segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

TERRORISMO

Em suas muitas manifestações, o terrorismo é um dos pesadelos da civilização moderna, por seu componente de irracionalidade, amplitude de suas conseqüências e impossibilidade de prevenção. Sua motivação varia da genuína convicção política à ânsia pessoal de afirmação, mas o resultado é sempre a morte, a mutilação e a destruição.
Terrorismo é o uso sistemático do terror ou da violência imprevisível contra regimes políticos, povos ou pessoas para alcançar um fim político, ideológico ou religioso. No passado, as ações terroristas foram realizadas por organizações políticas com ideologias de direita ou de esquerda, grupos étnicos, nacionalistas ou revolucionários e pelos exércitos e polícias secretas de certos governos. Mais tarde, a esses grupos somaram-se os partidários de seitas religiosas fundamentalistas.
Imperadores romanos como Tibério usaram o banimento, expropriação de propriedades e execução como meios de desencorajar a oposição a seu governo. A Inquisição espanhola valeu-se da prisão arbitrária, tortura e execução para punir o que considerava heresia religiosa. O uso do terror foi abertamente defendido por Robespierre como forma de incentivar a virtude revolucionária durante a revolução francesa, o que levou o período em que teve o domínio político a se chamar reino do terror. Depois da guerra civil americana, sulistas inconformados criaram a organização terrorista Ku Klux Klan para intimidar os negros e os partidários da reconstrução do país.
Na segunda metade do século XIX, o terrorismo foi adotado como prática política pelos anarquistas da Europa ocidental, Rússia e Estados Unidos, na suposição de que a melhor maneira de realizar a mudança revolucionária social e política era assassinar pessoas em posições de poder. De 1865 a 1905, numerosos reis, presidentes, primeiros-ministros e outros funcionários governamentais foram mortos pelas balas ou bombas dos anarquistas.
No século XX, ocorreram grandes mudanças no uso e prática do terrorismo, que se tornou a característica de movimentos políticos de todos os tipos, desde a extrema-direita à esquerda mais radical. Instrumentos precisos, como armas automáticas e explosivos detonados a distância por dispositivos elétricos ou eletrônicos deram aos terroristas uma nova mobilidade e tornaram mais letais suas ações. O terrorismo foi adotado como virtual política de estado, embora não reconhecida oficialmente, por regimes totalitários como os da Alemanha de Hitler e a União Soviética de Stalin. Nesses países, os métodos de prisão, tortura e execução foram aplicados sem restrições ou fundamento legal, para criar um clima de medo e encorajar a adesão à ideologia nacional e aos objetivos sociais, econômicos e políticos do regime.
O terrorismo identificou-se mais comumente, no entanto, com pessoas ou grupos que tentaram desestabilizar ou derrubar instituições políticas existentes. Foi usado por um ou ambos os lados em conflitos anticolonialistas (entre Irlanda e Reino Unido, Argélia e França, Vietnam e França e depois Vietnam e Estados Unidos, por exemplo); em disputas entre diferentes grupos nacionais sobre a posse contestada de uma pátria (palestinos e Israel), em conflitos entre diferentes credos religiosos (católicos e protestantes na Irlanda do Norte); em conflitos internos entre forças revolucionárias e governos estabelecidos (Malásia, Indonésia, Filipinas, Irã, Nicarágua, El Salvador, Argentina); e em conflitos separatistas (bascos na Espanha, sérvios na Bósnia e Herzegovina, tchetchenos na Rússia).
Freqüentemente, as vítimas do terror são cidadãos escolhidos ao acaso ou que apenas se encontram inadvertidamente no lugar onde ocorre uma ação terrorista. Muitos grupos terroristas da Europa contemporânea se assemelham aos anarquistas do século XIX em seu isolamento das principais correntes políticas e a natureza pouco realista de seus objetivos. Sem base de apoio popular, substituem atividades políticas legítimas pela ação violenta, como seqüestro de pessoas, desvio de aviões, assassinato de civis e explosão de bombas em lugares públicos.
Organizações como a Baader-Meinhoff (Alemanha), o Exército Vermelho (Japão), as Brigadas Vermelhas (Itália), a al-Fatah (Oriente Médio), o Sendero Luminoso (Peru) e a ETA (Espanha) tornaram-se alguns dos mais conhecidos grupos terroristas da segunda metade do século XX. Sua motivação era política e sua atuação foi mais intensa a partir da década de 1970. Na década de 1990, surgiu uma nova modalidade de terrorismo, de impacto ainda maior -- o terrorismo de massa, com motivação aparentemente religiosa ou política de cunho fanático.
Os progressos tecnológicos e a difusão dos conhecimentos técnicos possibilitam a realização de atos terroristas com o uso de armas químicas, bacteriológicas ou biológicas, que podem disseminar a morte ou a contaminação de doenças em massa nos grandes centros urbanos de qualquer país. As razões ideológicas aparentemente deram lugar ao fanatismo religioso, especialmente dos seguidores de líderes messiânicos que divulgam idéias apocalípticas ou salvacionistas radicais.
(Eduardo Martins).

CRESCIMENTO VEGETATIVO OU NATURAL

É a diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade.

CV = Natalidade – Mortalidade

A dinâmica demográfica não é homogênea em todo o mundo, pois reflete as principais características da economia de um país e a vida do grupo social.

PRIMEIRA FASE (crescimento lento)
BAIXO ÍNDICE DEMOGRÁFICO – Dos primórdios da humanidade até o fim do século XVIII, aproximadamente, embora a natalidade tenha sido elevada, a taxa de mortalidade também era bastante alta, o que explica o baixo índice de crescimento demográfico desse período. Nessa fase, observamos que a humanidade estava submetida às imposições da natureza. Por meio da mortalidade elevada, a natureza impunha um ritmo de crescimento bastante lento.
BAIXA EXPECTATIVA DE VIDA– A expectativa de vida ou esperança de vida (duração média, em anos, da vida humana) era baixa. Acredita-se que na Grécia e na Roma antigas a média de vida era de apenas 25 anos. As crises de fome, as guerras, as precárias condições higiênico-sanitárias e as epidemias em muito contribuíram para os resultados desse período. Os países desenvolvidos superaram esta fase antes dos subdesenvolvidos, e podemos apontar a revolução Industrial (século XVIII) como marco desse período.
SEGUNDA FASE (crescimento rápido)
Caracterizada por elevadas taxas de natalidade e baixas taxas de mortalidade, nessa fase, na qual se encontra atualmente a maioria dos países subdesenvolvidos, ocorre grande crescimento da população.
Os países desenvolvidos industrializados da europa Ocidental, os chamados “desenvolvidos velhos”, foram os primeiros a atingir essa fase, principalmente durante o século XIX, ao passo que nos países “desenvolvidos novos” (EUA, Canadá, Rússia, Japão), ela ocorreu na primeira metade do século XX e, nos países subdesenvolvidos, a partir da segunda metade do século XX.
Na Europa ocidental, o sucesso da Revolução Industrial contribuiu para a melhoria das condições higiênico-sanitárias, médico-hospitalares e alimentares. Declarou-se guerra às epidemias, reduzindo a mortalidade de forma gradativa. Entretanto a natalidade permaneceu elevada durante quase todo o século XIX, o que explica o grande crescimento populacional da Europa nesse período. Em 1900, a Europa era o segundo continente mais populoso (em primeiro lugar estava a Ásia); no ano 2000, já era o penúltimo em população.
Os países menos desenvolvidos, os mais pobres da África (região do Sahel), da Ásia (sudeste e leste), da América Latina e da Oceania, ainda estão na segunda fase, apresentando grande crescimento populacional, pois a melhoria de suas condições de vida só ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial (segunda metade do século XX), período em que o mundo assistiu à mais espetacular explosão demográfica de todos os tempos.
É importante observar que, em ambos os casos (nos países desenvolvidos e nos subdesenvolvidos), o crescimento demográfico resultou fundamentalmente da redução da mortalidade. Entretanto a principal diferença entre eles é que, nos países subdesenvolvidos, a diminuição da mortalidade foi muito grande e bastante rápida, ao passo que nos países desenvolvidos ela ocorreu de forma gradativa e num espaço de tempo maior. A natalidade nos países desenvolvidos, por sua vez, já havia sofrido grande redução durante a primeira metade do século XX, sendo que, ainda hoje, ela continua elevada na maioria dos países subdesenvolvidos.
Quanto à expectativa de vida, ela é mais elevada nos países desenvolvidos que nos subdesenvolvidos, pois estes últimos apresentam maiores taxas de mortalidade e grandes contrastes sociais.
TERCEIRA FASE (baixíssimo crescimento)
Nessa fase, caracterizada pela ocorrência de baixas taxas de natalidade e mortalidade, resultando em baixíssimo crescimento populacional, a transição demográfica encontra-se concluída. Atualmente, estão nessa fase os países desenvolvidos, a maior parte deles com taxas de crescimento muito baixas (geralmente inferiores a 1%), nulas e até negativas.
Nos países desenvolvidos, tem ocorrido uma transformação na estrutura familiar. A taxa de fecundidade é baixa, permanecendo em torno de 1,5 filho por mulher. Muitos países apresentam taxas inferiores a 2,1 filhos por mulher, mantendo, assim, estabilizado o tamanho de sua população. Diversos fatores, como a urbanização (exigências da vida urbana), o aumento da escolarização (que pode levar a maior acesso a métodos de planejamento familiar) e a incorporação das mulheres ao mercado de trabalho (acúmulo de trabalho dentro e fora do lar), contribuem para que as mulheres tenham menos filhos.
O Brasil está entrando no terceiro período de transição demográfica, apresentando taxas de natalidade e de mortalidade de 20‰ e de 7‰, respectivamente, o que resulta em uma taxa de crescimento médio de 1,3%.

HABITAÇÃO

As casas e demais formas de abrigo constituem, junto com as vestimentas, as mais importantes criações da evolução técnica e intelectual, pois foram elas que tornaram a espécie humana mais adaptável, capaz de sobreviver desde o equador aos pólos.
Habitação é, desde tempos ancestrais, o abrigo usado pelo homem para proteger-se das ameaças do meio ambiente ou de seu semelhante. Definido como lugar em que se habita, o termo se confunde, no uso corrente, com domicílio, residência, moradia, vivenda, casa, apartamento etc. Segundo a Organização das Nações Unidas, trata-se do "meio ambiente material onde se deve desenvolver a família, considerada unidade básica da sociedade".
Abrigos naturais.
A partir do período paleolítico inferior, grutas e cavernas começaram a ser aproveitadas como habitações temporárias pelos hominídeos. O Homo neanderthalensis fez uso mais freqüente desses abrigos, durante as fases frias da glaciação de Würm, também ocupados pelo Homo sapiens do paleolítico superior. Alguns grupos humanos contemporâneos conservam o hábito de escavar abrigos em paredões rochosos ou no próprio solo, sempre que sejam suficientemente porosos para não reterem a umidade, ofereçam pouca resistência aos instrumentos utilizados e, principalmente, apresentem tendência à clivagem vertical. Habitações com características do paleolítico se encontram a cinqüenta quilômetros de Paris, na aldeia de Carrières; e também no sul da China e ao redor do Mediterrâneo, onde chegam a constituir verdadeiras aldeias subterrâneas. Semelhantes a estas são as moradias dos matmatas, na Tunísia, com vários andares escavados na rocha, aos quais se acede por escadas externas; casas da Anatólia, edificadas a partir de cones vulcânicos; e as cuevas existentes em Guadix, na Espanha.
Os abrigos naturais apresentavam, no entanto, vários inconvenientes: eram fixos, por vezes mal situados e úmidos, conjunto de circunstâncias negativas para um coletor ou caçador sempre em movimento. Como os próprios antropóides atuais fazem ninhos para dormir (chimpanzé, gorila), e o orangotango chega a cobrir o ninho com uma cúpula de gravetos ou ramos trançados, é de se presumir que os australopitecíneos fizessem o mesmo, o que teria dado origem aos abrigos artificiais.
Abrigos artificiais.
Encontram-se na cultura gravetiana do sul da Rússia (paleolítico superior) os primeiros traços de abrigos artificiais de planta ovalada, cada qual com sua lareira, isolados ou conjugados com outros, cujo chão se situa em nível ligeiramente inferior ao do solo circundante. No sítio mesolítico de Campigny (cerca de 12000 a. C.), encontram-se os mais antigos tipos de habitações semi-subterrâneas, com pilares de madeira forquilhados que suportam um madeiramento horizontal de troncos e barrotes. O conjunto é coberto por paus roliços mais finos, e estes são recobertos com terra. No centro há um orifício por onde escapa a fumaça.
Casas desse tipo são vistas também na Sibéria e na cultura pré-histórica de Mogollon, nos Estados Unidos. No período neolítico, as construções já são de adobe ou, como no Egito, de palha trançada, em forma ogival, e planta circular. As aldeias neolíticas de Köln-Lindenthal, na Alemanha, e da idade do ferro, na Polônia, são de "casas grandes", moradias coletivas do tipo de pau-a-pique.
A casa construída tem existência mais recente e sua configuração depende de fatores como os materiais disponíveis, as técnicas de construção dominadas por certo grupo e suas concepções de planejamento e arquitetura, em função das atividades econômicas, do gênero de vida e dos padrões culturais. É na habitação rural que as influências geográficas se apresentam com maior nitidez, não só porque no campo as comunidades humanas têm contato direto com a natureza, mas também por constituírem grupos menos aparelhados tecnicamente e mais presos à tradição. Além disso, a habitação rural é abrigo e também, muitas vezes, local de trabalho e de armazenamento de produtos, de tal forma que revela nitidamente as atividades e necessidades de seus ocupantes. As mais simples utilizam material vegetal praticamente sem elaboração. Constituem-se basicamente de um arcabouço de troncos e ramos de árvores entrelaçados e usualmente amarrados por cipós, forrado ou não com barro, esteiras ou folhas de palmeira. A cobertura é feita de palha, folhas de palmeira ou, em áreas mais evoluídas, de telhas.
Distribuição geográfica.
Esse tipo de casa, no Brasil chamado "de pau-a-pique" ou "de barrote", distribui-se por uma vasta área geográfica que corresponde às regiões tropicais da América, da África e da Ásia, além dos arquipélagos da Indonésia, Melanésia e Polinésia. Nas áreas tropicais de floresta densa, aparece sob a forma de choças de ramagens, com formas variadas. Os telhados só apresentam elaboração maior na Ásia. Em áreas especialmente úmidas ou inundáveis, a casa de barrote pode ser construída sobre estacas (palafitas), como ocorre na orla litorânea da Venezuela, Guianas, golfo da Guiné, Madagascar, planícies fluviais da Amazônia e Sudeste Asiático.
Em regiões tropicais não-florestais da África surgem choças singulares, com arcabouço de forma cilíndrica ou prismática, que se distinguem das demais por apresentarem um vão entre as paredes e a cobertura, como as cabanas típicas da região banhada pelo rio Ubangui-Chari, ao norte da bacia do Congo. As palhoças construídas pelos zulus (cubatas) e os ameríndios do Brasil (ocas) têm forma de cúpulas hemisféricas e, nesse caso, paredes e telhados freqüentemente se confundem e formam uma só peça. No Extremo Oriente são comuns as habitações flutuantes, ou sampanas, nas quais chega a ser instalado comércio.
Modalidades.
Ao tipo de habitação das áreas tropicais opõem-se, nas regiões florestais de latitudes médias e elevadas, as casas de madeira. As paredes são de troncos de árvores superpostos, rústicos ou lavrados, e os telhados, recobertos de plaquetas de madeira, ou algumas vezes de ardósia. É o chalé das regiões alpinas, a cabin, da área setentrional da América do Norte, a blockhaus escandinava, a cota finlandesa ou ucraniana e a isbá russa. Podem ser rústicas, como a cota finlandesa, ou ostentar requintes de construção e de detalhes decorativos, como ocorre na península escandinava e nos Alpes. A existência de serrarias nas áreas madeireiras deu origem à casa de tábuas, comum também no sul do Brasil, nas regiões do pinheiro-do-paraná.
Outra matéria-prima oferecida pela natureza é a pedra, que já no Império Romano, no Egito e na Grécia antigos foi amplamente utilizada. A casa de pedra é um tipo de habitação que pode surgir onde quer que a formação geológica forneça materiais suscetíveis de aproveitamento, como o granito e o xisto. Embora exista em todos os continentes, seu domínio específico é o trecho europeu que circunda o Mediterrâneo, em que constitui a residência rural típica e de onde aparentemente se difundiu para outras regiões.
Proveniente de matéria-prima fornecida pela natureza, mas já resultante de certa elaboração, o tijolo nasceu nas regiões desérticas, onde, pela falta de madeira, é o elemento básico da construção de moradias. O tijolo secado ao sol, ou adobe, foi amplamente utilizado pelo homem, mas sua inconsistência tornou-o facilmente destrutível, especialmente sob a ação da chuva. Uma vez cozido, no entanto, passa a ter boa resistência. É, atualmente, um dos materiais mais difundidos e, com o ferro e o cimento, constitui a base da arquitetura dominante nos centros urbanos. Um caso à parte é a casa de taipa, com paredes geralmente muito grossas, construídas com terra umedecida e fortemente socada, muito comum no Brasil colonial.
Existem ainda tipos específicos de habitação, de domínio geográfico nitidamente demarcado. Entre eles destaca-se a tenda, habitação típica dos pastores nômades do Velho Mundo e também utilizada pelos esquimós no verão, quando se tornam nômades. No inverno, quando se sedentarizam, sua habitação é o iglu, construído com blocos de gelo, que se mantém de pé somente na estação hibernal e se dissolve na primavera.
Adaptação às condições naturais.
Além da influência que o meio físico exerce sobre a habitação rural mediante o material de construção, sua ação se faz sentir em outros aspectos da moradia. Assim, nos climas tropicais procura-se protegê-la do calor por meio de varandas e pátios internos de aeração. Para enfrentar as chuvas, os telhados são amplos, projetados para além das paredes, em beirais. Nos climas secos e quentes, o pátio com poço central atende também ao abastecimento de água, enquanto a cobertura, tal como ocorre nas casas árabes, não precisando servir para o escoamento das águas, pode tornar-se plana, em forma de terraço. Nas regiões de inverno rigoroso, os telhados são pronunciadamente inclinados, para não acumularem neve. Janelas e portas têm tamanho reduzido, de modo a evitar perda de calor, e, como regra, a lareira domina o conjunto arquitetônico e a sala principal da habitação. A influência das condições naturais é sentida também em territórios freqüentemente atingidos por terremotos, como o Japão, nos quais se adotam casas leves e flexíveis, feitas com armações de madeira e papel.
Casa urbana.
Graças à utilização de técnicas avançadas, a habitação urbana tornou-se relativamente independente das condições físicas locais. Nas grandes construções imperam o ferro e o cimento, o que leva ao surgimento de novas concepções arquitetônicas, enquanto técnicas de refrigeração e calefação de ambientes tornam a casa urbana imune aos efeitos climáticos.
Embora não dependa tanto das condições naturais, a casa urbana, no entanto, torna mais evidentes as diferenças sociais. O equipamento técnico fica claramente documentado nas formas e estilos arquitetônicos. Os padrões de vida, muito mais diferenciados, criam profundos contrastes, com habitações de luxo edificadas muitas vezes perto de paupérrimas habitações coletivas, como os cortiços, ou as favelas freqüentes nas metrópoles brasileiras.
A habitação urbana muda de acordo com o gosto de cada época, sem chegar a criar um estilo próprio. Nas cidades européias, entre moradias de linhas modernas de estilo indefinido, vêem-se construções de rara beleza, ou habitações que respeitaram certo estilo tradicional. Nas cidades de tipo americano, no entanto, o individualismo leva à convivência de diversos estilos dentro de uma mesma cidade ou bairro, ou a produção em série inviabiliza toda originalidade.
Uma característica específica da vida urbana, a falta de espaço, afeta a moradia urbana em sua concepção e aspecto. Às vezes, comprimem-se umas contra as outras, em fachadas estreitas e em vários andares, como é comum nos Países Baixos e na Itália. Outras vezes, grandes prédios são subdivididos em várias moradias, com o aproveitamento dos sótãos e águas-furtadas, como é comum em Paris. Outras vezes ainda, as habitações se acumulam em grandes edifícios, os arranha-céus, característicos dos centros comerciais e bancários das cidades americanas, que se tornaram a marca das grandes metrópoles de todo o mundo no século XX.
( Claudinei Lucas).

MONOPOLIO

A existência de concorrentes evita a fixação arbitrária de preços. Numa situação de concorrência perfeita, o preço se estabelece de acordo com as condições do mercado e tende a permanecer em patamares próximos ao custo de produção das mercadorias. Um produtor monopolista, ao contrário, pode aumentar seu lucro total mediante a simples elevação do preço, pois domina a oferta e não é ameaçado pela concorrência.
Monopólio é uma condição do mercado caracterizada pelo controle, por um só vendedor, dos preços e das quantidades de bens ou serviços oferecidos aos usuários e consumidores. Embora os conceitos de monopólio e concorrência perfeita sejam úteis para ilustrar princípios econômicos, eles raramente ocorrem na prática e constituem, portanto, modelos teóricos que caracterizam situações ideais, das quais a realidade está mais ou menos próxima.
A situação mais próxima do monopólio é o oligopólio, em que o mercado é controlado por um pequeno grupo de empresas. Os oligopolistas tendem a atuar em comum acordo ou, quando a lei permite, a estabelecer cartéis com pactos formais sobre preços e abastecimento, o que, virtualmente, torna monopolística sua atividade econômica. A maior parte dos países proíbe o monopólio, exceto aqueles que são exercidos pelo estado sobre produtos estratégicos e serviços de utilidade pública. A legislação britânica, por exemplo, enquadra como monopolística a ação de uma empresa ou grupo de empresas que controle um terço do mercado de certo produto ou serviço. O termo monopólio se emprega, assim, para designar uma situação na qual a concorrência é restrita.
Quem detém o monopólio pode determinar o preço de seu produto ou serviço sem a concorrência de outros vendedores. Geralmente se admite, por essa razão, que a empresa monopolista fixará o preço que mais lhe convier. Ao contrário do que ocorre na livre concorrência -- em que o produtor não pode modificar à vontade o preço da mercadoria, mas tão-somente ajustar seu volume de produção ao preço estabelecido pelo mercado -- o monopolista pode atuar sobre o preço, aumentando a produção se deseja reduzi-lo, ou, o que é mais freqüente, reduzindo a produção para elevá-lo. Também lhe cabe fixar o preço e ajustar a ele sua produção. A entrada de novas empresas no setor monopolizado é freada pela impossibilidade de conseguir custos de produção competitivos.
Qualquer modificação do volume de produção implica uma variação nos custos, para mais ou para menos, circunstância que o monopolista deve levar em conta para buscar o equilíbrio do mercado e obter o maior lucro possível. Outra variável que deve ser levada em conta é a elasticidade da demanda, já que o êxito de toda manobra restritiva depende de que o aumento de preços compense a redução da produção.
Vantagens e desvantagens do monopólio
Os argumentos favoráveis aos monopólios concentram-se principalmente nas vantagens da produção em grande escala, como a elevação de rendimento propiciado pelas inovações tecnológicas e a redução dos custos. Também se afirma que os monopólios podem racionalizar as atividades econômicas, eliminar os excessos de capacidade e evitar a concorrência desleal. Outra das vantagens que lhes são atribuídas é a garantia de um determinado grau de segurança no futuro, o que torna possível o planejamento a longo prazo e introduz maior racionalidade nas decisões sobre investimentos.
Os argumentos contrários estão centrados no fato de que o monopólio, graças a seu poder sobre o mercado, prejudica o consumidor ao restringir a produção e a variedade, e ao obrigá-lo a pagar preços arbitrariamente fixados pelo monopolista. Também se assinala que a ausência de concorrência pode incidir negativamente sobre a redução dos custos e levar à subutilização dos recursos produtivos.
Controle
A economia de livre empresa afirma, como norma geral, a inconveniência dos monopólios e a necessidade de estrito controle sobre eles. Embora acentue as vantagens do fornecimento monopolizado em determinadas áreas específicas, exige que os monopólios se restrinjam aos setores nos quais sejam absolutamente necessários e que, além disso, se adotem medidas de proteção ao consumidor.
Um exemplo da utilidade dos monopólios é o fornecimento de gás canalizado a um centro urbano. O fornecimento de gás aos consumidores por companhias concorrentes, por meio de gasodutos e sistemas de distribuição paralelos, representaria um esbanjamento de recursos em infra-estruturA.( Emerson Luis Toschi).

sábado, 29 de janeiro de 2011

CICLO DAS ROCHAS

O Ciclo das Rochas inicia-se com a destruição das rochas da superfície pela ação dos agentes externos, como o intemperismo e a erosão ou a aglutinação de ambos.
O intemperismo é o processo de degradação das rochas, acontece quando expostas à atmosfera sofrem um ataque erosivo, provocado pelo clima, que pode modificar o seu aspecto físico ou a sua composição mineralógica. A erosão é o processo de desgaste mecânico, operado pelas águas correntes, pelo vento, pelo movimento das geleiras e pelos mares.
Os produtos resultantes da destruição são transportados por diversos fluidos, passando a circular sobre a superfície terrestre por ação do calor solar e pela gravidade.
Quando cessa a energia que os fazem circular, eles depositam-se nas regiões mais baixas, formando então as rochas sedimentares.
Com o passar do tempo as rochas sedimentares são sepultadas a grandes profundidades, sofrendo conseqüentemente o efeito do calor terrestre e se tornando cada vez mais duras.
Nos níveis mais profundos, cerca de 10 a 30 km, a temperatura e a pressão são maiores, acontecendo a transformação em rochas metamórficas.
A temperatura continua aumentando cada vez mais, ocorre a fusão e ela se transforma em rocha ígnea.
Devido a ação do movimento do manto, ocorre o processo de levantamento dessa rocha ígnea, cada vez mais, ela tende a subir a níveis superiores.
Após milhões de anos, finalmente a rocha chega a superfície terrestre e novamente começa a sofrer a ação dos agentes externos, reiniciando assim o ciclo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

FAES DO AUMENTO POPULACIONAL

Estima-se que, há cerca de 2000 anos atrás, a população global era de cerca de 300 milhões de habitantes. Por um longo período a população mundial não cresceu significativamente, com períodos de crescimento seguidos de períodos de declínio. Decorreram mais de 1600 anos para que a população do mundo dobrasse para 600 milhões. O contingente populacional estimado para o ano de 1750, é de 791 milhões de pessoas, das quais 64% viviam na Ásia, 21% na Europa e 13% em África.
A humanidade gastou, portanto, dezenas de milhares de anos para alcançar o primeiro milhar de milhão de habitantes, por volta de 1802. Em seguida, foram necessários mais 125 anos para dobrar a população, alcançando assim o planeta, por volta de 1927, 2 milhares de milhões de habitantes. O terceiro milhar de milhões foi atingido 34 anos depois, em 1961, e assim por diante.
Durante este período, o homem abandonou o modo de vida que criara há cerca de 10 mil anos, com o advento da agricultura, e passou a multiplicar-se nas cidades, um mundo à parte da natureza. Em 1900, nove em cada dez homens, mulheres e crianças, que somavam uma população de 1,65 milhares de milhão, ainda viviam no campo. Calcula-se que nos primeiros anos do século XXI quase metade dos seis milhares de milhões de pessoas habita cidades; dessa população urbana, estima-se que uma proporção de três para vinte pessoas se encontre nas cerca de meia centena de metrópoles e megalópoles (população igual ou maior que 5 milhões de habitantes).
A ONU estima que no ano 2000 a população mundial crescia então a um ritmo de 1,2 % (77 milhões de pessoas) por ano. Isto representa um decréscimo da taxa de crescimento em relação ao seu nível em 1990, sobretudo devido à quebra das taxas de natalidade.
A China era, nessa altura, o país mais populoso do mundo com 1300 milhões de habitantes, porém, devido à baixa taxa de natalidade poderá ser superada em 2050 pela Índia que, se mantiver a taxa de natalidade de 2000, atingirá os 1600 milhões.
Causas do rápido aumento da população mundial
Foram várias as causas desta fase de rápido crescimento da população mundial. Os índices de mortalidade nos países em desenvolvimento tiveram uma queda marcante após a Segunda Guerra Mundial. Campanhas de saúde pública e de vacinação reduziram espetacularmente as doenças e a mortalidade infantil.
Nos países desenvolvidos, esses declínios na mortalidade tinham levado séculos para ocorrer, à medida que a própria sociedade gradualmente se transformava, tornando-se mais urbanizada e menos dependente de grandes famílias. Como resultado, as taxas de natalidade e mortalidade tendiam a decrescer proporcionalmente e as taxas de crescimento populacional nunca atingiram o nível que atingiriam mais tarde, nos países em desenvolvimento. Na década de sessenta, as mulheres nos países em desenvolvimento estavam tendo, em média, seis filhos.
Previsões sobre a população mundial futura
O crescimento futuro da população é difícil de prever. As taxas de natalidade estão a diminuir em geral, mas variam muito entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento. As taxas de mortalidade podem mudar inesperadamente devido a doenças, guerras e catástrofes, ou avanços na medicina. A ONU publicou várias projecções da população mundial futura, baseadas nos diferentes pressupostos. Ao longo dos últimos dez anos, a ONU tem revisto constantemente as suas projecções da população mundial, corrigindo-as para valores inferiores aos anteriormente anunciados.
Consequências do aumento populacional
O contínuo aumento populacional pode ter várias consequências negativas. A mais falada é a questão da escassez de alimentos, mas a verdade é que os alimentos estão mal distribuídos mundialmente, uma vez que, nos países desenvolvidos existe um grande problema de saúde por excesso de alimentação (obesidade e problemas cardiovasculares).
Com o aumento da população e desenvolvimento dos países aumenta também a poluição produzida, e se já com a população actual os problemas ambientais relacionados com a poluição são bastantes, então deduz-se que serão muito piores com uma população ainda maior e a produzir cada vez mais desperdícios; este aumento da poluição poderá implicar também a degradação de muitos ecossistemas naturais.
Na sociedade globalizada em que vivemos outro grave problema é a propagação de epidemias, que agora o fazem com muito mais facilidade devido ao contacto entre indivíduos de todos os pontos do mundo uns com os outros, provocado pelos avanços dos meios de transporte. O facto de haver cada vez mais gente, para menos área habitável faz também com que comecem a surgir populações que habitam áreas perigosas do planeta, facilmente susceptíveis a catástrofes (ex.: áreas de grande actividade vulcânica). Têm também preocupado as autoridades governamentais os problemas associados à criação de empregos, meios de habitação, transportes, educação e saúde.
Medidas a tomar para conter tal aumento
Para tentar conter o elevado aumento populacional já estão tomadas e estudadas certas medidas. É necessária a expansão de serviços de alta qualidade de planeamento familiar e saúde reprodutiva. As gravidezes indesejadas ocorrem quando os casais que não querem ter uma gravidez não usam nenhum método para regular eficazmente a fertilidade. Uma das prioridades de vários governos dos países em vias de desenvolvimento deve ser oferecer aos casais e a pessoas individuais serviços apropriados para evitar tais gravidezes.
Deve-se também divulgar mais informação sobre planeamento familiar e aumentar as alternativas de métodos anticoncepcionais, nos casos em que tal seja legal.
É também muito importante a consciencialização do público sobre os meios existentes para a regulação da fertilidade e o seu valor, da importância da responsabilidade e da segurança na prática de relações sexuais e a localização dos serviços. Deverão ser criadas condições favoráveis para famílias pequenas.
Importa também aumentar a escolaridade, especialmente entre as adolescentes. Melhorias na situação econômica, social e jurídica das jovens e das mulheres poderão contribuir para aumentar o seu poder de negociação, conferindo-lhes uma voz mais forte nas decisões relacionadas com os aspectos reprodutivos e produtivos da família.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

HISTÓRIA DA CARTOGRAFIA

Amostras de primitivos trabalhos cartográficos encontradas em pedras, papiros, metais e peles representam o meio ambiente e a situação das terras por meio de figuras e símbolos. Usaram-se, ainda, varas de bambu, madeira, tecido de algodão ou cânhamo, fibras de palmeira e conchas.
O Museu Semítico da Universidade de Harvard, em Cambridge, Estados Unidos, possui um mapa de origem ainda mais remota; gravado em pedra argilosa, foi achado na região mesopotâmica de Ga-Sur e parece datar de 2500 a 3000 a.C. Outro trabalho de cartografia muito antigo (c.2000 a.C.), desenhado em rocha, foi localizado numa região do norte da Itália, habitada outrora por um povo denominado camunos (camuni) pelos romanos. O Museu de Turim, na Itália, conserva a planta, desenhada em papiro, de uma mina de ouro da Núbia, na África, que data da época de Ramsés II do Egito (1304-c.1237 a.C.).
Coube aos gregos os primeiros fundamentos da geografia e das normas cartográficas, e ainda hoje os alicerces do sistema cartográfico repousam na contribuição que deixaram: a concepção da esfericidade da Terra e as noções de pólos, equador e trópicos; as primeiras medições da circunferência terrestre; a idealização dos primeiros sistemas de projeções e concepção de longitude e latitude. Na antiguidade grega, Anaximandro de Mileto (século VI a.C.) construiu um quadrante solar e possuía um mapa-múndi gravado em pedra.
Ainda na Grécia antiga, Hecateu de Mileto representou a Terra sobre um disco metálico, Êudoxo de Cnido construiu um globo e Dicearco de Messênia desenhou um mapa-múndi em projeção plana-quadrada. No século III a.C., Eratóstenes de Cirena, que dirigiu a célebre biblioteca de Alexandria, desenhou um mapa-múndi com paralelos e meridianos, tendo ainda calculado, com impressionante precisão, em vista da precariedade dos recursos da época, a circunferência da Terra.
O grande nome da antiguidade, todavia, é Ptolomeu, que viveu no século II de nossa era. Astrônomo, geógrafo e cartógrafo, ele lançou as bases da geografia matemática e da cartografia no clássico tratado intitulado Guia da geografia (Geographiké hyphegesis), obra que só em 1405, com a tradução para o latim, chegou ao conhecimento dos eruditos europeus.
A era clássica romana não deixou mapas, embora haja registros literários de mapas elaborados em Roma. Varrão (Marcus Terentius Varro) menciona mapas no poema Chorographia e Agripa determinou a confecção de um mapa do mundo então conhecido. Das obras cartográficas romanas só se conhece a célebre Tábua de Peutinger, cópia, feita em 1265, de um original romano que sofreu sucessivos acréscimos até o século IX. Descoberta em 1494 pelo poeta Conradus Pickel (ou Celtis), que a legou a Konrad Peutinger, essa tábua somente veio a ser publicada em 1598. Encontra-se, desde 1738, na Biblioteca Pública de Viena. Trata-se de uma carta das estradas do Império Romano, com as cidades e as distâncias que as separam, e representa o mundo até a costa índica.
Idade Média
Entre as autoridades e autores medievais persistiram concepções gregas como a de estar a Terra pousada sobre um disco metálico. Ao mesmo tempo, as invasões dos bárbaros provocaram a estagnação da produção cartográfica e esta ficou sob exclusivo domínio de copistas eclesiásticos, que valorizaram o aspecto artístico em detrimento da exatidão. O disco metálico sobre o qual se considerava estar a Terra levou à elaboração de mapas circulares, orientados para leste ou sul, e com os continentes representados de forma esquemática. As separações entre as terras lembravam a letra T, donde serem conhecidos como "mapas T-O", "mapas de roda" ou "mapas circulares".
No primeiro período da Idade Média, destaca-se o mapa T-O de santo Isidoro de Sevilha. Dentre as centenas de mapas T-O incluídos nos 600 mapas-múndi medievais que se conservaram, avultam o mapa retangular de Cosmas Indikopleustes, do século VI, e as numerosas cópias dos mapas de são Beato, das quais a de são Severo, do ano 1030 e de forma oval, é a mais conhecida.
Na mesma época, a cartografia árabe experimentava marcante progresso. No ano de 827, o califa al-Mamum ordenou a tradução da Geografia de Ptolomeu para o árabe. Bagdá, Damasco e Córdoba, os centros culturais de então, reuniram geógrafos e cartógrafos estimulados pelo intenso comércio a se expandir do Mediterrâneo até a China. Foram autores de mapas Ibn Hawkal, Abu Isak Istakhri e Maomé al-Edrisi. Ibn Hula construiu um globo terrestre. O rei Rogério II, da Sicília, foi grande incentivador desse movimento, e a ele al-Idrisi dedicou sua compilação geográfica, que possuía um mapa-múndi dividido em setenta folhas.
As cruzadas e o comércio marítimo, em especial o italiano, impulsionaram a confecção de cartas náuticas, mapas marítimos desenhados sobre pergaminho. Impropriamente chamados de portulanos, tinham como característica principal o desenho da rosa-dos-ventos que ocupava todo o espaço do mar: resultava daí um conjunto de retas entrecruzadas que facilitava a fixação da rota por parte do navegador.
Destacam-se também nessa época as Tábuas Toledanas, de Toledo, Espanha, completadas em 1252 por ordem de Alfonso X (1221-1284), rei de Castela, razão por que também são conhecidas como Tábuas Alfonsinas.
Nesse período de grande efervescência científica e cultural, são fundadas escolas de cartografia em Gênova, Veneza e Ancona, na Itália, bem como em Palma de Maiorca, no arquipélago das Baleares, Espanha, que logo assumiram o papel de principais fornecedores de mapas marítimos. Exemplo significativo da produção desses centros cartográficos é o Atlas catalão, de 1375, organizado por ordem de Carlos V o Sábio, rei da França. Monumento artístico, tem oito folhas e o mapa, de 390cm x 69cm, é de autoria de Jaime de Maiorca (Jafuda Creques). Em conformidade com o sistema corporativo vigente à época, a cartografia, em sua produção e comércio, ficou associada a diversas famílias, que conservavam entre si certos segredos de ordem técnica.
O ciclo das grandes navegações exigiu maior exatidão e ampliação das informações cartográficas. Ainda no século XV, em Sagres, Portugal, o infante D. Henrique - entre outros especialistas - reuniu geógrafos, astrônomos e cartógrafos de diferentes países, e no século seguinte Portugal já contava com grandes cartógrafos como Lopo Homem, André Homem, Diogo Ribeiro, Gaspar Viegas, Bartolomeu Velho e Fernão Vaz Dourado. Em 1508, em Sevilha, na Espanha, a Casa de la Contratación de las Índias instalou um órgão fiscalizador da produção e comércio de mapas para a navegação. O mapa-múndi Orbis typus universalis tabula (1512), do veneziano Jerônimo Marini, é o primeiro em que se registra o nome Brasil.
Já na segunda metade do século XVI apareceram os primeiros mapas impressos em xilografia ou que empregavam gravações em chapas de cobre. O século XVII assistiu ao apogeu da cartografia nos Países Baixos, especialmente nas cidades de Antuérpia e Amsterdã. Esse progresso deve-se a cartógrafos como Abraham Ortelius, Jodocus Hondius e, sobretudo, a Gerardus Mercator, forma latinizada de Gerhard Kremer (mercador). Deve-se a Ortelius o Theatrum orbis terrarum (1570), com 53 folhas cartográficas e setenta mapas gravados em cobre, o primeiro atlas nos moldes dos atuais. Mercator criou a projeção que leva seu nome, própria para mapas náuticos, segundo a qual os meridianos são os ângulos retos aos paralelos de latitude.
Ainda nos Países Baixos, a família Blaeu reuniu alguns dos maiores nomes da época, como Guilielmus Caesius ou Guilielmus Jansonius Blaeu, Jan Blaeu e Cornelis Blaeu. Ao declínio da cartografia holandesa, acelerado pelo incêndio nas instalações da família Blaeu, seguiu-se a ascensão da cartografia francesa, em que sobressaem Guillaume Delisle e Jean-Baptiste Bourguignon d'Anville.
No século XVIII ganha corpo o critério da exatidão como regra cartográfica e nesse aspecto se destaca o francês César-François Cassini, devido a sua carta da França, na escala 1:86.400, com 184 folhas. Pouco depois, Napoleão Bonaparte mandou preparar o mapa manuscrito de toda Europa, na escala 1:100.000, com 254 folhas.
Viajantes, cientistas e descobridores como James Cook, que fez a carta da Nova Zelândia e a da costa ocidental da Austrália, e Alexander von Humboldt, cuja obra Kosmos teve extrema importância para a geocartografia, foram grandes pioneiros nos levantamentos de campo.
Nessa mesma época, ocorreram dois outros acontecimentos de grande significado para a ciência: a medição do arco do meridiano terrestre, iniciativa da Academia de Ciências de Paris, com o fim de dirimir as questões suscitadas por Cassini e Isaac Newton quanto à forma da Terra. Newton estava certo: a Terra tinha a forma de um elipsóide de revolução, cujo eixo menor coincidia com o eixo de rotação.
Convencionou-se adotá-lo, como forma matemática correspondente a um geóide médio, que serve de referência para o cálculo das operações geodésicas. Ao longo do tempo, vários elipsóides de revolução foram calculados, sendo o de Hayford, em 1909, o mais adotado.
Processos de reprodução.
Até o final do século XIX, a reprodução de mapas dependia da gravação, em uma só cor, em chapa de cobre ou em chapas de madeira. Usava-se, também, a litografia, com os desenhos executados em pranchas de pedra, mais tarde substituídas pelo zinco e alumínio. Para representar o relevo nas cartas topográficas adotava-se o sistema de hachuras de Lehmann, baseado no meio-tom.
A evolução da cartografia prosseguiu com uma série de invenções e aperfeiçoamentos, como a fotografia (e suas derivações, como a fotometalografia e a aerofotogrametria), a heliogravura, a tricromia e a policromia nos processos de impressão, o sistema offset de impressão, o processo fotomecânico de Wenschow para a impressão de sombras em relevo, e o desenho automático do conteúdo pelo estereoplanígrafo de Zeiss. Simplificou-se o letreiramento pela impressão tipográfica (método conhecido como carimbagem) e pela confecção mecânica (normógrafo), chegando-se à prensa Van der Cook, ao fotonimógrafo e outros recursos cada vez mais sofisticados, como o radar, o sonar, sensores remotos, computadores e satélites artificiais, que tornaram a coleta de dados e a reprodução cada vez mais acurada.
Os mapas eram desenhados em nanquim sobre papel, cujos negativos, por processo fotomecânico (photomechanical transfer), geravam cópias positivas mediante um processador de transferência por difusão, sendo em seguida transportados para as pranchas de impressão, em zinco. Antes de vidro, pesados e frágeis, o suporte dos negativos passou a ser de material plástico diverso, à base de resinas vinílicas, com várias denominações comerciais, como astralon ou vinilite.
Na atualidade, o original também pode derivar de levantamentos aerofotogramétricos, cujos dados, com o auxílio de instrumento óptico de precisão, é passado para a folha plástica transparente. Para esse trabalho, utiliza-se um material plástico chamado scribe (carrinho), dotado de uma camada de verniz opaco. Para cada cor (em impressão, as cores primárias são o magenta, o amarelo e o ciano, mais o preto, que combinadas reproduzem toda a variedade de cores), é preciso um negativo próprio

CARTOGRAFIA

A manutenção da rota de um avião ou navio, a análise e definição de estratégias militares de ataque e defesa, a localização de jazidas e possíveis vias de acesso, ou a simples orientação rodoviária numa viagem de turismo, todas essas atividades exigem mapas específicos com diferentes objetivos e usuários. É este o campo da cartografia.
Dá-se o nome de cartografia à ciência de preparar cartas, mapas e planos para os mais variados fins, com diversos níveis de complexidade e informação, baseados em elementos científicos, técnicos e artísticos de extremo apuro, tendo por base os resultados da observação direta ou da análise de documentos. As ciências mais afins à cartografia são a geografia e a geodésia.
Entende-se por mapa a representação gráfica convencional, geralmente plana e em pequena escala, de áreas relativamente extensas, como acontece nos mapas murais e os atlas. Para tal, são utilizados diversos sistemas de projeção, estabelecidos matematicamente. As cartas diferem dos mapas pela representação gráfica em grande escala, enquanto que os planos são cartas que representam áreas relativamente pequenas, o que permite desprezar a curvatura e adotar escala constante.
Escala é a relação estabelecida entre a representação do fenômeno no mapa e sua verdadeira dimensão. A escala 1:1.000.000 significa que cada medida linear do espaço real está reduzida, no mapa, à milionésima parte (1km = 1mm). O plano, que representa áreas menores, geralmente trabalha com a escala 1:500 ou 1:50.000. O principal problema da cartografia é a projeção da superfície curva da Terra sobre uma superfície plana, o que necessariamente provoca alterações nos ângulos e linhas definidos pelas coordenadas geográficas.
Divisões da cartografia.
Três são as divisões básicas da cartografia: cartografia topográfica, topocartografia ou cartografia original; cartografia geográfica ou geocartografia; cartografia temática ou cartografia aplicada.
Cartografia topográfica.
Vinculada à geodésia, a cartografia topográfica dedica-se à transformação direta das medidas e fotografias, obtidas pelos levantamentos de campo, em desenho manual ou pelos levantamentos fotográficos. É quase exclusivamente praticada em instituições governamentais que se dedicam à execução da carta de um país. Trabalho permanente, de contínuo aperfeiçoamento e pormenorização, passou a ser indispensável à tomada de decisões da administração pública e à defesa do território nacional. Com o emprego de escalas pequenas, produzem-se mapas detalhados, matematicamente corretos e que servem de base para outros menos detalhados.
O uso de imagens estereoscópicas nos levantamentos aerofotogramétricos simplificou o desenho cartográfico, tornando-o de mais rápida execução e menos dependente do esforço individual. A aerofotogrametria constitui um método de medida e representação do terreno por meio da fotografia aérea, que é uma perspectiva cônica do terreno. As deformações ópticas desse tipo de foto são corrigidas no momento da fotografia ou em laboratório. Por si só, no entanto, a aerofotogrametria não reduziu os levantamentos de campo, e ainda necessita de apoio terrestre, plenimétrico e altimétrico.
A carta topográfica é, em regra, constituída por numerosas folhas topográficas conexas. São muito utilizadas em atividades profissionais de alto nível ligadas à engenharia, à navegação, à estratégia e à logística militar etc.
Cartografia geográfica.
Quase exclusivamente praticada por empresas privadas, algumas de elevado padrão técnico, a cartografia geográfica opera em íntima conexão com a geografia, produzindo peças cartográficas para uso do público em geral, sobretudo estudantes. A geocartografia trabalha a partir da cartografia topográfica, reduzindo escalas, simplificando conteúdos nas minúcias topográficas e generalizando alguns dos aspectos do desenho.
Mapas murais ou em coleção (atlas), mapas avulsos, plantas de cidades, globos e cartas em relevo são alguns dos produtos comerciais oriundos da cartografia geográfica. O nome atlas deve-se ao fato de, em 1595, na folha de ante-rosto da coleção de mapas de Gerardus Mercator (publicada por iniciativa de seu filho Rumold), aparecer como ilustração de abertura o titã Atlas, condenado por Zeus a carregar os céus sobre os ombros.
Cartografia temática.
A confecção de cartogramas é a área da cartografia temática. Cartogramas são mapas esquemáticos, com elevado nível de abstração, em que formas ou localizações reais são estilizadas com fins conceituais e informativos. Os elementos cartográficos, reunidos numa só folha, são representações gráficas de fenômenos espaciais e temporais, pelo que abordam numerosos assuntos quase sempre em mutação contínua, como as migrações, fluxos de veículos, desmatamento, reflorestamento etc.
O mapa esquemático que serve de base para o cartograma é extraído do mapa topográfico ou geográfico, sendo o tema do cartograma exposto mediante diversos recursos gráficos, como pontos e figuras, quando é chamado de pictórico. Nessa modalidade, o ponto como figura geométrica é adimensional, isto é, seu tamanho nada representa e só vale como material de leitura. Além de pontos, usam-se barras e faixas que indicam extensões lineares ou, pela espessura, a importância do fenômeno. Outro tipo é o cartograma de isocurvas, em que as curvas ou linhas representam, pela posição, valores equivalentes em toda a sua extensão.
Outras espécies de cartogramas: os de superfície, bidimensionais, recomendados para indicar as variações de determinados fenômenos por meio do uso de áreas sombreadas ou coloridas; cartogramas de aparência tridimensional, também denominados blocos-diagramas, em que os fatos são expostos em perspectiva, exibindo-se o mapa esquemático.

DEMOGRAFIA

O emprego de conceitos como índices de natalidade, mortalidade, fertilidade e outros conferiu à demografia notável rigor científico. Sua aplicação permite estudar em quantidade e qualidade o crescimento populacional e determinar alguns dos componentes que estão na base da riqueza e da pobreza das nações.
O termo demografia foi criado em 1855 por Achille Guillard, no livro Eléments de statistique humaine ou démographie comparée (Elementos de estatística humana ou demografia comparada), para designar a ciência que trata das condições, movimentos e progresso das populações. A palavra tem hoje significado muito mais amplo, de ciência das populações humanas. Seu estudo é fundamental porque: a população é elemento político essencial, pois não pode existir estado despovoado; a população dá cunho específico à configuração de uma sociedade, conforme seja mais jovem ou mais idosa, crescente ou decrescente, predominantemente rural ou urbana, mais rica ou mais pobre, formada por uma ou várias etnias etc; e conseqüentemente, todas as questões pertinentes a seus múltiplos aspectos (número, flutuações, composição segundo vários critérios, distribuição territorial, movimentos migratórios etc.) tanto atuais quanto futuros, são fundamentais para a perfeita compreensão de um país e como base do planejamento econômico, político, social ou cultural.
Do ponto de vista demográfico, as populações podem ser abordadas segundo quatro critérios diferentes, cada qual com técnicas próprias: abordagem histórica, que tem por objeto a evolução dos fenômenos demográficos ao longo do tempo e pesquisa as causas e conseqüências dos fatos populacionais com o método das ciências históricas; abordagem doutrinária, que analisa as idéias de pensadores, pregadores ou filósofos, em matéria de população; abordagem analítica, tecnicamente a mais importante, que por meio de processos matemáticos e estatísticos colige os dados brutos indispensáveis e os analisa, ajusta e corrige; e abordagem política, que, apoiada nos elementos obtidos pelos métodos históricos, doutrinários e analíticos, formula políticas demográficas adequadas ao bem-estar nacional.
Demografia histórica
Na pré-história, a população era tanto mais escassa quanto mais remota. Pequenas hordas de seis a trinta membros vagueavam por áreas imensas à cata de alimentos. Pode-se dizer que, há cerca de vinte mil anos, o total da população mundial caberia numa cidade moderna de tamanho médio. Com a agricultura, no período neolítico, deu-se a primeira expansão demográfica (sétimo milênio a.C.), materializada no aumento da densidade e multiplicação das aldeias, durante o processo de dispersão populacional.
Além disso, a revolução urbana do quarto milênio a.C. também contribuiu para o adensamento da população. Na antiguidade oriental, os dados são escassos e aleatórios. O Egito teria atingido sete milhões de habitantes antes da invasão persa. A Babilônia, em seu apogeu, seria uma cidade de 300.000 almas. Israel teria contado com 350.000 habitantes, no máximo. A Pérsia de Xerxes talvez tenha tido 18 milhões, enquanto a China da dinastia Han cerca de setenta milhões. Essas cifras estavam sujeitas a flutuações consideráveis, pois todos os estados antigos e medievais eram extremamente sensíveis a freqüentes flagelos demográficos -- guerras, fomes e epidemias.
A Grécia do século V a.C., dividida em pequenas cidades-estados, teria aproximadamente três milhões de habitantes, com cerca de 200.000 na Ática, dos quais talvez sessenta mil em Atenas. Alexandria e Selêucia, as maiores cidades helenísticas, possuiriam de 220.000 a 300.000 habitantes cada uma. Em Roma, houve censos periódicos que registraram, sob o imperador Augusto, quatro milhões de cidadãos romanos, sem contar suas famílias. Na época de Trajano o império teria, no máximo, cerca de sessenta milhões de pessoas, das quais 1,5 milhão em Roma, que se reduziram a 400.000 sob Constantino. A cidade chegou a ficar totalmente vazia, por quarenta dias, no ano 645. Entre os séculos V e VIII houve acentuado declínio demográfico em todo o Ocidente, que só retomou seu crescimento a partir do século XI. A Bizâncio de Justiniano teve talvez um milhão de habitantes, mas só restavam cinqüenta mil quando ao ser tomada pelos turcos.
Na Idade Média, período essencialmente rural, as cidades eram pequenas. Londres, em 1086, tinha 17.850 habitantes; Bruges, no século XIII, 35.000. Em meados do século XIV, antes da peste negra, que dizimou o Ocidente, matando quase a metade da população, Florença tinha 55.000 habitantes; Milão e Veneza, pouco mais de cem mil cada uma; Paris, em 1328, teria cerca de sessenta mil. Colônia teria trinta mil no século XV e Frankfurt, nove mil. Na China de Marco Polo, no entanto, Hangzhou possuía de 1 a 1,5 milhão de habitantes. Ao ser descoberta, a América teria uma população indígena estimada entre 13,4 a 15,6 milhões. Segundo dados da Organização das Nações Unidas de 1953, no período do tráfico negreiro a população do continente foi acrescida de dez milhões de escravos africanos.
O século XVI foi um período de expansão demográfica na Europa, cuja população sofreu flutuações nos cem anos seguintes devido às guerras religiosas. No século XVIII, a expansão se acentuou, particularmente depois da revolução industrial, e adquiriu proporções de verdadeira explosão demográfica nos séculos XIX e XX. Os conhecimentos médicos mais avançados reduziram a mortalidade, e a civilização ocidental passou de predominantemente rural a urbana, o que acarretou profundas modificações socioculturais. De 1820 em diante, emigraram da Europa para outros continentes cerca de setenta milhões de pessoas.
Demografia doutrinária
Muitos povos estudaram a questão da população e formularam a esse respeito as mais diversas soluções e teorias. De modo geral, distinguem-se em demografia duas tendências fundamentais: a populacionista, favorável ao incremento da população, que se considera como dado positivo; e a restritiva, favorável ao controle populacional.
Em 1798, Thomas Robert Malthus, pastor anglicano e economista, publicou anonimamente na Inglaterra um ensaio em que comparava o crescimento populacional ao crescimento dos meios de subsistência. Argumentava que, enquanto a produção de alimentos cresce em progressão aritmética (1:3:5:7:9:...), a população cresce em progressão geométrica (1:2:4:8:16:...), de onde se conclui que, em dado momento, a população seria tão grande que não haveria meios de prover-lhe a subsistência. Malthus propôs limitar a natalidade por meio de casamentos tardios e continência sexual. Seus seguidores sugeriram, em lugar da continência, o uso de métodos anticoncepcionais: são os neomalthusianos, que se reuniram em ligas a partir de 1877, para difundir o planejamento familiar e o emprego de métodos contraceptivos.
As teses de Malthus suscitaram muita polêmica e controvérsias, sobretudo porque a tecnologia moderna aumentou notavelmente a produção de alimentos e a produtividade do setor agropecuário. Opuseram-se a Malthus: (1) a Igreja Católica, que restringe a aplicação de métodos anticoncepcionais, por entender que a procriação e a educação dos filhos são os fins principais do casamento; (2) outros grupos religiosos, como os mórmons, os judeus ortodoxos etc; (3) os socialistas, de Marx a Stalin, por julgarem que a carência de bens de consumo está ligada à distribuição não-equitativa da riqueza própria do regime capitalista; e (4) os modernistas, termo que designa diferentes correntes de pensamento como as otimistas, biológicas, demográficas, econômicas, sociológicas e psicossociais.
Demografia analítica
A abordagem analítica da demografia estabelece a estrutura das populações por idade, sexo e outras variáveis e calcula sua dinâmica (crescimento ou redução), examinando os processos que nela intervêm: natalidade, mortalidade, fenômenos migratórios, nupcialidade, fecundidade etc. Levando em conta determinações biológicas, ecológicas e socioculturais -- higidez ou morbidez das populações, endemias, epidemias, incidência de métodos anticoncepcionais, controle da natalidade em populações urbanas e rurais --, descreve a situação demográfica considerada sob todos esses aspectos, a fim de computar a população de um país e fazer projeções para o futuro.
As estruturas das populações, por idade e sexo, se representam graficamente pelas pirâmides populacionais, nas quais se marcam nas ordenadas as idades e nas abscissas o número de habitantes por idade ou grupo de idades, com mulheres à direita e homens à esquerda. Quanto mais larga a base da pirâmide, mais jovem a população.
Os fatores principais da dinâmica populacional, são, como se viu, a mortalidade, a natalidade e a dispersão. Tanto a mortalidade quanto a natalidade e o crescimento vegetativo -- diferença entre ambas -- se medem por meio de índices, números relativos dos quais os mais simples são as taxas brutas.
A mortalidade é de análise mais simples, pois a morte ocorre sempre para cada pessoa. O risco de morte varia com a idade e o sexo: é máximo no primeiro ano de idade, cai ao mínimo por volta dos 12 anos e torna a subir à medida que a pessoa envelhece. Geralmente os homens morrem mais cedo que as mulheres. De modo geral, a mortalidade se encontra em declínio no mundo inteiro.
A natalidade é um fenômeno mais complexo, pois nem todas as mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) têm filhos e, entre as que os têm, poucas utilizam integralmente sua capacidade biológica de reprodução. As taxas de natalidade, altas nos países subdesenvolvidos, têm apresentado níveis muito baixos nos países industrializados.
Uma população pode apresentar três combinações entre as taxas de mortalidade e natalidade: alta mortalidade e alta natalidade; baixa mortalidade e alta natalidade; e baixas taxas de mortalidade e natalidade. O mundo, até 1820, e os países subdesenvolvidos, até 1900, apresentavam a primeira dessas combinações. No final do século XX, os subdesenvolvidos apresentavam a segunda combinação e os países industrializados, a terceira.
Demografia no Brasil
Não existe propriamente uma doutrina brasileira para a população. O sentimento generalizado é aparentemente favorável a uma população grande. Contribuem para essa atitude valores culturais favoráveis a famílias numerosas, a oposição da Igreja Católica ao controle da natalidade e a ignorância dos métodos anticoncepcionais pela maior parte da população.
No que diz respeito à demografia analítica, foram feitos grandes progressos, cujos resultados essenciais podem ser assim resumidos: a taxa bruta de natalidade é alta, e a de mortalidade declina com os progressos da medicina e saúde pública; a taxa bruta de reprodução, que indica o crescimento demográfico sem levar em conta a imigração e a emigração, é uma das mais altas do mundo; a taxa de mortalidade infantil é alta; a população brasileira é muito jovem; a população ativa, de dez anos e mais, é considerada pequena; a etnia brasileira tende ao branqueamento, pois a cada novo censo, devido à miscigenação, nota-se um acréscimo percentual do número de brancos e de pardos, enquanto o de negros diminui; a população é predominantemente urbana; a expectativa de vida continua baixa e varia de região para região, mas a tendência nacional é aumentar; a população se distribui irregularmente e as regiões Norte e Centro-Oeste apresentam densidade demográfica muito baixa, embora a ocupação desses territórios se venha acelerando; a imigração estabilizou-se em níveis muito baixos, mas a migração inter-regional continuava ascendente no final do século XX.
Autoria: Erika Tanaka

CRESCIMENTO POPULACIONAL

O crescimento demográfico não é o mesmo para todos países, em geral é bem maior nas áreas de fraca industrialização e grande população rural, e é bem menor nas áreas bastante industrializadas e de grande população urbana. Em outras palavras os países e as regiões mais desenvolvidas crescem populacionalmente bem menos que os subdesenvolvidos.
Países desenvolvidos - Predominam neste grupo de países baixas taxas de crescimento vegetativo, usualmente próximo a zero ou até mesmo negativo caso do continente europeu. A implicação econômica está na baixa capacidade de reposição populacional em diferentes faixas de idade.
Países subdesenvolvidos - Já neste grupo Predominam elevadas taxas de crescimento vegetativo com tendência a redução.
Causas da redução do crescimento vegetativo:
• Crescimento urbano: elevado custo (benefício da criação de filhos em áreas urbanas).
• Emancipação feminina, seguida das melhoras dos coeficientes educacionais.
• Casamentos tardios.
• Difusão dos contraceptivos.
 Características gerais e o contexto histórico das teorias demográficas
Teoria malthusiana - Malthus preveu um forte crescimento populacional que não seria acompanhado pelo aumento da produção de alimentos, segundo ele a produção de alimentos cresceria numa PA enquanto na realidade crescera numa PG, ele não poderia prever a tecnologia na agricultura pois estava em plena revolução industrial.
Teoria Neomalthusiana - Alarmista teoria contemporânea ao pós querra de base ideológica Capitalista.
Base teórica: as elevadas taxas de crescimento populacional de 3° mundo traz como reflexo e conseqüência o elevado grau de subdesenvolvimento econômico e a situação de miséria e fome.
Teoria da transição demográfica: Alguns estudiosos apresentaram esta teoria para explicar os fenômenos relativos ao crescimento populacional mundial: as taxas de crescimento vegetativo de alguns países desenvolvidos estavam muito baixas próximo a zero e nos não desenvolvidos havia uma clara tendência de crescimento acelerado, algo como explosão populacional.
Teoria Marxista: ideológica socialista Atribui forte pressão sobre os recursos naturais não renováveis se caso permaneça as elevadas taxas de crescimento populacional nos países subdesenvolvidos. Para tanto deve ser aplicado o conceito de desenvolvimento sustentável è a capacidade de crescimento econômico.
Características da estrutura etária nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos. O que é transição demográfica e quais países se enquadram
A estrutura etária é um importante indicador do nível de desenvolvimento socioeconômico do país. Por exemplo:Estrutura etária com elevado predomínio de adultos e idosos é característica de países de maior desenvolvimento socioeconômico. Estrutura etária com predomínio de população jovem caracteriza países com menor desenvolvimento socioeconômico.
Países Desenvolvidos - A base da pirâmide é estreita sendo reflexo das baixas taxas de natalidade e fecundidade. O impacto econômico está na baixa reposição das faixas etárias. A parte intermediária é predominante, a população ativa também com tendência a redução, o ápice é ligeiramente largo, continuamente em expansão, sendo reflexo da elevada expectativa de vida.
Países subdesenvolvidos - Base larga sendo reflexo das elevadas taxas de natalidade, sendo determinante na prevalência de jovens. A parte intermediária tende a crescer em decorrência do envelhecimento dos jovens. Em muitos países ainda não é predominante o ápice estreito reflexo da baixa expectativa de vida.

A POPULAÇÃO MUNDIAL

Atualmente, a população mundial já ultrapassa os 6 bilhões de pessoas. É inegável que se trata de um contingente bastante numeroso de pessoas que necessitam de abrigo, alimentos, água, entre muitas outras coisas.
O tamanho de uma população qualquer é o resultado de entradas ou somas e saídas ou subtrações. As entradas ou somas correspondem aos nascimentos e imigrações, ao passo que as saídas ou subtrações correspondem aos óbitos e emigrações. Assim, ao considerarmos o tamanho da população brasileira, ao longo dos tempos, temos que levar em conta não só o crescimento natural como também o saldo migratório, isto é, a diferença entre o número de imigrantes e de emigrantes.
É evidente que, no caso da população mundial, as migrações são desconsideradas, pois são priorizadas as taxas de natalidade e de mortalidade. Afinal, nosso planeta não recebe migrantes vindos de fora e tampouco perde população para outro planeta.
A taxa de natalidade refere-se ao número de nascimentos a um dado período, usualmente um ano. Ele expressa o número de crianças nascidas para cada grupo de mil pessoas. Ao se dizer que a taxa de natalidade de um determinado país é de 19‰, significa que, para cada mil pessoas da população desse país, nasceram 19 crianças naquele ano.
Vale a pena comentar que as taxas de natalidade variam de um grupo de país para outro e refletem as condições de existências de suas populações.
A taxa de mortalidade corresponde ao número de mortes ocorridas em um ano em relação ao total da população. Assim como ocorre com as taxas de natalidade, a de mortalidade também é expressa em grupos de mil pessoas. Por exemplo, uma taxa de mortalidade de 12‰ indica que, para cada grupo de mil pessoas da população, morreram 12.
Quando as condições de existência podem ser consideradas boas, satisfatórias, a mortalidade tende a ser mais reduzida.
A taxa de crescimento ou de diminuição da população é obtida subtraindo-se a taxa de mortalidade da taxa de natalidade. Tomando-se os exemplos acima utilizados e desconsiderando-se as migrações, esse país apresentaria um crescimento de 7‰ (19‰ - 12‰ = 7‰). Convém comentar que, ao contrário do que ocorre com as taxas de natalidade e de mortalidade, a taxa de crescimento natural é expressa em porcentagem. Assim, conforme o nosso exemplo, a população cresceu a uma taxa de 0,7%.

sábado, 15 de janeiro de 2011

CIVILIZAÇÃO ISLÂMICA

Islã significa resignação, submissão (a Alá - Deus). Aqueles que obedecem a Alá, considerando-o o único e verdadeiro Deus, aceitando a fé do Islamismo, são chamados de muçulmanos, islâmicos ou maometanos.
O livro sagrado dos muçulmanos é o Corão ou Alcorão, redigido em árabe, entre os anos 610 e 632. Ele contém a coletânea de tudo o que foi revelado por Alá a Maomé.
O Islamismo surgiu no começo do século VII e rapidamente se difundiu entre as tribos árabes, unindo-as em tomo da mesma fé.
Hoje, a religião muçulmana é a que mais cresce no mundo e tem cerca de 1,3 bilhão de adeptos.
A civilização islâmica teve a sua origem na península arábica. Habitada por diferentes povos semitas (árabes, hebreus, assírios, fenícios e aramaicos), organizados em tribos, a Arábia não tinha unidade política, estando dividida em clãs familiares.
A cidade de Meca é o mais importante centro religioso muçulmano e nela se localiza a CAABA (Casa de Deus), que abriga a Pedra Negra, um pedaço de meteorito, trazido do céu pelo anjo Gabriel para o profeta Abraão.
Os povos árabes foram os grandes divulgadores da religião islâmica. A expansão árabe-muçulmana acabou por islamizar uma série de povos não-árabes, como os turcos e os persas.
Assim, embora os muçulmanos constituam a maioria da população nos países árabes, os quatro países com maior população muçulmana não são árabes: Indonésia (160 milhões), Paquistão (100 milhões), Índia (90 milhões) e Bangladesh (85 milhões).
A morte do profeta Maomé, que viveu de 570 d.C. a 632 d.C., provocou a divisão de seus seguidores em dois grandes grupos: os xiitas e os sunitas, predominantes até hoje.
Os sunitas seguiram os ensinamentos de Maomé contidos em um conjunto de textos que foi denominado SUNA. Para os sunitas, o SUNA é uma importante fonte de verdade ao lado do Alcorão.

Xiitas e Sunitas
Os xiitas consideram que o líder religioso e político deva ser descendente de Maomé, além de só admitirem o Alcorão como fonte sagrada. Os xiitas são contrários à ocidentalização e são defensores intransigentes dos fundamentos da fé islâmica. Os sunitas correspondem a 85% do mundo muçulmano e os xiitas, aos restantes 15%.
Os xiitas são maioria em poucos países como o Irã, o Iraque e o Bahrein.
No mundo muçulmano, não pode nem deve haver conflito entre a política e o mundo espiritual. O mundo político deve submeter-se ao espiritual e a ele deve se adequar.
“O mundo islâmico é constituído por uma só nação”, dizia o Profeta.
O islamismo é monoteísta e o fiel muçulmano tem quatro deveres básicos a cumprir:
1. fazer orações cinco vezes ao dia, voltado para MECA.
2. jejuar, não consumir bebidas nem tabaco, abstinência sexual, especialmente no mês sagrado dos muçulmanos (Ramadã).
3. dar esmolas que sejam proporcionais a sua renda.
4. ir a Meca pelo menos uma vez na vida, em peregrinação religiosa.

Situação da população mulçumana árabe
“Numa iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), um grupo de estudiosos debruçou-se sobre o estado atual do mundo árabe em busca um diagnóstico de seus problemas. As conclusões são desalentadoras. O estudo abarca as 22 nações que integram a Liga Árabe — exclui, portanto, os Estados muçulmanos não-árabes, como o Irã, a Turquia, o Paquistão e a Indonésia. Os países árabes, unidos pelo mesmo idioma, somam 280 milhões de habitantes, um pouco mais que os Estados Unidos. O PIB de todos eles juntos é de US$ 531 bilhões, menor que o da Espanha, com uma população de 40 milhões. A estagnação econômica árabe só perde para a da África Subsaariana, a região mais pobre do mundo. Nos últimos 20 anos os países árabes cresceram a uma média anual de 0,5%. A riqueza gerada pelo petróleo trouxe poucos benefícios, pois é aplicada nos mercados da Europa, dos Estados Unidos e do Japão. Para os países árabes, com a população mais jovem do mundo — um efeito dos altíssimos índices de natalidade —, esse atraso é sinônimo de desemprego, cerca de 15% na média da região.
Para os pesquisadores da ONU, há três grandes déficits que mantêm o mundo árabe aquém de seu potencial econômico e humano: liberdade, igualdade para as mulheres e conhecimento. Nenhum país árabe é uma verdadeira democracia.
Também a utilização das capacidades da mulher no mundo árabe é a menor do mundo, segundo o Pnud. ‘Toda a sociedade sofre quando metade de seu potencial produtivo é asfixiada’, afirma o estudo. As mulheres, mantidas a distância da participação política e com menor acesso à educação, têm pouca chance de mudar o quadro. Cerca de 50% da população feminina árabe é analfabeta, índice duas vezes maior que entre os homens. Outro grave empecilho ao desenvolvimento é a falta de investimento em pesquisa e o acesso restrito à tecnologia de informação.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

AGENDA 21

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A “Agenda 21” é um documento lançado na ECO92 (ou Rio92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD – realizada em 1992 na cidade do Rio de Janeiro), que sistematiza um plano de ações com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável.
Durante dois anos governos e entidades de diversos países contribuíram com propostas para a criação deste plano de ações para concretizar o ideal de desenvolver sem agredir ao meio ambiente.
A inovação trazida por essa agenda foi colocar em primeira ordem o que geralmente costumava ficar sempre em último lugar quando o assunto era desenvolvimento: o meio ambiente. Até então, todas as políticas de desenvolvimento visavam sempre o crescimento econômico legando ao último lugar a preocupação com o futuro ambiental do planeta, isso quando ainda se atribuía alguma preocupação a este assunto.
A partir de então, 179 países assumiram o compromisso de contribuir para a preservação do meio ambiente.
Composta por quarenta capítulos, a Agenda 21 é um instrumento de planejamento participativo onde se admite de forma explícita a responsabilidade dos governos em impulsionar programas e projetos ambientais através de políticas que visam a justiça social e a preservação do meio ambiente. Entretanto, a Agenda pode ( e deve) ser implementada tanto pelos governos quanto pela sociedade, concretizando o lema da ECO92: “pensar globalmente, agir localmente”.
A implementação local da Agenda 21 (Agenda 21 local, citada no capítulo 28 da Agenda 21 global) se baseia no princípio de que as mudanças não podem ser realizadas somente “de baixo para cima”, como uma imposição. Isso porque as pessoas tendem a se preocupar apenas com as mudanças que afetam diretamente suas vidas e estejam ligadas diretamente as suas necessidades. Além do que, é também, uma forma de agilizar o processo, uma vez que, uma população envolvida passará a exigir mais de seus governantes.
A Agenda 21 Brasileira começou a ser criada em 1996 pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS). Cerca de 40.000 pessoas contribuíram para a criação da Agenda 21 brasileira que começou a ser implantada em 2003.
Entre as conquistas da Agenda 21 no Brasil podemos citar a criação de Agendas 21 nos municípios, a ampliação da CPDS através do Decreto Presidencial de 03 de fevereiro de 2004, a formação de gestores municipais e ONG’s em todo o país e sua inclusão no Plano Plurianual do Governo Federal (PPA) com o objetivo de assegurar a implementação das ações prioritárias da Agenda 21 brasileira, a instalação de Fóruns locais de desenvolvimento sustentável, além de estimular e acompanhar a elaboração e implementação de planos locais de desenvolvimento sustentável por meio das Agenda 21.
Caroline Faria

AGRUPAMENTOS COMERCIAIS

Os agrupamentos comerciais não é uma novidade, desde o século XIX o continente europeu já realizava este tipo de organizações supranacionais de base comercial.
A diferença entre o presente e o passado está relacionada com a variedade das formas dos agrupamentos. Existem na atualidade três tipos de agrupamentos comerciais, que são:
* Áreas de Livre comércio: São formadas por grupos de países que extinguem todas as tarifas e obstáculos comerciais entre seus membros, sem alterar as tarifas aplicadas ao resto do mundo. O melhor exemplo foi a Aelc (Associação Européia de Livre Comércio), criada em 1960 por um conjunto de países que não haviam entrado no Mercado Comum Europeu.
A Aelc era formada por Reino Unido, Noruega, Suécia, Dinamarca, Áustria, Suíça e Portugal.
* União alfandegária: Ocorre quando os países membros abolem todas as tarifas e obstáculos comerciais entre eles e adotam também uma tarifa externa comum. Um bom exemplo de união alfandegária foi o Benelux, organização criada em 1948 pela Bélgica, pelos Países Baixos e por Luxemburgo.
* União econômica: É a forma mais ampla de agrupamento comercial. Além da abolição de tarifas comerciais internas e da adoção de uma tarifa externa comum, esse tipo de associação cria dispositivos para a liberação das fronteiras internas, permitindo a livre circulação de capitais, bens e mão-de-obra.
A união econômica acaba adotando também uma série de medidas de homogeneização das suas políticas monetárias e fiscais, pode ocorrer também a essa união possuir apenas um Banco Central e uma moeda única. O exemplo mais bem sucedido deste tipo de agrupamento é a União Européia, que surgiu em 1991.
Esses tipos de organizações apresentam aspectos positivos como a ampliação do mercado consumidor interno, permitindo as empresas uma economia de escala. Uma outra vantagem é que com os agrupamentos comerciais, acelera-se a economia como um todo, pois as transações econômicas são ampliadas e os custos da comercialização, diminuem consideravelmente.
Assim como essas organizações apresentam vantagens, possuem alguns inconvenientes que deve ser levado em consideração. Um dos inconvenientes é que a administração é muito complicada, pois equilibrar o interesse de todos os participantes é quase impossível, certos produtores podem se sentir lesados e falências podem ocorrer.
Aparentemente essas organizações são ótimas. Mais o que se vê é a formação de uma crescente guerra comercial, pois esses agrupamentos dividem o mundo em blocos: dentro de suas fronteiras, o comércio ocorre de forma livre, mas fora delas a concorrência leva a formação de fortes barreiras comerciais.
Fernando Sirugi

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

ACIDENTES GEOGRÁFICOS

Acidentes geográficos são variações no relevo terrestre, e podem ser divididos em duas categorias: acidentes naturais, como lagos, rios, montanhas, vales, serras, etc.; e acidentes artificiais, como casas, cidades, pontes, etc.
Os acidentes geográficos geralmente são utilizados como ponto referencial para delimitar fronteiras, como os Montes Urais, acidente geográfico que delimita a fronteira entre a Ásia e a Europa; ou o obelisco em Foz do Iguaçu, um acidente geográfico artificial que marca a fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Veja alguns acidentes geográficos e suas definições:
Acidentes naturais ou artificiais: “ilhas”, porção de terra cercada de água pelos lados, podendo ser, ligadas ao continente, mas que por causa do relevo, possuem um canal que as separa deste (Ex. ilha de Marajó), ou ainda, uma montanha ou vulcão submarino que emerge e forma uma ilha sem qualquer ligação com o continente (Ex.: ilha de Páscoa);
“arquipélago”, conjunto de ilhas; “baía” ou “golfo”, reentrância pela qual o mar adentra um pedaço do continente formando uma abertura estreita (Ex.: baía da Guanabara), a diferença é que o “golfo” possui dimensões bem maiores (Ex.: golfo de Bengala); “Canal”, estreitamento natural do mar ou uma passagem escavada na terra para se conduzir cursos de água para se conectar rios, lagos ou mares (Ex.: canal de Suez – artificial; canal da Mancha – natural); “delta”, desembocadura de um rio (Ex.: delta do Nilo); “estreito”, passagem estreita com terra de ambos os lados que liga um mar/oceano a outro (Ex.: Estreito de Gibraltar); “istmo”, uma faixa de terra estreita que liga dois continentes ou este e uma península (Ex.: a América Central, na região do Panamá, é um istmo que liga a América do Norte e do Sul); “península”, porção de terra que está ligada ao continente por um istmo (Ex.: Península de Yucatã/Yucatan);
“depressão”, extensões de terra situadas abaixo do nível do mar (Ex.: a depressão onde está localizado o Mar Morto); “mesa”, parte do terreno mais elevada que apresenta o topo plano e as escarpas inclinadas e de extensão considerável; “chapada”, elevação abrupta do terreno com o topo também plano e escarpas íngremes, porém de extensão menor (Ex.: Chapada dos Veadeiros); etc.
Caroline Faria