial (e, eventualmente, uma forma de escoamento intermédia - escoamento subsuperficial), evaporação da água disponível à superfície e ainda evapotranspiração da água que foi retida pela camada do solo de onde pode passar à atmosfera. Em ambos os casos não há escoamento subterrâneo; este ocorre no caso de a formação geológica subjacente ao solo ser permeável e espessa.

A energia solar é a fonte da energia térmica necessária para a passagem da água das fases líquida e sólida para a fase do vapor; é também a origem das circulações atmosféricas que transportam vapor de água e deslocam as nuvens.

A atração gravitica dá lugar à precipitação e ao escoamento. O ciclo hidrológico é uma realidade essencial do ambiente. É também um agente modelador da crosta terrestre devido à erosão e ao transporte e deposição de sedimentos por via hidráulica. Condiciona a cobertura vegetal e, de modo mais genérico, a vida na Terra.

O ciclo hidrológico à escala planetária pode ser encarado como um sistema de destilação gigantesco, estendido a todo o Globo. O aquecimento das regiões tropicais devido à radiação solar provoca a evaporação contínua da água dos oceanos, que é transportada sob a forma de vapor pela circulação geral da atmosfera, para outras regiões. Durante a transferência, parte do vapor de água condensa-se devido ao arrefecimento e forma nuvens que originam a precipitação. O retorno às regiões de origem resulta da cação combinada do escoamento proveniente dos rios e das correntes marítimas.

CORRENTES MARINHAS

Freqüentemente, estudando geografia verificamos curiosos fenômenos, para os quais, à primeira vista, não se encontra explicação; depois, um conhecimento aprofundado explica claramente o problema. Por exemplo, a Noruega e o Labrador estão na mesma latitude, mas a primeira possui um clima relativamente ameno, ao passo que o segundo é gélido e desabitado. Nova York e Portugal, ambos às margens do Atlântico, apresentam características bem diversas, sendo o clima americano bem mais rígido que o europeu. Para estes exemplos, a explicação é simplíssima: Noruega e Portugal sofre os efeitos benéficos da Corrente do Golfo.

Mas, que são e quais as causas provocadas pelas correntes marinhas?

São rios de água salgada, com temperatura diferente daquelas circunstantes, que correm no mar, segundo uma direção bem precisa. Uma enorme massa de água baixa dos pólos, fria, pesada, ao fundo do oceano, rumo ao equador. Este deslocamento chama à superfície a água aquecida pelos raios do sol, que é mais leve.

Tem-se, assim, um ciclo contínuo: dos pólos ao equador, fria e pesada, do equador aos pólos, quente e superficial.

As correntes marinhas são devidas, além das diferenças de temperatura e de salinidade, e por isso de densidade, sobretudo aos ventos de estação, constantes ou a longo período, como os alíseos e as monções.

A Corrente do Golfo, no Atlântico, é, sem dúvida, a mais conhecida e a mais estudada. Ela nasce da corrente equatorial, que se forma, no Atlântico, ao norte do equador: esta se divide em vários ramos, que vão tocar as costas americanas, por isso sai do Golfo do México (de que recebe o nome) e se dirige para leste passando perto do Banco de Terra Nova e atravessando o Atlântico. Divide-se depois, em mais dois ramos: um desce para as Canárias, costeando a Península Ibérica, enquanto o outro rua para a Escócia e a Irlanda, prosseguindo, ao longo da Noruega, até alcançar o porto russo de Arcângel que, apesar de sua latitude, permanece repleto de geleiras durante seis meses.

Além de ter influência sobre o clima, a Corrente do Golfo determina toda uma série desinteressantes fenômenos. Ao sul dos Bancos de Terra Nova, ela se encontra com a gélida corrente do Labrador, que desce para o Sul. Deste encontro e da brusca mudança de condições ambientais que disso deriva para os peixes, aparece a grande psicosidade da zona. A ocidente das Canárias, em pleno Oceano Atlântico, existe uma zona cuja fama assustadora fazia tremer os ousados navegantes a vela: trata-se do terrível Mar dos Sargaços. Esta zona do Oceano, lambida pelas últimas águas da Corrente, é completamente despida decorrentes marinhas. Ali crescem, assim, de maneira exuberante, os sargaços, algas flutuantes, que constituem um grave empecilho para a navegação. No hemisfério sul, há, também, um alternar de correntes frias e quentes. As costas africanas ocidentais são tocadas pela Corrente fria do Bengala, e fria é também acorrente do Peru, que banha as costas americanas.
Emerson Luis Schmidt

quinta-feira, 24 de março de 2011

URBANIZAÇÃO MUNDIAL SE ACELERA

Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para os Estabelecimentos Humanos (ONU - Hábitat) sobre o estado das cidades do mundo, as favelas do planeta terão, em 2020, 1 bilhão e 400 mil habitantes, ou seja, uma população igual à da China.
Apelando para os governos acompanharem essa urbanização irreversível, sem tentar freá-la, a ONU alerta que o ritmo mundial se acelera: até 2020, os bairros habitados pelas classes sociais mais pobres deverão aumentar sua população em 27 milhões de pessoas ao ano (contra um número de 18 milhões de pessoas, em média, entre 1990 e 2001).
Ainda segundo o ONU - Hábitat, a Terra possui, em 2008, aproximadamente um bilhão de seres humanos amontoados em habitações precárias.

A questão habitacional no Brasil
Diante desse quadro, o Brasil se encontra com um grande problema no que diz respeito à questão habitacional. A falta de moradias no país é extremamente elevada, a ponto de colocar o país numa situação em que, até o final de 2020, um em cada quatro brasileiros poderá estar vivendo em favelas, segundo projeções feitas pelo ONU - Hábitat.
No Brasil, a construção de moradias não acompanha o crescimento da população. E é importante salientar que, desde a promulgação da Constituição de 1988, a questão habitacional deixou de ser responsabilidade da União e passou para as mãos dos estados e municípios, resultando em vários programas habitacionais espalhados pelo país, muitas vezes paralisados pela falta de recursos.
Considerando-se o período 2007/2008, estima-se que faltem no Brasil cerca de 7,2 milhões de moradias, sendo que, no período 1997/1998, esse déficit era de 6,2 milhões. Parte considerável das pessoas que não possuem moradia digna reside em favelas. A população que mora nessas habitações improvisadas corresponde a 20% dos habitantes do Rio de Janeiro, 20% dos de Belo Horizonte, 22% em São Paulo, 31% em Fortaleza e 46% no Recife.
Em São Paulo, a maior cidade brasileira, onde vivem 11 milhões de pessoas, mais de 2 milhões estão nas favelas. Outro 1,5 milhão encontra-se em cortiços ou quintais.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 34,2% dos municípios brasileiros não têm acesso à água potável, 17 milhões de pessoas vivem em domicílios superlotados e 35 milhões em residências sem tratamento de esgoto.

Tipos de moradias precárias no Brasil
• Favelas: o que caracteriza as favelas não é a precariedade das habitações ou a carência de infra-estrutura dos locais onde elas se formam. Embora geralmente apresentem tais características, as favelas se definem como áreas de ocupação gradual, ou seja, aglomerados de habitações erguidas ao longo de certo tempo em terrenos de terceiros, geralmente pertencentes ao poder público.
A favela expõe as contradições do crescimento econômico baseado na concentração de renda, o qual exclui a maior parte da população.
Com o esgotamento das áreas tomadas por favelas, tem-se observado o crescente número dos movimentos de ocupação. Embora se assemelhem ao favelamento quanto à posse irregular do terreno, diferem quanto à formação e consolidação, que se dá por uma ocupação imediata, constituída por um movimento coletivo.
• Cortiços ou quintais: são habitações coletivas compostas por cômodos alugados, geralmente localizados em velhas mansões, situadas em locais próximos do centro da cidade, mas já desvalorizados. Entre o final do século 20 e o início do 21 outros tipos de imóveis passaram a ser usados como casa de cômodos, e os cortiços chegaram à periferia. Em São Paulo, cerca de 60% das habitações desse tipo localizam-se em áreas periféricas.
• Loteamentos periféricos: esse tipo de loteamento é uma forma de expansão da moradia popular nas grandes metrópoles brasileiras. Sua multiplicação foi impulsionada pela expulsão dos moradores dos bairros centrais para a periferia.
São terrenos distantes dos centros comerciais e de serviços, divididos em pequenos lotes, postos à venda antes da chegada de qualquer infra-estrutura e adquiridos com crédito de longo prazo pelas camadas de baixa renda, que preferem morar em locais distantes dos grandes centros para "fugir do aluguel".
As casas são construídas pelos próprios moradores, sem orientação técnica, podendo apresentar problemas de todos os tipos, incluindo-se o risco de desabamento. Há também um outro problema: os longos e demorados deslocamentos (casa-trabalho-casa) enfrentados pelos moradores, o que estende a duração da jornada de trabalho e sobrecarrega o orçamento doméstico com o custo do transporte.
Essa tendência da substituição do aluguel pela casa própria, ainda que em locais distantes dos centros comerciais, define uma das faces do padrão espacial das metrópoles: expulsão dos pobres para a periferia, em contraste com a valorização e verticalização das áreas centrais.
Ronaldo Decicino

terça-feira, 22 de março de 2011

JÁ SOMOS 7 BILHÕES

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REVOLTA NOS PAÍSES ÁRABES EVIDENCIA SURGIMENTO DE FORÇAS POLITICAS LOCAIS

A crescente onda de revoltas populares em países árabes, reivindicando melhoria nas condições de vida e maior liberdade política, pode se refletir no enfraquecimento da influência das potências ocidentais e no surgimento de forças políticas locais, dizem especialistas. Há agitações populares na Tunísia e Egito, bem como na Argélia, Jordânia e Marrocos.

As perspectivas de novos levantes contra governos ditatorias começam a traçar um outro futuro nos países árabes. Depois de a Tunísia ter as ruas tomadas por populares que lograram a derrubada de Zine El Abidine Ben Ali – no poder há 23 anos –, agora foi a vez de o Egito enfrentar violentos protestos pela saída de Hosni Mubarack, que já tem mais de 30 anos à frente do país.

Mesmo constatando que a realidade política e social dos países com iminentes movimentos sociais seja distinta, os especialistas concordam que há um novo elemento que forma um cenário semelhante: a insatisfação da sociedade com as condições de vida, de emprego, do preço dos alimentos e, ainda mais evidente, com a durabilidade dos governos autoritários.

Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acredita que há o surgimento de um novo perfil entre as forças que controlam os países árabes. Ele aponta o perfil como uma oposição à dualidade dos regimes, que tem, de um lado, as ditaduras e, de outro, os radicais – associado por países como os Estados Unidos ao terrorismo. Nasser acredita que estas forças podem não chegar ao poder, mas evidenciam uma tendência importante.

“Essa tendência no Ocidente chamamos de classe média. Aquela que luta pelo fim do desemprego e por liberdade política, mas ao mesmo tempo obtém informações pelos meio de comunicação e redes sociais na internet. Aí está um novo perfil”, explica Nasser.

Assim como ocorreu na Tunísia, os egípcios se manifestaram a favor das revoltas pelas mídias sociais. Mensagens que circularam no Twitter e no Facebook – como “Ontem todos éramos tunisianos, hoje todos somos egípcios e amanhã todos seremos livres” – espalharam-se entre internautas que manifestavam insatisfação. Na terça-feira (25), páginas de algumas das redes sociais já encontravam-se inacessíveis no Egito.

Para Cristina Soreanu Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o uso dessas ferramentas pelos movimentos democráticos é importante para que se comece a criar uma cultura de troca de ideias. Porém, ela lamenta que em alguns países com regime ainda mais fechado a maioria da população não tenha acesso a essas ferramentas e, portanto, fica sem ter conhecimento sobre as manifestações.

Para a professora, há um enfraquecimento das potências ocidentais sobre a política de países árabes. As evidências partem da constatação de que a posição adotada pelos governos dos Estados Unidos e da União Europeia não seja mais visto como regra. Os exemplos citados por Cristina Pecequilo são a relação da França com Argélia e Tunísia, e a dos Estados Unidos com o Egito.

“Para os Estados Unidos é mais seguro o Egito com um governo moderado no poder do que um Egito que de repente tenha eleições livres ou que tenha no poder um grupo fundamentalista islâmico. Embora eles (EUA) tenham discurso pró-democracia, o interesse é praticar sua política internacional”, critica Cristina Pecequilo.

Na terça-feira (25), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em seu discurso ao Estado da União afirmou que os norte-americanos estão ao lado do povo tunisiano, “onde a vontade do povo se provou mais poderosa que as ordens de um ditador”. No entanto, Obama não fez referência ao Egito, onde as manifestações também tomaram as ruas contra o ditador Mubarak, que é aliado de Washington.

Para Nasser, a eventual troca de regime em Cairo é muito mais significativa que em Túnes, pelo fato de o Egito ser considerado pelos Estados Unidos como uma peça-chave da região. “Por ser um país poderoso militarmente e que tem diálogo com Israel, a troca de governo no Egito é mais improvável. (O governo atual) vai contar com apoio internacional, já sinalizado por Obama, que não foi muito entusiasta dos movimentos, por apoiar governos como do Egito e de outros países há muito tempo”, ressaltou o professor.
Rede Brasil.

quinta-feira, 17 de março de 2011

SUBNUTRIÇÃO NO MUNDO

PARA SABER MAIS: PRODUÇÃO AGRICOLA E BIOTECNOLOGIA

Durante muito tempo, o aumento da produtividade do setor agrícola dependia da expansão das áreas de cultivo. Hoje, a principal maneira de aumentar a produção agrícola é desenvolver novos conhecimentos. As pesquisas voltadas a biotecnologia possibilitam o desenvolvimento de sementes de melhor qualidade e plantas mais resistentes às pragas, às doenças e às variações climáticas. Assim, essas plantas podem proporcionar uma produção maior. Todos esses melhoramentos promovem um aumento da produtividade sem que novas áreas precisem ser ocupadas. Entre outras vantagens, a maior produtividade barateia o custo para o produtor e, consequentemente, aumenta a possibilidade de lucros.
No Brasil, as pesquisas voltadas as novas tecnologias têm avançado nas ultimas décadas, em razão dos trabalhos desenvolvidos em institutos de pesquisa, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Há dezenas de centros de pesquisas dessa instituição distribuídos pelo país, onde muitos pesquisadores trabalham desenvolvendo novas variedades de plantas e sementes.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A POPULAÇÃO CHINESA

Etnias. Embora todos os seus habitantes provenham do tronco mongol, a China é um país multinacional, tanto do ponto de vista étnico como do lingüístico. A população em sua maioria pertence ao grupo han (chinês), que apresenta, porém, características raciais variadas. Os chineses do norte são mais altos e têm o rosto mais comprido que os do sul; estes, por sua vez, têm a pele mais morena que os do norte.

O resto da população compõe-se de 55 grupos minoritários, com tradições culturais, religiões e línguas próprias. Localizam-se mais no oeste, na periferia do país, onde os han estabeleceram-se em épocas mais recentes e, assim, não conseguiram absorver as outras etnias. Na região sudoeste ficam as minorias mais numerosas: o grupo chuang (zhuang) no Yunnan e os tibetanos no Tibet. No noroeste acham-se os uigur, os casaques e os mongóis, e no nordeste os manchus, totalmente assimilados à população han.

Línguas. Os idiomas falados na China provêm de quatro troncos: o sino-tibetano, o altaico, o indo-europeu e o austro-asiático.

O idioma oficial, falado pela maioria da população, é o chinês, da família sino-tibetana, que apresenta diferentes dialetos regionais, embora todos utilizem a mesma escrita. Embora sua escrita (caracteres ideográficos) seja universal, a pronúncia varia segundo a região e existem oito dialetos ininteligíveis entre si, a maioria deles usada na faixa costeira do sul. A partir da década de 1950 o governo favoreceu o dialeto do norte, o mandarim ou pequinês, adotado nas escolas. Em 1979, a pedido do governo da República Popular da China, a imprensa de todo o mundo começou a empregar um novo sistema (o pinyin) para grafar os sons do chinês mandarim. Entre outras modificações, o pinyin, que utiliza o alfabeto romano, faz uso freqüente do x e do g, ao contrário do tradicional sistema Wade-Giles, e abole o hífen entre dois nomes personativos.

O segundo tronco lingüístico, o altaico, divide-se, na China, em dois ramos: o turco, representado pela minoria uigur, e o mongol. Os outros dois troncos lingüísticos são minoritários. O tronco indo-europeu prevalece no noroeste com os tadjiques, enquanto o austro-asiático é representado pela minoria kawa, que habita o sul do país, na fronteira com Myanmar.

Demografia. A China é o país mais populoso do mundo. De cada cinco habitantes do planeta, um é chinês. A população se multiplicou por vinte desde o início da era cristã. No século II, havia 57 milhões de chineses. Em 1600, eles já eram 150 milhões e, no começo do século XIX, ultrapassavam 400 milhões. Em 1953, o primeiro censo rigoroso contou 583 milhões de habitantes. A partir de 1950, a estabilidade social, a introdução de melhorias sanitárias e um padrão de vida mais elevado provocaram um aumento acelerado na taxa de natalidade. Em fins da década de 1980 o país passou a marca de um bilhão de habitantes.

Em meados da década de 1970, o perigo da superpopulação levou o governo chinês a adotar medidas drásticas de controle da natalidade, promovendo o uso de anticoncepcionais, recomendando o casamento em idade mais madura e impondo penalidades às famílias com mais de um filho. Com essa política, o crescimento vegetativo caiu de 2,6% ao ano para menos de um por cento, mas nem por isso a população deixou de crescer em mais de 12 milhões por ano.

Além dos habitantes da República Popular, uma numerosa colônia chinesa, que no fim do século XX ultrapassava 17 milhões de pessoas, vive em outros países, sobretudo no sudeste asiático, nos Estados Unidos e na Europa. Esses grupos provêm de antigas emigrações, já que, depois da revolução de 1949, limitaram-se as saídas do país.

As condições naturais tornam a distribuição demográfica muito irregular. O clima da metade oeste do país impede ou reduz ao mínimo a colonização (regiões desérticas do Tibet e Xinjiang). Somente nas zonas bem irrigadas no sopé das montanhas encontram-se alguns núcleos de população. A maior parte dos chineses concentra-se na região oriental, sobretudo na costa, zona de clima ameno e solos férteis. A densidade média é muito elevada; nas fecundas planícies do Yangzi e em Cantão, supera mil habitantes por quilômetro quadrado.

A maioria da população é rural; em fins da década de 1980, mais de oitenta por cento dos chineses viviam no campo. Contudo, a partir de 1950, a população urbana começou a crescer, devido à procura de mão-de-obra nas cidades em franco desenvolvimento industrial. Até a revolução de 1949, a indústria era pouco importante e as cidades tinham uma função quase exclusivamente administrativa e comercial. Depois, as grandes cidades chinesas transformaram-se em importantes centros industriais e comerciais. Destacam-se Xangai, Tianjin (Tientsin), Cantão e Pequim, a capital do país.

sexta-feira, 11 de março de 2011

ECONOMIA ITALIANA

A economia italiana passou por transformações marcantes no século XX. Até 1931, mais da metade da população ativa do país ocupava-se de atividades primárias; na década de 1960, o número de trabalhadores na indústria superava em muito o de agricultores.
Após enfrentar as dificuldades da década de 1970, com a crise do petróleo, instabilidade política e outros fatores, a economia italiana entrou num ritmo estável e moderado de expansão, com a inflação sob controle e os primeiros resultados do esforço nacional de saneamento da economia e das estruturas sociais, conhecido como il risanamento. Na área política, um saudável espírito prático tomou conta dos partidos, que passaram a discutir problemas concretos, como eliminar a poluição ambiental, reduzir a despesa pública e acabar com o déficit do orçamento nacional.
Depois de internacionalizar a economia e realizar parcerias com os concorrentes estrangeiros, o país enfrentou com tranqüilidade acordos internacionais, compra de tecnologia e outras práticas condenadas no passado. A antiga habilidade artesanal que ganhou fama em certos setores -- calçados, tecidos, malharia, máquinas, mobiliário se aliou à tecnologia de ponta e tornou possível fabricar produtos de alta qualidade e design sofisticado, a preços competitivos.
A estatização é uma forte característica da economia italiana. O Ministério das Participações Estatais, criado em 1956, controla diretamente as empresas públicas e sociedades de capital majoritariamente estatal, por meio de órgãos como o Instituto para Reconstrução Industrial (IRI), a Companhia Nacional de Derivados de Petróleo (ENI) e a Companhia Nacional de Energia Elétrica (ENE), que dão suporte financeiro à indústria pesada e controlam ramos vitais da economia, como siderurgia, bancos, construção naval, petróleo e gás natural, equipamento eletrônico, transportes, eletricidade, telefonia, telecomunicações, produtos químicos e cimento.

Agricultura e pecuária.
 A Itália é o terceiro país da Europa em área agrícola, mas só obtém rendimento elevado em áreas de solos férteis, climas brandos ou terrenos irrigados. O país é auto-suficiente em trigo, o cereal mais cultivado no país. Embora a maior área de trigais esteja na Sicília, os principais produtores são Emilia-Romagna, Lombardia, Vêneto, Marche e Piemonte. O milho é cultivado no verão na planície padano-veneziana. A Itália é o maior produtor europeu de arroz, cultivado no Piemonte e oeste da Lombardia. No Mezzogiorno cultivam-se olivais e cítricos. Há vinhedos em todas as grandes regiões da Itália. As principais áreas vinícolas são Monti del Chianti, na Toscana; Asti, no Piemonte; Orvieto, na Úmbria; e Marsala, no oeste da Sicília. A produção de carne e leite é insuficiente para o mercado interno, o que obriga o país a importar. A maior concentração de gado está na planície setentrional. Lombardia e Emilia-Romagna respondem pela maior produção de queijos e criam o maior rebanho suíno do país.

Pesca e recursos florestais.
 A maior parte do movimento dos barcos pesqueiros se faz a partir dos portos do Adriático. Enguias e outras espécies muito apreciadas são capturadas nas zonas pantanosas, como o delta do Pó e a laguna de Veneza. A principal atividade pesqueira (atuns, sardinhas, enxovas, cavalas e outros peixes pequenos) se desenvolve nos mares circunvizinhos à península, em pequenas embarcações. A pesca em grande escala é feita nas costas da Mauritânia (norte da África) e da Terra Nova (Canadá).
As reservas florestais ocupam vinte por cento da superfície do país. As principais regiões de extrativismo florestal são a Ligúria, a Toscana e o Trentino-Alto Adige.

Energia e mineração.
 A industrialização da Itália acarretou carência de combustíveis. As grandes usinas hidrelétricas, que aproveitaram o potencial dos Alpes, foram o primeiro passo para resolver o problema energético do país. Dois terços de toda a energia da Itália são gerados no norte. Parte da energia hidráulica vem de represas instaladas nos Abruzzos, Sardenha e Sicília. Centrais termelétricas complementam a produção. Uma usina aproveita o gás vulcânico de Larderello, no sul da Toscana. Há usinas termonucleares em Latina, Garigliano e Trino Vercellese. As reservas e a exploração do metano tendem a diminuir no vale do Pó e aumentar na Basilicata e na Sicília. O petróleo é extraído no sul da Sicília e na Basilicata.
O subsolo italiano é pobre em minerais metálicos e carvão. O minério de ferro é de boa qualidade; as principais jazidas ficam na ilha de Elba e no vale de Aosta. A mineração de chumbo e zinco se processa sobretudo em La Argentiera, no noroeste da Sardenha, com excedentes exportáveis. O mercúrio é explorado na região de Monte Amiata, na Toscana. O enxofre vem da Sicília, a bauxita da Apúlia e o sal da Toscana. Extraem-se também manganês, arsênico e antimônio.

Indústria. A indústria italiana está distribuída desigualmente por suas várias regiões. Dentre as modernas regiões italianas, o noroeste -- que compreende o Piemonte, a Lombardia, a Ligúria e o vale de Aosta -- comanda a economia do país. A área industrial mais importante é o triângulo Milão-Turim-Gênova. Lá se encontram boa parte dos solos férteis do país e metade das indústrias em funcionamento. A energia elétrica é abundante e barata, já que os vales alpinos próximos foram bem aproveitados para a construção de usinas hidrelétricas. O intercâmbio com o exterior faz-se através dos túneis dos Alpes e do porto de Gênova. A oferta de alimentos é garantida por uma agricultura intensiva e altamente irrigada. Milão, segunda cidade da Itália, é também o maior centro industrial e o principal entroncamento das vias de transporte do país. Em torno da cidade se desenvolveu um importante parque industrial, com indústrias mecânicas, de máquinas-ferramenta e material elétrico, metalúrgicas, têxteis, de cimento, vidro, borracha, anilinas e produtos farmacêuticos.
O centro-nordeste se estende da fronteira com a Áustria até Roma. Compreende as Três Venezas(Trentino-Alto Adige, Vêneto e Friuli-Venezia Giulia), a Emilia-Romagna, a Toscana, a Úmbria, as Marche e o norte do Lácio. Do ponto de vista da industrialização, essa região vem atraindo grande atenção desde a segunda metade da década de 1980, quando começou a se transformar no que os italianos hoje conhecem como "a terceira Itália" -- um importante aglomerado de prósperas cidades médias.
O sul da Itália, ou Mezzogiorno, é a região menos desenvolvida do país. Compreende a parte meridional do Lácio (a partir de Roma), os Abruzzos, Molise, Campânia, Apúlia, Basilicata, Calábria e as ilhas da Sicília e da Sardenha. De seus habitantes, conhecidos como meridionali, mais da metade trabalha na agricultura e menos de um quarto tem empregos industriais. A renda per capita equivale à metade da média encontrada no triângulo industrial do norte. Nápoles e Bari abrigam indústrias de petróleo, aço, alimentos, confecções e estaleiros. Mais de quarenta por cento da população economicamente ativa trabalha na indústria, enquanto somente a metade desse percentual está ocupada na agricultura. Dentre os setores industriais, o de mecânica é o mais importante, tanto em número de empregados como em valor da produção. Dois quintos das fábricas estão na Lombardia (principalmente na província de Milão), Piemonte e Ligúria. A mecânica pesada é forte em Sesto San Giovanni e Gênova, que também centraliza os estaleiros navais da costa da Ligúria. Dois terços dos navios construídos na Itália são lançados no trecho entre Pietra Ligure e La Spezia.
O principal centro da indústria automobilística é Turim, mas há fábricas também em Milão, Brescia e Desio. A indústria de máquinas elétricas também é importante no triângulo industrial. O potencial da planície padano-veneziana atraiu indústrias de máquinas, bicicletas, motocicletas e eletrodomésticos.

Finanças e comércio.
 O balanço cambial da Itália, embora desfavorável, equilibra-se com a receita do turismo, remessas de emigrantes e serviços diversos. Na pauta de importações destacam-se produtos alimentícios, metais e minerais, maquinaria e equipamentos, combustíveis e têxteis. Os principais fornecedores são a Alemanha, França, Estados Unidos e Países Baixos. As exportações mais importantes são máquinas e equipamento de transporte, massas alimentícias, produtos químicos, roupas, tecidos, fibras, ferro e aço.

Transportes e comunicações.
A maior parte das importações da Itália entra no país por via marítima, e a frota mercante italiana é uma das maiores do mundo. Há também intenso movimento de passageiros e carga entre o continente e as ilhas. A navegação de cabotagem é intensa ao longo de toda a costa. Os portos mais importantes são os de Gênova, La Spezia e Livorno, na costa da Ligúria; Civitavecchia, Nápoles, Reggio di Calabria, Messina e Palermo, no mar Tirreno; Cagliari, na Sardenha; e Brindisi, Bari, Ancona, Veneza e Trieste, no Adriático.
A malha ferroviária é em grande parte estatal. Quase todo o sistema emprega a tração elétrica, e noventa por cento das estradas de ferro têm bitola internacional. As rodovias ligam as principais cidades do continente italiano e da Sicília, e se comunicam com os sistemas viários da França, Suíça e Áustria, através de túneis imensos, um deles sob o monte Branco. O transporte aéreo civil é controlado pela estatal Alitalia. Os aeroportos mais movimentados são os de Roma e Milão. O estado controla a telefonia e o serviço de correios e telégrafos. Embora exista um sistema oficial de rádio e televisão, empresas privadas também operam no ramo.

DEBATENDO: SUBNUTRIÇÃO E FOME

No final da década de 1940, enquanto muitos países se recuperavam dos danos causados pela II Guerra Mundial, outros ainda lutavam contra o imperialismo, sobretudo europeu. Nessa época a desnutrição e a fome, que castigavam grandes parcelas da população da Africa, Ásia e América Latina, ganhavam repercussão mundial.

Mais tarde, já na década de 1960, as elevadas taxas de crescimento da população nos países subdesenvolvidos criaram um cenário sombrio. Especulava-se que a produção de alimentos não seria suficiente para alimentar a população mundial e a fome atingiria um número cada vez maior de pessoas nos países e regiões mais pobres.

Atualmente, constata-se que apesar da fome ainda castigar mide pessoas, as especulações feitas no passado não se concretizaram. Segundo a FAO, a ingestão média de alimentos e o nível de vida da população mundial têm melhorado, embora lentamente. Mais de 800 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica, ou seja, não ingerem sequer o número minimo de calorias necessário ao fornecimento de energia ao corpo. Se considerarmos as pessoas que ingerem apenas esse minimo, mas estão subnutridas por não terem acesso a uma alimentação balanceada, com cereais, verduras, frutas, legumes, leite e carne, a cifra sobe para mais de 2 bilhões. Na África, o número de subnutridos duplicou entre 1970 e 1990, mas no leste e sudeste asiático, inclusive na China, a subnutrição foi reduzida a metade nesse mesmo período.

Nos últimos 50 anos, embora a área cultivada não tenha apresentado crescimento expressivo, a agricultura mundial obteve grande aumento de produtividade. Isso ocorreu graças ao desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas a produção e ao aprimoramento de outras já existentes. Esses avanços, emboras desiguais no espaço geográfico, permitem que a atual produção mundial de alimentos é suficiente para abastecer 10,5 bilhões de pessoas, quase 50% a mais do que a população atual.

segunda-feira, 7 de março de 2011

DEBATENDO: POLÍTICAS DEMOGRÁFICAS

As políticas demográficas surgem na tentativa dos diferentes países regularem o crescimento da sua população e, dessa forma, minimizarem muitos dos problemas de origem demográfica que actualmente enfrentam.

Politicas antinatalistas
A generalidade dos países em desenvolvimento tem promovido politicas antinatalistas, ao pôr em prática um conjunto de medidas que visam objectivamente reduzir os valores da natalidade e suster a explosão demográfica.
Algumas dessas medidas são meramente informativas ou de incentivo; outras, pelo contrário, são mesmo repressivas ou punitivas.
As medidas informativas ou de incentivo têm-se concretizado sobretudo através de:
-campanhas de informação sobre planeamento familiar;
-divulgação e distribuição gratuita de contraceptivos;
-apelos ao casamento mais tardio;
-benefícios aos casais que tenham apenas um ou dois filhos.
As medidas repressivas ou punitivas têm passado pôr:
-criar dificuldades na aquisição de bens essenciais;
-pôr em prática campanhas de esterilização;

Políticas natalístas
Os países desenvolvidos têm promovido políticas natalístas que contemplam as seguintes medidas:
-aumento do abono de família;
-alargamento da licença de maternidade e paternidade

quinta-feira, 3 de março de 2011

TEXTO COMPLEMENTAR: A EROSÃO DO SOLO

O potencial agrícola dos solos depende de seu processo de formação geológica (intemperismo e sedimentação), de sua composição química (minerais e matéria orgânica), das condições climáticas e do relevo onde se localiza.
 
Nas áreas em que se prática a agricultura e a pecuária, a erosão dos solos constituiu um sério problema ambiental. A erosão é um processo que se desenvolve em três etapas: desgaste, transporte e sedimentação. Como consequência do intemperismo, as partículas do solo se desprendem e são transportados pela água das chuvas, dos rios e dos mares ou pelo vento e, em alguns lugares do planeta, pelas geleiras. Todo material transportado é finalmente depositado em uma depressão ou baixada, onde se sedimenta.

No Brasil os principais agentes no processo erosivo são a água das chuvas (erosão pluvial), e no sertão nordestino, em áreas desmatadas, também os ventos (erosão eólica). Como é impossível evitar o desgaste e a sedimentação do solo, o combate a erosão dos solos significa, na prática, diminuir a velocidade do escoamento superficial das águas e prevenir-se contra a ação dos ventos.

A erosão provoca a perda irreversível do solo, degrada as paisagens, causa assoreamento dos rios, represas e zonas portuárias e compromete os ecossistemas aquáticos. Para evitar que isso ocorra os solo não devem ficar expostos às intempéries e devem-se adotar medidas que diminuam o escoamento superficial da água. O cultivo em terraços, seguindo as curvas de nível e o recobrimento dos solos com vegetação são as técnicas mais usadas.

Em muitas áreas agrícolas do Brasil, não se tomam medidas para reduzir a erosão do solo, perdendo-se um recurso natural insubstituível. Em certos casos, as perdas são tão grandes que impossibilitam a continuidade da produção. (Geografia para o Ensino Médio- Série Parâmetros)

MAPAS: UTILIZAÇÃO DE CORES

 Mapa de relevo do Rio Grande do Sul. Nos lugares com cores mais escuras, maiores são as altitudes.


Perceba as tonalidades diferentes do azul.












 Mapa representando os tipos de climas existentes no Brasil. Cada coer equivale a um tipo de clima. Neste caso não existe uma padronização de cores.
No mapa abaixo está representado as regiões brasileiras; cada cor corresponde a uma de nossas regiões. Também, neste caso, não existe necessiadade de padronização de cores.








MAPAS: ESCALA NUMÉRICA E ESCALA GRÁFICA


Nos mapas acima, temos o exemplo do dois tipos de escalas mais utilizados em Cartografia. Do lado direito, a escala numérica 1: 12 000 000; que quer dizer que neste mapa 1 cm  = a 12 000 000 cm reais; que equivalem a 120 000 metros reais, que por sua vez representam 120 km reais. Portanto, neste mapa cada 1 cm equivale a 120 km reais.
À esquerda temos a escala gráfica, na qual cada centimetro no mapa equivala a 120 km reais.


A régua é um dos instrumentos utilizados para se calcular distâncias cartográficas - escala gráfica -; onde neste exemplo, cada cm, equivale a 2 km reais.



quarta-feira, 2 de março de 2011

MAPAS: DENSIDADE DEMOGRÁFICA

DENSIDADE DEMOGRÁFICA MUNDIAL -Quanto mais escuro, maior a concentração populacional.


DENSIDADE DEMOGRÁFICA NO BRASIL






terça-feira, 1 de março de 2011

AGROPECUÁRIA, A PRIMEIRA ATIVIDADE ECONÔMICA DO HOMEM

A agricultura constitui, ao lado da criação de animais, a primeira atividade econômica da humanidade. Teve início durante o período Mesolítico (de 10000 a 5000 a.C.).
A aprendizagem foi longa, e só no Período Neolítico (cerca de 5000 a 2500 a.C.). Os homens se fixaram na terra e formaram vilas sustentadas pela agricultura. Com a estabilidade alcançada, as condições de reprodução da vida se tornaram muito mais favoráveis, pois havia mais alimento disponível e a ida sedentária era muito mais segura.
Foi em torno das atividades agropecuárias que se desenvolveram as grandes civilizações orientais: a mesopotâmica (às margens dos rios Tigres e Eufrates) e a egípcia (as margens do rio Nilo).

Do campo para a cidade
O aperfeiçoamento da técnica permitiu o aumento da produção e a geração de excedentes que poderiam ser guardados para o consumo em épocas mais difíceis. As aglomerações urbanas se multiplicaram, e a primitiva divisão de tarefas por sexos deu lugar a divisão de trabalho por categoria social.
Os escravos e camponeses livres realizavam o trabalho manual e cuidavam da terra; os governantes, em geral sacerdotes e guerreiros, controlavam os excedentes produzidos, apoderando-se de toda a produção.
Desse modo, a divisão do trabalho começava a ser marcada também por uma divisão territorial: de um lado, moradores e trabalhadores do campo, de outros, moradores e trabalhadores das cidades.
O campo era a fonte de desenvolvimento econômico-social, e essa, característica predominou não apenas entre as civilizações do antigo Egito e da Mesopotâmia, mas atravessou as civilizações clássicas a partir de 600 a.C. (Grécia e Roma) e alcançou a Idade Média. Apenas nos séculos XIV e XV, com a transição para o capitalismo, a agricultura deixou de ser a atividade econômica principal.

O mundo rural pré-capitalista
Na civilização clássica, as cidades se multiplicaram e se desenvolveram em tamanho e importância. Além de centro administrativo e religioso, passaram a ser também local de trocas comerciais. A principal força de trabalho eram os esccravos, que cuidava, de toda a produção agrícola.

Capitalismo e atividades urbanas
Alguns estudiosos consideram que o feudalismo só terminou no século XVIII, com a Revolução Industrial, pois até então a base da economia e das relações sociais seria o mundo rural. Para eles, somente com a urbanização resultante da industrialização o espaço urbano definitivamente se sobrepôs ao campo.
Em geral, no entanto, considera-se que a transição do feudalismo para o capitalismo se deu entre o final da Idade Média (séculos XIII e XIV) e o início da Idade Moderna (séculos XV a XVI).
Nesse período, emergia a economia de mercado, movida pelo sistema monetário. O senhor feudal já não cobrava em espécie ou em trabalho pelo cultivo que o servo fazia em suas terras. A dívida passava a ser em dinheiro. A pequena produção familiar artesanal se desenvolvia, voltando-se cada vez mais para o mercado. Começou por produzir instrumentos de trabalho (ferramentas, moldes) para o camponês e ampliou-se para a manufatura, num processo irreversível que se aprofundou com o desenvolvimento do capitalismo.

Formas Capitalistas e não capitalistas de produção agrícola
Na fase do capitalismo comercial (séculos XV a XVII), o ciclo de reprodução do capital se fazia sobretudo com base na circulação e no consumo de mercadorias, as únicas fases já tipicamente capitalistas. As necessidades impostas pelas trocas comerciais, diante da ampliação do mercado internacional, impuseram profundas mudanças à produção de mercadorias. Na agricultura o camponês passou a fazer parte do sistema de produção capitalista, surgindo a figura do produtor individual, ou seja, aquele voltado não mais para a sua subsistência, mas sim para o mercado. Em algumas regiões, sobretudo no Leste europeu, as relações feudais não cessaram de imediato, e o trabalho servil ainda foi mantido nas grandes propriedades.
Ao mesmo tempo, ganharam espaço as formas tipicamente capitalistas de produção agropecuárias: grandes propriedades de terra cultivadas por trabalhadores assalariados.
Com a expansão marítima e as grandes descobertas, as metrópoles européias passaram a produzir também em suas colônias da América, África e Ásia. Nas novas possessões, foram criadas grandes propriedades para monocultura de produtos tropicais como a cana, algodão e frutas, com base no trabalho escravo.